Nova Petrópolis

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Município de Nova Petrópolis
"Jardim da Serra Gaúcha"
"Capital Nacional do Cooperativismo"
Novapetrópolis.jpg

Bandeira de Nova Petrópolis
Brasão de Nova Petrópolis
Bandeira Brasão
Hino
Aniversário 28 de fevereiro
Fundação 7 de setembro de 1858 (156 anos)
Gentílico nova-petropolitano [1]
Prefeito(a) Régis Luiz Hahn (PP)
(2013–2016)
Localização
Localização de Nova Petrópolis
Localização de Nova Petrópolis no Rio Grande do Sul
Nova Petrópolis está localizado em: Brasil
Nova Petrópolis
Localização de Nova Petrópolis no Brasil
29° 22' 33" S 51° 06' 43" O29° 22' 33" S 51° 06' 43" O
Unidade federativa  Rio Grande do Sul
Mesorregião Metropolitana de Porto Alegre IBGE/2008 [2]
Microrregião Gramado-Canela IBGE/2008 [2]
Municípios limítrofes Picada Café, Linha Nova, Caxias do Sul, Gramado, Santa Maria do Herval, Morro Reuter e Feliz
Distância até a capital 90 km
Características geográficas
Área 291,079 km² [3]
População 19 058 hab. Censo IBGE/2010[4]
Densidade 65,47 hab./km²
Altitude variando de 563 a 710 em algumas partes do município m
Clima Subtropical Cfb
Fuso horário UTC−3
Indicadores
IDH-M 0,847 muito alto PNUD/2000 [5]
PIB R$ 317 661,861 mil IBGE/2008[6]
PIB per capita R$ 17 185,77 IBGE/2008[6]
Página oficial

Nova Petrópolis é um município do estado do Rio Grande do Sul, no Brasil. Localiza-se a uma latitude 29º22'33" Sul e a uma longitude 51º06'43" Oeste, estando a uma altitude que varia de 596 à 710 metros. Segundo o último censo realizado em 2010, foi registrado a população de 19 045 habitantes. Possui uma área de 291,079 km².

História[editar | editar código-fonte]

No início do Século XIX, a região sul era um problema de segurança e infra estrutura para o governo central brasileiro recém liberto de Portugal. A região fazia parte de constantes disputas de terras entre, principalmente, portugueses e espanhóis e era pouco desenvolvido e povoado, comparada às regiões sudeste e nordeste do país.  Em 1822, quando o Brasil se libertou de Portugal, o governo brasileiro investiu em propaganda para promover a imigração para o Brasil, principalmente a alemã e italiana. A Europa, neste período, estava passando por uma série de conflitos e revoluções -  final do século XVIII e  início do Século XIX. 

O Brasil não dispunha de um exército para manter sua segurança nacional a partir de seu continental território, principalmente na região sul, que estava sob constantes ameaças em suas fronteiras - investidas das tropas espanholas. Por questões de segurança, não podia confiar nos portugueses que vivam na região.  O governo brasileiro, encontrou uma saída. Através de propaganda de convencimento na Europa, propagava as vantagens do novo país, entre estes: o direito à terra, paz e alimento em abundância. Ofereceu vantagens (Nem sempre cumpridas) às famílias interessadas a residir no sul do Brasil, como: passagens, direito à cidadania, isenção de impostos e direito a posse de uma ou duas colônias de terras (24 a 48 ha). O objetivo era que estas famílias, principalmente alemãs e italianas, ocupassem a terra e os homens servissem no exército de reserva para manter a segurança da região sul , principalmente contra os espanhóis. Em 1822, quando o Brasil se libertou de Portugal, o governo brasileiro investiu em propaganda para promover a imigração para o Brasil, principalmente a alemã e italiana. A Europa, neste período, estava passando por uma série de conflitos e revoluções -  final do século XVIII e  início do Século XIX. 

O Brasil não dispunha de um exército para manter sua segurança nacional a partir de seu continental território, principalmente na região sul, que estava sob constantes ameaças em suas fronteiras - investidas das tropas espanholas. Por questões de segurança, não podia confiar nos portugueses que vivam na região.  O governo brasileiro, encontrou uma saída. Através de propaganda de convencimento na Europa, propagava as vantagens do novo país, entre estes: o direito à terra, paz e alimento em abundância. Ofereceu vantagens (Nem sempre cumpridas) às famílias interessadas a residir no sul do Brasil, como: passagens, direito à cidadania, isenção de impostos e direito a posse de uma ou duas colônias de terras (24 a 48 ha). O objetivo era que estas famílias, principalmente alemãs e italianas, ocupassem a terra e os homens servissem no exército de reserva para manter a segurança da região sul , principalmente contra os espanhóis.

Passagem de uma família que imigrou no início do Século XX -
Prática que durou por décadas até às grandes guerras

Nesta época, início do Século XIX, a Alemanha e a Itália não existiam como países unificados e passavam por intensas transformações sociais em seus territórios com a industrialização tardia e movimentação de pessoas do campo para as cidades. Como já postamos aqui no Blog, a unificação alemã somente ocorreu em 1871. Na mesma época, ocorreu a unificação da Itália, consolidada somente em 1929, com o Tratado de Latrão, entre Mussolini e o Papa Pio XI.

