North American Man/Boy Love Association

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North American Man/Boy Love Association
Logotipo da NAMBLA. A M maiúscula e a b minúscula simbolizam um homem e um menino.
Lema "Liberdade sexual para todos"
Fundação 1978
Tipo Associação não registada
Sede Nova Iorque e São Francisco
Línguas oficiais inglês
Sítio oficial nambla.org

A North American Man/Boy Love Association (traduzível como "Associação Norte-Americana pelo Amor entre Homem e Garotos"; NAMBLA, pela sigla em inglês) é uma organização estadunidense, fundada em 1978 em Boston e radicada em Nova Iorque e San Francisco, que pede a revogação das leis que proíbem homens adultos de ter relações sexuais com garotos por baixo da idade de consentimento, e das leis relativas à idade de consentimento em geral, com base na ideia de que os menores podem consentir tais relações e de que estas não são prejudiciais para eles se são consentidas. A NAMBLA se define a si própria como uma «organização política, pelos direitos civis e educativa» cujo objetivo é de «acabar com a extrema repressão dos homens e garotos que mantêm relações mutuamente consentidas»[1] .

A NAMBLA pertenceu à Associação Internacional de Gays e Lésbicas (ILGA), até que em 1994 foi expulsa por esta para poder obter um status consultivo como ONG na Organização das Nações Unidas.

Teses e objetivos[editar | editar código-fonte]

A NAMBLA defende como preceito básico que «a diferença de idade não exclui a possibilidade de relações amorosas mutuamente consentidas entre pessoas», incluídos menores; a este respeito, a organização sustenta que existe uma diferença entre «relações livremente elegidas» pelos menores e «relações não desejadas» (abuso sexual)[1] , e rejeita a opinião generalizada de que as relações sexuais entre menores e adultos são sempre prejudicias, argumentando que «o resultado das experiências pessoais entre adultos e pessoas mais jovens depende principalmente de as relações ter sido ou não consentidas»[2] .

Sob essa premissa, a NAMBLA «condena o abuso sexual e qualquer forma de violência»[nota 1] ao mesmo tempo que denuncia que «as leis atuais, centradas unicamente na idade dos participantes, ignoram a natureza das suas relações» e os «[castiga injustamente] no quadro de um sistema penal deficiente».[1]

Com base nisso, a NAMBLA reclama uma «reforma substancial da legislação no que diz às relações entre jovens e adultos», uma «atribução de poder para os jovens em todos os campos, não só o sexual», e «denuncia o etaísmo descontrolado que segrega e isola [os jovens] no medo e a desconfiança».[1]

História[editar | editar código-fonte]

A NAMBLA surge da agitada atmosfera política dos anos setenta do século XX, concretamente do movimento de liberação homossexual que segue à rebelião de Stonewall acontecida em 1969 em Nova Iorque. No entanto, haverá que esperar até o final dos anos setenta e à publicação no jornal gay canadense The Body Politic de um artigo de Gerald Hannon titulado Men Loving Boys Loving Men [Homens que amam garotos que amam homens],[3] para ver manifestada publicamente a necessidade de criar a NAMBLA.

Fundação (1977-1978)[editar | editar código-fonte]

Em dezembro de 1977 a polícia fez uma incursão numa casa de Revere, nos arredores de Boston. Vinte e quatro homens foram prendidos e indiciados sob acusações de ter cometido mais de uma centena de abusos sobre menores de entre oito e quinze anos. O pomotor público do condado de Suffolk Garrett Byrne considerou que os homens tinham utilizado drogas e videojogos para atrair os garotos na casa, onde os teriam fotografado e teriam tido relações sexuais com eles. Byrne disse que os arrestados eram apenas "a ponta do iceberg".[4] A operação recebeu uma grande cobertura mediática e os jornais locais publicaram fotografias e dados pessoais dos acusados.

Os membros da redação da revista homossexual Fag Rag opinavam que o assalto tinha motivações políticas. Tanto eles quanto outros membros da comunidade homossexual de Boston assimilaram a ação de Byrne a uma caça às bruxas contra os homossexuais e o 9 de dezembro criaram o Comité Boston-Boise, nome que faz referência a um caso similar acontecido no Idaho dos anos cinqüenta. O grupo organiza manifestações, arrecada fundos para a defesa dos imputados e tenta sensibilizar a opinião pública através de ações como a distribuição de panfletos.

