Normas morais das Testemunhas de Jeová

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William Miller | Henry Grew
George Storrs | Nelson H. Barbour

As Testemunhas de Jeová encaram a sua religião como um modo de vida, sendo que todos os outros interesses, incluindo o emprego e a família, giram em torno da adoração exclusiva que prestam a Jeová, o seu Deus. Assim, não importa o que façam, tudo deverá ser influenciado pela decisão e juramento que tomaram de dedicar a sua vida incondicionalmente ao Deus que adoram. A Bíblia é encarada como um verdadeiro manual de aplicação prática e obrigatória em todos os campos da vida. Dão grande importância à conduta baseada no que consideram ser elevados padrões morais que afirmam encontrar nesse livro que consideram sagrado.

Consideram-se neste artigo algumas das normas de moral que governam a conduta das Testemunhas. Afirmam que estas normas ou padrões de conduta estão solidamente baseadas na Bíblia, que consideram a vontade de Deus. A violação destas normas constitui pecado e, se não existirem evidências de arrependimento genuíno, o pecador impenitente sofrerá a pena da desassociação.

Respeito pela santidade da vida e do sangue[editar | editar código-fonte]

Sendo que a vida é considerada um dom sagrado pertencente ao Criador, as Testemunhas consideram como pecado sério qualquer tipo de atitude que coloque em perigo a sua vida ou a de terceiros.

Homicídio ou negligência irresponsável[editar | editar código-fonte]

O homicídio é condenado bem como qualquer prática que, deliberadamente, ponha em risco a vida pessoal ou a do próximo. Alguns exemplos do que pode ser considerado falta de respeito para com a santidade da vida incluem o conduzir ou dirigir sem cuidado ou de forma irresponsável, a violação deliberada das leis do trânsito, excesso de velocidade, desleixo na manutenção do automóvel, ou outras situações que, por negligência clara, possam resultar no ferimento ou morte de alguém. O mesmo se aplica no desleixo deliberado de regras básicas de segurança no trabalho ou em casa. Mesmo o simples facto de uma Testemunha ser conhecida por frequentemente desconsiderar estas regras poderá levar a um aconselhamento sério.

Tentativa de suicídio e atentados à saúde[editar | editar código-fonte]

A tentativa de suicídio é condenada, bem como práticas que atentem contra a própria saúde, tal como a anorexia ou a bulimia. No entanto, nestes casos é usual levar-se em conta a condição mental da pessoa, tal como graves distúrbios psicológicos ou depressões profundas, procurando-se ajudar a pessoa emocionalmente ou, se necessário, procurar tratamento médico especializado. O excesso no comer ou no beber também poderá levar a uma forte admoestação.

Práticas ou diversões violentas[editar | editar código-fonte]

Práticas ou desportos violentos que coloquem deliberadamente a vida de pessoas ou animais em perigo são considerados impróprios. Incluem-se nisto o pugilismo ou qualquer outra arte marcial, desportos radicais cujo objectivo seja divertir pelo risco, touradas, lutas entre animais, entre outras diversões similares.

A agressão ou violência, tal como rixas ou brigas ou agressões verbais é condenada. Nisto inclui-se a violência doméstica, por exemplo. Mesmo o visionamento de filmes ou espetáculos que destaquem ou mesmo glorifiquem a violência são fortemente reprovados.

Sendo objectores de consciência, recusam o manusear armas de fogo ou mesmo trabalhar na fabricação ou comercialização de artigos destinados a fins militares. Por esse motivo, recusam a incorporação em exércitos nacionais ou similares ou a participação em qualquer tipo de treino militar ou participação na guerra.

Acessos de ira[editar | editar código-fonte]

A ira injustificada e descontrolada tem levado muitos a cometerem pecados maiores, até mesmo a atos de violência. A ira, mesmo quando justificada, se não for controlada, pode ser perigosa, produzindo maus resultados. Assim, as Testemunhas consideram que, mesmo quando alguém estiver sob forte provocação, a pessoa deverá controlar a sua ira. Os acessos de ira são classificados junto com outras detestáveis obras da carne que impedirão a pessoa de herdar o Reino de Deus.

