Nora Inu

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野良犬
Nora Inu
Cão Danado (PT)
O Cão Raivoso (BR)
Nora inu poster.jpg
 Japão
1949 • p&b • 122 min 
Direção Akira Kurosawa
Roteiro Ryuzo Kikushima
Akira Kurosawa
Elenco Toshiro Mifune
Takashi Shimura
Género policial
Idioma japonês
Página no IMDb (em inglês)

Nora Inu (野良犬, Nora Inu?) (br: O Cão Raivoso / pt: Cão Danado) é um filme noir policial japonês de 1949 escrito e dirigido por Akira Kurosawa. O filme foi duas vezes regravado como Nora Inu, de 1973, e Too Much Sleep, de 1997.

É um filme em preto e branco, com aspect ratio de 1.37:1 e gravado em 35 mm. Ganhou os prêmios de melhor ator (Takashi Shimura), melhor montagem (Fumio Hayasaka), melhor fotografia (Asakazu Nakai) e melhor direção de arte (So Matsuyama), em 1950, no Mainichi Eiga Concours.

Sinopse[editar | editar código-fonte]

Gtk-paste.svg Aviso: Este artigo ou se(c)ção contém revelações sobre o enredo.
"Nora Inu é, na minha opinião, a primeira obra prima de Kurosawa. e é essa a excitação que você sente quando você assiste o filme hoje: é a excitação de ver um grande cineasta vindo da época."
Terrence Rafferty

O roubo da arma e a perseguição[editar | editar código-fonte]

A suspeita dá detalhes sobre pistas ao detetive Murakami, após um dia inteiro de perseguição.

O filme começa com o recruta Murakami, da sessão de Homicídios, interpretado por Toshirō Mifune, se desculpando com seus superiores por ter sua arma roubada em um ônibus lotado. O recruta alega que todas as sete balas estavam na arma, uma pistola Colt. A partir de então, ocorre um flashback, mostrando inicialmente o momento em que Murakami praticava o tiro ao alvo em seu quartel general.

Faz-se enfatizar que era um dia quente — não só nesse momento como durante toda a película, com o detetive Sato se enxugando repetidas vezes e alguns dos suspeitos reclamando do calor. Murakami tomou um ônibus lotado de volta para casa. Algumas peculiaridades sobre o transporte são descritas nesse momento — o ar estava rarefeito, um bebê não parava de chorar, e a mulher ao lado do detetive cheirava à perfume barato. A cena que se segue mostra Murakami dando por falta de sua arma ao sair do ônibus, e posteriormente perseguindo o batedor de carteiras, sem sucesso em alcançá-lo. O recruta Murakami relata o ocorrido ao Tenente Nakajima que, ao saber que o policial viu o rosto do batedor, sugere que ele vá até Evidence à procura de algum registro fotográfico do meliante. Murakami segue o conselho mas sem grande sucesso. Ao ser questionado por mais alguma pessoa suspeita no ônibus, o recruta relata a mulher que cheirava à perfume barato.

Em uma nova busca, ele encontra o registro da mulher, cujo tenente no encargo de seu caso identifica como sendo Ogin, uma ladra de dinheiro conhecida pelo inspetor. Ambos fazem uma visita à mulher, que se nega a colaborar. O recruta Murakami, então, passa a persegui-la por toda a cidade, até que ela finalmente desiste e resolve contar a ele o que se passa. Ela diz que sua arma está agora nas mãos de traficantes, que lidam com compra, venda, e aluguel, descarregando as balas. No entanto, ela não dá maiores detalhes, e o recruta então sai pelas ruas da cidade à procura de pistas, encarando toda sorte de contratempos. Acaba por encontrar um sujeito que o oferece armas para compra, mandando-o visitar um bar local e falar com uma senhorita com uma flor branca no cabelo. Este faz conforme indicado pelo sujeito e ela, após solicitar o cartão de alimentação dele, mostra-lhe a arma. O policial tenta agarrar a arma e então aborda a mulher, apesar de sua resistência e tentativa de fuga, recupera a arma e a leva sob custódia.