Já existiam famílias alemãs no Brasil, soldados alemães nos quartéis do Rio de Janeiro, empresas alemãs nas regiões litorâneas do Brasil, mas foi somente no dia 25 de julho de 1824, que chegou ao país um grupo organizado e orientado pelo Estado brasileiro, de imigrantes alemães. Um grupo de 39 imigrantes alemães que chegou no Porto de Tebas na Real Feitoria da Linha Cânhamo, na atual cidade gaúcha de São Leopoldo.

Uma narrativa de 1824 do Sr. Schlichthorst  com relação aos primeiros alemães que desembarcavam no Brasil e eram obrigados diretamente a se alistarem no exército brasileiro. Sr. Schlichthorst, imigrante alemão,   foi um ex-oficial do Imperial Exército Brasileiro. Desembarcou no Rio de Janeiro em 14 de abril de 1824, servindo no período de 1824 a 1826, quando retornou a sua terra natal. Em sua memória lamentou ter sido iludido por falsas promessas no Brasil. Schlichthorst era jovem e gostava de passear pelas ruas do Rio de Janeiro durante as suas folgas apreciando a natureza. A seguir, parte de sua narrativa, rico registro histórico de uma época, do quem vivenciou  - Regimento de Estrangeiros nos quartéis do Rio de Janeiro, no Primeiro Reinado brasileiro.

Uma narrativa de 1824 do Sr. Schlichthorst  com relação aos primeiros alemães que desembarcavam no Brasil e eram obrigados diretamente a se alistarem no exército brasileiro. Sr. Schlichthorst, imigrante alemão,   foi um ex-oficial do Imperial Exército Brasileiro. Desembarcou no Rio de Janeiro em 14 de abril de 1824, servindo no período de 1824 a 1826, quando retornou a sua terra natal. Em sua memória lamentou ter sido iludido por falsas promessas no Brasil. Schlichthorst era jovem e gostava de passear pelas ruas do Rio de Janeiro durante as suas folgas apreciando a natureza. A seguir, parte de sua narrativa, rico registro histórico de uma época, do quem vivenciou  - Regimento de Estrangeiros nos quartéis do Rio de Janeiro, no Primeiro Reinado brasileiro.

“...Apesar de alistados em Hamburgo como colonos, no Rio de Janeiro eram imediatamente forçados a assentar praça. Só tinham liberdade para ir para onde quisessem os que haviam pago suas passagens; mas estes mesmos às vezes abandonavam suas colônias e voluntariamente se engajavam, sendo, nesse caso, reembolsados pelo Governo[pela passagem](...)Os oficiais vindos nesses navios de transporte, em parte se viam colocados na graduação que o Cavalheiro Schäffer lhes garantia em Hamburgo. Alguns, no entanto, ficaram decepcionados,[foi o caso de Schlichthorst que desejava servir na Marinha e não no Exército] o que se deve atribuir mais a desordem reinante no Ministério da Guerra do que a um engano proposital daquele Cavalheiro.(...) Sim, eu próprio que, mais tarde, pude me enfronhar no modo de vida do país e conhecer o sistema de suborno nele reinante, sabendo como sei que no Brasil tudo se arranja com dinheiro(...)bastando-lhe aparência decente e alguns milhares de táleres [dinheiro alemão] para pagamento da patente(...) Para alimento dum soldado, o Governo escritura por dia meia libra de carne e meia de pão; mas(...)recebem tão pouco[carne] que suas refeições quase se limitam a arroz e feijão. Além disso, a carne que lhes dão é da pior qualidade, isto numa terra como o Rio de Janeiro, onde a carne já é ruim. O pão é feito na maior parte de farinha de milho, apesar de pago como de puro trigo. A maioria dos soldados o vende, para beber mais cachaça. Cozinham-se alternadamente duas vezes por dia, arroz e feijão. Não se varia o alimento. Serve-se o rancho sem o menor asseio. O oficial-de-dia tem obrigação de provar a sopa, sendo realmente preciso grande força de vontade para engolir esse caldo nojento. O mais pobre escravo vive melhor, sem dúvida, do que o soldado estrangeiro no Brasil.(...)O que, no entanto, torna ainda mais intolerável a situação do soldado é a falta absoluta de qualquer comodidade nos quartéis. Em parte, não há sequer tarimbas e os homens dormem pelo chão em esteiras, com um cobertor. Atormentados por incontáveis insetos, procuram na cachaça alívio ao seu martírio e curto esquecimento de sua desgraça.(...) Não é difícil imaginar os excessos a que diariamente se entregam. A conseqüência é uma pancadaria bárbara, sendo raro o dia em que se não apliquem castigos de 50, 100 e até 200 chibatadas, nas costas nuas dos infelizes(...)Os de natureza mais forte sentem uma espécie de orgulho em dizer que suportaram durante seu tempo de serviço alguns milheiros de vergastadas. Diante de um tratamento desses, não é de admirar que as deserções sejam freqüentes. Os que procuram o interior do país são logo agarrados[como os soldados presos em Nova Friburgo], porém, os que tentam escapulir por mar, raramente são descobertos (...)Castiga-se a deserção com 200 chibatadas nas costas nuas, dadas com finas vergastas de junco. Muitos as têm agüentado até quatro vezes, sem desistir de novas tentativas.....” 

