Nicolas Bouvier

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Bouvier em 1987.

Nicolas Bouvier (6 de março de 192917 de fevereiro de 1998) foi um escritor, viajante, iconógrafo e fotógrafo suíço.

Vida[editar | editar código-fonte]

Bouvier nasceu em Grand-Lancy perto de Geneva e era o filho mais novo de três crianças. Ele cresceu "num ambiente Huguenote, rigoroso e ao mesmo tempo esclarecido, intelectualmente muito aberto, mas onde todo o aspecto emocional do crescimento foi monitorizado." Passou a sua infância uma casa onde, nas suas palavras, "o cortador de papel contava mais do que a faca de pão", uma referência dupla ao seu pai bibliotecário ("um dos seres mais amistáveis que eu já conheci") e a sua mãe, "a cozinheira mais medíocre a ocidente do Suez"). Cresceu indiferente à culinária e era um viajante a sério, assim como um leitor ávido. Entre as idades de seis e sete anos, devorou Júlio Verne, Curwood, Stevenson, Jack London e Fenimore Cooper. "Aos oito anos, tracei com unha do dedo grande a rota dos Yukon na manteiga sobre a minha tosta. Já estava à espera do mundo: à espera de crescer e de desaparecer." A partir de 1946 várias escapadas (Bourgogne, Toscânia, Provença, Flandres, o Sahara, Lapónia, Anatólia) fizeram-no iniciar o caminho do viajante. Contudo, inscreveu-se na Faculdade de Letras da Universidade de Génova, deixou-se levar pelo seu interesse em Sânscrito e em História Medieval, e pensou em fazer um doutoramento (que ele afinal não fez) em estudos comparados sobre Manon Lescaut e Moll Flanders. As suas viagens pelo mundo incitaram-no a recontar as suas experiências e aventuras, sendo os trabalhos mais famosos "L'usage du monde" e "Poisson Scorpion". O seu trabalho está marcado por um compromisso em reportar aquilo que ele vê e sente, revestido por nenhuma presença de omnisciência, levando muitas vezes até uma fronteira íntima com o místico. A sua viagem de Geneva ao Japão foi decorrente da grande corrente leste com os hippies que ocorreram nos anos 60 e 70 – um processo lento, homogeneizador num carro icónico, guardando cuidadosamente alguma idiossincrasia, um ritual de passagem. Mas os travelogues inspirados nesta viagem diferem, contendo reflexões profundas sobre a natureza íntima do homem, escritas num estilo muito consciente e apreciador das tradições e possibilidades da língua que o autor usa. (Escreveu mormente em francês, mas ele menciona escrever uma série de artigos em Inglês para um jornal local durante a sua estada no Ceilão). "Para alcançar o coração do homem, deve-se retornar ao fino livro que contém todos os seus poemas." escreveu Bertial Galand, o editor de Bouvier. A obra em questão é "Le dehors et les dedans", uma coleção de textos escritos maioritariamente na estrada e publicados pela primeira vez em 1982. Este é o único livro de poesia de Bouvier, quem contudo disse numa entrevista, "A poesia é mais necessária para mim do que a prosa porque é extremamente directa, brutal – full-contact!" Nos finais de 1950, pediu-lhe para ele encontrar imagens do olho e suas doenças. Por isso, Bouvier descobriu, "a partir das chances da vida", a sua profissão de "investigador de imagens", que provavelmente lhe agradou porque "imagens, como música, falam uma língua universal", tal como sugerido por Pierre Starobinski no seu prefácio ao "Le Corps, miroir du Monde – voyage dans le musée imaginaire de Nicolas Bouvier. Outro trabalho póstumo, "Entre errance et eternité" oferece um olhar poético às montanhas do mundo. O iconógrafo comentou sobre algumas das suas descobertas numa série de artigos para o "Le Temps stratégique", compiladas como histórias de uma imagem. O facto de Bouvier ter vivido em movimento não quer dizer que ele não tenha gostado da Suíça. Ao contrário: esteve envolvido em várias actividades, criando o grupo progressista Gruppe Olten, com Frisch e Dürrenmatt, depois de ter deixado a Associação de Escritores Suíços, que ele achava muito conservadora. Em "L'Echappée Belle, éloge de quelques pérégrins", ele elogia a Suíça muito "pouco falada: uma Suíça em movimento, uma Suíça nómada." A Suíça sedentária? "deve estar a brincar comigo! Na verdade, os suíços são os povos mais nómadas da Europa. Cada sexto suíço escolheu viver a sua vida fora do país." Sensato? "Ainda vamos ver! Sob uma superfície de organização, o verniz do helvético 'como deve ser', sinto a passagem do grande estrato do irracional, uma fermentação surda, tão presente nos primeiros thrillers de Dürrenmatt, em "Marte" de Fritz Zorn, uma violência latente, que, para mim, rende este país ao bizarro e ao envolvente." O viajante-escritor, amigo de Ella Maillart, vê na história do seu país "uma constante de nomadismo, de exílio, de procura, de ansiedade, uma maneira de não estar no lugar, que marcou profundamente a nossa mentalidade, e, por isso, a nossa literatura. Há 2000 anos que há uma Suíça vagabunda, peregrina, forçada à estrada pela pobreza, e sobre a qual falamos muito raramente." Bouvier recebeu os prémios Prix de la Critique (1982), Prix des Belles Lettres (1986) e o Grand Prix Ramuz (1995) pela sua obra inteira. A 17 de fevereiro de 1998, Nicolas Bouvier morreu de cancro, nas palavras da sua mulher "em completa serenidade". Alguns meses antes, ele escrever esta palavras: "Daqui para a frente, é noutro qualquer lugar / que não revela o seu nome / em outros sussurros e outros aviões /que deves/mais do que crespar/desaparecer em silêncio /retornando por isso para os ventos da estrada" (Le dehors et le dedans, "Morte saison'").