Garrett Byrne perdeu as seguintes eleções, às quais se apresentou para ser reelegido. O seu sucessor declarou que ninguém deveria temer ir para a prisão por manter relações sexuais com adolescentes, a menos que houvesse coerção. Todos os cargos foram retirados e os poucos acusados que haviam sido condenados ou que já haviam sido sentenciados foram postos em liberdade.[5]

O 2 de dezembro de 1978 Tom Reeves, do Comité Boston-Boise, convoca uma reunião sobre o tema "O amor homem/garoto e a idade de consentimento". Participaram nela cerca de 150 pessoas. Ao finalizar, uma trintena de homens e jovens decidem criar uma organização que iriam chamar de North American Man/Boy Love Association. No início dos anos oitenta a NAMBLA teria mais de 300 membros e receberia apoio de personalidades como o poeta Allen Ginsberg.[6]

Isolamento (1977-1978)[editar | editar código-fonte]

Após a rebelião de Stonewall algumas organizações estadunidenses e canadenses de defesa dos direitos dos homossexuais reivindicam a abolição da idade de consentimento, já que consideram que a liberação dos homossexuais não pode estar limitada pela sua idade.[7] A Gay Activists Alliance (GAA, Aliança de Ativistas Gais), grupo cindido do Gay Liberation Front (GLF, Fronte Gay de Liberação) em dezembro de 1969, se opôs à idade de consentimento e criou um fórum de discussão sobre este assunto em 1976. Em 1972 as delegações da GAA de Chicago e Nova Iorque organizaram uma conferência que agrupou ativistas gays provenientes de 85 organizações diferentes.[8] Após esta conferência cerca de 200 ativistas criam a Coalição Nacional de Organizações Gays e votam por uma Plataforma pelos Direitos dos Gays,[9] que pedia a supressão "de todas as leis relativas à idade de consentimento". A National Gay Rights Coalition (Coalição Nacional pelos Direitos dos Gays) agiu na mesma direção, bem como a Gay Alliance Toward Equality (Aliança Gay pela Igualdade).[10]

A indiferença da opinião pública ante estas reivindicações tornou-se em hostilidade com a proliferação dos estereotipos sobre os homossexuais, percebidos como abusadores de crianças e produtores de pornografia infantil. Em 1977, Judianne Densen-Gerber, fundadora do centro de desintoxicação Odyssey House, e a miss EUA Anita Bryant, iniciaram, cada uma no seu lado, campanhas públicas contra os homossexuais. A primeira afirmava que eles produziam e distribuiam pornografia infantil em gran escala, enquanto a segunda, com o lema "Salvemos as nossas crianças", tentou apresentar todos os homossexuais como abusadores de menores, afirmando, por exemplo, que "os homossexuais têm necessidade de recrutar as nossas crianças para assegurar a supervivência e a difusão do seu movimento". A ação de Bryant serviu-lhe como coartada para endurecer a legislação e reduzir os direitos civis aos homossexuais no condado de Dade (Florida). Portanto a questão da idade de consentimento tornou-se um assunto muito discutido na comunidade gay, entre aqueles que eram en contra, a maior parte dos quals tinham relação com a NAMBLA, e aqueles que veiam nisso um mal necessário para a supervivência da comunidade.

Os desacordos tornaram-se evidentes na conferência que organizou a primeira marcha do orgulho gay de Washington, em 1979. Esta, além de criar diversos comités formais, devia traçar os princípios de funcionamento da marcha ("Os cinco pontos").[11] Em primeiro lugar foi aprovada a proposta do Grupo de Jovens Gais (Gay Youth Caucus), que solicitava "liberdade penal total para os jovens homossexuais, após uma revisão das leis sobre idade de consentimento". No entanto, durante a primeira reunião do comité de coordinação nacional, um grupo de lésbicas ameaçou não participar na marcha se esta proposta não era modificada formalmente. A frase que substituiu a original, aprovada após uma sondagem por correio pela maioria de delegados, foi: É necessário "proteger os jovens gays e lésbicas de todas as leis que pretender discriminá-los, oprimí-los ou fustigá-los, na casa, na escola e no ambiente social e profissional".[12]