Honda[editar | editar código-fonte]

Murakami interroga a mulher do bar em busca de detalhes sobre sua colt roubada. Posteriormente, junto do detetive Sato, obtém pistas que levam até Honda.
Honda, que foi rendido pelos detetives, dá acesso ao cartão de identificação do portador da arma, identificado como Shinjiro Yuna.

Murakami descobre que a arma em posse da mulher não era a sua Colt; ela é interrogada e declara que emprestou a arma do recruta a alguém no dia anterior, e que iria pegá-lo devolta no momento em que foi abordada pelo policial. Diz ainda que o sujeito lendo jornal atrás dela no bar era olheiro do grupo com quem ela trabalhava, e que ela não estava com o cartão de alimentação do sujeito, que foi passado para o seu olheiro. Voltando ao quartel general, o recruta Murakami descobre que uma pessoa foi ferida no cotovelo por uma bala disparada de uma Colt, teve uma quantia considerável de dinheiro roubada e que trabalhará por três meses recebendo apenas metade do salário.

O recruta dirige-se à sessão de exame das balas, onde é informado de que não havia registro de balas dessa Colt. Então ele dirige-se às instalações de práticas de tiro ao alvo, pois sabia que havia errado um tiro com sua pistola propositalmente. Encontrando a bala que havia errado, o soldado volta para a sessão de exames e, em uma nova análise, descobre que a bala que feriu a pessoa saiu de sua Colt roubada. O oficial fica extremamente desapontado e apresenta sua carta de resignação, mas é convencido a permanecer no caso, e informado de que terá ajuda de outros policiais: o Oficial Abe e o Oficial Sato (este último interpretado por Takashi Shimura). Junto do Oficial Sato, Murakami consegue novas informações da mulher detida no bar, que afirma que o nome de seu cúmplice, de posse do cartão de alimentação do responsável pelo roubo da arma, era Honda — pseudônimo que posteriormente é descoberto ser de um sujeito chamado Tachibana, que é fã de basebol e que veste jaqueta de inverno, a despeito de todo o calor; os detetives também obtêm a informação de que o portador da arma no momento era canhoto, acendia fósforos com a mão esquerda e tremia muito. Os investigadores armam uma emboscada para capturar Honda em um jogo de basebol.

Murakami relata à Sato que verificou na noite anterior à apreensão da mulher não havia ocorrido assaltos à mão armada, o que o levaria a crer que Honda emprestou a arma, pensou duas vezes e resolveu devolvê-la, mas notou que algo errado estava acontecendo naquela noite, e então praticou o delito. Após localizarem Honda no estádio, os detetives traçam um plano para chamá-lo através do sistema de auto-falantes para comparecer ao portão principal, onde encontraria um suposto parceiro. O plano funciona e a dupla consegue capturart Honda com sucesso.

A caçada às pistas da Colt de Murakami[editar | editar código-fonte]

Namiki é interrogada pelos policiais pela primeira vez no clube onde trabalha, sem fornecer detalhes valiosos para ajudar nas investigações.
O recruta Murakami se impressiona com o número de citações de seu colega Sato, em visita à sua casa.

Em posse do cartão de alimentação do portador da colt, os detetives descobrem que o nome do elemento em questão é Shinjiro Yusa. Fazem uma visita à casa de sua irmã, que os faz revelações sobre o irmão: descreve-o como um sujeito bom, mas que ficou rancoroso devido a um roubo do qual foi vítima na volta para casa após servir na guerra. Ela diz que culpa as más amizades de Shinjiro, sendo um sujeito chamado de "Sei san", que fez o exército junto com Yusa, o principal responsável. Os investigadores pedem ainda para dar uma olhada nos pertences e no quarto de Yusa, e encontram uma nota depressiva nos aposentos deste. A irmã relata que da última vez que o viu, ele estava sentado no escuro, segurando a cabeça, chorando, o que a assustou bastante; Murakami e Sato encontram ainda o nome do Hotel Sakura, o que faz com que a irmã se lembre de que Yusa costumava mencionar que o amigo Sei san trabalhava lá.