Maiores Viagens[editar | editar código-fonte]

Khyber Pass (1953 - 1954)

Mesmo sem esperar pelo resultado dos seus exames Bouvier foi com o seu amigo Thierry Vernet num Fiat Topolino de viagem.( Ele soube que estava licenciado em Letras em Bombaim). Primeiro Destino: Jugoslávia. A viagem dura até Dezembro de 1954. Os dois foram até à Turquia, ao Irão e ao Paquistão e Thierry Vernet deixa o seu amigo em Khyber Pass/Estreito de Khyber. Bouvier continua sozinho, mas as suas palavras e os seus desenhos juntam-se alguns anos mais tarde para recontar esta viagem em "L'usage du monde". O peregrino encontra as palavras para se exprimir e os seus pés seguem-no fielmente: "Uma viagem não precisa de razões. Já é há muito uma razão por si própria. Alguém pensa que vai fazer uma viagem, mas a viagem é que o faz ou refaz". O livro tem sido descrito como uma viagem de auto-descoberta, por exemplo no "On the order of Robert M. Pirsig’s Zen and the Art of Motorcycle Maintenance". Mais tarde, em "The Paths of Halle-San:" Se não dermos o direito à viagem de nos destruir um pouco, podemos por isso ficar em casa."

Sri Lanka (1955)

Em companhia intermitente, Bouvier atravessa o Afeganistão, o Paquistão e a Índia, antes de chegar ao Ceilão. Aqui perde o seu chão: a solidão e o calor são o seu chão. Levar-lhe-ia 7 meses para deixar a ilha e quase trinta anos para se libertar do peso desta aventura com "Le Poisson-Scorpion", um conto mágico oscilando entre a luz e a sombra. Acaba com uma citação de Louis-Ferdinand Céline: "A maior derrota de todas é esquecer e especialmente a coisa que te derrotou."

Japão (1955-1956)

Depois do Ceilão parte para outra ilha: Japão. Ele encontra um país em mudança e volta uns anos mais tarde. Estas experiências levaram ao "Japon", que se transformou em "Chroniques Japonaises" depois de um terceiro sojurnem 1970 (Bouvier produziu alguns livros para o pavilhão suíço na Expo de Osaka) e houve depois uma completa re-edição. Ele diria deste país que "o Japão é uma aula de economia. Não é considerado bom ocupar muito espaço." Em "Chroniques Japonaises" ele mistura as suas experiências pessoais e re-escreve a história do Japão de uma perspectiva ocidental. É uma re-representação do longínquo oriente a partir de perspectivas ocidentais pessoais.

Irlanda (1985)

A partir de reportagens para um jornal das ilhas Aran, Bouvier escreveu "Journal d'Aran et d'autres lieux", um conto de viagens que escorrega às vezes para o supernatural, onde o viajante sofre de tifóide. Não é que se meta no meio da apreciação do ar das ilhas irlandesas, as quais "dilatam, tonificam, intoxicam, tornam mais leve e libertam na cabeça os espíritos animais, que de dão a jogos desconhecidos, mas divertidos. Conglomera as virtudes da champanhe, cocaína, cafeína, arrebatamento amoroso e o escritório de turismo comete um grande erro em esquecer isso nos seus prospectos."

Obras[editar | editar código-fonte]

  • L'Usage du monde, 1963, Payot poche, 1992
  • Japon, éditions Rencontre, Lausanne, 1967
  • Chronique japonaise, 1975, éditions Payot, 1989
  • Vingt cinq ans ensemble, histoire de la television Suisse Romande, éditions SSR, 1975
  • Le Poisson-scorpion, 1982, éditions Gallimard, Folio, 1996
  • Les Boissonas, une dynastie de photographes, éditions Payot, Lausanne, 1983
  • Journal d'Aran et d'autres lieux, éditions Payot, 1990
  • L'Art populaire en Suisse, 1991
  • Le Hibou et la baleine, éditions Zoé, Genève, 1993
  • Les Chemins du Halla-San, éditions Zoé, Genève, 1994
  • Comment va l'écriture ce matin?, éditions Slatkine, Genève, 1996
  • La Chambre rouge et autres textes, éditions Métropolis, 1998
  • Le Dehors et le dedans, éditions Zoe, Genève, 1998
  • Entre errance et éternité, éditions Zoé, Genève, 1998
  • Une Orchidée qu'on appela vanille, éditions Métropolis, Genève, 1998
  • La Guerre à huit ans, éditions Mini Zoé, Genève, 1999
  • L'Échappée belle, éloge de quelques pérégrins, éditions Métropolis, Genève, 2000
  • Histoires d'une image, éditions Zoé, Genève, 2001
  • L'Oeil du voyageur, éditions Hoëbeke, 2001
  • Charles-Albert Cingria en roue libre, éditions Zoé, Genève, 2005

Referências[editar | editar código-fonte]

  • "A Master Traveler (Nicolas Bouvier)", 'Paths to Contemporary French Literature', volume 1, by John Taylor, New Brunswick, New Jersey: Transaction Publishers, 2004, pp. 60–61.