Ao passo que a pessoa, ocasionalmente, talvez fique irada, e às vezes justificadamente, não deve deixar que isto se torne um pecado para ela por alimentar a ira ou manter-se encolerizada. Entendem que os cristãos devem ser vagarosos em irar-se, sendo aconselhados a perdoar falhas menores e, em casos graves, a deixar a retribuição a cargo de Jeová.

Interrupção voluntária da gravidez[editar | editar código-fonte]

A interrupção voluntária da gravidez, ou aborto, é condenada como assassínio visto que consideram que após o exacto momento da fecundação, uma nova vida humana com um código genético distinto, portanto, uma nova pessoa, foi concebida. Métodos que são considerados abortivos, portanto, são rejeitados.

Uso indevido do sangue[editar | editar código-fonte]

Visto que encaram o sangue como símbolo da vida, encaram-no como sagrado. Entendem pela leitura vários versículos bíblicos que Deus reclama como Seu o sangue de qualquer criatura, como representação de que a vida Lhe pertence. Assim, não utilizam o sangue animal na alimentação nem o sangue humano, incluindo o seu próprio, em procedimentos médicos que envolvam o armazenamento ou transfusão.

Imoralidade sexual[editar | editar código-fonte]

Visto que encaram as relações sexuais como algo sagrado, por ser o meio pelo qual a vida é transmitida, apegam-se ao que consideram um elevado padrão de castidade. As relações sexuais legítimas, após o casamento, são consideradas honrosas e um dever do qual nenhum dos cônjuges deverá privar o seu companheiro. Dão extrema importância à virgindade, sendo que o sexo pré-marital, ou mesmo demonstrações demasiado íntimas de afecto entre não casados, são condenadas. A virgindade de rapazes e moças solteiras é altamente valorizada.

Fornicação[editar | editar código-fonte]

A fornicação é considerada um pecado sério. Esta palavra, derivada do termo grego pornéia, é usada pelas Testemunhas para descrever, de forma abrangente, todo o tipo de relações sexuais fora do vínculo matrimonial. Inclui-se no que classificam como fornicação a prática de relações sexuais entre pessoas solteiras, sexo pré-marital mesmo entre pessoas que namoram ou estão noivos, adultério, poligamia, homossexualidade, pedofilia, incesto e a bestialidade.

Conduta desenfreada[editar | editar código-fonte]

Determinados excessos chocantes podem revelar uma conduta sem freio, sem autodomínio.

De cariz sexual[editar | editar código-fonte]

Entendem que determinadas práticas podem ser pecados sérios mesmo que não sejam incluídas na classificação de fornicação. Isto pode incluir flagrantes demonstrações públicas de falta de pudor, tal como o nudismo ou comportamentos que possam ser considerados chocantes no relacionamento entre pessoas não casadas entre si. O visionamento de pornografia, através de qualquer meio, e a persistência nesta prática poderá também ser assim classificada.

Outros tipos de conduta desenfreada[editar | editar código-fonte]

O uso de linguagem abusiva ou a utilização de palavras obscenas é fortemente reprovado pelas Testemunhas. O mesmo acontece no que se refere ao contar de piadas obscenas. Uma atitude que mostra desrespeito, até mesmo desprezo, para com a lei e a autoridade, seja parental, escolar, governamental ou divina, pode ser considerada conduta desenfreada.

Apostasia[editar | editar código-fonte]

Apostasia (em grego antigo απόστασις, apóstasis), deriva do verbo afístemi, que significa literalmente "apartar-se de". O substantivo tem o sentido de deserção, abandono ou rebeldia. Nas Escrituras Gregas Cristãs ou Novo Testamento, o termo é usado primariamente com respeito à traição religiosa, um afastamento ou abandono da verdadeira causa, adoração e serviço de Deus, e, portanto, o abandono daquilo que a pessoa antes professava e uma deserção total de princípios ou da fé.

