North American Man/Boy Love Association

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North American Man/Boy Love Association
Logotipo de NAMBLA. A M maiúscula e a b minúscula simbolizam um homem e um menino.
Lema "Liberdade sexual para todos"
Fundação 1978
Tipo Associação não registada
Línguas oficiais inglês
Sítio oficial Nambla.org

A North American Man/Boy Love Association (traduzível como Associação Norte-Americana do Amor entre Homens e Meninos; NAMBLA, pela sigla em inglês) é uma organização estadunidense, fundada em Boston em 1978, que pede a eliminação ou a reforma das leis que proíbem homens adultos de ter relações sexuais com garotos por baixo da idade de consentimento, e das leis sobre a idade de consentimento em geral, com base na ideia de que os menores podem consentir tais relações e de que essas não são prejudiciais para eles se são consentidas.

NAMBLA é a organização mais importante e duradoura do movimento pedófilo. Pertenceu à Associação Internacional de Gays e Lésbicas (ILGA) até 1994, ano em que foi expulsa por esta para poder obter um status consultivo como ONG na Organização das Nações Unidas. Apesar da sua exclusão do movimento gay, a organização tem mantido uma existência constante e principalmente clandestina durante as últimas décadas, se bem que hoje ela se reduz praticamente a um grupo de membros fracamente associados e ao seu sítio web[1] [2] .

Ideologia e postura oficial[editar | editar código-fonte]

NAMBLA defende como preceito básico que «a diferença de idade não exclui a possibilidade de relações amorosas mutuamente consentidas entre pessoas», incluídos menores; a este respeito, a organização sustenta que existe uma diferença entre «relações livremente elegidas» pelos menores e «relações não desejadas» (abuso sexual)[3] , e rejeita a opinião generalizada de que as relações sexuais entre menores e adultos são sempre prejudiciais, argumentando que «o resultado das experiências pessoais entre adultos e pessoas mais jovens depende principalmente de as relações ter sido ou não consentidas»[4] .

Sob essa premissa, NAMBLA «condena o abuso sexual e qualquer forma de violência»[nota 1] ao mesmo tempo que denuncia que «as leis atuais, centradas unicamente na idade dos participantes, ignoram a natureza das suas relações» e os «[castiga injustamente] no quadro de um sistema penal deficiente».[3]

Com base nisso, NAMBLA reclama a eliminação[nota 2] ou uma «reforma substancial da legislação no que diz às relações entre jovens e adultos», uma «atribução de poder para os jovens em todos os campos, não só o sexual», e «denuncia o etaísmo descontrolado que segrega e isola [os jovens] no meio do medo e a desconfiança»[3] .

Meios de ação[editar | editar código-fonte]

NAMBLA se define a si própria como uma «organização política, pelos direitos civis e educativa» cujo objetivo é de «acabar com a extrema repressão dos homens e garotos que mantêm relações mutuamente consentidas»[6] [3] , através dos seguintes meios:

  • Fomentar a compreensão e o apoio de tais relações;
  • Informar o público em geral sobre a natureza benévola do amor entre homens e garotos;
  • Colaborar com o movimento lésbico, gay e feminista e com outros movimentos de liberação;
  • Apoiar pessoas de qualquer idade para se liberarem dos preconceitos e da repressão sexuais.

A organização assinala no seu sítio web e nas suas publicações que «não proporciona apoio, indicações ou ajuda a pessoas que buscam relações sexuais [com menores]» e especifica que «não se dedica a nenhum tipo de atividade que viole a lei nem advoga que outros o façam»[3] .

Nambla.org[editar | editar código-fonte]

O sítio web de NAMBLA[7] fornece informações sobre a pedofilia e sobre a organização e reproduz artigos sobre diversos temas provenientes das suas publicações. Também permite fazer encomendas postais de livros e revistas e explica como tornar-se sócio.

Publicações[editar | editar código-fonte]

Anteriormente, NAMBLA publicou várias revistas e opúsculos através dos quais divulgava o seu ideário, bem como informações culturais e de atualidade:

  • NAMBLA Bulletin, revista publicada de 1980 a 2005[8] [9] . Foi a revista para pedófilos mais antiga e duradoura. Fornecia notícias, relatos, artigos de opinião, fotografias, crítica cinematográfica, musical e literária, e uma seção fixa para cartas dos leitores.
  • NAMBLA Journal, revista literária.
  • NAMBLA Topics, série de opúsculos sobre assuntos relacionados com a pedofilia.
  • Gayme Magazine, revista publicada durante os anos 90.
  • Arrel's Page, projeto através do qual era vendida literatura especializada.

