Norte da Inglaterra

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O Norte
Norte da Inglaterra
Condados do norte da Inglaterra mostrados dentro da Grã-Bretanha, conforme definido pelo HM Revenue and Customs.[1]
Condados do norte da Inglaterra mostrados dentro da Grã-Bretanha, conforme definido pelo HM Revenue and Customs.[1]
Parte da  Inglaterra
Maiores cidades
Área
 - Total 37 331 km²
População
 - Estimativa (janeiro de 2007) 14 500 000
Fuso horário GMT (UTC)
Santos padroeiros Cutberto & Aidan.[2] [3]
Bandeira proposta para o Norte da Inglaterra.

O Norte da Inglaterra, também conhecido como o Norte ou o Norte do País, é uma região cultural da Inglaterra. Não é uma região oficial do governo, mas uma fusão informal de condados. O limite sul da região é o rio Trent,[4] enquanto o norte faz fronteira com a Escócia. A população total dos condados do norte da Inglaterra é de aproximadamente 14,5 milhões de habitantes, cobrindo uma área de 37.331 km2.

Durante a Antiguidade a maior parte da área fazia parte da Brigantia - terra natal dos brigantes e o maior reino britônico da Grã-Bretanha. Após a conquista romana da Britânia a cidade de York tornou-se a capital da região, chamada Britannia Inferior, e mais tarde, Britannia Secunda. Na Britânia pós-romana surgiram novos reinos britônicos dos Hen Ogledd. Os colonos anglos criaram Bernícia e Deira das quais se derivou a Nortúmbria e uma Era de Ouro nas atividades culturais, acadêmicas e monásticas, centradas em torno de Lindisfarne e auxiliada por monges irlandeses.[5] Os ataques viking dos nórdicos e gaélicos conquistaram o controle de grande parte da área, criando a Danelaw. Durante este tempo houve estreitas relações com Mann e as Ilhas, Dublin e Noruega. A Nortúmbria foi unificada com o restante da Inglaterra sob o governo de Eadred por volta de 952.

Após a conquista normanda em 1066, a desolação foi trazida com o Massacre do Norte, embora muitas das construções e fundações de cidades tenham ocorrido pouco tempo depois. O Conselho do Norte existiu durante a Idade Média Tardia até a Commonwealth, após a Guerra Civil. A área sofreu com as lutas da fronteira anglo-escocesa até a unificação da Grã-Bretanha sob a Casa de Stuart.

Definições[editar | editar código-fonte]

Linguisticamente

A concepção do Norte leva em conta a percepção de sotaques regionais "do Norte". Especialistas em dialetos históricos categorizam como norte a área ao norte de uma linha que começa no estuário do Humber, e corre ao longo dos rios Wharfe e Lune no norte de Lancashire.[6] Porém, os elementos linguísticos que tradicionalmente definiram esta área, tal como o uso de doon ao invés de down, e a substituição e de um -ang sonoro em palavras terminadas em -ong (por exemplo, lang ao invés de long), agora são apenas predominantes nas partes mais ao norte da região; essas características linguísticas podem refletir uma interpretação mais moderna de onde a linha se situa atualmente. Como o discurso mudou, há pouco consenso sobre o que define um sotaque ou dialeto "do Norte". Muitas pessoas do norte da Inglaterra omitem certas palavras de sentenças no discurso casual, como quando dizem: "I'm goin t'shops" ou "I'm going the shops" em oposição a "I'm going to the shops". Isto é particularmente comum em Yorkshire e Lancashire.

Geograficamente

O norte de Inglaterra também pode ser considerado como a área (de costa a costa) em torno dos Peninos, uma região montanhosa muitas vezes referida como "a espinha dorsal da Inglaterra". Esta se estende das Cheviot Hills, na fronteira com a Escócia, até o Peak District. As áreas definidas eram antigamente dominadas pela indústria pesada e pela extração mineral e de transformação. A combinação da característica selvagem com a paisagem montanhosa da região, levou à concepção popular, principalmente por aqueles do sul da Inglaterra, do Norte ser uma "região sombria".

É uma área de paisagens extremas. Existem vários cinturões de urbanização, muitos dos quais formam uma grande faixa que vai de Liverpool até Leeds ao longo do corredor M62, depois, rumo ao sul até Sheffield ao longo do corredor M1. Há aglomerações ainda mais a nordeste e leste de Preston. Cerca de onze milhões de pessoas vivem na área coberta pelo Caminho do Norte, a maioria em suas maiores cidades: Leeds, Sheffield, Liverpool, Bradford e Manchester.