As Testemunhas de Jeová consideram apostasia o afastamento ou abandono voluntário das crenças anteriormente aceitas, junto com uma atitude activa, ou mesmo passiva, em defesa ou promoção de ensinos, doutrinas ou práticas religiosas, que são claramente contrárias ao entendimento que as Testemunhas possuem dos princípios bíblicos. Inclui-se nisto o envolvimento em costumes, tradições ou feriados religiosos, participação em actividades ecuménicas ou a filiação em outra organização religiosa, prática deliberada de espiritismo ou aderência a filosofias de cunho cósmico ou gnóstico. Este tipo de coisas constitui, na opinião das Testemunhas, o passar a praticar outra forma de adoração.

O contacto com ex-membros que se tornaram apóstatas, ou seja, aqueles que as Testemunhas classificam como pessoas que deliberadamente disseminam, por apegar-se de forma obstinada ou por divulgar ensinos contrários à "verdade bíblica" conforme ensinada pelas Testemunhas de Jeová, pode também ser classificado como apostasia. As Testemunhas evitam o contacto com os desassociados e dissociados, seja pessoalmente, seja através de livros críticos publicados por ex-membros ou por sites que estes mantenham na Internet.

Idolatria[editar | editar código-fonte]

A utilização de ícones, imagens, pinturas ou coisas similares, usualmente empregues em qualquer ritual ou cerimónia religiosa, é considerado idolatria. Visto que tais objectos são usualmente considerados pela sociedade em geral como objectos de cariz religioso, a sua posse enquadra-se na definição de apostasia sendo assim um pecado sério. De forma sutil, a idolatria pode se manifestar na adoração de ídolos da música, do cinema ou do esporte, na exaltação de um modo de vida materialista ou mesmo na promoção do sexo sem compromissos (segundo a Bíblia, Deus destruiu os adoradores idólatras de Baal, o deus masculino do sexo e do prazer - Números 25: 1-9. A religião baalista incluía homens e mulheres que se prostituíam nos templos e orgias sexuais entre os adoradores, de modo a estimular Baal a fornecer colheitas abundantes. [1] ).

Prática de "espiritismo" (bruxaria)[editar | editar código-fonte]

Qualquer tipo de prática que envolva o uso de magia, feitiçaria, consultas a médiuns espíritas, a tentativa de comunicar com os mortos ou com o oculto, bem como a prática da adivinhação, que inclui o uso de horóscopos ou signos do Zodíaco, leitura das mãos ou quiromancia, cartas de Tarot, pranchetas Ouija ou instrumentos similares, é considerada "espiritismo" (devido às crenças serem em parte similares às do Espiritismo) e, portanto, é uma forma de apostasia. Também se considera um erro sério a utilização de rituais supersticiosos ou o uso de amuletos da sorte ou objectos similares.

Excessos e vícios[editar | editar código-fonte]

Qualquer tipo de conduta que se considere flagrantemente excessiva ou chocante, incluindo o comer e beber, a diversão ou a forma de vestir levará a forte admoestação.

Substâncias passíveis de provocar vício[editar | editar código-fonte]

O uso de substâncias viciadoras impede que a pessoa exerça plenamente o autodomínio, uma das características que as Testemunhas consideram ser essenciais num cristão. Assim, substâncias como o tabaco, ou o mascar noz de bétele, por conterem substâncias que provocam a dependência física e por provocarem danos à saúde são consideradas atentados à santidade da vida e, em alguns casos, como falta de amor ao próximo. Pela mesma ordem de ideias, substâncias naturais ou químicas consideradas drogas recreativas são condenadas. Exceptua-se a isto os casos em que tais drogas são prescritas por indicação médica. Tal como acontece com as bebidas alcoólicas, mesmo o consumo de bebidas como o café ou o chá, apesar de não serem encaradas como erradas em si mesmas, deverão ser evitadas caso a pessoa perceba que começa a criar dependência.