Programa de Presos[editar | editar código-fonte]

Desde o seu início, NAMBLA gere um Programa de Presos com recursos limitados cujo objetivo é de proporcionar apoio moral a pedófilos encarcerados. Uma parte fundamental do Programa é o fomento da amizade por correspondência entre presos e pessoas em libertade. A organização também publica um boletim carcerário (Prisoners' Letter) que inclui extratos do NAMBLA Bulletin e doutras publicações de NAMBLA, através do qual se mantém em contato com eles[10] .

História[editar | editar código-fonte]

NAMBLA tem a sua origem no agitado clima político dos anos 70 do século XX, e em particular no Movimento de Liberação Gay surgido a seguir dos distúrbios de Stonewall acontecidos em 1969 em Nova Iorque. Ainda que também foi aberto também um debate sobre as relações sexuais entre adultos e menores[nota 3] , os grupos de ativistas homossexuais centraram-se na repressão policial, na discriminação no mundo laboral e na assistência sanitária.

Até uma batida a grande escala contra pedófilos da comunidade homossexual de Boston não ser objeto de uma ampla investigação jornalística nas últimas semanas de 1977 e a polícia não invadir as instalações da revista gay canadense The Body Politic pela publicação de um artigo de Gerald Hannon titulado "Men Loving Boys Loving Men"[15] (Homens que amam garotos que amam homens), o assunto das relações sexuais entre adultos e menores não recebeu suficiente atenção para que fosse proposta publicamente a necessidade de criar um grupo como NAMBLA.

Fundação[editar | editar código-fonte]

Em dezembro de 1977 a polícia fez uma incursão numa casa de Revere, nos arredores de Boston. Vinte e quatro homens foram prendidos e indiciados sob acusações de ter cometido mais de uma centena de abusos sobre menores de entre oito e quinze anos. O pomotor público do condado de Suffolk Garrett Byrne descobriu que os homens tinham utilizado drogas e videojogos para atrair os garotos na casa, onde os fotografaram e tiveram relações sexuais com eles. Byrne acusou os homens de pertencer a uma «rede de pederastia» e disse que eles eram apenas «a ponta do iceberg»[16] . As detenções receberam uma ampla cobertura midiática e jornais locais publicaram as fotografias dos acusados e dados pessoais sobre eles.

Os membros da redação da revista gay Fag Rag pensaram que atrás da operação havia motivações políticas. Junto a outros membros da comunidade gay de Boston, eles viram na batida de Byrne uma caça às bruxas contra gays e no dia 9 de dezembro criaram o Comitê Boston-Boise (Boston-Boise Comittee, nome que fazia referência a um caso similar acontecido em Boise, Idaho, nos anos 50) com a finalidade de arrecadar fundos para a defesa e informar a opinião pública através de manifestações e distribução de panfletos.

Garrett Byrne perdeu as seguintes eleções. O novo promotor público afirmou que nenhum home devia temer a cadeia por ter tido relações sexuais com adolescentes enquanto estes não houveram sido forçados. Todas as acusações foram retiradas e os poucos que já haviam sido condenados ou que já haviam sido sentenciados apenas sofreram prisão condicional[17] .

Em 2 de dezembro de 1978 Tom Reeves, do Comitê Boston-Boise, convocou uma reunião sob o lema «Amor entre homens e garotos e idade de consentimento», na qual participaram aproximadamente 150 pessoas. Após a reunião, cerca de trinta homens e jovens decidiram criar uma organização que iriam chamar de North American Man/Boy Love Association (NAMBLA).

Isolamento[editar | editar código-fonte]

Meses após NAMBLA ser fundada, os primeiros desacordos entre os seus membros e outros ativistas homossexuais que viam na idade de consentimento um mal necessário para a supervivência do Movimento Gay tornaram-se evidentes na conferência organizativa da primeira marcha do orgulho gay em Washington, em 1979. Esta, além de criar vários comitês de trabalho, devia redigir o documento político da manifestação («Os cinco pontos»). A princípio, a proposta do comitê de jovens homossexuais (Gay Youth Caucus), que pedia «Direitos plenos para os jovens homossexuis, incluída a revisão da lei sobre a idade de consentimento», foi aprovada. Todavia, durante a reunião do Comitê de Coordenação Nacional, um grupo de lésbicas ameaçou não participar na marcha se não era adotada uma fórmula substitutiva. Esta, proposta por uma lésbica e aprovada pela maioria de delegados, foi: «Proteger os jovens gays e as jovens lésbicas de qualquer lei que vise os discriminar, reprimir ou assediar nos seus lares, na escola ou no ambiente social e profissional»[18] .

