North American Man/Boy Love Association

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North American Man/Boy Love Association
Logotipo de NAMBLA. A M maiúscula e a b minúscula simbolizam um homem e um menino/adolescente.
Lema "Liberdade sexual para todos"
Fundação 1978
Tipo Associação não registada
Línguas oficiais inglês
Sítio oficial Nambla.org

A North American Man/Boy Love Association (traduzível como Associação Norte-Americana do Amor entre Homens e Garotos; NAMBLA, segundo a sigla em inglês) é uma organização estadunidense, fundada em Boston em 1978 por pedófilos homossexuais, que defende a aceitação social da pedofilia e a eliminação ou a reforma das leis sobre a idade de consentimento, com base na ideia de que os menores podem consentir relações sexuais com adultos e de que essas não são prejudiciais para eles se são consentidas.

NAMBLA é a organização mais importante e longeva do movimento pedófilo. Pertenceu à Associação Internacional de Gays e Lésbicas (ILGA) de 1984 até 1994, quando foi expulsa por esta para poder conseguir um status consultivo como ONG na Organização das Nações Unidas[1] . A associação tem mantido uma existência constante até a atualidade, se bem que hoje ela se reduz praticamente a um grupo de membros fracamente associados e ao seu sítio web[2] [3] .

Ideologia e postura oficial[editar | editar código-fonte]

NAMBLA se define como uma «organização política, pelos direitos civis e educativa» cujo objetivo é de «acabar com a extrema repressão de homens e meninos/adolescentes que mantêm relações mutuamente consentidas»[4] .

A organização defende que os menores podem consentir relações sexuais com adultos e afirma que estas não são abusivas nem prejudiciais em si mesmas quando são consentidas pelos menores[5] .

NAMBLA denuncia que «as leis atuais, centradas unicamente na idade dos participantes, ignoram a natureza das suas relações» e os «[castiga injustamente] no quadro de um sistema penal deficiente»[4] [6] . Sob essa premissa, a associação advoga a eliminação da idade de consentimento[nota 1] ou uma «reforma substancial da legislação no que diz às relações entre jovens e adultos».

A organização sempre «conden[ou] o abuso sexual e qualquer tipo de violência»[nota 2] .

Meios de ação[editar | editar código-fonte]

NAMBLA utiliza os seguintes meios de ação para defender o seu ideário[4] :

  • Promover a compreensão e o apoio de tais relações;
  • Informar o público em geral sobre a natureza benévola do amor entre homens e jovens;
  • Colaborar com o movimento lésbico, gay e feminista e com outros movimentos de liberação;
  • Apoiar pessoas de qualquer idade para se liberarem dos preconceitos e da repressão sexuais.

A organização assinala no seu sítio web e nas suas publicações que «não proporciona apoio, indicações ou ajuda a pessoas que buscam relações sexuais [com menores]» e especifica que «não se dedica a nenhum tipo de atividade que viole a lei nem advoga que outros o façam»[4] .

Programa de Presos[editar | editar código-fonte]

Desde o seu início, NAMBLA gere um Programa de Presos com recursos limitados cujo objetivo é de proporcionar apoio moral a pedófilos encarcerados. Uma parte fundamental do Programa é o fomento da amizade por correspondência entre presos e pessoas em libertade. A organização também publica um boletim carcerário (Prisoners' Letter) que inclui extratos do NAMBLA Bulletin e doutras publicações de NAMBLA, através do qual se mantém em contato com eles[9] .

Nambla.org[editar | editar código-fonte]

O sítio web de NAMBLA[10] fornece informações sobre a pedofilia e sobre a organização e reproduz artigos sobre diversos temas provenientes das suas publicações. Também permite fazer encomendas postais de livros e revistas e explica como tornar-se sócio.

História[editar | editar código-fonte]

NAMBLA tem a sua origem no agitado clima político dos anos 70 do século XX, e em particular no Movimento de Liberação Gay surgido a seguir dos distúrbios de Stonewall acontecidos em 1969 em Nova Iorque. Ainda que também foi aberto um debate sobre as relações entre adultos e menores[nota 3] , as associações de ativistas homossexuais centraram-se principalmente na repressão policial, na discriminação no mundo laboral e na assistência sanitária.

Até uma batida massiva contra os pedófilos da comunidade homossexual de Boston não ser objeto de uma ampla investigação jornalística nas últimas semanas de 1977 e a polícia não invadir as instalações da revista gay canadense The Body Politic pela publicação de um artigo de Gerald Hannon titulado "Men Loving Boys Loving Men"[15] (Homens que amam os jovens que amam os homens), o assunto das relações entre adultos e menores não recebeu suficiente atenção para que fosse proposta publicamente a necessidade de criar uma organização como NAMBLA.

Fundação[editar | editar código-fonte]

Em dezembro de 1977 a polícia fez uma incursão numa casa de Revere, nos arredores de Boston. Vinte e quatro homens foram detidos e indiciados sob acusações de mais de uma centena de abusos sobre menores de entre oito e quinze anos. O promotor público do condado de Suffolk, Garrett Byrne, alegou que os homens tinham utilizado drogas e videojogos para atrair os garotos na casa, onde os fotografaram e tiveram relações sexuais com eles. Byrne acusou os homens de pertencer a uma «rede de pederastia» e disse que eles eram apenas «a ponta do iceberg»[16] . As detenções receberam uma ampla cobertura midiática e jornais locais publicaram as fotografias dos acusados e dados pessoais sobre eles.