Os detetives vão até o hotel falar com San sei, que alega que viu yusa pela última vez em um Sábado à noite, cheio de dinheiro, e com um terno branco de linho. Sei san alegou ainda que usava o amigo para chegar às garotas nos bastidores de um clube onde trabalhava uma garota chamada Harumi Namiki, uma velha amiga de Yusa. A próxima pista está no clube de dança onde Harumi trabalha. Os investigadores a abordam lá e perguntam sobre Shinjiro; pressionam a garota a tal ponto, entretanto, que ela começa a chorar em um ataque que chama a atenção de todo o elencfo de dançarinas do clube.

Após um longo dia de trabalho, Sato leva Murakami até a sua casa, onde ambos se confraternizam. Murakami fica impressionado com as numerosas citações de honra e coragem que Sato possui penduradas na parede. Ambos discutem e no meio da conversa surge o assunto sobre as péssimas condições em que encontrava o dormitório de Yuna, o que evoca uma série de questionamentos sociais: Murakami demonstra uma certa pena e compaixão para com Shinjiro Yuna; Já Sato o vê apenas como um sujeito ruim, incapaz de se tornar bom, e alerta Murakami de que se ele continuar pensando daquela forma não adquirirá qualquer lugar como policial. Murakami revela que quando voltava de trem também teve seus pertences roubados e que, a despeito de todo o rancor que sentiu, decidiu que seria melhor arrumar um emprego e se reestruturar. Sato declara que Murakami e Yusa formam dois tipos de pessoas diferentes, e dá a entender que Murakami tomou a escolha certa. O detetive se despede a comtemplar os filhos de Sato dormindo, o que evoca uma sensação de felicidade pelo fim da guerra, tema recorrente durante a prosa entre os colegas de trabalho.

A aproximação de Harumi e o episódio do Hotel Yayoi[editar | editar código-fonte]

O detetive Sato liga ao recruta Murakami do hotel onde Yuna está hospedado. O episódio do tiroteio no Hotel consegue ser escutado por Murakami ao telefone.
O detetive Sato, interpretado por Takashi Shimura, agoniza no chão após ser baleado por Yuna.

No dia seguinte, os detetives recebem o relatório de um assalto à mão armada, que acabou com a trágica morte de uma senhora. O marido se desespera e dá cabo da horta de tomates que a esposa havia plantado antes que ele saísse de viagem, dizendo que não fazia mais sentido aquilo estar ali, já que ela estava morta. Murakami se aflige novamente com a idéia de que poderia ter sido sua Colt a responsável pela morte da senhora, idéia que posteriormente vem a se confirmar. Sato aconselha Murakami a se esforçar para evitar novas ações de Shinjiro Yusa — a quem ele define como um assassino à sangue frio. Ambos os detetives vão novamente atrás de Harumi Namiki, pois vêem uma forte ligação afetiva entre ela e o fugitivo. Encontram-na em sua casa, junto da mãe. Harumi se nega a colaborar novamente, a despeito de todos os esforços da mãe. Os investigadores observam uma caixa de fósforos e perguntam se é de Yusa, fato que é confirmado pela mãe, que diz que eles têm recebido visitas constantes de Shinjiro.

O investigador Sato ordena que Murakami fique e tente obter mais informações enquanto ele vai até o hotel de onde a caixa de fósforos veio investigar. O investigador Sato, ao chegar ao suposto hotel onde estava Yusa, descobre que ele foi embora havia duas noites, que estava constantemente embriagado e que, apesar disso, tinha uma boa aparência, vestindo terno de linho branco. Sato segue a pista da companhia de táxi que o transportou, e o motorista Matsu san informa à Sato que o levou a um hotel chamado Kogetsu. Enquanto isso, na casa de Harumi, o investigador Murakami continua a pressioná-la por maiores informações. Harumi insiste em não querer ajudar, dando a entender que sabia onde Yusa estava, mas que não diria, pois ele era um sujeito bom com ela e que "a havia visto choramingar nos bastidores. Murakami encontra um vestido caro e pergunta a Harumi se foi ele que a havia presenteado. Ela relata então que o viu em uma vitrine enquanto ambos passeavam, e desejou o vestido. Diz que Yusa conseguiu comprá-lo para ela uma semana depois.