Em 1980, um grupo de lésbicas do comitê pela marcha gay chamado Lesbian Caucus do Lesbian & Gay Pride March Committee repartiu folhetos exortando as mulheres para não participarem na marcha gay anual de Nova Iorque a causa de um suposto domínio de NAMBLA e dos seus simpatizantes sobre o seu comitê organizativo. No ano seguinte, após a ameaça de formar piquetes por parte de algumas lésbicas, o grupo gay da Universidade de Cornell, Gay People at Cornell (Gay PAC), anulou o convite que havia feito a David Thorstad, um dos membros fundadores de NAMBLA, para ser mestre de cerimônias do festival. Nos anos seguintes, cada vez mais organizações pelos direitos dos homossexuais tentaram impedir NAMBLA de participar nos desfiles do orgulho gay, o que levou Harry Hay, uma das principais figuras do movimento, a se colocar um cartaz com a inscrição «NAMBLA walks with me» (NAMBLA caminha comigo) durante a marcha de 1986 em Los Angeles.

Em meados dos anos 80, NAMBLA era praticamente a única organização a defender as suas próprias posturas, encontrando-se politicamente isolada. As organizações pelos direitos dos homossexuais, carregadas de acusações de recrutamento e abuso de menores, tinham abandonado o radicalismo dos seus primeiros anos e tinhan «renuncia[do] à ideia de uma política mais inclusiva»[1] a fim de tentar melhorar a sua imagem aos olhos da opinião pública. Durante o processo se esvaiu o apoio a «grupos percebidos como estando à margem da comunidade gay», como NAMBLA[1] .

Caso Etan Patz: O FBI contra NAMBLA[editar | editar código-fonte]

Durante 1982, NAMBLA foi objeto de várias batidas que culminaram em decembro, quando vários homens e adolescentes foram arrestados em Wareham, Massachusetts, na casa de um dos seus membros, que foi descrita na mídia como uma casa segura, um «antro de perversão» e a sede de uma rede de pederastia. Quando membros e sócios de NAMBLA foram interrogados em Nova Iorque, a mídia acusou o grupo de estar envolvido num dos casos criminais mais notórios dos últimos anos nos Estados Unidos, a desaparição em 1979 do menino de seis anos Etan Patz em Lower Manhattan[19] . A polícia e o FBI tinham confiscado na casa de Wareham a fotografia de um calendário que mostrava a imagem de um menino ligeiramente parecido com Etan, e sugeriu que ele tinha sido sequestrado e talvez utilizado com fins pornográficos, mesmo que na realidade a fotografia tinha sido tirada em 1968, o mesmo ano em que foi publicado o calendário e uns cinco anos antes do nascimento de Etan[20] . Embora as autoridades disseram que o sujeito da foto tinha uma semelhança impressionante com Etan, os pais dele negaram categoricamente que pudesse ser o seu filho. Contudo, a polícia chegou a sugerir que NAMBLA devia ter pintado com aerógrafo uma «covinha» no queixo de Etan para fazer de alguma maneira mais atractivo o menino do calendário[20] .

A imprensa tentou relacionar NAMBLA com outros raptos e desaparições de meninos e a descreveu como «um grupo de sequestradores de crianças, pornógrafos e proxenetas», e talvez de assassinos de crianças, com uma «rede internacional de pederastia» que espreitava atrás da fachada quase-legal da organização pelos direitos civis[19] . NAMBLA concedeu entrevistas coletivas para refutar as acusações –uma em Nova Iorque e outra, simultaneamente, em Boston–, nas que revelou a verdadeira origem da fotografia, exibindo as corespondentes cópias do calendário original, com data de 1968. Ainda que a polícia foi obrigada a admitir o seu «erro» em uma entrevista coletiva posterior, o dano causado à reputação de NAMBLA foi devastador[19] [20] .

Em 1985 a NAMBLA publicou o livro A Witchhunt Foiled: The FBI vs. NAMBLA ("Caça às bruxas: O FBI contra NAMBLA"), onde analisa o caso e explica a maneira como o FBI tentou explorá-lo para destruir a organização[8] . Numa declaração posterior ante o Senado dos Estados Unidos, NAMBLA se eximiu de qualquer atividade criminal e afirmou que «[o] pedófilo não organizado é quem representa uma verdadeira ameaça para as crianças»[21] .