Em 1980 o grupo Lesbian Caucus do Lesbian & Gay Pride March Committee distribuiu folhetos instando as mulheres para não participarem na marcha gay anual de Nova Iorque por um suposto controle da NAMBLA sobre o comité da organização. No ano seguinte, como as lésbicas tinham ameaçado não assistir ao festival gay anual da Universidade de Cornell, o grupo Gay People at Cornell retirou a David Thorstad, fundador da NAMBLA, a invitação que tinha recebido anteriormente para ser mestre de cerimônias do festival. Nos anos seguintes, cada vez mais organizações de defesa dos direitos dos homossexuais tentaram impedir a participação da NAMBLA nas marchas do Dia do Orgulho Gay.

Em meados dos anos oitenta, a NAMBLA encontrava-se politicamente isolada, mesmo dentro do movimento gay. As organizações de defesa dos direitos dos homossexuais, que eram relacionadas com casos de abusos a menores, tinham abandonado o radicalismo dos seus primeiros anos[13] para tentar melhorar a sua imagem face à opinião pública. O apoio aos "grupos percebidos como situados à margem da comunidade homossexual", como a NAMBLA, desapareceu então totalemente.[13] Hoje em dia, quase todas as associações homossexuais rejeitam o menor vínculo com a NAMBLA, desaprovam os seus objectivos e tentam impedir que ela tiver a menor presência nas grandes celebrações do movimento LGBT.

Anos noventa-atualidade[editar | editar código-fonte]

Em 1994, a Gay and Lesbian Alliance Against Defamation (GLAAD) adotou uma resolução quanto à sua postura em relação à NAMBLA. Nela indica que a GLAAD "rejeita os objectivos da North American Man Boy Love Association (NAMBLA), os quais incluem a defesa de relacionamentos sexuais entre homens adultos e meninos, bem como a supressão das proteções legais da infência. Esses objetivos constituen uma forma de abuso infantil e são repugnantes para a GLAAD". O mesmo ano, o consello diretivo da National Gay and Lesbian Task Force (NGLTF) adotou a seguinte resolução em relação à NAMBLA: "A NGLTF condena todos os abusos para menores, de natureza sexual ou não, perpetrados por adultos. Conseqüentemente, a NGLTF condena os principais dirigentes da NAMBLA e de todas as organizações do mesmo gênero".

Controvérsia com a Associação Internacional de Gays e Lésbicas[editar | editar código-fonte]

O caso da Associação Internacional de Gays e Lésbicas (ILGA) demonstra esta oposição. Em 1993 a ILGA, da qual a NAMBLA era membro desde dez anos atrás (segundo uma declaração da NAMBLA de 1994 esta organização contribui para a redação da constituição da ILGA)[14] [15] obtém um estatus consultivo como ONG no Conselho Económico e Social das Nações Unidas. Desde então, as suas conexões com a NAMBLA levantaram inúmeros protestos. Diversas organizações, a maioria religiosas, manifestam publicamente o seu repúdio.[15] Os delegados dos EUA e do Reino Unido afirmaram que, quando foram para votar, eles ignoravam a participação de associações do ativismo pedófilo na ILGA. Organizações homossexuais chamaram a ILGA para cortar toda relação com o movimento pedófilo. A missão dos EUA na ONU enviou uma carta para exigir que a NAMBLA e mais dois grupos, o neerlandês Martijn e o alemão Project Truth, fossem expulsos dela. Em novembro o comité executivo da ILGA solicita a esses grupos para renunciarem voluntariamente. Nem só não renuncia nenhum deles, mas a NAMBLA publica esse mesmo mes um comunicado de imprensa no qual reafirma a sua condição de membro da ILGA.[15]

Em 1994 o senador republicano Jesse Helms apresenta no Parlamento um projeto de lei para suprimir 119 milhões de dólares de ajudas às Nações Unidas "até o presidente certificar que nenhuma agência de Nações Unidas concede nenhum tipo de estatus, acreditação ou reconhecimento oficial a nenhuma organização que promover, tolerar ou pretender a legalização da pedofilia, isto é do abuso sexual infantil". Esse foi votado por unanimidade pelo Congresso e a lei foi promulgada em abril de 1994 por Clinton.[15]

