Nossa Senhora Mãe dos Homens

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Foto da Igreja Mãe dos Homens, no Rio de Janeiro, Rua da Alfândega.

Nossa Senhora Mãe dos Homens é uma reverência a mãe de Cristo pertencente à Igreja Católica.

Sua origem remonta à Portugal, surgida em Lisboa. Veio para o Brasil devido à fuga de um devoto conhecido como Irmão Lourenço, haja vista a forte perseguição do Marquês de Pombal à sua família Távora.[1]

No Brasil, a reverência de Nossa Senhora Mãe dos Homens deu origem a Irmandade de Nossa Senhora Mãe dos Homens, bem como a igrejas de grande valor cultural e histórico referentes à história do Brasil no período colonial e imperial.

Foi um dos locais em que Tiradentes se refugiou, no Rio de Janeiro, pouco antes de sua captura.

A Igreja da ordem, no Rio de Janeiro, encontra-se tombada pelo Iphan - Instituto de Patrimônio Cultural desde 15 de julho de 1938.[2] A grande beleza da Igreja e a rica cultura do local contrastam com a dificuldade financeira em manter e reformar sua estrutura antiga devido à falta de apoio do Governo e de entidades particulares.

História[editar | editar código-fonte]

A invocação a Maria, mãe de Cristo, surgiu no convento de São Francisco das Chagas, no bairro de Xabregas, em Lisboa.

A devoção a Nossa Senhora Mãe dos Homens chegou depois do século XVIII trazida por um personagem envolto em mistério, o Irmão Lourenço, um membro fugitivo da família Távora, perseguida cruelmente pelo Marquês de Pombal por razões políticas.

No Brasil, o Irmão Lourenço adquiriu terras na Serra do Caraça, em Minas Gerais, onde fundou o Santuário de Nossa Senhora Mãe dos Homens.

Lourenço construiu também, em 1774, a primeira capela. No mesmo local, posteriormente, foi construído o Colégio do Caraça, que educou por várias décadas grande número grande número de jovens brasileiros. Após um incêndio de grande vulto, somente a ermida de Nossa Senhora Mãe dos Homens permaneceu intacta.

Igreja construída no Rio de Janeiro[editar | editar código-fonte]

No Rio de Janeiro, a devoção a Nossa Senhora Mãe dos Homens teve início em um modesto oratório, que deu origem a uma das Igrejas de maior valor cultural do Brasil.

Escolheram a localização de um pequeno terreno no Caminho Capueruçu, que já existia no século XVII e fazia a ligação entre a Várzea (antiga rua Direita, atual Primeiro de Março) e a Lagoa do Capueruçu, na chamada "boca do sertão", caminho direto para Minas Gerais até 1716, quando passou a ser chamada de Rua da Alfândega, chamou-se também de rua da Quitanda do Marisco, rua dos Governadores.

O local da construção vem, a partir de meados do século XVIII, 1750, de onde existia nas proximidades do canto da Quitanda dos Pretos um oratório com a Imagem da Mãe dos Homens. Na época dos Vice-Reis, os oratórios de esquinas nas ruas eram sempre de iniciativa dos particulares. Em geral, pertenciam ao proprietário do edifício. E quando possuíam iluminação, azeite, era feito um rateio entre os vizinhos.

Para se aumentar o zelo religioso, muitos destes grupos procuravam terrenos para fazer pequenas capelas para exercer a devoção religiosa. Desta forma, muitas Igrejas acabaram por serem construídas. Foi também o caso da Igreja da Mãe dos Homens, no centro do Rio de Janeiro.

Por provisão do Bispo Diocesano, Dom Antônio do Desterro, Monge Beneditino, fundou-se ali no dia 9 de janeiro de 1758, o Sodalício de Nossa Senhora Mãe dos Homens.

Hoje ela está localizada no endereço Rua da Alfândega, número 54, Centro - Rio de Janeiro. É aberta ao público para missas, casamentos e confissões.