Em maio de 2012, a polícia anunciou que tinha arrestado um homem de 51 anos, chamado Pedro Hernández, que se teria declarado autor do sequestro e posterior assassinato de Etan Patz quando trabalhava numa loja de conveniência próxima ao ponto de ônibus utilizada pelo menino.[22]

Controvérsia com a Associação Internacional de Gays e Lésbicas[editar | editar código-fonte]

Em 1993, a Associação Internacional de Gays e Lésbicas (ILGA), da qual NAMBLA era membro há uma década, obteve o status consultivo das Nações Unidas. Mas as suas conexões com NAMBLA levantaram fortes críticas, especialmente entre organizações religiosas, e várias organizações gays como a Gay & Lesbian Alliance Against Defamation (GLAAD; Aliança Gay e Lésbica Contra a Difamação) e a National Gay and Lesbian Task Force (NGLTF), a chamaram para cortar qualquer relação com a associação[nota 4] .

Em 1994, o senador republicano Jesse Helms apresentou ao Parlamento dos Estados Unidos um projeto de lei que visava suprimir 119 milhões de dólares em ajudas às Nações Unidas enquanto o presidente Bill Clinton não certificasse que «nenhuma delegação da ONU outorga nenhum status oficial, acreditação ou reconhecimento a nenhuma organização que fomentar, tolerar ou pedir a legalização da pedofilia, isto é, do abuso sexual infantil». O Congresso aprovou o projeto de lei por unanimidade e a lei foi assinada por Bill Clinton em abril de 1994.

Em 1985 a ILGA tinha aprovado uma resolução que declarava que «os jovens têm direito à autodeterminação social e sexual [e que] as leis sobre a idade de consentimento, mais do que os proteger, os reprime». Apesar desse acordo aparente com NAMBLA, a ILGA, na sua 6.ª Conferência Mundial, celebrada em Nova Iorque em junho de 1994, aprovou por ampla maioria (214 votos a favor e 30 em contra) a expulsão de NAMBLA e de dois outros grupos, Martijn e Project Truth, acusando-os de ter como «objetivo principal apoiar ou promover a pedofilia». Contudo, a ONU deu marcha a ré e negou o status consultivo à ILGA, que só o recuperou em 2011[23] .

Gregory King, da Human Rights Campaign (Campanha pelos Direitos Humanos), declarou posteriormente: «NAMBLA não é uma organização gay. [Seus membros] não fazem parte da nossa comunidade e nós rejeitamos totalmente suas tentativas para fazer crer que a pedofilia é um problema relacionado com os direitos civis dos gays e das lésbicas»[24] . NAMBLA respondeu que «o amor entre homens e garotos é homossexual por definição», que «os boylovers e seus parceiros fazem parte do movimento gay e são elementos primordiais da história e da cultura gays», e que «os homossexuais que afirmam que sentir-se atraído por garotos adolescentes "não é gay" são tão ridículos como os heterossexuais que dizem que sentir-se atraído por garotas adolescentes "não é heterossexual"»[24] .

Anos 90[editar | editar código-fonte]

Em 1994 foi lançado o filme Chicken Hawk: Men Who Love Boys, produzido e dirigido por Adi Sideman, que descreve a história e a organização de NAMBLA. Ele apresenta uma série de entrevistas com vários membros da associação que falam dos seus sentimenos para os garotos e debatem sobre as relações entre homens e jovens abaixo da idade legal de consentimento. O filme inclui cenas de um grupo de membros de NAMBLA participando na Marcha Lésbica, Gay e Bi pela Igualdade de Direitos e a Liberação que teve lugar em Washington em 1993. Nele tambén aparece o poeta e defensor da liberdade de expressão Allen Ginsberg, o membro mais famoso de NAMBLA, quem lê uma «oda gráfica aos jovens»[25] . O filme contribuiu para aumentar a popularidade da organização[21] .

No dia 26 de junho de 1994 NAMBLA participou, com inúmeros membros do Gay Liberation Front, na marcha "The Spirit of Stonewall" (SOS) realizada para comemorar os distúrbios de Stonewall de 1969[26] .

Em 1999, NAMBLA publicou no seu sítio web um artigo com o título "The Good news About Man/Boy Love" [27] (Boas notícias sobre o amor entre homens e garotos) aprovando as conclusões do estudo de Rind et al. "A meta-analytic examination of assumed properties of childsexual abuse using college samples" (Estudo meta-analítico sobre as propriedades atribuídas ao abuso sexual infantil utilizando como amostra estudantes universitários), publicado em 1998 no Pyschological Bulletin da Associação Americana de Psicologia. Nele, a associação dizia que «o análise [de Rind et al.] demonstra que a guerra atual contra os boylovers não tem base científica». Pelo jeito, o artigo de NAMBLA fez chegar alguns observadores à conclusão que o estudo de Rind et al. representava um apoio à pedofilia[28] , o que provocou a reação de vários parlamentários conservadores, especialmente dos representantes republicanos Matt Salmon, por Arizona, e Tom DeLay, por Texas, que acabaram condenando-o.