Os membros da redação da revista gay Fag Rag pensaram que por trás da operação havia motivações políticas. Junto a outros membros da comunidade gay de Boston, eles viram na batida de Byrne uma caça às bruxas contra gays. No dia 9 de dezembro eles criaram o Comitê Boston-Boise (Boston-Boise Committee), nome que fazia referência a um caso similar acontecido em Boise, Idaho, nos anos 50. O grupo organizou concentrações, arrecadou fundos para as defesas e tentou sensibilizar a opinião pública sobre o caso através da distribuição de panfletos. Mais tarde também daria lugar a NAMBLA.

Garrett Byrne perdeu as seguintes eleições. O novo promotor público afirmou que nenhum gay devia temer a cadeia por ter tido relações sexuais com adolescentes enquanto estes não houvessem sido forçados. Todas as acusações foram retiradas e os poucos que já se tinham declarado culpáveis, ou que tinhan sido declarados culpáveis, foram postos em liberdade condicional[17] .

Em 2 de dezembro de 1978 Tom Reeves, do Comitê Boston-Boise, convocou uma reunião sob o lema «Amor entre homens e jovens e idade de consentimento», na qual participaram aproximadamente 150 pessoas. Após a reunião, cerca de trinta homens e jovens decidiram criar uma organização que iriam chamar de North American Man/Boy Love Association (NAMBLA).

Isolamento[editar | editar código-fonte]

Meses após NAMBLA ser fundada, os primeiros desacordos entre os seus membros e outros ativistas homossexuais que viam na idade de consentimento um mal necessário para a supervivência do Movimento Gay[nota 4] tornaram-se evidentes na conferência organizativa da primeira marcha do orgulho gay em Washington, em 1979. Esta, além de criar vários comitês de trabalho, devia redigir o documento político da manifestação. A princípio foi aprovada a proposta do comitê de jovens homossexuais (Gay Youth Caucus), que pedia «Direitos plenos para os jovens homossexuis, incluída a revisão da lei sobre a idade de consentimento». Todavia, durante a reunião do Comitê de Coordenação Nacional, um grupo de lésbicas ameaçou não participar na marcha se não era adotada uma fórmula substituitiva. A proposta, lançada por uma lésbica e aprovada finalmente pela maioria de delegados, foi: «Proteger os jovens gays e as jovens lésbicas de qualquer lei que vise os discriminar, reprimir ou assediar nos seus lares, na escola ou no ambiente social e profissional»[18] .

Em 1980, um grupo de lésbicas do comitê pela marcha gay chamado Lesbian Caucus do Lesbian & Gay Pride March Committee repartiu folhetos exortando as mulheres para não participarem na marcha gay anual de Nova Iorque a causa de um suposto domínio de NAMBLA e dos seus simpatizantes sobre o seu comitê organizativo. No ano seguinte, após a ameaça de formar piquetes por parte de algumas lésbicas, o grupo gay da Universidade de Cornell, Gay People at Cornell (Gay PAC), anulou o convite que havia feito a David Thorstad, um dos membros fundadores de NAMBLA, para ser mestre de cerimônias do festival. Nos anos seguintes, cada vez mais organizações pelos direitos dos homossexuais tentaram impedir NAMBLA de participar nos desfiles do orgulho gay, o que levou Harry Hay, uma das principais figuras do movimento, a se colocar um cartaz com a inscrição «NAMBLA walks with me» (NAMBLA caminha comigo) durante a marcha de 1986 em Los Angeles.

Em meados dos anos 80, a NAMBLA era praticamente a única organização a defender as suas próprias posturas, encontrando-se politicamente isolada. As organizações pelos direitos dos homossexuais, carregadas de acusações de recrutamento e abuso de menores, tinham abandonado o radicalismo dos seus primeiros anos e tinham «renuncia[do] à ideia de uma política mais inclusiva»[2] a fim de tentar melhorar a sua imagem aos olhos da opinião pública. Durante o processo se esvaiu o apoio a «grupos percebidos como estando à margem da comunidade gay», como NAMBLA[2] .

Caso Etan Patz: O FBI contra NAMBLA[editar | editar código-fonte]

Durante 1982, NAMBLA foi objeto de várias batidas que culminaram em decembro, quando vários homens e adolescentes foram arrestados em Wareham, Massachusetts, na casa de um dos seus membros, que foi descrita na mídia como uma casa segura, um «antro de perversão» e a sede de uma rede de pederastia. Quando membros e sócios de NAMBLA foram interrogados em Nova Iorque, a mídia acusou o grupo de estar envolvido num dos casos criminais mais notórios dos últimos anos nos Estados Unidos, a desaparição em 1979 do menino de seis anos Etan Patz em Lower Manhattan[19] . A polícia e o FBI tinham confiscado na casa de Wareham a fotografia de um calendário que mostrava a imagem de um menino ligeiramente parecido com Etan, e sugeriu que ele tinha sido sequestrado e talvez utilizado com fins pornográficos, mesmo que na realidade a fotografia tinha sido tirada em 1968, o mesmo ano em que foi publicado o calendário e uns cinco anos antes do nascimento de Etan[20] . Embora as autoridades disseram que o sujeito da foto tinha uma semelhança impressionante com Etan, os pais dele negaram categoricamente que pudesse ser o seu filho. Contudo, a polícia chegou a sugerir que NAMBLA devia ter pintado com aerógrafo uma «covinha» no queixo de Etan para fazer de alguma maneira mais atractivo o menino do calendário[20] .