Em 1985 a ILGA tinha votado uma resolução declarando que "os jovens têm direito de decidir por si mesmos sobre a sua vida sexual e social [e que] as leis sobre a idade de consentimento tendem mais a os oprimir do que a os proteger". Embora este acordo aparente com a NAMBLA nove anos antes, a ILGA, na sua 6ª Conferência Mundial, celebrada em Nova Iorque em junho de 1994, vota a expulsão da NAMBLA, bem como de Martijn e Project Truth, acusando-os de ter por "escopo principal o apoio e a promoção da pedofilia", por 214 votos a favor e 30 em contra e aprova uma resolução para não permitir no futuro nenhum tipo de grupo ou associação pedófila. No entanto, apesar dessa exclusão, a ONU não concedeu à ILGA o papel consultativo especial prometido inicialmente.[15]

A NAMBLA e os tribunais[editar | editar código-fonte]

Embora a NAMBLA em si mesma nunca foi perseguida pelos tribunais, alguns dos seus membros foram processados sob acusações de toques o abuso de menores.

Casos criminais[editar | editar código-fonte]

Em 2005, uma operação policial do FBI prendeu vários integrantes da NAMBLA que negociavam viagens para o México, a fim de terem relacionamentos sexuais com meninos.[16] . Os sete membros da NAMBLA acusados de atos criminosos constituem uma fatia representativa da sociedade estadunidense atual: um dentista de Dallas, um professor especializado de Pittsburgh, um professor substituto da Carolina do Sul, um faz-tudo do Novo México, um comissário de bordo de Chicago, que também era psicólogo, um operário de fábrica de papel e um treinador particular, ambos da Flórida. Foi preso também um quiropŕatico de Fullerton, que era pastor assistente em sua igreja protestante[17] .

Em 2005 também foram encontradas pistas que ligavam um padre católico envolvido em abusos sexuais de menores com a NAMBLA.[18] .

Desaparição de Etan Patz: O FBI contra a NAMBLA[editar | editar código-fonte]

Durante 1982, a NAMBLA foi objeto de várias batidas que culminaram em decembro, quando vários homens e adolescentes foram arrestados em Wareham, Massachusetts, na casa de um dos seus membros, que foi descrita na mídia como uma casa segura, um «antro de perversão» e a sede de uma rede de exploração sexual que captava meninos. Quando membros e sócios da NAMBLA foram interrogados em Nova Iorque, a mídia acusou o grupo de estar envolvido num dos casos criminais mais notórios dos últimos anos nos Estados Unidos, a desaparição em 1979 do menino de seis anos Etan Patz em Lower Manhattan[19] . A polícia e o FBI tinham confiscado na casa de Wareham a fotografia de um calendário que mostrava a imagem de um menino ligeiramente parecido com Etan, e sugeriu que ele tinha sido sequestrado e talvez utilizado com fins pornográficos, mesmo que na realidade a fotografia tinha sido tirada em 1968, o mesmo ano em que foi publicado o calendário e uns cinco anos antes do nascimento de Etan[20] . Embora as autoridades disseram que o sujeito da foto tinha uma semelhança impressionante com Etan, os pais dele negaram categoricamente que pudesse ser o seu filho. Contudo, a polícia chegou a sugerir que a NAMBLA devia ter pintado com aerógrafo uma «covinha» no queixo de Etan para fazer de alguma maneira mais atractivo o menino do calendário[20] .

A imprensa tentou relacionar a NAMBLA com outros raptos e desaparições de meninos e a descreveu como «um grupo de sequestradores de crianças, pornógrafos e proxenetas», e talvez de assassinos de crianças, com uma «rede internacional de exploração sexual» que espreitava atrás da fachada quase-legal da organização pelos direitos civis[19] . A NAMBLA concedeu entrevistas coletivas para refutar as acusações –uma em Nova Iorque e outra, simultaneamente, em Boston–, nas que revelou a verdadeira origem da fotografia, exibindo as corespondentes cópias do calendário original, com data de 1968. Ainda que a polícia foi obrigada a admitir o seu «erro» em uma entrevista coletiva posterior, o dano causado à reputação da NAMBLA foi devastador[19] [20] .