Curley contra NAMBLA[editar | editar código-fonte]

Em 2000, Robert e Barbara Curley, um casal de Boston, demandou a NAMBLA pelo suposto homicídio culposo do seu filho Jeffrey. Segundo os Curley, Charles Jayne e Salvatore Sicari, que foram condenados pelo assassinato do filho dos Curleys, «espreitaram Jeffrey Curley (...) e depois o torturam, mataram e mutilaram [o seu] corpo, no dia ou cerca do dia 1 de outubro de 1997. Conforme a informações dignas de confiança, Charles Jaynes, pouco antes desses fatos, acessaram o sítio web de NAMBLA na biblioteca de Boston»[29] . Segundo a polícia, Jaynes tinha em sua casa oito números de publicações de NAMBLA no momento da sua detenção. Durante o processo, a acusação sustentou que «NAMBLA serve de canal para uma rede clandestina de pedófilos estadunidenses que utilizam a associação, os seus contatos nela e a Internet para obter pornografia infantil e promover atividades pedófilas»[29] . No seu diário Jaynes escreveu: «Isto foi um ponto de inflexão na descoberta de mim mesmo (...) O Boletim de NAMBLA me ajudou a ficar consciente da minha sexualidade e a aceitá-la (...)»[30] .

Citando casos em que membros de NAMBLA tinham sido condenados sob a acusação de abuso sexual de menores, Larry Frisoli, o advogado que representou os Curley, sustentou que a associação era um «campo de treino» para adultos que desejam seduzir crianças, no qual os seus membros partilham as suas estratégias sobre a maneira de encontrar e intimidar companheiros sexuais impúberes. Frisoli também afirmou que NAMBLA teria vendido através do seu sítio web o que ele chamou "The Rape and Escape Manual" ("Guia do abuso e da fuga"), que descreveria detalhadamente como evitar ser descoberto e denunciado[31] .

A União Americana pelas Liberdades Civis (ACLU, pela sigla em inglês) se interpôs no caso para defender NAMBLA em virtude do direito à liberdade de expressão e obteve o descumprimento da causa, basado no fato de NAMBLA ser uma associação não registada e sem personalidade jurídica. John Reinstein, diretor da sede da ACLU em Massachusetts, declarou que embora NAMBLA «possa exaltar uma conduta que atualmente é ilegal», não há nada no seu sítio web que «incite a cometer atos ilegais, como o assassinato ou o sequestro, ou promova a sua comissão»[32] .

Os Curley dirigiram então uma demandanda por suposto homicídio culposo contra alguns membros individuais de NAMBLA, alguns dos quais ativos na direção da associação; entre eles David Thorstad, membro fundador da organização e conhecido escritor. O casal também sustentava que Jaynes e Sicari, que tinham sido condenados pelo sequestro e assassinato do seu filho, eram membros de NAMBLA. A demanda foi desestimada em abril de 2008 após um juiz determinar que uma testemunha chave não era competente para depor[33] .

Hoje[editar | editar código-fonte]

Atualmente, a organização se reduz a um grupo de membros fracamente associados, duas caixas postais e um archivo, e a única atividade pública se limita ao seu sítio web e a um endereço de correio eletrónico pouco ativo[2] .

Operações policiais e litígios[editar | editar código-fonte]

  • Em 1996, o californiano John David Smith foi preso sob acusações de posse e distribuição de pornografia infantil. Posteriormente foi acusado de ter abusado de um menino de oito anos e condenado. Ele foi imediatamente expulso de NAMBLA[34] .
  • Roy Radow, membro do Comitê Diretivo de NAMBLA, por vezes considerado como sendo o porta-voz da organização, foi preso em 1996 sob acusações de se ter masturbado diante de um menino de doze anos. O processo concluiu sem o júri adoitar uma decisão[35] .
  • Em fevereiro de 2005, o FBI anunciou a detenção de quatro homens em Los Angeles e três outros em San Diego (Califórnia) sob acusações de planejarem viagens para o México para ter relacionamentos sexuais com meninos. Um oitavo, de Fullerton (Califórnia), teria sido preso sob acusações de ter distribuído pornografia infantil. Segundo a mídia, o FBI pensa que pelo menos um dos homens seria membro do Comitê Diretivo nacional de NAMBLA, outro teria organizado o congresso da associação em 2004 e um terceiro seria membro ordinário desde os anos 80[36] [37] .
  • Em 2005, após um padre católico ser condenado sob acusações de abusos sexuais a meninos, o jornal The Boston Globe traz à tona informações de 1979 sobre a sua participação um ano antes na reunião convocada por Tom Reeves sob o lema «Amor entre homens e garotos e idade de consentimento»[38] [39] .

