Nitroglicerina

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Nitroglicerina
Alerta sobre risco à saúde
Nitroglycerin-2D-skeletal.png
Nitrogylcerin (3D ball-and-stick model).png
Nome IUPAC 1,2,3-trinitroxypropane
Outros nomes 1,3-dinitrooxypropan-2-yl nitrate
propane-1,2,3-triyl trinitrate
Identificadores
Número CAS 55-63-0
PubChem 4510
DrugBank APRD00153
Código ATC C01DA02
SMILES
Propriedades
Fórmula química C3H5N3O9
Massa molar 227.04 g mol-1
Aparência Clear yellow/colorless oily liquid
Densidade 1,59 g·cm–3 [1]
Ponto de fusão

13,5 °C (rhombisch, stabil)[1]
2,8 °C (triklin, labil)[1]

Ponto de ebulição

160 °C (20 hPa)[1]

Solubilidade em água insolúvel [1]
Pressão de vapor 0,25 Pa (20 °C) [1]
Farmacologia
Biodisponibilidade <1%
Via(s) de administração Sublingual, Transdermal, Oral, Intravenosa
Metabolismo Hepático (rápido)
Meia-vida biológica 3 minutos
Classificação legal Pharmacist Only (S3) (AU)



Riscos na gravidez
e lactação
C(US)
Explosive data
Sensibilidade ao choque muito alta
Sensibilidade à fricção muito alta
Velocidade de explosão 7700 m/s
Fator RE 1.50
Riscos associados
NFPA 704
NFPA 704.svg
3
3
4
 
Frases R R3, R26/27/28, R33, R51/53
Frases S S1/2, S33, S35, S36/37, S45, S61
Compostos relacionados
Nitratos de alquila relacionados Dinitrato de glicol
Tetranitrato de eritritol
Tetranitrato de pentaeritrina
Excepto onde denotado, os dados referem-se a
materiais sob condições PTN

Referências e avisos gerais sobre esta caixa.
Alerta sobre risco à saúde.

Nitroglicerina, também conhecida como trinitroglicerina ou trinitrato de glicerina, é um composto químico explosivo obtido a partir da reação de nitração da glicerina. A fórmula química da nitroglicerina é C3H5N3O9 (3 átomos de carbono, 5 de hidrogênio, 9 de oxigênio e 3 de nitrogênio)

Nas condições ambientes, é um líquido oleoso com a aparência da glicerina original de coloração amarela mais denso que a água. Solidifica-se a 13,3 °C.

Índice

[editar] História

Foi descoberta por Ascanio Sobrero (1812-1888) em 1847, que primeiramente a chamou de "piroglicerina", misturando glicerina, ácido sulfúrico e ácido nítrico.

Em 1867, Alfred Nobel, cujo pai, engenheiro, na cidade russa de São Petersburgo, instalou uma fábrica de nitroglicerina, concebeu absorver a nitroglicerina por um material poroso, absorvente e inerte como a sílica, pós de cerâmicas, argila seca, gesso, carvão, e em especial, as terras diatomáceas (Kieselguhr[2]) obtendo uma massa moldável. Tal massa foi patenteada como dinamite.

[editar] Processo industrial

Ácidos nítrico e sulfúrico são filtrados em filtro de placa e transferidos a partir de tanques para um reator chamado nitrator (forma-se a chamada mistura sulfonítrica). Glicerina aquecida e filtrada é enviada ao nitrador a partir de um tanque com pressão controlada (1,5 atm) e temperatura de ≈40 °C para não ocorrer variação da viscosidade. Os mesmos valores de temperatura e pressão são consideradas para a mistura sulfonítrica. A reação se completa entre 60 e 90 minutos a uma temperatura de ≈40 °C, mantida através de sistema de resfriamento por trocador de calor interno e pressão de 1,5 atm. A nitroglicerina é descarregada e enviada a um primeiro separador orgânico onde ocorre a separação dos ácidos residuais, enviados para reutilização no processo, e nitroglicerina bruta. A partir do separador orgânico a nitroglicerina bruta é enviada para uma série de colunas lavadoras com recheio de anel de raschig de vidro. Estas colunas têm por finalidade a remoção dos ácidos residuais que ainda persistem na msitura reacional. Na primeira coluna é lavada com água fria, imediatamente enviada para a segunda, onde é colocada uma solução quente de carbonato de sódio a 3% e, finalmente, na última coluna a nitroglicerina é lavada com água fria. Nos fundos e topos destas colunas ocorrem as separações entre as fases aquosa, enviada para o tanque de solução de carbonato e orgânica. A nitroglicerina retirada pelo topo da última coluna é filtrada e imediatamente enviada para separador orgânico, tipo “labirinto”, onde é retirada com alta pureza (97-99%) e isenta de ácidos residuais e água. A fase aquosa retirada da última coluna é enviada para um outro separador orgânico, também tipo “labirinto” para recuperação de nitroglicerina remanescente.[3]

[editar] Obtenção

A nitroglicerina é preparada misturando cuidadosa e lentamente a glicerina com uma mistura fria de ácido sulfúrico e ácido nítrico concentrados não permitindo que a temperatura ultrapasse 30º C. A reação que se dá é com o ácido nítrico e não com o sulfúrico, cuja função é fixar a água que se forma na reação. A nitroglicerina separa-se da mistura ácida formando uma camada oleosa sobrenadante. Pela simplicidade do processo, dificultam-se em muitos países (como no Brasil) a aquisição de ácido nítrico e ácido sulfúrico.