Em 1985 a NAMBLA publicou o livro A Witchhunt Foiled: The FBI vs. NAMBLA ("Caça às bruxas: O FBI contra a NAMBLA"), onde analisa o caso e explica a maneira como o FBI tentou explorá-lo para destruir a organização[21] . Numa declaração posterior ante o Senado dos Estados Unidos, a NAMBLA se eximiu de qualquer atividade criminal e afirmou que «[o] pedófilo não organizado é quem representa uma verdadeira ameaça para as crianças»[22] .

Em maio de 2012, a polícia anunciou que tinha arrestado um homem de 51 anos, chamado Pedro Hernández, que se teria declarado autor do sequestro e posterior assassinato de Etan Patz quando trabalhava numa loja de conveniência próxima ao ponto de ônibus utilizada pelo menino.[23]

Curley contra NAMBLA[editar | editar código-fonte]

Em 2000, Robert e Barbara Curley, um casal de Boston, demandou a NAMBLA pelo suposto homicídio culposo do seu filho Jeffrey. Segundo os Curley, Charles Jayne e Salvatore Sicari, que foram condenados pelo assassinato do filho dos Curleys, «espreitaram Jeffrey Curley (...) e depois o torturam, mataram e mutilaram [seu] corpo, o ou cerca do 1.º de outubro de 1997. Conforme a informações dignas de confiança, Charles Jaynes, pouco antes desses fatos, acessaram o sítio web da NAMBLA na biblioteca de Boston»[24] . Segundo a polícia, Jaynes tinha em sua casa oito números de publicações da NAMBLA no momento da sua detenção. Durante o processo, a acusação sustentou que «a NAMBLA serve de canal para uma rede clandestina de pedófilos estadunidenses que utilizam a associação, os seus contatos nela e a Internet para obter pornografia infantil e promover atividades pedófilas»[24] . No seu diário Jaynes escreveu: «Isto foi um ponto de inflexão na descoberta de mim mesmo (...) O Boletim da NAMBLA me ajudou a ficar consciente da minha sexualidade e aceitá-la (...)»[25] .

Citando casos em que membros da NAMBLA tinham sido condenados sob a acusação de abuso sexual de menores, Larry Frisoli, o advogado que representou os Curley, sustentou que a associação era um «campo de treino» para adultos que desejam seduzir crianças, no qual os seus membros partilham as suas estratégias sobre a maneira de encontrar e intimidar companheiros sexuais impúberes. Frisoli também afirmou que a NAMBLA teria vendido através do seu sítio web o que ele chamou "The Rape and Escape Manual" ("Guia do abuso e da fuga"), que descreveria detalhadamente como evitar ser descoberto e denunciado[26] .

A União Americana pelas Liberdades Civis (ACLU, pela sigla em inglês) se interpôs para defender a NAMBLA em virtude do direito à liberdade de expressão e obteve o descumprimento da causa, basado no fato de a NAMBLA ser uma associação não registada e sem personalidade jurídica. John Reinstein, diretor da sede da ACLU em Massachusetts, declarou que embora a NAMBLA «possa exaltar uma conduta que atualmente é ilegal», não há nada no seu sítio web que «incite a cometer atos ilegais, como o assassinato ou o sequestro, ou promova a sua comissão»[27] .

Os Curley demandandaram então por suposto homicídio culposo alguns membros individuais da NAMBLA, alguns dos quais estavam ativos na direção da associação; entre eles David Thorstad, membro fundador da organização e conhecido escritor. O casal também sustentava que Jaynes e Sicari, que tinham sido condenados pelo sequestro e assassinato do seu filho, eram membros da NAMBLA. A demanda foi desestimada em abril de 2008 após um juiz determinar que uma testemunha chave não era competente para depor[28] .

Publicações[editar | editar código-fonte]

Entre as publicações da NAMBLA há ou tem havido:

  • NAMBLA Bulletin, revista trimestral editada desde 1980. Enviada aos membros afiliados.[29]
  • Gayme Magazine, revista publicada durante os anos noventa. Enviado periodicamente aos membros afiliados e também vendido em algumas livrarias.[30]
  • NAMBLA Topics, série de brochuras sobre questões relacionadas com a pedofilia homossexual masculina.
  • Arrel's Pages, projeto através do qual era vendida literatura sobre a pedofilia.
  • Um boletim dirigido aos pedófilos presos.