A imprensa tentou relacionar NAMBLA com outros raptos e desaparições de meninos e a descreveu como «um grupo de sequestradores de crianças, pornógrafos e proxenetas», e talvez de assassinos de crianças, com uma «rede internacional de pederastia» que espreitava atrás da fachada quase-legal da organização pelos direitos civis[19] . NAMBLA concedeu entrevistas coletivas para refutar as acusações –uma em Nova Iorque e outra, simultaneamente, em Boston–, nas que revelou a verdadeira origem da fotografia, exibindo as corespondentes cópias do calendário original, com data de 1968. Ainda que a polícia foi obrigada a admitir o seu «erro» em uma entrevista coletiva posterior, o dano causado à reputação de NAMBLA foi devastador[19] [20] .

Em 1985 NAMBLA publicou o livro A Witchhunt Foiled: The FBI vs. NAMBLA ("Caça às bruxas: O FBI contra NAMBLA"), onde analisa o caso e explica a maneira como o FBI tentou explorá-lo para destruir a organização[21] . Numa declaração posterior ante o Senado dos Estados Unidos, NAMBLA se eximiu de qualquer atividade criminal e afirmou que «[o] pedófilo não organizado é quem representa uma verdadeira ameaça para as crianças»[1] .

Em maio de 2012, a polícia anunciou que tinha arrestado um homem de 51 anos, chamado Pedro Hernández, que se teria declarado autor do sequestro e posterior assassinato de Etan Patz quando trabalhava numa loja de conveniência próxima ao ponto de ônibus utilizada pelo menino.[22]

Controvérsia com a Associação Internacional de Gays e Lésbicas[editar | editar código-fonte]

Em 1984 NAMBLA aderiu à Associação Internacional de Gays e Lésbicas (ILGA, pela sigla em inglês), tornando-se a primeira organização gay dos Estados Unidos afiliada à ILGA[1] . Os delegados de NAMBLA na ILGA ajudaram a redigir a constituição da ILGA e as suas posições oficiais sobre os direitos sexuais dos jovens[8] . Assim, em 1985 a ILGA adotou uma posição sobre «Idade de Consentimento/Pedofilia/Direitos das Crianças» que exortava as organizações integrantes do coletivo a «exercer pressão nos seus governos para eliminar as leis sobre a idade de consentimiento». Em 1986, a ILGA adotou outra posicição que dizia que a associação «apoia[va] o direito das pessoas jovens a uma autodeterminação sexual e social». Em 1988, a ILGA declarava que «reconhec[ia] que as leis existentes relativas à idade de consentimento de pessoas do mesmo sexo freqüentemente servem para as oprimir e não para as proteger». Noutra posição, adotada em 1990, a ILGA «apoia[va] o direito de toda pessoa, independentemente da sua idade, de explorar e desenvolver a sua sexualidade»[8] .

Em julho de 1993, o Conselho Econômico e Social das Nações Unidas (CESNU) outorgou um status consultivo à ILGA. No outono, a Missão Permanente dos Estados Unidos junto à ONU soube que NAMBLA era membro da ILGA. Em 16 de outubro, a Missão dos Estados Unidos enviou uma carta à ILGA na qual indicava que os Estados Unidos solicitariam a sua expulsão do CESNU se ela não «se dissoci[ava] de NAMBLA e outras organizações membros [como Project Truth e a neerlandesa Martijn] cujos objetivos, na opinião do Governo dos Estados Unidos, «não esta[vam] em consonância com as atividades da ONU pelos direitos humanos»[8] . As relações da ILGA com NAMBLA levantaram fortes críticas nos Estados Unidos, especialmente entre organizações religiosas. Os líderes de praticamente todas as agrupações gays e lésbicas do país[nota 5] , e também políticos homossexuais como o diputado Barney Frank, pediram publicamente a expulsão de NAMBLA[23] .

Quatro dos seis secretários da ILGA, reunidos em Nova Iorque entre 5 e 7 de novembre de 1993, solicitaram a NAMBLA a sua renúncia como membro da ILGA, afirmando que, se ela não se tornasse efetiva, esse verão iriam pedir a sua expulsão através de uma assembléia geral. No dia 7, os mesmos secretários publicaram um comunicado de imprensa no qual declaravam que a ILGA «condena[va] a pedofilia» e que «os objetivos de NAMBLA [...]» estavam «em contradição direta» com os da ILGA[8] . No mesmo mês, NAMBLA publicou um comunicado de imprensa no qual qualificava a decissão da ILGA de expulsar a NAMBLA como «uma tentativa covarde e desonesta para satisfazer as demandas da Missão dos Estados Unidos junto à ONU» e afirmava que «qualquer tentativa de relacionar NAMBLA ou a ILGA com o abuso [sexual] infantil é desonesta e maliciosa»[8] .