Roubo e fraude[editar | editar código-fonte]

Segundo as Testemunhas, roubar ou defraudar são pecados sérios aos olhos de Deus e revela falta de amor ao próximo. A fraude pode ser definida como uso intencional de engano, embuste ou deturpação da verdade, com o fim de induzir outro a ceder alguma coisa valiosa que lhe pertence ou a desistir dum direito legal. A fraude, conforme considerada na Bíblia, em geral é associada com relações comerciais.

Crêem que até mesmo um pequeno roubo pode fazer com que o coração da pessoa fique endurecido. Incluem no roubo, não apenas o acto de furtar um objecto, mas também o incumprimento intencional de deveres assumidos, como por exemplo não prestar o horário completo de trabalho, utilizar sem autorização recursos que pertencem ao patrão ou a outros, o não pagamento de serviços contratados sem justificativa, entre outras práticas similares. O uso de instrumentos de medida intencionalmente falsificadas, tal como as balanças, são um meio fraudulento de enganar o próximo. A desonestidade em todas as áreas da vida é fortemente condenada. Isto inclui a sonegação deliberada de impostos devidos ao Estado ou a autoridades devidamente constituídas.

Devido a esta atitude, as Testemunhas são bem conhecidas mundialmente pela sua honestidade [2] , sendo muitas vezes procuradas para ocuparem tarefas de responsabilidade, ou para o manuseio de dinheiro ou bens de valor, em empresas preocupadas em evitar empregados desonestos [3] .

Mentira intencional e calúnia[editar | editar código-fonte]

Para as Testemunhas, mentir geralmente envolve dizer uma falsidade a alguém que tem o direito de saber a verdade, e fazer isso com a intenção de enganar ou prejudicar a este ou a outro. A mentira nem sempre precisa ser verbal. Pode ser expressa também em ação, quer dizer, alguém pode viver em mentira, numa vida dupla, dando a impressão de ser o que não é. Assim, transmitir coisas que se sabem não ser verdade ou mesmo omitir a verdade pode ser considerado um erro sério.

Calúnia é difamação, em geral maliciosa, seja oral, seja escrita. Há certos assuntos que são confidenciais, mas o caluniador tem gosto em revelá-los a outros que não têm o direito de conhecê-los. O caluniador tem prazer em revelar coisas que provocam sensacionalismo. Quem ouve a calúnia também está errado e prejudica a si mesmo. Uma pessoa talvez se afaste dos amigos por causa de algum comentário difamatório sobre eles, feito pelo caluniador, talvez resultando em inimizades e divisões.

Ganância e jogatina[editar | editar código-fonte]

Para as Testemunhas, a ganância é o desejo descomedido ou excessivo de ter mais, quer seja dinheiro, quer bens, poder, sexo ou outras coisas. Quando a ganância tem por objectivo conseguir aquilo que pertence a outro, ela se torna cobiça. Assim, quando alguém, movido por tal desejo desmedido, relega para segundo plano os seus deveres cristãos, pode vir a ser admoestado por tal erro sério.

Apesar de não encararem o desporto competitivo ou o jogo como errados em si mesmos, a ambição desmedida de ganhar é considerada um erro. A jogatina é definida como qualquer tipo de jogo ou aposta que envolva dinheiro, mesmo que sejam pequenas somas. Entendem que coisas como a lotaria, bingo, jogos de casino e similares, promovem um espírito de ganhar à custa dos outros ao invés de um espírito de generosidade e partilha com os que estão em necessidade. Em muitos casos, o jogo a dinheiro pode tornar-se viciante e implicar na perda considerável de recursos financeiros às vezes essenciais à sobrevivência do jogador ou da sua família.

