Nitroglicerina
| Nitroglicerina Alerta sobre risco à saúde |
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|---|---|
| Nome IUPAC | 1,2,3-trinitroxypropane |
| Outros nomes | 1,3-dinitrooxypropan-2-yl nitrate propane-1,2,3-triyl trinitrate |
| Identificadores | |
| Número CAS | |
| PubChem | |
| DrugBank | APRD00153 |
| Código ATC | C01 |
| SMILES |
C(C(CO[N+](=O)[O-])O[N+](=O)[O-])O[N+](=O)[O-]
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| Propriedades | |
| Fórmula química | C3H5N3O9 |
| Massa molar | 227.04 g mol-1 |
| Aparência | Clear yellow/colorless oily liquid |
| Densidade | 1,59 g·cm–3 [1] |
| Ponto de fusão | |
| Ponto de ebulição |
160 °C (20 hPa)[1] |
| Solubilidade em água | insolúvel [1] |
| Pressão de vapor | 0,25 Pa (20 °C) [1] |
| Farmacologia | |
| Biodisponibilidade | <1% |
| Via(s) de administração | Sublingual, Transdermal, Oral, Intravenosa |
| Metabolismo | Hepático (rápido) |
| Meia-vida biológica | 3 minutos |
| Classificação legal | Pharmacist Only (S3) (AU)
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| Riscos na gravidez e lactação |
C(US) |
| Explosive data | |
| Sensibilidade ao choque | muito alta |
| Sensibilidade à fricção | muito alta |
| Velocidade de explosão | 7700 m/s |
| Fator RE | 1.50 |
| Riscos associados | |
| NFPA 704 | |
| Frases R | R3, R26/27/28, R33, R51/53 |
| Frases S | S1/2, S33, S35, S36/37, S45, S61 |
| Compostos relacionados | |
| Nitratos de alquila relacionados | Dinitrato de glicol Tetranitrato de eritritol Tetranitrato de pentaeritrina |
| Excepto onde denotado, os dados referem-se a materiais sob condições PTN Referências e avisos gerais sobre esta caixa. Alerta sobre risco à saúde. |
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Nitroglicerina, também conhecida como trinitroglicerina ou trinitrato de glicerina, é um composto químico explosivo obtido a partir da reação de nitração da glicerina. A fórmula química da nitroglicerina é C3H5N3O9 (3 átomos de carbono, 5 de hidrogênio, 9 de oxigênio e 3 de nitrogênio)
Nas condições ambientes, é um líquido oleoso com a aparência da glicerina original de coloração amarela mais denso que a água. Solidifica-se a 13,3 °C.
Índice |
[editar] História
Foi descoberta por Ascanio Sobrero (1812-1888) em 1847, que primeiramente a chamou de "piroglicerina", misturando glicerina, ácido sulfúrico e ácido nítrico.
Em 1867, Alfred Nobel, cujo pai, engenheiro, na cidade russa de São Petersburgo, instalou uma fábrica de nitroglicerina, concebeu absorver a nitroglicerina por um material poroso, absorvente e inerte como a sílica, pós de cerâmicas, argila seca, gesso, carvão, e em especial, as terras diatomáceas (Kieselguhr[2]) obtendo uma massa moldável. Tal massa foi patenteada como dinamite.
[editar] Processo industrial
Ácidos nítrico e sulfúrico são filtrados em filtro de placa e transferidos a partir de tanques para um reator chamado nitrator (forma-se a chamada mistura sulfonítrica). Glicerina aquecida e filtrada é enviada ao nitrador a partir de um tanque com pressão controlada (1,5 atm) e temperatura de ≈40 °C para não ocorrer variação da viscosidade. Os mesmos valores de temperatura e pressão são consideradas para a mistura sulfonítrica. A reação se completa entre 60 e 90 minutos a uma temperatura de ≈40 °C, mantida através de sistema de resfriamento por trocador de calor interno e pressão de 1,5 atm. A nitroglicerina é descarregada e enviada a um primeiro separador orgânico onde ocorre a separação dos ácidos residuais, enviados para reutilização no processo, e nitroglicerina bruta. A partir do separador orgânico a nitroglicerina bruta é enviada para uma série de colunas lavadoras com recheio de anel de raschig de vidro. Estas colunas têm por finalidade a remoção dos ácidos residuais que ainda persistem na msitura reacional. Na primeira coluna é lavada com água fria, imediatamente enviada para a segunda, onde é colocada uma solução quente de carbonato de sódio a 3% e, finalmente, na última coluna a nitroglicerina é lavada com água fria. Nos fundos e topos destas colunas ocorrem as separações entre as fases aquosa, enviada para o tanque de solução de carbonato e orgânica. A nitroglicerina retirada pelo topo da última coluna é filtrada e imediatamente enviada para separador orgânico, tipo “labirinto”, onde é retirada com alta pureza (97-99%) e isenta de ácidos residuais e água. A fase aquosa retirada da última coluna é enviada para um outro separador orgânico, também tipo “labirinto” para recuperação de nitroglicerina remanescente.[3]
[editar] Obtenção
A nitroglicerina é preparada misturando cuidadosa e lentamente a glicerina com uma mistura fria de ácido sulfúrico e ácido nítrico concentrados não permitindo que a temperatura ultrapasse 30º C. A reação que se dá é com o ácido nítrico e não com o sulfúrico, cuja função é fixar a água que se forma na reação. A nitroglicerina separa-se da mistura ácida formando uma camada oleosa sobrenadante. Pela simplicidade do processo, dificultam-se em muitos países (como no Brasil) a aquisição de ácido nítrico e ácido sulfúrico.