Em 1994, o senador republicano Jesse Helms apresentou ao Parlamento dos Estados Unidos um projeto de lei que visava suprimir 119 milhões de dólares em ajudas às Nações Unidas durante os anos fiscais de 1994 e 1995 se esta não cortava relações com grupos que tolerassem a pedofilia[24] . No dia 26 de janeiro o Senado aprovou o projeto por unanimidade. A lei foi assinada em abril pelo presidente Bill Clinton.

Finalmente, na sua 6.ª Conferência Mundial, celebrada em Nova Iorque em junho de 1994, a ILGA aprovou por ampla maioria (214 votos a favor e 30 em contra) a expulsão de NAMBLA, bem como de Martijn e Project Truth, acusando-os de ter como «objetivo principal apoiar ou promover a pedofilia». Contudo, o CESNU deu marcha a ré e em setembro suspendeu o status consultivo da ILGA porque considerava que esta não oferecia uma garantia convincente sobre os objetivos dos seus membros. A ILGA não iria recuperar esse status até 2011[25] .

Anos 90[editar | editar código-fonte]

Em 1994 foi lançado o filme Chicken Hawk: Men Who Love Boys, produzido e dirigido por Adi Sideman, que descreve a história e a organização de NAMBLA. Ele apresenta uma série de entrevistas com vários membros da associação que falam dos seus sentimenos para os jovens e debatem sobre as relações entre homens e jovens abaixo da idade legal de consentimento. O filme inclui cenas de um grupo de membros de NAMBLA participando na Marcha Lésbica, Gay e Bi pela Igualdade de Direitos e a Liberação que teve lugar em Washington em 1993. Nele tambén aparece o poeta e defensor da liberdade de expressão Allen Ginsberg, o membro mais famoso de NAMBLA, quem lê uma «oda gráfica aos jovens»[26] . O filme contribuiu para aumentar a popularidade da organização[1] .

No dia 26 de junho de 1994 NAMBLA participou, com inúmeros membros do Gay Liberation Front, na marcha "The Spirit of Stonewall" (SOS) realizada para comemorar os distúrbios de Stonewall de 1969[27] .

Em 1999, NAMBLA publicou no seu sítio web um artigo com o título "The Good news About Man/Boy Love" [28] (Boas notícias sobre o amor entre homens e jovens) aprovando as conclusões do estudo de Rind et al. "A meta-analytic examination of assumed properties of childsexual abuse using college samples" (Estudo meta-analítico sobre as propriedades atribuídas ao abuso sexual infantil utilizando como amostra estudantes universitários), publicado em 1998 no Pyschological Bulletin da Associação Americana de Psicologia. Nele, a associação dizia que «o análise [de Rind et al.] demonstra que a guerra atual contra os boylovers não tem base científica». Pelo jeito, o artigo de NAMBLA fez chegar alguns observadores à conclusão que o estudo de Rind et al. representava um apoio à pedofilia[29] , o que provocou a reação de vários parlamentários conservadores, especialmente dos representantes republicanos Matt Salmon, por Arizona, e Tom DeLay, por Texas, que acabaram condenando-o.

Curley contra NAMBLA[editar | editar código-fonte]

Em 2000, Robert e Barbara Curley, um casal de Boston, demandou a NAMBLA pelo suposto homicídio culposo do seu filho Jeffrey. Segundo os Curley, Charles Jayne e Salvatore Sicari, que foram condenados pelo assassinato do filho dos Curleys, «espreitaram Jeffrey Curley [...] e depois o torturam, mataram e mutilaram [o seu] corpo, no dia ou cerca do dia 1 de outubro de 1997. Conforme a informações dignas de confiança, Charles Jaynes, pouco antes desses fatos, acessaram o sítio web de NAMBLA na biblioteca de Boston»[30] . Segundo a polícia, Jaynes tinha em sua casa oito números de publicações de NAMBLA no momento da sua detenção. Durante o processo, a acusação sustentou que «NAMBLA serve de canal para uma rede clandestina de pedófilos estadunidenses que utilizam a associação, os seus contatos nela e a Internet para obter pornografia infantil e promover atividades pedófilas»[30] . No seu diário Jaynes escreveu: «Isto foi um ponto de inflexão na descoberta de mim mesmo [...] O Boletim de NAMBLA me ajudou a ficar consciente da minha sexualidade e a aceitá-la [...]»[31] .

Citando casos de membros de NAMBLA que tinham sido condenados sob a acusação de abuso sexual de menores, Larry Frisoli, o advogado que representou os Curley, sustentou que a associação era um «campo de treino» para adultos que desejam seduzir crianças, no qual os seus membros partilham as suas estratégias sobre a maneira de encontrar e intimidar companheiros sexuais impúberes. Frisoli também afirmou que NAMBLA teria vendido através do seu sítio web o que ele chamou "The Rape and Escape Manual" ("Guia do abuso e da fuga"), que descreveria detalhadamente como evitar ser descoberto e denunciado[32] .