Envolvimento em actividades políticas ou militares[editar | editar código-fonte]

As Testemunhas definem neutralidade como a posição assumida por aqueles que não se colocam do lado de nenhum de dois ou mais partidos em disputa nem lhes dão apoio. Para elas, neutralidade significa a não interferência no que outros fazem no que diz respeito a participarem em cerimónias patrióticas, servirem nas forças armadas, unirem-se a partidos políticos, buscarem um cargo político ou votarem num candidato partidário ou político.

Desassociação e Dissociação[editar | editar código-fonte]

As Testemunhas fazem questão de ser encarados como exemplos na comunidade em que moram, incluindo no cumprimento das suas obrigações escolares, laborais e civis, evitando práticas tal como o suborno, a mentira, a fuga aos impostos, práticas comerciais desonestas, entre outras. No entanto, afirmam aderir à Lei de Deus antes que à dos homens e, assim, recusam imposições legais que violem as suas consciências treinadas segundo os ensinos bíblicos aprendidos, mesmo que isso implique a perda de privilégios de cidadania, a liberdade ou mesmo a vida. Portanto, quem viola flagrantemente os princípios que jurou defender, e não se arrepende, deve ser expulso da organização para a defesa do bom nome desta e do Nome Santo que as Testemunhas portam sobre si. Tal acção é conhecida em termos religiosos por excomunhão, sendo usualmente empregue o termo desassociação entre as Testemunhas.

Transgressões graves contra as suas normas morais e religiosas, tais como as referidas neste artigo, cometidas por parte de uma Testemunha podem levar à expulsão da organização, após decisão de Comissões Judicativas congregacionais. Uma Comissão Judicativa, formado por pelo menos três anciãos da congregação, julga a acção pecaminosa à luz do seu entendimento da Bíblia mas, independentemente da gravidade e notoriedade do pecado perante a congregação ou a comunidade local, a expulsão só ocorre nos casos em que se estabelece que o transgressor não demonstra genuíno arrependimento por insistir na prática continuada do pecado, por não lamentar o erro ou por não reparar os eventuais danos provocados a terceiros.

Por exemplo, a jogatina, extorsão, calúnia, furto, embriaguez, uso não medicinal de drogas, tabagismo, fornicação, homossexualidade, poligamia, casamento incestuoso, violência de qualquer espécie, assassínio, interrupção voluntária da gravidez, abuso sexual de menores, entre outros pecados de natureza bíblica, são consideradas transgressões sérias da Lei de Deus, passíveis de desassociação caso o errante não demonstre arrependimento. Ao se informar a congregação local sobre a desassociação de um dos seus membros, os erros cometidos pelo transgressor nunca são mencionados por respeito à sua privacidade e também pela obrigação moral e legal de guardar confidência por parte dos anciãos.

O papel do arrependimento[editar | editar código-fonte]

A desassociação de alguém só ocorre caso se entenda que a pessoa, independentemente do que praticou, não está realmente arrependida do seu proceder. O transgressor, naturalmente, deve ter sentimentos de tristeza, remorso e pesar com respeito ao seu proceder pecaminoso. Deve deplorar profundamente o erro, reconhecendo-o como pecado contra Jeová, passando a odiar o proceder errado, abominando-o. A sua preocupação primária não deve ser tanto com as consequências desagradáveis da sua transgressão, mas, em vez disso, deve preocupar-se com o mau nome que lançou sobre Jeová, o Deus que adora, e a organização a que pertence. Deve sinceramente deplorar ter prejudicado a sua relação com o Altíssimo.

A pessoa que está verdadeiramente arrependida deve demonstrar frutos próprios. Isto inclui fazer empenho razoável para endireitar os assuntos ao ponto que fôr possível, especialmente se magoou ou prejudicou directamente a outros. Também, se não estiver positivamente resolvido em voltar atrás e passar a seguir um proceder certo, haveria sérias dúvidas sobre a genuinidade de seu arrependimento.