A reação que ocorre é descrita pela seguinte equação química:

[editar] Aplicações
[editar] Química do explosivo
A nitroglicerina foi o primeiro explosivo a ser empregado em grande escala. É um composto muito explosivo pois "liberta" muitas moléculas de gás.

É exatamente esta velocidade de sua reação de decomposição que faz com a nitroglicerina seja tão explosiva. A rápida expansão dos gases quentes produzidos (há uma conversão entre a energia de ligação para energia cinética) provoca uma onda de choque supersônica. Pela estequiometria da reação acima, 2 moles de nitroglicerina (454 gramas) são capazes de gerar 17 moles de gases quentes (380,8 litros de gases, nas CNTP).
[editar] Características como explosivo:
É utilizado na fabricação de explosivos, como a dinamite, ou empregado como plastificante em propelentes sólidos (por exemplo, pólvoras empregadas em munições de variados calibres).
A nitroglicerina é um explosivo extremamente instável (pequenas perturbações podem provocar sua detonação), e ao longo do tempo ela degrada para formas ainda menos estáveis. Por essa razão, é um composto de transporte e manuseio bastante perigosos. Deve-se evitar que a temperatura da nitroglicerina atinja valores abaixo do seu ponto de fusão (13 °C), pois sua posterior fusão é extremamente arriscada, podendo levar à detonação, ou acima do seu ponto de ignição que é entre 50 °C e 60 °C, acima daí ocorre rápida decomposição química, numa reação exotérmica que eleva ainda mais sua temperatura. A detonação ocorre a aproximadamente 218 °C.
O uso industrial da nitroglicerina sempre esteve baseado em sua grande capacidade explosiva, entretanto, o grande problema para seu uso industrial provém do fato de ela ser muito sensível à percussão (qualquer pequena batida no recipiente que a contém, qualquer pequeno choque, a faz explodir), o que dificulta sua manipulação, a estocagem e o transporte.
Usualmente é transportado em caixas acolchoadas a baixa temperatura para diminuir o risco de explosão.
Quando Alfred Nobel inventou a dinamite, que é mais segura, ocorreu uma diminuição do uso do nitro, como também é chamada, em sua apresentação líquida.
Uma vantagem da nitroglicerina em relação aos outros explosivos, como o TNT (trinitrotolueno), é que, ao contrário deste, nenhuma forma sólida de carbono é formada, produzindo uma explosão sem fumaça, propriedade muito útil para a artilharia. Assim, após o disparo, o soldado não ficaria com a visão obscurecida por uma cortina de fumaça.
[editar] Em medicina
Encontra também uso na medicina, onde é utilizado como vasodilatador, no tratamento de doenças cardíacas, para o tratamento da enfermidade isquêmica coronária, o infarto agudo de miocárdio e na insuficiência cardíaca congestiva. É administrado pelas vias transdérmica, sublingual ou intravenosa. Pertence ao grupo dos fármacos antianginosos.[4]
Quase todos os medicamentos atualmente usados para dilatar as coronárias são derivados da nitroglicerina.
O mecanismo do efeito da nitroglicerina nos doentes cardíacos foi descoberto por cientistas estadunidenses (Robert Furchgott, Louis Ignarro e Ferid Murad, os quais receberam o Prêmio Nobel pela descoberta), que apresentaram estar relacionado aos mecanismos energéticos das células, nas mitocôndrias, e numa enzima que liberta óxido nítrico (NO). Quando a nitroglicerina se transforma em NO, provoca um relaxamento muscular e, conseqüentemente, alarga as artérias.[5][6]
É de se notar que Ascanio Sobrero (sintetizada por ele em 1847) já havia observado que a substância provocava dores de cabeça, causadas exatamente pela dilatação dos vasos cranianos. Mas quem primeiro descreveu os benefícios da nitroglicerina para os cardiopatas foi Murrel em 1879.[7]
Inicialmente ela foi utilizada, em pequenas doses, especialmente na medicina dos EUA, com o nome de glonoína, em solução alcoólica a 1%, para combater a nevralgia do coração, os distúrbios nervosos, a enxaqueca, o soluço e o enjôo.
Em 1879, na Corrida Ciclística dos Seis Dias, na França, os franceses alguns ciclistas usavam a nitroglicerina pelo seu efeito vasodilatador coronariano.
Em 1886, na Corrida dos 600 km entre Bordeaux e Paris se tem a primeira notícia de morte por uso de estimulantes: morre o ciclista inglês Linton, que usou uma mistura de cocaína com nitroglicerina.
[editar] Referências
- ↑ a b c d e f Registo de CAS RN 55-63-0 na Base de Dados de Substâncias GESTIS do IFA, accessado em 30 de Março de 2008
- ↑ Kieselguhr - nobelprize.org (em inglês)
- ↑ Nitroglicerina Escola de Engenharia de Lorena - www.dequi.eel.usp.br
- ↑ P.R. Vade-mécum. Nitroglicerina. Página visitada em 14/06/2010.
- ↑ Robert Furchgott
- ↑ Elementi di microbiologia
- ↑ Compendio esencial de química farmacéutica