A União Americana pelas Liberdades Civis (ACLU, pela sigla em inglês) se interpôs no caso para defender NAMBLA em virtude do direito à liberdade de expressão e obteve o descumprimento da causa, baseado no fato de NAMBLA ser uma associação não registada e sem personalidade jurídica. John Reinstein, diretor da sede da ACLU em Massachusetts, declarou que embora NAMBLA «possa exaltar uma conduta que atualmente é ilegal», não há nada no seu sítio web que «incite a cometer atos ilegais, como o assassinato ou o sequestro, ou promova a sua comissão»[33] .

Os Curley dirigiram então uma demandanda por suposto homicídio culposo contra alguns membros individuais de NAMBLA, alguns dos quais ativos na direção da associação; entre eles David Thorstad, membro fundador da organização e conhecido escritor. O casal também sustentava que Jaynes e Sicari, que tinham sido condenados pelo sequestro e assassinato do seu filho, eram membros de NAMBLA. A demanda foi desestimada em abril de 2008 após um juiz determinar que uma testemunha chave não era competente para depor[34] .

Hoje[editar | editar código-fonte]

Atualmente, a organização se reduz a um grupo de membros fracamente associados, um arquivo e duas caixas postais, e a única atividade pública se limita ao seu sítio web e a um endereço de correio eletrónico pouco ativo[3] .

Publicações[editar | editar código-fonte]

No passado, NAMBLA publicou diversas revistas e opúsculos através dos quais divulgava o seu ideário, bem como informações culturais e sobre atualidades:

  • NAMBLA Bulletin, revista publicada de 1980 a 2005[21] [35] . Foi a revista para pedófilos mais antiga e duradoura. Fornecia notícias, relatos, artigos de opinião, fotografias, crítica cinematográfica, musical e literária, e uma seção fixa para cartas dos leitores.
  • NAMBLA Journal, revista literária.
  • NAMBLA Topics, série de opúsculos sobre assuntos relacionados com a pedofilia.
  • Gayme Magazine, revista publicada durante os anos 90.
  • Arrel's Page, projeto através do qual era vendida literatura especializada.

Operações policiais e litígios[editar | editar código-fonte]

  • Em 1996, o californiano John David Smith foi preso sob acusações de posse e distribuição de pornografia infantil. Posteriormente foi acusado de ter abusado de um menino de oito anos e condenado. Ele foi imediatamente expulso de NAMBLA[36] .
  • Roy Radow, membro do Comitê Diretivo de NAMBLA, por vezes considerado como sendo o porta-voz da organização, foi preso em 1996 sob acusações de se ter masturbado diante de um menino de doze anos. O processo concluiu sem o júri adoitar uma decisão[37] .
  • Em fevereiro de 2005, o FBI anunciou a detenção de quatro homens em Los Angeles e três outros em San Diego (Califórnia) sob acusações de planejarem viagens para o México para ter relacionamentos sexuais com meninos. Um oitavo, de Fullerton (Califórnia), teria sido preso sob acusações de ter distribuído pornografia infantil. Segundo a mídia, o FBI pensa que pelo menos um dos homens seria membro do Comitê Diretivo nacional de NAMBLA, outro teria organizado o congresso da associação em 2004 e um terceiro seria membro ordinário desde os anos 80[38] [39] .
  • Em 2005, após um padre católico ser condenado sob acusações de abusos sexuais a meninos, o jornal The Boston Globe traz à tona informações de 1979 sobre a sua participação um ano antes na reunião convocada por Tom Reeves sob o lema «Amor entre homens e jovens e idade de consentimento»[40] [41] .

Outros casos[editar | editar código-fonte]

  • Em 1993, uma televisão local revelou a pertença a NAMBLA de Peter Melzer, tesoureiro da organização, membro do Comitê Diretivo, um dos seus porta-vozes, editor de NAMBLA Bulletin e professor de física na prestigiosa High School de ciências desde o final dos anos 60, e mostrou que havia escrito artigos falando da sua atração por garotos menores de dezesseis anos. Embora os seus superiores estavam informados desde 1985, eles decidiram excluí-lo do ensino, decisão que avalou em 2008 o Tribunal Federal de Apelação[42] .
  • En fevereiro de 2005, o ativista de NAMBLA Kevin Brown ligou para o programa de rádio de Rick Roberts para a emissora KFMB de San Diego definindo-se a si mesmo como pedófilo para protestar pelo atentado à segurança dos pedófilos, e em particular dos membros da associação, que constituía o oferecimento de uma «recompensa» de 1.000 dólares por cabeça de membro de NAMBLA prometida pelo locutor. Ao se ouvir um grito de menino de fundo, Rick Roberts fez dizer a Brown que ele era pai. Doze dias mais tarde, os Serviços de Proteção Infantil retiraram-lhe o filho, arguindo uma antiga condena por posse de pornografia infantil e o seu suposto «apoio à exploração sexual infantil». Brown perdeu também o trabalho e a mulher[43] .