Regiões Oficiais do Governo

O Norte pode também ser considerado como contendo três Regiões Oficiais do Governo: Nordeste da Inglaterra, Noroeste da Inglaterra e Yorkshire e Humber. Esta área é composta pelos condados cerimoniais de Cheshire, Cúmbria, Durham, East Riding of Yorkshire, Grande Manchester, Lancashire, Merseyside, Northumberland, North Yorkshire, South Yorkshire, Tyne and Wear, West Yorkshire e parte de Lincolnshire. As regiões também possuem a North England Inward Investment Agency, que é uma agência patrocinada pelo governo do Reino Unido, que representa duas Agências de Desenvolvimento Regional do Norte da Inglaterra: Northwest Regional Development Agency (NWDA) e One Northeast (ONE).

Condados históricos

Alternativamente, o Norte pode ser considerado como composto por seis condados históricos: de Cumberland, Northumberland, Westmorland, Durham, Lancashire e Yorkshire. A parte oriental dessa região coincide com o antigo Reino da Nortúmbria, com exceção daquelas áreas que foram mais tarde absorvidas pela Escócia.

Eclesiástico

O norte da Inglaterra, às vezes é definido de forma a coincidir com a eclesiástica Província de York, que é supervisionada pelo Arcebispo de York. A sé inclui a Ilha de Man, que em termos eclesiásticos é a sede de Sodor e Man e foi ao mesmo tempo uma parte de Jorvik na disputa com Dublin sobre a dita ilha e Galloway. Uma definição comparável em termos católicos seria a Província de Liverpool.[7]

Pessoas[editar | editar código-fonte]

O termo "nortista" é frequentemente livremente utilizado sem qualquer consideração mais profunda das identidades geográficas do norte da Inglaterra, levando a confusão sobre a profundidade de afiliação entre as suas áreas. As pessoas das áreas das Midlands, como as de Stoke-on-Trent, ocasionalmente escolhem se identificar como "nortistas".

Como em grande parte do resto da Inglaterra, as pessoas tendem a ter uma profunda ligação com seu condado ou sua cidade. Assim, as pessoas de Yorkshire têm uma tradicional rivalidade com as pessoas de Lancashire, embora as pessoas de ambas as áreas reconheçam uma identidade compartilhada "do Norte". Da mesma forma, há uma forte distinção entre os nativos de Sunderland (Mackems) e os de Newcastle (Geordies).

Esporte[editar | editar código-fonte]

Rugby

O rugby teve um cisma em 1895 com muitas equipes com sede em Yorkshire, Lancashire e zonas circundantes rompendo com a Rugby Football Union e formando a sua própria Liga de Rugby. A discordância que levou à separação foi sobre a questão dos pagamentos profissionais, e "tempo parado" ou pagamentos por lesão.

O Norte formou um poderoso time da União de Rugby nas décadas de 1970, 1980 e 1990 que ficou famoso ao vencer os jogos contra os All Blacks da Nova Zelândia e os Wallabies da Austrália. Entre seus ex-jogadores estão: Bill Beaumont, Will Carling e Rory Underwood, mas mais recentemente tem visto as equipes regionais se tornarem relativamente mais fracas, com futebol, críquete e a liga de rugby sendo citadas como mais populares em toda a região.[8]

História[editar | editar código-fonte]

Os romanos chamavam uma área semelhante ao norte da Inglaterra de "Britannia Inferior" (Baixa-Bretanha) e era governada a partir da cidade de Eboraco (atual York). Os brigantes ocuparam a região entre os rios Tyne e Humber. A subcapital dominou o restante do território ao norte de lá, que incluiu, por um curto período, a parte das terras baixas da Escócia entre a Muralha de Adriano e a Muralha de Antonino.

Após a chegada dos anglos, saxões e jutos, o Norte foi dividido entre os reinos rivais: Bernícia e Deira. A Bernícia dominou as terras ao norte do rio Tees, enquanto Deira correspondia aproximadamente à metade oriental da atual Yorkshire. Bernícia e Deira foram fundidas para formar a Nortúmbria, por Etelfrido, um rei da Bernícia que conquistou Deira por volta de 604. Uma área a leste e oeste dos montes Peninos foi dividida entre dois reinos celtas, Rheged (Cúmbria e Lancashire) e Elmet (West Riding of Yorkshire). O norte da Inglaterra forma uma grande parte do Hen Ogledd, um termo galês para 'Antigo Norte'. O noroeste da Inglaterra ainda mantém vestígios de uma cultura celta, e teve sua própria língua celta, cúmbrica, falada predominantemente na Cúmbria até por volta do século XII.