Outros casos[editar | editar código-fonte]

  • Em 1993, uma televisão local revelou a pertença a NAMBLA de Peter Melzer, tesoureiro da organização, membro do Comitê Diretivo, um dos seus porta-vozes, editor de NAMBLA Bulletin e professor de física na prestigiosa High School de ciências desde o final dos anos 60, e mostrou que havia escrito artigos falando da sua atração por garotos menores de dezesseis anos. Embora os seus superiores estavam informados desde 1985, eles decidiram excluí-lo do ensino, decisão que avalou em 2008 o Tribunal Federal de Apelação[40] .
  • En fevereiro de 2005, o ativista de NAMBLA Kevin Brown ligou para o programa de rádio de Rick Roberts para a emissora KFMB de San Diego definindo-se a si mesmo como pedófilo para protestar pelo atentado à segurança dos pedófilos, e em particular dos membros da associação, que constituía o oferecimento de uma «recompensa» de 1.000 dólares por cabeça de membro de NAMBLA prometida pelo locutor. Ao se ouvir um grito de menino de fundo, Rick Roberts fez dizer a Brown que ele era pai. Doze dias mais tarde, os Serviços de Proteção Infantil retiraram-lhe o filho, arguindo uma antiga condena por posse de pornografia infantil e o seu suposto «apoio à exploração sexual infantil». Brown perdeu também o trabalho e a mulher[41] .

NAMBLA na cultura de massas[editar | editar código-fonte]

  • No quinto episódio da 54.ª temporada do seriado animado South Park, titulado Cartman se junta a NAMBLA (emitido no dia 21 de julho de 2001), Cartman se junta a NAMBLA ao confundi-la com outra associação com a mesma sigla.
  • No quarto episódio da 23.ª temporada do seriado de animação The Simpsons, titulado Replaceable You (emitido no dia 6 de novembre de 2011), durante uma reunião entre Bart, Martin e o professor Frink, este anuncia que se trata de uma reunião de NAMBLA (aqui North American Man Bot Love Association, "Associação Norte-Americana do Amor entre Homens e Robôs") e um dos seus colegas lhe aconselha que mude o nome.
  • No filme Kids (1994), Casper grita «NAMBLA!» a dois homossexuais que ele e seus amigos atacam verbalmente ao passar.
  • Os policiais da série Law & Order: Special Victims Unit (em Portugal, Lei & Ordem: Unidade Especial; no Brasil, Lei e Ordem: Unidade de Vítimas Especiais) perguntam frequentemente a suspeitos de terem tido relações sexuais com menores se eles pertencem a NAMBLA.
  • NAMBLA é brevemente mencionada num episódio de 2006 do programa da MTV norte-americana Celebrity Deathmach. Nick Diamond comenta «Temos mais cartas de fãs que Lil Bow Wow num congresso de NAMBLA!», ao que Johnny Gomez responde «E isso são muitas cartas, Nick».
  • Em um sketch do episódio 203 da série Mr. Show, titulado The Biggest Failure In Broadway History (O maior fracasso da história de Broadway), duas agências de publicidade são premiadas e desprezadas por rehabilitar a imagem de grupos como o Ku Klux Klan e NAMBLA.
  • No seu livro America: The Book A Citizen's Guide to Democracy Inaction (2004), o humorista Jon Stewart compara a NAMBLA com um grupo de pressão; na edição do 27 de julho de 2006 do seu programa televisivo The Daily Show, Stewart também recorreu a NAMBLA para zombar de grupos de pressão como a Agência Internacional de Energia Atómica ou Unicef.
  • O grupo norueguês de rock Turbonegro incluiu no seu álbum Ass Cobra (1995) uma canção titulada "The midnight NAMBLA".
  • O grupo estadunidense de grindcore Anal Cunt incluiu no seu álbum It just gets worse (1999) uma canção titulada "I Gave NAMBLA Pictures of Your Kid".
  • O grupo estadunidense de punk rock Leftöver Crack incluiu no seu álbum Rock the 40oz (2004) uma canção titulada "Muppet NAMBLA".