NAMBLA na cultura de massas[editar | editar código-fonte]

  • No quinto episódio da 54.ª temporada do seriado animado South Park, titulado «Cartman se junta a NAMBLA» (emitido no dia 21 de julho de 2001), Cartman se junta a NAMBLA ao confundi-la com outra associação com a mesma sigla.
  • No quarto episódio da 23.ª temporada do seriado de animação The Simpsons, titulado «Replaceable You» (emitido no dia 6 de novembre de 2011), durante uma reunião entre Bart, Martin e o professor Frink, este anuncia que se trata de uma reunião de NAMBLA (aqui North American Man Bot Love Association, "Associação Norte-Americana do Amor entre Homens e Robôs") e um dos seus colegas lhe aconselha que mude o nome.
  • No filme Kids (1994), Casper grita «NAMBLA!» a dois homossexuais que ele e seus amigos atacam verbalmente ao passar.
  • Os policiais da série Law & Order: Special Victims Unit (em Portugal, Lei & Ordem: Unidade Especial; no Brasil, Lei e Ordem: Unidade de Vítimas Especiais) perguntam frequentemente a suspeitos se são membros de NAMBLA quando eles afirmam ter tido relações consentidas com um menor.
  • NAMBLA é brevemente mencionada no episódio «Pedophile Special» da série britânica Brass Eye.
  • NAMBLA é brevemente mencionada num episódio de 2006 do programa da MTV norte-americana Celebrity Deathmach. Nick Diamond comenta «Temos mais cartas de fãs que Lil Bow Wow num congresso de NAMBLA!», ao que Johnny Gomez responde «E isso são muitas cartas, Nick».
  • Em um sketch do episódio 203 da série Mr. Show, titulado «The Biggest Failure In Broadway History» (O maior fracasso da história de Broadway), duas agências de publicidade são premiadas e desprezadas por rehabilitar a imagem de grupos como o Ku Klux Klan e NAMBLA.
  • No seu livro America: The Book A Citizen's Guide to Democracy Inaction (2004), o humorista Jon Stewart compara a NAMBLA com um grupo de pressão; na edição do 27 de julho de 2006 do seu programa televisivo The Daily Show, Stewart também recorreu a NAMBLA para zombar de grupos de pressão como a Agência Internacional de Energia Atómica ou Unicef.
  • O grupo norueguês de rock Turbonegro incluiu no seu álbum Ass Cobra (1995) uma canção titulada «The midnight NAMBLA».
  • O grupo estadunidense de grindcore Anal Cunt incluiu no seu álbum It just gets worse (1999) uma canção titulada «I Gave NAMBLA Pictures of Your Kid».
  • O grupo estadunidense de punk rock Leftöver Crack incluiu no seu álbum Rock the 40oz (2004) uma canção titulada «Muppet NAMBLA».

Membros e colaboradores destacados[editar | editar código-fonte]

  • Allen Ginsberg. Poeta da Geração Beat. Foi o membro e defensor mais famoso de NAMBLA[44] . Em 1994 apressou-se a defender a organização durante a controvérsia com a ILGA[nota 6] .
  • Bill Andriette. Jornalista. Juntou-se a NAMBLA quando tinha 15 anos e aos 17 era membro do Comitê Diretivo. Foi editor de NAMBLA Bulletin durante seis anos[46] .
  • David Thorstad. Historiador do movimento gay e membro fundador de NAMBLA[47] .
  • Hakim Bey. Escritor e filósofo pós-anarquista. Foi colaborador habitual de NAMBLA Bulletin e de Gayme Magazine[48] [49] .
  • Harry Hay. Advogado trabalhista, fundador do moderno movimento gay dos Estados Unidos[50] e defensor dos direitos civis dos povos nativos dos Estados Unidos. No início dos anos 80 se juntou a outros pioneros pelos direitos dos homossexuais para protestar pela exclusão de NAMBLA dos atos gays e lésbicos[27] .
  • Samuel R. Delany. Escritor de ficção científica, professor e crítico literário. Em prolongadas entrevistas sobre o seu romance Hogg em 1994, Delany explicou as razões pelas quais ele apoia a NAMBLA[51] [nota 7] .

Ver também[editar | editar código-fonte]

Notas

  1. Em 1980, durante uma reunião geral de NAMBLA, foi aprovada a seguinte resolução, indicada pelo menos até 1996 como postura oficial oficial da associação no que diz à idade de consentimento:
    «(1) The North American Man/Boy Love Association calls for the abolition of age-of-consent and all other laws which prevent men and boys from freely enjoying their bodies.
    (2) We call for the release of all men and boys imprisoned by such laws»
    «A North American Man/Boy Love Association pede a eliminação da idade de consentimento e de qualquer outra lei que impeça homens e jovens desfrutar livremente do seu corpo.
    (2)Pedimos a liberação de todos os homens e jovens encarcerados por causa dessas leis.»
    (North American Man/Boy Love Association, 1980[7] .)
  2. Citações de documentos de posição de NAMBLA durante a sua pertença à ILGA[8] :
    «NAMBLA condemns those who exploit children and others for profit and pornography [...] NAMBLA condemns pornography which furthers racial and sexual stereotypes.» «NAMBLA condena aqueles que exploram crianças e outras pessoas com fins lucrativos e pornográficos [...] NAMBLA condena a pornografia que favorece estereótipos racistas e sexistas.»