A reação que ocorre é descrita pela seguinte equação química:


CH_2OH-CHOH-CH_2OH  \; + \; 3HNO_3 \rightarrow C_3H_5(NO_3)_3 \; + \; 3H_2O

[editar] Aplicações

[editar] Química do explosivo

A nitroglicerina foi o primeiro explosivo a ser empregado em grande escala. É um composto muito explosivo pois "liberta" muitas moléculas de gás.

2C_3H_5(NO_3)_3(l) \rightarrow 5H_2(g) + 6NO_2(g) + 6CO_(g)

É exatamente esta velocidade de sua reação de decomposição que faz com a nitroglicerina seja tão explosiva. A rápida expansão dos gases quentes produzidos (há uma conversão entre a energia de ligação para energia cinética) provoca uma onda de choque supersônica. Pela estequiometria da reação acima, 2 moles de nitroglicerina (454 gramas) são capazes de gerar 17 moles de gases quentes (380,8 litros de gases, nas CNTP).

[editar] Características como explosivo:

É utilizado na fabricação de explosivos, como a dinamite, ou empregado como plastificante em propelentes sólidos (por exemplo, pólvoras empregadas em munições de variados calibres).

A nitroglicerina é um explosivo extremamente instável (pequenas perturbações podem provocar sua detonação), e ao longo do tempo ela degrada para formas ainda menos estáveis. Por essa razão, é um composto de transporte e manuseio bastante perigosos. Deve-se evitar que a temperatura da nitroglicerina atinja valores abaixo do seu ponto de fusão (13 °C), pois sua posterior fusão é extremamente arriscada, podendo levar à detonação, ou acima do seu ponto de ignição que é entre 50 °C e 60 °C, acima daí ocorre rápida decomposição química, numa reação exotérmica que eleva ainda mais sua temperatura. A detonação ocorre a aproximadamente 218 °C.

O uso industrial da nitroglicerina sempre esteve baseado em sua grande capacidade explosiva, entretanto, o grande problema para seu uso industrial provém do fato de ela ser muito sensível à percussão (qualquer pequena batida no recipiente que a contém, qualquer pequeno choque, a faz explodir), o que dificulta sua manipulação, a estocagem e o transporte.

Usualmente é transportado em caixas acolchoadas a baixa temperatura para diminuir o risco de explosão.

Quando Alfred Nobel inventou a dinamite, que é mais segura, ocorreu uma diminuição do uso do nitro, como também é chamada, em sua apresentação líquida.

Uma vantagem da nitroglicerina em relação aos outros explosivos, como o TNT (trinitrotolueno), é que, ao contrário deste, nenhuma forma sólida de carbono é formada, produzindo uma explosão sem fumaça, propriedade muito útil para a artilharia. Assim, após o disparo, o soldado não ficaria com a visão obscurecida por uma cortina de fumaça.

[editar] Em medicina

Encontra também uso na medicina, onde é utilizado como vasodilatador, no tratamento de doenças cardíacas, para o tratamento da enfermidade isquêmica coronária, o infarto agudo de miocárdio e na insuficiência cardíaca congestiva. É administrado pelas vias transdérmica, sublingual ou intravenosa. Pertence ao grupo dos fármacos antianginosos.[4]

Quase todos os medicamentos atualmente usados para dilatar as coronárias são derivados da nitroglicerina.

O mecanismo do efeito da nitroglicerina nos doentes cardíacos foi descoberto por cientistas estadunidenses (Robert Furchgott, Louis Ignarro e Ferid Murad, os quais receberam o Prêmio Nobel pela descoberta), que apresentaram estar relacionado aos mecanismos energéticos das células, nas mitocôndrias, e numa enzima que liberta óxido nítrico (NO). Quando a nitroglicerina se transforma em NO, provoca um relaxamento muscular e, conseqüentemente, alarga as artérias.[5][6]

É de se notar que Ascanio Sobrero (sintetizada por ele em 1847) já havia observado que a substância provocava dores de cabeça, causadas exatamente pela dilatação dos vasos cranianos. Mas quem primeiro descreveu os benefícios da nitroglicerina para os cardiopatas foi Murrel em 1879.[7]

Inicialmente ela foi utilizada, em pequenas doses, especialmente na medicina dos EUA, com o nome de glonoína, em solução alcoólica a 1%, para combater a nevralgia do coração, os distúrbios nervosos, a enxaqueca, o soluço e o enjôo.

Em 1879, na Corrida Ciclística dos Seis Dias, na França, os franceses alguns ciclistas usavam a nitroglicerina pelo seu efeito vasodilatador coronariano.

Em 1886, na Corrida dos 600 km entre Bordeaux e Paris se tem a primeira notícia de morte por uso de estimulantes: morre o ciclista inglês Linton, que usou uma mistura de cocaína com nitroglicerina.

[editar] Referências

  1. a b c d e f Registo de CAS RN 55-63-0 na Base de Dados de Substâncias GESTIS do IFA, accessado em 30 de Março de 2008
  2. Kieselguhr - nobelprize.org (em inglês)
  3. Nitroglicerina Escola de Engenharia de Lorena - www.dequi.eel.usp.br
  4. P.R. Vade-mécum. Nitroglicerina. Página visitada em 14/06/2010.
  5. Robert Furchgott
  6. Elementi di microbiologia
  7. Compendio esencial de química farmacéutica

[editar] Ver também

[editar] Ligações externas

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