Membros destacados[editar | editar código-fonte]

  • Bill Andriette, periodista. Juntou-se à NAMBLA aos 15 anos de idade e editou NAMBLA Bulletin durante seis anos.[31]
  • Samuel Delany, professor e escritor.[32]
  • Allen Ginsberg, poeta. Foi defensor e membro da NAMBLA.[33]
  • Harry Hay, líder do movimento pelos direitos LGBT, apoiou a inclusão da NAMBLA nos atos do Orgulho Gay.[34]
  • David Thorstad, historiador do movimento pelos direitos dos homossexuais e membro fundador.[35]

A NAMBLA na cultura popular[editar | editar código-fonte]

  • A NAMBLA é parodiada no episódio 54 da série televisiva South Park, titulado Cartman junta NAMBLA, bem como no episódio 203 da série Mr. Show.
  • No seu livro America: The Book A Citizen's Guide to Democracy Inaction (2004), o comediante John Stewart assimila a NAMBLA a um grupo de pressão, e no seu programa de televisão The Daily Show, na edição correspondente ao 27 de julho de 2006, recorre à NAMBLA para zombar doutros grupos de pressão, como a Agência Internacional de Energia Atómica ou UNICEF.
  • Os policiais da série Lei & Ordem: Unidade Especial perguntam freqüentemente a suspeitos de terem mantido relações sexuais com menores se eles são membros da NAMBLA.
  • O grupo de hardcore punk Leftöver Crack incluiu no seu álbum Rock the 40oz (2004) uma canção com o título "Muppet NAMBLA". O grupo grindcore Anal Cunt compôs o tema "I Gave NAMBLA Pictures of Your Kid", incluído no seu seu álbum It just gets worse (1999). Turbonegro, um grupo noruegués, faz referência à NAMBLA na canção "The midnight NAMBLA" do seu álbum Ass Cobra (1995).

Ver também[editar | editar código-fonte]

Notas

  1. A declaração de princípios expressada pela NAMBLA na página editorial do NAMBLA Bulletin diz:
    A NAMBLA condena o abuso sexual e qualquer forma de violência. Ressaltamos que há uma diferença entre relações sexuais forçadas e consentidas. As leis enfocadas apenas na idade dos participantes não contemplam essa diferença, porque fecham os olhos à natureza da relação. A diferença de idade não exclui a possibilidade de relações amorosas mutuamente consentidas entre pessoas, tal como o não impedem as diferenças de raça ou de classe.

    Algumas leis em vigor criminalizam relações sexuais que são amorosas e plenamente consentidas. Essas leis estão mal concebidas e são moralmente repugnantes. Como é nosso direito, defendemos sua revogação.

    NAMBLA condemns sexual abuse and all forms of coercion. We insists there is a distinction between coercive and consesual sex. Laws that focus only on the age of the participants fail to capture that distinction, for they ignore the quality of the relationship. Differences in age do not preclude mutual, loving interaction between persons any more than differences in race or class.

    Some existing laws criminalize sexual relationships that are loving and fully consensual. These laws are ill-conceived and morally repugnant. As is our right, we advocate their repeal.

    NAMBLA Bulletin, Vol. XXV, n.º 3.