    [adotada em 11 de novembro de 1981]

    «NAMBLA supports economic and racial justice for youth, especially for gay youth, who are often doubly oppressed. Wherever forms of hustling thrive on racial or economic inequality —especially in third-world countries, where imperialism is involved— NAMBLA condemns the inequality and imperialism and calls on men and boys to work actively against them.» «NAMBLA apoia a justiça econômica e racial para os jovens, especialmente para os jovens gays, os quais estão com freqüência duplamente oprimidos. Onde quer que seja que certos tipos de prostituição prosperarem devido à desigualdade racial e econômica —especialmente em países do terceiro mundo, onde está envolvido o imperialismo— NAMBLA condena a desigualdade e o imperialismo e chama homens e jovens a lutarem ativamente contra eles.»

    [adotada em 11 de novembro de 1981]

    «NAMBLA [...] calls for the adoption of laws that both protect children from unwanted sexual experiences and at the same time leave them free to determine the content of their own sexual experiences.» «NAMBLA [...] reclama a adoção de leis que protejam crianças de experiências sexuais não desejadas e que ao memso tempo lhes permitam decidir o conteúdo das suas experiências sexuais.»

    [adotada em 4 de dezembro de 1983]

    «NAMBLA has always opposed any form of abuse or coercion [...] and NAMBLA condemns rape and sexual assault.» «NAMBLA sempre se opôs a qualquer tipo de abuso e coação [...] e NAMBLA condena a violação e as agressões sexuais.»

    [adotada em 4 de dezembro de 1983]

    «Exploitation, sexual or otherwise, is neither approved of nor practiced by NAMBLA. NAMBLA recognizes that exploitation occurs in the area of hustling, and the publication of erotica, and has called on its members to help eliminate exploitation in these areas.» «A exploração, sexual ou doutro tipo, não é aprovada nem praticada por NAMBLA. NAMBLA reconhece que existe exploração no âmbito da prostituição e na publicação de material erótico e tem feito um apelo aos seus membros para ajudarem a eliminar a exploração sexual nesses âmbitos.»

    [adotada em 4 de dezembro de 1983]

    «NAMBLA condemns corporal punishment, kidnapping, rape, and sexual exploitation. Participation in corporal punishment, kidnapping, rape, and sexual exploitation is contrary to NAMBLA'S statement of purpose. It is grounds for expulsion from NAMBLA.» «NAMBLA condena o castigo corporal, o rapto, a violação e a exploração sexual. A participação em castigos corporais, raptos, violações e exploração sexual é contrária aos objetivos perseguidos por NAMBLA e é motivo de expulsão da associação.»

    [adotada em 4 de dezembro de 1983]