Membros destacados[editar | editar código-fonte]

  • Allen Ginsberg, poeta da Geração Beat. Foi o membro e defensor mais famoso de NAMBLA[42] . Em 1994 apressou-se a defender a organização durante a controvérsia com a ILGA[nota 5] .
  • Bill Andriette, jornalista. Juntou-se a NAMBLA quando tinha 15 anos e aos 17 era membro do Comitê Diretivo. Foi editor de NAMBLA Bulletin durante seis anos[44] .
  • David Thorstad, historiador do movimento pelos direitos dos homossexuais e membro fundador de NAMBLA[45] .
  • Harry Hay, advogado trabalhista, fundador do moderno movimento gay dos Estados Unidos[46] e defensor dos direitos civis dos povos nativos dos Estados Unidos. No início dos anos 80 se juntou a outros pioneros pelos direitos dos homossexuais para protestar pela exclusão de NAMBLA dos atos gays e lésbicos[26] .
  • Samuel R. Delany, escritor de ficção científica, professor e crítico literário. Em prolongadas entrevistas sobre o seu romance Hogg em 1994, Delany explicou as razões pelas quais ele apoia a NAMBLA[47] [nota 6] .

Ver também[editar | editar código-fonte]

Notas

  1. A declaração de princípios expressada por NAMBLA na página editorial do NAMBLA Bulletin diz:
    «NAMBLA condemns sexual abuse and all forms of coercion. We insists there is a distinction between coercive and consesual sex. Laws that focus only on the age of the participants fail to capture that distinction, for they ignore the quality of the relationship. Differences in age do not preclude mutual, loving interaction between persons any more than differences in race or class.

    Some existing laws criminalize sexual relationships that are loving and fully consensual. These laws are ill-conceived and morally repugnant. As is our right, we advocate their repeal.»

    «NAMBLA condena o abuso sexual e qualquer forma de violência. Ressaltamos que há uma diferença entre relações sexuais forçadas e consentidas. As leis enfocadas apenas na idade dos participantes não contemplam essa diferença, porque fecham os olhos à natureza da relação. A diferença de idade não exclui a possibilidade de relações amorosas mutuamente consentidas entre pessoas, tal como o não impedem as diferenças de raça ou de classe.

    Algumas leis em vigor criminalizam relações sexuais que são amorosas e plenamente consentidas. Essas leis estão mal concebidas e são moralmente repugnantes. Como é nosso direito, defendemos sua revogação.»