Referências

  1. a b c d «[www.nambla.org/welcome.htm Who We Are.]» North American Man/Boy Love Association. www.nambla.org/welcome.htm. Acessado em 2014-08-23
  2. «What Does Science Have to Say?», NAMBLA.
  3. Hannon, Gerard. "Men Loving Boys Loving Men" (em inglês). The Body Politic, nº 39 (dezembro 1977 - janeiro 1978).
  4. Steve Trinward, Pedophilia 3 – The Revere Ring. Freemarketnews.com, 16-1-2006.
  5. O'Carrol, Tom. Pedophilia: The Radical Case, notas do capítulo 13. Londres: Peter Owen, 1980.
  6. Jacobs, Andreas. "Allen Ginsberg's advocacy of pedophilia debated in community". Intermountain Jewish News, 21-6-2006.
  7. Warner, Tom. Never Going Back. Toronto: Universidade de Toronto, 2002, p. 120.
  8. Armstrong, Elizabeth A. Forging Gay Identities (em inglês). Chicago: Universidade de Chicago, 2002, p. 100.
  9. Texto da « Gay Rights Plataforms ».
  10. Smith, Miriam Catherine. Lesbian and Gay Rights in Canada (em inglês). Toronto: Universidade de Toronto, 1999, pp. 60-61.
  11. Programa (pdf), ver p. 23.
  12. Thorstad, David. "Man/Boy Love and the American Gay Movement" (em inglês). Journal of Homosexuality, nº 20, 1990, pp. 251-274.
  13. a b Matthew D. Johnson, NAMBLA, no sítio da 'Encyclopedia of Gay, Lesbian, Bisexual, Transgender, and Queer Culture, 2004.
  14. Replies to ILGA Secretariat (em inglês). NAMBLA, 1994.
  15. a b c d e Documentos sobre pornografía infantil en internet (em espanhol), Instituto Interamericano del Niño, la Niña y Adolescentes.
  16. Seven NAMBLA Members Busted in Sex Sting
  17. Erro de citação: Tag <ref> inválida; não foi fornecido texto para as refs chamadas FBITARGES
  18. Ex-Priest Shanley Gets 12-15 Years for Rape
  19. a b c Jenkins, Philip. Moral Panic: Changing Concepts of the Child Molester in Modern America (em inglês), Yale University Press, 2004, pp. 158-162.
  20. a b c Tazelaar, Eric. «The Disappearance of Etan Patz and, With Him, Another Age» (em inglês), NAMBLA.org.
  21. Kennedy, Hubert. "A Witch-hunt foiled: The FBI vs. NAMBLA". The Advocate, 1986-05-13, n.º 446, p. 54 pp. Acessado em 2010-09-10.
  22. Haggerty, George. Gay histories and cultures: an encyclopedia (em inglês), p. 627.
  23. Goldstein, Joseph; Rashbaum, William K. After 33 Years, Police Make Arrest in Case of Etan Patz, The New York Times, 2012-05-24.
  24. a b «Curley v. NAMBLA». Thecpac.com, acessado em 2009-10-07.
  25. De CNN & Time Correspondent Kathy Slobogin (5 de janeiro de 2001). Parents of murdered child sue child-sex advocates - 8 de janeiro de 2001. Edition.cnn.com. Acessado em 2009-10-07.
  26. Murdock, Deroy (2004). «No Boy Scouts: The ACLU defends NAMBLA».
  27. Reinstein, John. «ACLU Agrees to Represent NAMBLA in Freedom of Speech Case». ACLU of Massachusetts Press Release, 2003-06-09.
  28. Saltzman, Jonathan. «Curley family drops case against NAMBLA», The Boston Globe, 2008-04-23.
  29. Haggerty, George E. Gay histories and cultures: an encyclopedia (em inglês). Londres: Taylor & Francis, 2000.
  30. Memorandum and Order on Motions to Dismiss (em inglês). United States District Court, 31-3-2003.
  31. Lowenthal, Michael. "The Boy-lover Next Door", The Boston Phoenix, The Phoenix Media/Communications Group, 1996-10-24. Página visitada em 2010-10-05.
  32. Delany, Samuel R.; Freedman, Carl. In: Samuel R.. Conversations with Samuel R. Delany. [S.l.]: Univ. Press of Mississippi, 2009. 143 p. ISBN 978-1-60473-278-8 Página visitada em 2010-08-31.
  33. Haggerty, George. In: George. Gay histories and cultures: an encyclopedia. [S.l.]: Taylor & Francis, 2000. 627–628 p. ISBN 978-0-8153-1880-4 Página visitada em 2010-09-17.
  34. Bronski, Michael. "The real Harry Hay", The Phoenix, 2002-11-07. Página visitada em 2008-11-16.
  35. Kennedy, Hubert. "Sexual Hysteria—Then and Now", OurStories, Gay and Lesbian Historical Society of Northern California, pp. 17–18. Página visitada em 2010-09-10. “Ex-presidente da Activists Alliance de Nova Iorque e membro fundador da North American Man/Boy Love Association (NAMBLA), Thorstad é especialmente qualificado para escrever sobre este assunto.”