Caso uma Comissão Judicativa considere que o errante está genuinamente arrependido, não se decidirão pela desassociação. Ainda assim, não deixarão de admoestar e aconselhar a pessoa, dando-lhe ajuda bíblica para prosseguir no caminho correcto. Também, é normal que sejam impostas algumas restrições à pessoa, tal como retirar a sua matrícula da Escola do Ministério Teocrático ou não permitir a sua participação em tarefas congregacionais. Visto que, apesar de arrependida, a pessoa não é mais um exemplo, perderá certos privilégios especiais que talvez exercesse, tal como servir como Ancião ou Servo Ministerial, Pioneiro Auxiliar, Regular ou outros similares.

Como encaram os desassociados[editar | editar código-fonte]

A desassociação é a sanção religiosa máxima quando os membros da Comissão Judicativa entendem que a pessoa não manifesta arrependimento do seu erro sério. Sempre que o julgado considere ter havido erros na condução da acção judicativa, este tem o direito, no prazo de sete dias, de recorrer por escrito para uma nova Comissão, chamada de Comissão de Apelação, que sustentará ou reverterá a decisão anterior.

Se a decisão for a desassociação, tal informação é transmitida brevemente a toda a congregação o que implica que todos os publicadores cessarão de ter convivência religiosa e social com o culpado a partir desse momento. Não mais é considerada uma Testemunha de Jeová e a convivência social é reduzida ao mínimo possível. A pessoa expulsa não é encarada como um descrente, que não conhece a Deus, nem segue um modo de vida piedoso. Antes, ele já conheceu o caminho que as Testemunhas consideram ser a verdade, mas abandonou esse rumo e seguiu impenitentemente o pecado, ao ponto de ter sido expulso. Portanto, ele é tratado de maneira diferente, sendo que os seus anteriores companheiros deixarão de lhe dirigir a palavra, nem sequer os cumprimentando. Isto se aplica também a familiares, pais, filhos, amigos, etc, gerando a 'morte social' do ex-membro. As Testemunhas baseiam esta decisão nos seguintes versículos bíblicos:

  • 1 Coríntios 5:9-13
"Escrevi-vos para não vos relacionardes com gente imoral. Não quis dizer-vos que devíeis separar-vos dos imorais deste mundo, ou dos avarentos, ladrões e idólatras; se assim fosse teríeis que sair deste mundo! Não! Escrevi que não deveis associar-vos com alguém que traz o nome de irmão, e no entanto é imoral, avarento, idólatra, caluniador, beberrão ou ladrão. Com pessoas assim, não deveis nem sequer sentar-vos à mesa. Porventura compete a mim julgar aqueles que estão fora? Não os de dentro que deveis julgar? Deus é quem vai julgar os que estão fora. Afastai do meio de vós o homem mau." (Bíblia Pastoral, Sociedade Bíblica Católica Internacional, Edições Paulistas)
  • 2 João 9-11
"Todo aquele que prevarica, e não persevera na doutrina de Cristo, não tem a Deus. Quem persevera na doutrina de Cristo, esse tem tanto ao Pai como ao Filho. Se alguém vem ter convosco, e não traz esta doutrina, não o recebais em casa, nem tampouco o saudeis. Porque quem o saúda tem parte nas suas más obras." (Almeida, Versão Corrigida e Fiel)

Assim, entendem que o procedimento dos membros de uma organização, seja ela qual for, decidirem cortar totalmente o relacionamento social com outra pessoa que violou regras estabelecidas e que as havia aceitado solenemente é um direito que lhes assiste. No caso da desassociação, entendem que se trata de um direito legítimo duma religião no exercício da liberdade religiosa.