    NAMBLA Bulletin, Vol. XXV, n.º 3.
  2. Em 1980, durante uma reunião geral de NAMBLA, foi aprovada a seguinte resolução, indicada pelo menos até 1996 como postura oficial oficial da associação:
    «(1) The North American Man/Boy Love Association calls for the abolition of age-of-consent and all other laws which prevent men and boys from freely enjoying their bodies.
    (2) We call for the release of all men and boys imprisoned by such laws»
    «A North American Man/Boy Love Association pede a eliminação da idade de consentimento e de qualquer outra lei que impeça homens e garotos desfrutar livremente do próprio corpo.
    (2)«Pedimos a liberação de todos os homens e garotos encarcerados por causa dessas leis.»
    (North American Man/Boy Love Association, 1980[5] .)
  3. Após os distúrbios de Stonewall, algumas organizações americanas e canadenses de defesa dos direitos dos homossexuais pediram a supressão das leis sobre a idade de consentimento, porque afirmavam que a liberação dos homossexuais não devia estar limitada pela idade deles[11] . A Gay Activists Alliance (Aliança de Ativistas Gais, GAA), grupo cindido do Gay Liberation Front (Fronte de Liberação Gay, GLF) em dezembro de 1969, se opôs à idade de consentimento e em 1976 criou um foro de debate sobre o assunto. Em 1972, as delegações da GAA de Chicago e Nova Iorque organizaram um congresso que reuniu ativistas gays provenientes de 85 organizações diferentes[12] . Nsse congresso, cerca de 200 ativistas se coaligaram para formar a National Coalition of Gay Organizations (Coalição Nacional de Organizações Gays), e pôs a votação um «Programa sobre os Direitos dos Gays» (Gay Rights Platform)[13] que exigia a revogação «de todas as leis que regem a idade de consentimento». A Coalição Canadense pelos Direitos dos Gays (National Gay Rights Coalition) agiu no mesmo sentido, bem como a Gay Alliance Toward Equality (Aliança Gay para a Igualdade)[14] . A indiferença da opinião pública ante essas reivindicações se transformou em hostilidade com a proliferação dos estereótipos sobre os homossexuais, vistos como violadores de meninos e como produtores e distribuidores de pornografia infantil. Em 1977, Judianne Densen-Gerber, fundadora do centro de desintoxicação Odyssey House, e a miss EUA Anita Bryant, lançaram cada uma por seu lado campanhas públicas contra os homossexuais. A primeira afirmava que eles produziam e distribuiam pornografia infantil em grande escala, enquanto a segunda, com a campanha «Save our Children» (Salvemos nossos filhos), tentou mostrar todos os homossexuais como violadores de meninos, afirmando por exemplo que «os homossexuais precisam recrutar nossos filhos para assegurar a sobrevivência e a difusão do seu movimento». A ação de Bryant permitiu-lhe endurecer a legislação sobre esse assunto reduzindo os direitos civis dos homossexuais no condado de Dade (Florida). Em consequência, a questão da idade de consentimento tornou-se um assunto muito discutido na comunidade gay, entre os que estavam en contra (a maior parte dos quals pertenciam a NAMBLA) e os que viam nela um mal necessário para a supervivência da comunidade.
  4. Em 1994, a Gay and Lesbian Alliance Against Defamation (GLAAD) adotou uma «Declaração de Posicionamento sobre NAMBLA» na qual declarava:
    «[GLAAD] deplores the North American Man Boy Love Association's (NAMBLA) goals, which include advocacy for sex between adult men and boys and the removal of legal protections for children. These goals constitute a form of child abuse and are repugnant to GLAAD.» «[GLAAD] desaprova os objetivos da North American Man Boy Love Association (NAMBLA), que incluem a defesa de relacionamentos sexuais entre homens adultos e meninos e a remoção da proteção legal da infância. Esses objetivos constituem uma forma de abuso infantil e são repugnantes para GLAAD.»
    No mesmo ano, o conselho de diretores da National Gay and Lesbian Task Force (NGLTF) adotou uma resolução sobre NAMBLA que dizia:
    «NGLTF condemns all abuse of minors, both sexual and any other kind, perpetrated by adults. Accordingly, NGLTF condemns the organizational goals of NAMBLA and any other such organization.» «NGLTF condena qualquer abuso sobre menores, tanto de natureza sexual como de qualquer outro tipo, perpetrado por adultos. Em consequência, NGLTF condena os objetivos organizazionais de NAMBLA e de qualquer organização desse tipo.»
  5. A esse respeito, Ginsberg escreveu em NAMBLA Bulletin[43] :
    «Attacks on NAMBLA stink of politics, witchhunting for profit, humorlessness, vanity, anger and ignorance [...] I'm a member of NAMBLA because I love boys too -- everybody does, who has a little humanity.» «Ataques contra NAMBLA fedem a política, caça às bruxas interessada, falta de senso do humor, vaidade, ira e ignorância [...] Eu sou membro de NAMBLA porque amo demasiado os garotos; todo o mundo o faz, todo aquele que tem um pouco de humanidade.»
  6. No Queer Desires Forum realizado em Nova Iorque em 25 de junho 1994, Samuel R. Delany declarou:
    «I read the NAMBLA [Bulletin] fairly regularly and I think it is one of the most intelligent discussions of sexuality I've ever found. I think before you start judging what NAMBLA is about, expose yourself to it and see what it is really about. What the issues they are really talking about, and deal with what's really there rather than this demonized notion of guys running about trying to screw little boys. I would have been so much happier as an adolescent if NAMBLA had been around when I was 9, 10, 11, 12, 13.» «Leio o NAMBLA [Bulletin] com bastante regularidade e acho que é um dos debates mais inteligentes sobre sexualidade que eu já encontrei. Acho que antes de começar a julgar o que é NAMBLA, há que descobrí-la por si próprio e ver o que ele é realmente. Ver quais são realmente os assuntos que trata, e prestar atenção ao que está realmente lá, em vez de deixar-se levar por esse conceito demonizado de caras correndo por todas partes para tentar estragar os meninos. Eu teria sido muito mais feliz quando adolescente se NAMBLA tivesse estado por aí quando eu tinha 10, 11, 12 ou 13 anos.»

Referências

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  13. Texto do Programa (em inglês).
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  46. Harry Hay (em inglês) no sítio do historiador estadunidense William A. Percy.
  47. Delany, Samuel e Freedman, Carl. Conversations with Samuel R. Delany, Univ. Press of Mississippi: 2009. ISBN 978-1-60473-278-8.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

Livros[editar | editar código-fonte]

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  • Tsang, Daniel, ed. The Age Taboo: Gay Male Sexuality, Power, and Consent. Boston: Alyson Publications; Londres: Gay Men's Press, 1981.

Filmes[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]