Presença de Tiradentes[editar | editar código-fonte]

Na Igreja do Rio de Janeiro, localizada na Rua da Alfândega, também foi alvo da política colonial, contemporânea à época da derrama.

Em 1789, Joaquim José da Silva Xavier conhecido como Tiradentes escondeu-se na Igreja a fim de se proteger das autoridades da época. Talvez por orientação de Dona Inácia Gertrudes, por gratidão, ao mesmo que havia curado sua filha.

Tiradentes assistiu à missa da lateral da Igreja, já sob grande perseguição das autoridades da lei da época, pouco antes de ser preso e condenado.

Criação do Estatuto por Dona Maria I[editar | editar código-fonte]

Dona Maria I de Portugal assinou o primeiro estatuto da Irmandade Mãe dos Homens.

O primeiro estatuto foi assinado pela carta régia de Dona Maria I em Lisboa no dia 16 de fevereiro de 1784 que rege a Irmandade até 10 de outubro de 1836 quando alterações são confirmadas pelo Regente do Império, Padre Diogo Antônio Feijó, devido ao sistema de padroado.

A Irmandade mandou construir, em 1 de setembro de 1789, um retábulo para o ornato da Imagem de Nossa Senhora Mãe dos Homens. Foi contratado então o Mestre Inácio Ferreira Pinto, o mesmo entalhador e autor do projeto da Capela Do Santíssimo Sacramento da Igreja de Nossa Senhora do Monte Serrat no Mosteiro de São Bento do Rio de Janeiro 1795 - 1800.

As obras do Mestre Inácio terminam em 11 de outubro de 1790. Também são atribuídos ao Mestre, os trabalhos do Arco Cruzeiro e do Coro.

Evolução da Igreja[editar | editar código-fonte]

A evolução artística da Igreja sofreu algumas alterações durante a época Brasil colônia e Brasil Império.

Em 1800 são executadas ampliações com a demolição de casas de propriedade da Irmandade que se encontravam em ruína, elas permitem não só o aumento da Igreja como a construção do Cemitério. As obras da Igreja permanecem paradas por vários anos e são retomadas para serem finalizadas em 12 de janeiro de 1803.

Em 1815 aparecem registros na Irmandade do fechamento das catacumbas no interior da Igreja e em 1836 são realizadas obras importantes como a execução dos púlpitos e também a troca de pisos no presbitério.

A fachada foi toda refeita em estilo neoclássico entre 1856 e 1863 pelo arquiteto Francisco Joaquim Bethencourt da Silva.

Em 1850 Antônio de Pádua e Castro constrói os altares laterais da nave, São José, Santa Ana com Nossa Senhora Menina e São Joaquim. Também são trocados os pisos por ladrilhos hidráulicos e o cemitério foi extinto neste ano.

Posteriormente são executadas as pinturas da capela mor por Joaquim Lopes de Barros Cabral. Ele nasceu no Rio de Janeiro e fez parte da primeira turma da Academia Imperial de Belas Artes, nas aulas de pintura de Debret e de arquitetura com Grandjean de Montigny.

Dentre sua poucas obras religiosa estão esta pintura da Capela, os quatro evangelistas, Anunciação e Ascensão, oferecidos à Irmandade em 1861.

Dias atuais[editar | editar código-fonte]

A irmandade de Nossa Senhora Mãe dos Homens continua a existir, bem como a devoção à N. S. Mãe dos Homens. No Rio de Janeiro, a Igreja permanece aberta à visitação com rotina de missas, confissões e casamento.

Apesar do tombamento pelo Iphan, no Rio de Janeiro, inexiste qualquer tipo de ajuda para a preservação da Igreja. A negligência do Poder público e a ausência de patrocínio particular ameaçam patrimônio cultural do país, deixando a cargo da própria comunidade da Igreja e de seus fiéis a preservação da Igreja com parcos recursos.

Notas

  1. Ottoni, Margarida - Nossa Senhora Mãe dos Homens: irmandade e igreja - Rio de Janeiro, 2002. Editora: Letra Capital
  2. Tombadas Arquidiocese.org.br.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]