Nesse momento Harumi demonstra toda sua rebeldia diante do desconserto do mundo, alegando que os pertences de Yusa haviam sido roubados e que, portanto, ele fazia bem ao utilizar os meios que utilizava para obter o que queria. O investigador Murakami intervém e diz que também teve seus pertences roubados. O detetive interpretado por Mifune também perde a compostura, nesse momento, e compele Harumi a usar o vestido que havia ganho de presente de Yusa. Concomitantemente, o inspetor Sato visita o endereço do hotel que o táxi o tinha fornecido, mas novamente não encotnra Yusa. O responsável pelo hotel afirma que Yusa saiu com uma gueixa chamada Kintaro, e novamente o inspetor Sato tenta alcançar Yusa através da gueixa. Chega a outro hotel, indicado pela gueixa, e dessa vez encontra Shinjiro no quarto. Avisa aos donos do hotel para trancar as entradas e não dizer que havia policiais no prédio. Nesse momento, Sato dirige-se a um telefone e liga para Murakami. Yusa toma ciência de que há policiais no prédio e tenta escapar. Quando Sato o persegue logo após entrar em contato com Seu parceiro, é baleado, e os estrondos dos tiros são escutados pelo telefone e Murakami, se desespera.

A caçada ao criminoso Shinjiro Yusa[editar | editar código-fonte]

No clímax do filme, após uma perseguição, Yusa dispara contra Murakami, acertando-lhe o braço. Erra os dois disparos restantes e é finalmente capturado.
Em uma das cenas finais da película, o assassino chora de arrependimento, e é observado com compreensão pelo detetive Murakami.

A cena que se segue mostra o recruta Murakami saindo do quarto de Sato. Após doar sangue para seu companheiro, Murakami se mostra resignado e acabado. Desespera-se à porta do quarto de Sato, tendo que ser retirado aos berros pelos seus colegas de investigação. após se acalmar, Murakami recebe a visita de Namiki Harumi, que resolve colaborar com as investigações e contar um evento importante que está por acontecer: Harumi irá se encontrar com Yusa às 6:00 da manhã. Murakami adianta-se e toma o seu lugar, evitando que ela vá consigo, porque Yusa ainda está armado e é perigoso.

Chegando à estação, Murakami tenta, desesperadamente, identificar Yusa. Nesse momento nota-se claramente toda a tensão do detetive, que procura manter a calma repentindo sempre para si mesmo. Ele procura juntar as pistas para identificar Yusa: 28 anos, terno de linho branco. Trabalha com a possibilidade d bandido ter mudado a roupa, então se apega à sua idade. Mas é então que Murakami lembra-se de que, na noite em que Yusa baleou Sato, havia bastante chuva e, portanto, as roupas e sapatos do meliante deveriam estar todas sujas e barrentas. Lembra-se também de que é um homem canhoto e muito trêmulo, e consegue identificar um dentre os presentes com todas as características acumuladas: roupas sujas e sapatos barrentos, canhoto e trêmulo — por uma infeliz coincidência para o bandido, ele acende um cigarro com a mão esquerda de frente para o policial, e mostra toda a sua tremedeira. Ao ter certeza de que aquele era o sujeito de quem estavam atrás, Murakami investe contra ele, mas comete o deslize de estar desarmado, uma vez que emprestou sua arma à Sato na noite anterior.

Então o bandido corre e Murakami sai atrás dele em uma louca perseguição. Após quase conseguir agarrar o bandido, o recruta vê-se diante de uma situação perigosa: Yusa estava armado, conforme previsto, e apontando sua própria Colt para Murakami. Este é atingido no braço por um tiro, mas Yusa, trêmulo e assustado, erra os dois outros tiros restantes, o que dá oportunidade para Murakami agarrá-lo e algemá-lo. Então Yusa chora de desespero, provavelmente de arrependimento de suas atitudes. Desta cena pulamos para a conversa final entre Murakami e Sato no hospital, onde Sato relata que o recruta recebeu sua primeira citação com a captura de Yusa. Este, por sua vez, declara que não consegue tirar a imagem de Yusa da cabeça, mas Sato o aconselha a esquecer Yusa porque, apesar de este ter tido uma vida difícil, escolheu traçar os próprios caminhos, caminhos errados e que fizeram pessoas inocentes sofrer, pessoas como as que estavam por debaixo dos telhados observados pela janela daquele quarto de hospital.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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