Nikolai Berdiaev

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Nikolai Berdyaev
Nascimento 18 de março de 1874
Kiev, Ucrânia
Morte 24 de março de 1948 (74 anos)
Clamart, Île-de-France
Influências
Influenciados
Escola/tradição Existencialismo cristão
Principais interesses Criatividade, moralidade, liberdade
Nikolai Berdyaev.

Nikolai Alexandrovich Berdyaev (em russo: Никола́й Алекса́ндрович Бердя́ев) (18 de março de 187424 de março de 1948) foi um religioso e filósofo político russo.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Infância e educação[editar | editar código-fonte]

Berdyaev nasceu em Kiev em uma família militar aristocrata. Ele viveu uma solitária infância em casa, quando leu a biblioteca inteira de seu pai. Leu clássicos como Hegel, Schopenhauer, e Kant quando tinha apenas quatorze anos.

Atividades revolucionárias[editar | editar código-fonte]

Berdyaev decidiu trilhar uma carreira intelectual quando ingressou na Universidade de Kiev em 1894. Inseriu-se num contexto de fervor revolucionário de universitários e intelectuais. Berdyaev tornou-se Marxista e em 1898 foi preso em uma manifestação estudantil e expulso da universidade. Mais tarde, o seu envolvimento em atividades ilegais levou a três anos de exílio na região central da Rússia, uma sentença leve se comparada com o infligido a muitos outros revolucionários.

Em 1904 Berdyaev casou-se com Lydia Trusheff, mudando-se com sua esposa para São Petersburgo, a capital russa e centro da atividade intelectual e revolucionária. Berdyaev participou ativamente dos debates intelectuais e espirituais, algumas vezes despertando atenção por seu marxismo radical. Berdyaev e Trusheff mantiveram-se casados, com uma boa relação, até a morte de Lydia em 1945.

Berdyaev era devoto do Cristianismo Ortodoxo, mas frequentemente criticava a instituição da Igreja. Um inflamado artigo publicado em 1913 criticando o Santo Sínodo da Igreja Ortodoxa Russa levou-o a ser acusado do crime de blasfêmia, recebendo a punição de exílio perpétuo na Sibéria. Vieram a Primeira Guerra Mundial e a Revolução Bolchevique, que impediram que o assunto fosse posteriormente julgado.

Ele foi um Cristianismo universalista [1] [2] . Berdyaev escreveu que:

Boa parte dos mestres orientais da Igreja, a partir de Clemente de Alexandria até Máximo, o Confessor, eram partidários da 'Apokatastisis', de reconciliação universal e ressureição. [...] No pensamento ortodoxo nunca foi suprimida a idéia de justiça divina e nunca esqueceu-se da idéia do amor Divino. Principalmente - não definem o homem do ponto de vista da justiça Divina, mas a partir da idéia de transfiguração e deificação do homem e do cosmos.[3]

Expulsão da Rússia[editar | editar código-fonte]

Berdiaev não poderia aceitar o regime bolchevista porque seu autoritarismo e a dominação da liberdade pelo Estado, suprimindo as liberdades individuais não coadunavam com suas idéias. No entanto, ele aceitou as dificuldades do período revolucionário, como foi permitido, por enquanto, continuar a ensinar e escrever.

Sua filosofia fora caracterizada como Cristianismo existencialista. Ele preocupou-se com a criatividade e a liberdade individual como objeto dessa criatividade, onde essa oposição seria uma "coletivização e mecanização da sociedade".

Em setembro de 1922, Berdiaev selecionou um grupo de 160 proeminente escritores e universitários, intelectuais que o governo bolchevique considerava objetáveis, tendo forçado-os ao exílio no chamado 'philosophers ship'. Em geral, eles não eram partidários nem do Czarismo nem do regime dos bolcheviques, preferindo formas menos autocrático de governo. Foram incluídos os que defendiam a liberdade pessoal, desenvolvimento espiritual, ética cristã, e um caminho informado pela razão e guiada pela fé.

Exílio na França[editar | editar código-fonte]

Berdyaev, junto com outros exilados, primeiro foi a Berlim, mas as condições econômicas e políticas na Alemanha de Weimar levaram ​​ele e sua esposa para Paris em 1923. Lá ele fundou uma academia, ensinou, pregou, e escreveu, trabalhando para uma troca de idéias com a comunidade intelectual francês.

Durante a ocupação alemã da França, Berdyaev continuou a escrever livros que foram publicados após a guerra, alguns deles depois de sua morte. Nos anos que se passou em França, Berdyaev escreveu quinze livros, incluindo a maioria de suas obras mais importantes. Ele morreu em sua escrivaninha na sua casa, em Clamart, perto de Paris, em março de 1948.

Legado[editar | editar código-fonte]

Berdyaev influenciou muitos pensadores, mas seu trabalho também foi muitas vezes objeto de discussões polêmicas. Sua obra tem sido lida principalmente nos círculos de existencialismo [filosofia] e teologia Ortodoxa. Fora da compreensão de Berdyaev de livre e criatividade, Davor Dzalto desenvolveu a sua compreensão arte contemporânea e produção e sua importância para o ser humano. Ele é creditado com o desenvolvimento de uma influente escola de pensamento, às vezes chamado de realismo Místico, com influência dentro e fora da Rússia, mas especialmente refletir aspectos do pensamento filosófico russo não costumam ser vistos no Ocidente.

Trabalhos[editar | editar código-fonte]

  • The Meaning of the Creative Act (1916) 1955
  • Dostoevsky (1923) 1934
  • The Meaning of History (1923) 1936
  • The End of Our Time [aka The New Middle Ages] (1924) 1933
  • Leontiev (1926) 1940
  • Freedom and the Spirit (1927-8) 1935
  • The Russian Revolution (1931)(anthology)
  • The Destiny of Man 1931 (1937)
  • Christianity and Class War 1931 (1933)
  • The Fate of Man in the Modern World (1934) 1938
  • Solitude and Society (1934) 1938
  • The Bourgeois Mind 1934 (anthology)
  • The Origin of Russian Communism (1937) 1955
  • Christianity and Anti-semitism (1938) 1952
  • Slavery and Freedom (1939)
  • The Russian Idea (1946) 1947
  • Spirit and Reality (1946) 1957
  • The Beginning and the End(1947) 1952
  • Towards a New Epoch" (1949) (anthology)
  • Dream and Reality: An Essay in Autobiography (1949) 1950
  • The Realm of Spirit and the Realm of Caesar (1949) 1952
  • The Divine and the Human (1949) 1952
  • Truth and Revelation (n.p.) 1953

Fontes:

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências[editar | editar código-fonte]

  1. Apokatastasis Theandros, O Jornal Online do Cristianismo Ortodoxo; teologia e filosofia. Acessado Aug. 12, 2007
  2. Sergeev, Mikhail."Temas da pós-modernidade na filosofia de Berdiaev". Religiões no leste europeu. Acessado Aug. 12, 2007
  3. Berdyaev, Nikolai. "The Truth of Orthodoxy". Acessado Aug. 12, 2007.

Trabalhos citados[editar | editar código-fonte]

  • N. Berdyaev. Dream and reality: An essay in autobiography. Bles, London, 1950.
  • M. A. Vallon. An apostle of freedom: Life and teachings of Nicolas Berdyaev. Philosophical Library, New York, 1960.
  • Lesley Chamberlain. Lenin's Private War: The Voyage of the Philosophy Steamer and the Exile of the Intelligentsia. St. Martin’s Press, New York, 2007.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]