  3. Após os distúrbios de Stonewall, algumas organizações americanas e canadenses de defesa dos direitos dos homossexuais pediram a eliminação das leis sobre a idade de consentimento, porque afirmavam que a liberação dos homossexuais não devia estar limitada pela sua idade[11] . A Gay Activists Alliance (Aliança de Ativistas Gais, GAA), grupo cindido do Gay Liberation Front (Fronte de Liberação Gay, GLF) em dezembro de 1969, se opôs à idade de consentimento e em 1976 criou um foro de debate sobre o assunto. Em 1972, as delegações da GAA de Chicago e Nova Iorque organizaram um congresso que reuniu ativistas gays provenientes de 85 organizações diferentes[12] . Nesse congresso, cerca de 200 ativistas se coaligaram para formar a National Coalition of Gay Organizations (Coalição Nacional de Organizações Gays), e pôs a votação um «Programa sobre os Direitos dos Gays» (Gay Rights Platform)[13] que exigia a eliminação «de todas as leis que regem a idade de consentimento». A Coalição Canadense pelos Direitos dos Gays (National Gay Rights Coalition) agiu no mesmo sentido, bem como a Gay Alliance Toward Equality (Aliança Gay para a Igualdade)[14] . A indiferença da opinião pública ante essas reivindicações se transformou em hostilidade com a proliferação dos estereótipos sobre os homossexuais, vistos como violadores de meninos e como produtores e distribuidores de pornografia infantil. Em 1977, Judianne Densen-Gerber, fundadora do centro de desintoxicação Odyssey House, e a miss EUA Anita Bryant, lançaram cada uma por seu lado campanhas públicas contra os homossexuais. A primeira afirmava que eles produziam e distribuiam pornografia infantil em grande escala, enquanto a segunda, com a campanha «Save our Children» (Salvemos nossos filhos), tentou mostrar todos os homossexuais como violadores de meninos, afirmando por exemplo que «os homossexuais precisam recrutar nossos filhos para assegurar a sobrevivência e a difusão do seu movimento». A ação de Bryant permitiu-lhe endurecer a legislação sobre esse assunto reduzindo os direitos civis dos homossexuais no condado de Dade (Florida). Em consequência, a questão da idade de consentimento tornou-se um assunto muito discutido na comunidade gay, entre os que estavam contra (a maior parte dos quais pertenciam a NAMBLA) e os que viam nela um mal necessário para a supervivência da comunidade.
  4. Pat Califia, escritor e figura destacada do movimento de liberação sexual dos anos 70 nos Estados Unidos, afirmou que a rejeição de NAMBLA pela comunidade gay se deveu principalmente a motivos políticos. No seu livro The Aftermath of the Great Kiddy-Porn Panic of '77, Califia diz que a corrente principal do movimento gay não se opôs a NAMBLA ou às suas propostas, nem isolou politicamente a organização, até que os adversários do movimento gay não utilizaram a associação para relacionar os direitos dos gays com o abuso sexual infantil e o «recrutamento» de meninos. Partidários dessa teoria apontam para as declarações que fez o pioneiro do movimento gay Steve Endean: «O que NAMBLA está fazendo é romper o movimento. Se [o assunto das relações entre adultos e menores] se unir aos direitos dos gays, os gays nunca vão ter direitos»[3] . O escritor e ativista gay Edmund White fez uma declaração similar no seu livro States of Desire: «É a política da auto-indulgência. O nosso movimento não pode sobreviver ao problema das relações entre adultos e menores. Não é uma questão de saber quem tem a razão, mas uma questão de candor político»[3] .
  5. Em 1994, a Gay and Lesbian Alliance Against Defamation (GLAAD, Aliança Gay e Lésbica contra a Difamação) adotou uma «Declaração de Posicionamento sobre NAMBLA» na qual declarava:
    «[GLAAD] deplores the North American Man Boy Love Association's (NAMBLA) goals, which include advocacy for sex between adult men and boys and the removal of legal protections for children. These goals constitute a form of child abuse and are repugnant to GLAAD.» «[GLAAD] desaprova os objetivos da North American Man Boy Love Association (NAMBLA), que incluem a defesa de relacionamentos sexuais entre homens adultos e meninos e a remoção da proteção legal da infância. Esses objetivos constituem uma forma de abuso infantil e são repugnantes para GLAAD.»
    No mesmo ano, o conselho de diretores da National Gay and Lesbian Task Force (NGLTF, Grupo Nacional de Trabalho de Gays e Lésbicas) adotou uma resolução sobre NAMBLA que dizia:
    «NGLTF condemns all abuse of minors, both sexual and any other kind, perpetrated by adults. Accordingly, NGLTF condemns the organizational goals of NAMBLA and any other such organization.» «NGLTF condena qualquer abuso sobre menores, tanto de natureza sexual como de qualquer outro tipo, perpetrado por adultos. Em consequência, NGLTF condena os objetivos organizazionais de NAMBLA e de qualquer organização desse tipo.»
    Gregory King, de Human Rights Campaign (Campanha pelos Direitos Humanos), declarou em 1997: «NAMBLA não é uma organização gay. [Seus membros] não fazem parte da nossa comunidade e nós rejeitamos totalmente suas tentativas para fazer crer que a pedofilia é um problema relacionado com os direitos civis dos gays e das lésbicas». NAMBLA respondeu que «o amor entre homens e garotos é homossexual por definição», que «os boylovers e seus parceiros fazem parte do movimento gay e são elementos primordiais da história e da cultura gays», e que «os homossexuais que afirmam que sentir-se atraído por garotos adolescentes 'não é gay' são tão ridículos como os heterossexuais que dizem que sentir-se atraído por garotas adolescentes 'não é heterossexual'».
  6. A esse respeito, Ginsberg escreveu em NAMBLA Bulletin[45] :
    «Attacks on NAMBLA stink of politics, witchhunting for profit, humorlessness, vanity, anger and ignorance [...] I'm a member of NAMBLA because I love boys too —everybody does, who has a little humanity.» «Os ataques contra NAMBLA fedem a política, caça às bruxas interessada, falta de senso do humor, vaidade, ira e ignorância [...] Eu sou membro de NAMBLA porque também amo os garotos, como todo aquele que tem um pouco de humanidade.»
  7. No Queer Desires Forum realizado em Nova Iorque em 25 de junho 1994, Samuel R. Delany declarou:
    «I read the NAMBLA [Bulletin] fairly regularly and I think it is one of the most intelligent discussions of sexuality I've ever found. I think before you start judging what NAMBLA is about, expose yourself to it and see what it is really about. What the issues they are really talking about, and deal with what's really there rather than this demonized notion of guys running about trying to screw little boys. I would have been so much happier as an adolescent if NAMBLA had been around when I was 9, 10, 11, 12, 13.» «Leio o NAMBLA [Bulletin] com bastante regularidade e acho que é um dos debates mais inteligentes sobre sexualidade que eu já encontrei. Acho que antes de começar a julgar o que é NAMBLA, há que descobrí-la por si próprio e ver o que ela é realmente. Discernir quais são realmente os assuntos que eles falam, e lidar com o que está realmente lá, em vez de deixar-se levar por esse conceito demonizado de caras correndo por aí para estragar os meninos. Eu teria sido muito mais feliz quando adolescente se NAMBLA tivesse estado por aí quando eu tinha 10, 11, 12 ou 13 anos.»

Referências

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Bibliografia[editar | editar código-fonte]

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Ligações externas[editar | editar código-fonte]