A desassociação, evidentemente, não rompe os laços familiares. O desassociado poderá ser casado com alguém que permanece como Testemunha de Jeová. Os privilégios e deveres ou obrigações conjugais não são tocados. Ainda assim, o cônjuge que se mantém como Testemunha evitará falar de assuntos religiosos, excepto quando se manifestar que existe clara manifestação de arrependimento por parte do errante, talvez demonstrando que pretende voltar à organização. No caso de filhos que vivem com os pais ou irmãos que são Testemunhas, é dever dos pais Testemunhas continuar a incluir o filho desassociado nas actividades familiares, inclusive naquelas que envolvam o estudo da Bíblia em família ou a comparência às reuniões religiosas no Salão do Reino. No caso de laços familiares mais distantes, recomenda-se que convivência social seja mantida no mínimo possível.

Também, a desassociação não liberta o empregador ou o empregado que é Testemunha de Jeová de continuar a cumprir as suas obrigações para com a pessoa que foi desassociada. O mesmo acontece quando existem relações comerciais que exijam o contacto com tais pessoas. Ainda assim, as Testemunhas são incentivadas a manter os contactos restringidos ao mínimo e apenas restritos aos assuntos comerciais ou legais que têm entre si.

Alguns críticos não concordam com este posicionamento das Testemunhas considerando que viola direitos humanos. Alguns até mesmo dizem que isso é uma discriminação e movem ações jurídicas contra a religião[4] . As Testemunhas de Jeová alegam que se trata de um direito legítimo que lhes assiste, que essa disciplina é uma expressão de amor e que possui base bíblica.

Desassociação considerada uma expressão de amor[editar | editar código-fonte]

As Testemunhas de Jeová consideram a desassociação ou excomunhão como uma expressão de amor a Jeová e às suas leis. Crêem que tal prática defende amorosamente o Nome Santo de Deus, que têm orgulho em divulgar com consciência limpa. É prova de amor também pelas pessoas cuja conduta é justa, porque remove do meio delas aqueles que poderiam ser uma má influência ou que lhes poderiam trazer má reputação na comunidade. É um ato de amor porque protege a congregação, especialmente os mais jovens ou inexperientes, da influência corrompedora do pecado. Também demonstra amor pelo transgressor, porque lhe prova que o pecado não é tolerado, tal como o próprio errante afirmou acreditar quando se batizou. Isto o poderá encorajar mais tarde a abandonar a sua atitude impenitente e a arrepender-se procurando a readmissão. Todos os anos, milhares de tais pessoas desassociadas solicitam o seu regresso à organização das Testemunhas de Jeová.

Dissociação[editar | editar código-fonte]

A dissociação consiste na exclusão voluntária de alguém, indicando ou não os motivos disso. Não se trata simplesmente do caso de alguém que deixa de assistir às reuniões ou que não participa mais no ministério de evangelização. Neste último caso, a pessoa é simplesmente considerada inactiva, ou seja não mais é contada como publicador da congregação. Ao contrário, quem se dissocia fá-lo deliberadamente, por expressar essa vontade diante de testemunhas, por escrever uma carta ou por determinadas acções que provam que a pessoa não deseja mais ser conhecida como Testemunha de Jeová. Os membros da congregação encararão tal pessoa como fariam como um desassociado, visto que entendem que o que se afasta viola o juramento que efectuou por ocasião da sua dedicação voluntária a Deus e que expressou publicamente no dia do seu batismo. Aplicam-se os mesmos preceitos anteriormente apresentados com respeito aos que são desassociados.

Readmissão[editar | editar código-fonte]

Os anciãos congregacionais procuram contactar os ex-membros que parecem ter abandonado o proceder que os levou à sua exclusão. Fazem isto pelo menos uma vez por ano, caso os visados aceitem a visita na qual os ancião animam a pessoa a fazer os necessários arranjos na vida para se harmonizar com as normas de moral que antes defendia.