O norte e o leste da Inglaterra estiveram sujeitos ao Direito dinamarquês (Danelaw) durante a era viking, evidência de que pode ser encontrada na etimologia de muitos nomes de lugares e sobrenomes na área. As aspirações anglo-normandas na fortificada Irlanda têm algumas raízes nas incursões vikings no Mar da Irlanda e na rota de comércio, que partiam de York e atravessavam as áreas de Edimburgo - Glasgow, na Escócia, indo até Dublin, na Irlanda.

Historicamente, o Norte foi controlado a partir de Londres pelo Conselho do Norte, baseado no King's Manor, em York, criado em 1484 por Ricardo III. Porém, as grandes decisões que afetavam o Norte de Inglaterra eram tomadas inteiramente em Londres, desde quando esta instituição foi abolida em 1641.

Como o centro da revolução industrial, o norte da Inglaterra tem sido caracterizado por seus centros industriais, das cidades moinho de Lancashire, centros têxteis de Yorkshire, estaleiros navais do Nordeste até as cidades mineiras encontradas em todo o Norte e os portos de pesca ao longo das costas leste e oeste. Contudo, embora grande parte do sul e do leste da Inglaterra, em geral, prosperou economicamente, o norte e o oeste mantiveram-se relativamente pobres, consequentemente, há atualmente muitos projetos de renovação urbana subsidiados pelo governo acontecendo nas vilas e cidades do norte, na esperança de explorar a falta de investimentos privados na área. Cinco das dez cidades mais populosas do Reino Unido estão no Norte.

O quadro não é bem claro, pois o norte possui áreas que são tão ricas quanto, se não forem mais ricas que, as áreas do sul, como Surrey.O "Triângulo de Ouro" de Yorkshire, que se estende do norte de Leeds até Harrogate e cruza em direção a York, é um exemplo, de como é Cheshire. Igualmente, os condados, como Cornwall compartilham a privação econômica relativa frequentemente associada com o Norte.

Religião[editar | editar código-fonte]

O Cristianismo é a maior religião no norte da Inglaterra e tem sido assim desde a Alta Idade Média, com a sua introdução na ilha pelos romanos e continuação através do período pós-romano. A Ilha Sagrada de Lindisfarne desempenhou um papel fundamental na cristianização da Nortúmbria, depois que Aidan de Connacht fundou um mosteiro lá como o primeiro Bispo de Lindisfarne, a pedido do rei Osvaldo.[9] É conhecida pela criação dos Evangelhos de Lindisfarne e continua até nossos dias a ser um local de peregrinação.[10] [11] Paulino, como parte da missão gregoriana tornou-se o primeiro Bispo de York. Foi no Sínodo de Whitby que os cálculos da Páscoa foram adequados aos cálculos romanos. Nos dias atuais, as três principais formas de cristianismo praticadas são: Anglicanismo, rito latino da Igreja Católica e Metodismo. Em termos de administração eclesiástica para a Igreja da Inglaterra a região norte é coberta pelo Província de York, que é representada pelo Arcebispo de York. Da mesma forma, com exceção da velha Cheshire, o norte é coberto na administração católica pela Província de Liverpool, representada pelo Arcebispo de Liverpool.

Bandeira[editar | editar código-fonte]

Muitas áreas do norte da Inglaterra possuem suas próprias bandeiras, mas não há nenhuma bandeira oficial para a região como um todo. Em 2003, uma bandeira foi proposta para a região, a Bandeira do Norte da Inglaterra, que contém a cruz de São Jorge no formato de uma cruz nórdica para simbolizar os laços históricos com a Escandinávia, com as cores da bandeira da Inglaterra para simbolizar as ligações com o restante da Inglaterra.[12]

Notas

  1. HM Revenue & Customs Advice Teams - Northern England..
  2. Why are they important? NorthumbrianAssociation.com..
  3. Palgrave, History of England, 124.
  4. Entire Catchment Flood Modelling as a Planning Tool – River Trent Case Study Glenelg Hopkins CMA..
  5. Historical background to The Golden Age Golden Age of Northumbria..
  6. Ver, por exemplo, John Wells, Accents of English Volume 2, páginas 349-350, ou Peter Trudgill, The Dialects of England, páginas 39-41
  7. Royal College of St. Alban, Valladolid - The five provinces of England and Wales
  8. Alastair Eykyn (4-5-2011). BBC Sport - Rugby union in the north of England is dying BBC News.
  9. The Religious History of Lindisfarne..
  10. The Easter Walking Pilgrimage to Holy Island..
  11. The history of The Gospels..
  12. North of England flag Flags of the World (1 de outubro de 2008).

Referências