Caso a pessoa expulsa decida voltar à associação com os seus ex-companheiros de adoração pode solicitar a sua readmissão. Isto poderá ser feito após se ter passado tempo suficiente, muitos meses ou mesmo anos, para que a Comissão Judicativa reconheça que existe agora genuíno arrependimento e a rejeição definitiva da prática do pecado. A pessoa deve reiniciar a sua assistência às reuniões das Testemunhas de Jeová, no Salão do Reino, mesmo sabendo que os demais não lhe dirigirão a palavra. Após algum tempo, a pessoa poderá dirigir uma carta solicitando a sua readmissão ou reintegração, assunto que a Comissão Judicativa analisará, decidindo se é possível a reintegração ou se é necessário mais tempo para que haja certeza da motivação da pessoa.

Se a Comissão Judicativa aprovar a readmissão, a pessoa poderá ser reintegrada passando por um período de recuperação gradual dos seus privilégios de serviço, tal como o direito de participar nas reuniões. Poder servir em posições de ensino ou de responsabilidade levará mais tempo, consoante a gravidade do caso ou o tempo de afastamento.

Estatísticas sobre ex-membros[editar | editar código-fonte]

Os números anuais dos desassociados são por vezes mencionados em Assembleias e Congressos, na revista A Sentinela, no Anuário das Testemunhas de Jeová e no periódico mensal Nosso Ministério do Reino, indicando valores mundiais ou dados referentes a um determinado país em particular.

Por exemplo, a revista A Sentinela mencionava na sua edição de 15 de Novembro de 1974, pág 685:

"Nos Estados Unidos [...], durante o período de dez anos, de 1963 a 1973, 36.671 pessoas tiveram de ser desassociadas por diversas espécies de sérias transgressões. Contudo, no mesmo período, 14.508 pessoas foram readmitidas, aceitas novamente nas congregações, por causa de seu sincero arrependimento."

Também, na sua edição destinada ao Brasil, o periódico mensal Nosso Ministério do Reino de Maio de 2004 informou:

"No ano de serviço de 2003 houve 7.230 desassociações por motivo de imoralidade sexual, no Brasil".

Referia que esse número representou 83% de todos os desassociados naquele país. Informou ainda que, em igual período, 4.343 pessoas foram readmitidas entre as Testemunhas brasileiras.

Quanto a dados mundiais, o Anuário das Testemunhas de Jeová de 1979, pág. 23, informa que 29.893 haviam sido desassociados no ano anterior. A revista A Sentinela de 1 de Janeiro de 1986, pág. 13, indica o número de 36.638 com referência ao ano transacto. A edição de 15 de Setembro de 1987, pág. 13, refere 37.426 desassociados em 1986. Mais de 41 mil foi o valor indicado referente a 1988 na edição de 1 de Dezembro de 1989, pág. 17. Durante os primeiros anos da década de 90 do Século XX, os valores parecem ter-se fixado por volta dos 40 mil desassociados e dissociados anuais, a nível mundial, conforme se pode observar na revista A Sentinela, nas edições de 11 de Novembro de 1991, pág. 9, e 1 de Abril de 1994, pág. 16.

Referências

  1. "Toda a Escritura é Inspirada por Deus e Proveitosa", Destaque do Livro de Juízes, página 47, § 7
  2. A Sentinela de 1 de Junho de 2005, página 8
  3. How to Be Invisible: The Essential Guide to Protecting Your Personal Privacy, Your Assets, and Your Life (Revised Edition), de J. J. Luna, publicado em 2004 pela Editorial das Islas, EUA, aconselha os empregadores a procurar membros activos de certos grupos religiosos, mas acrescenta: "Na prática, acabamos por ficar com as Testemunhas de Jeová." Entre os motivos apresentados, afirma-se que elas são bem conhecidas pela honestidade e que por isso são "muito requisitadas" em diversos campos. Na página 84 acrescenta-se: "Muitas pessoas que não são Testemunhas telefonam para os Salões do Reino à procura de quem precisa de emprego"
  4. Luiza Bandeira (29 de julho de 20). Procuradoria acusa Testemunhas de Jeová de discriminação. Folha.com. Página visitada em 18 de agosto de 2011.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Sites oficiais das Testemunhas de Jeová[editar | editar código-fonte]