Portanto, a busca do imigrantes alemães para povoar o sul, era, em primeiro lugar, questão de segurança nacional na região sul, a qual corria o risco de ser tomado pelos povos espanhóis.

Fonte: Blog Angelina Wittmann - Arte Cultura - História e Antropologia - Dia 12 de setembro de 2014 - 20:00h.

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Até o século XIX, a região da Serra Gaúcha era território tradicional dos índios caingangues. Nesse século, os caingangues que habitavam as áreas montanhosas da Região Sul do Brasil foram desalojados violentamente por ação de matadores de indígenas chamados de "bugreiros". Estes haviam sido contratados para abrir espaço para a instalação, por parte do governo imperial brasileiro, de imigrantes europeus na região, visando a um "embranquecimento" da população brasileira, até então majoritariamente negra e mestiça[7] .

Localizada na Serra gaúcha, Nova Petrópolis foi fundada em 7 de setembro de 1858 por imigrantes alemães oriundos da Pomerânia, Saxônia, Boêmia e do Hunsrück, dos quais descendem a maioria dos seus habitantes. Tinha, originalmente, 35 000 hectares e, em 1866, contava com 991 habitantes. Em 1912, com 8 500.[8]

Berço do cooperativismo de crédito[editar | editar código-fonte]

Nova Petrópolis é também o berço do Cooperativismo de Crédito da América do Sul. Em 28 de Dezembro de 1902, foi fundada, pelo padre suíço Theodor Amstad, o modelo cooperativo que deu origem ao Sistema de Crédito Cooperativo que, hoje, propagou-se pelo país inteiro. No Parque Aldeia do Imigrante, encontra-se, entre outras atrações, o Museu da Cooperativa, que existe até hoje, sob o nome de Sicredi Pioneira.

Demografia[editar | editar código-fonte]

A população do município em 2010 era estimada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística em 19 058 habitantes, sendo o 104° município mais populoso do estado e apresentando uma densidade populacional de 61,0 habitantes por quilômetro quadrado.

Clima[editar | editar código-fonte]

Nova Petrópolis está na zona climática Cfb, segundo a classificação do clima de Köppen. Caracterizado por ser um clima úmido temperado. No verão, temperatura amena, em torno de 22 °C, com alguns dias mais quentes, mas com noites sempre agradáveis, moderadas pelo ar das montanhas e dos bosques. Os invernos podem ser rigorosos com temperaturas abaixo de 0 °C, fortes geadas e ocasionais nevadas.

Turismo[editar | editar código-fonte]

Nova Petrópolis está localizada na Região Nordeste do Estado do Rio Grande do Sul, nos altos da Serra Gaúcha. Faz parte do Projeto Rota Romântica e está na Região das Hortênsias.

Em meio ao verde exuberante da Serra Gaúcha, Nova Petrópolis se destaca pela sua paisagem, casarios antigos, praças e jardins floridos.

Atrações Turísticas do Município:

  • Torre de Informações Turísticas;
  • Parque Aldeia do Imigrante (Aldeia Histórica, Museus, Foto à Moda Antiga, Lagos, Lojas);
  • Praça das Flores;
  • Labirinto Verde;
  • Morro da Árvore (Linha Imperial - 6Km do Centro);
  • Praça Theodor Amstad - (Linha Imperial - 8Km do Centro);
  • Cascata Johann Grings (Linha Imperial - 8 km do Centro);
  • Pinheiro Milenar (Linha Imperial - 9Km do Centro);
  • Paredão Malakow (Linha Brasil - 21 km do Centro);
  • Pedras do Silêncio (Linha Brasil - 23 km do Centro);
  • Panelão (Linha Araripe - 23Km do Centro);
  • Ninho das Águias - Vôo Livre (8 km do Centro);

Eventos[editar | editar código-fonte]

  • Verão no Jardim da Serra Gaúcha (Janeiro/Março);
  • Magia da Páscoa (Inicia uma semana antes da Páscoa);
  • Festimalha (Maio/Junho);
  • Agroshow (Junho)
  • Festival Internacional de Folclore (Julho/Agosto);
  • Festival da Primavera - Frühlingsfest (Outubro);
  • Natal em Cores (Dezembro);

Nova-petropolitanos ilustres[editar | editar código-fonte]

Imagens[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. IBGE | Nova Petrópolis Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Página visitada em 12 de agosto de 2013.
  2. a b Divisão Territorial do Brasil Divisão Territorial do Brasil e Limites Territoriais. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (1 de julho de 2008). Página visitada em 11 de outubro de 2008.
  3. IBGE (10 out. 2002). Área territorial oficial Resolução da Presidência do IBGE de n° 5 (R.PR-5/02). Página visitada em 5 dez. 2010.
  4. Censo Populacional 2010 Censo Populacional 2010. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (29 de novembro de 2010). Página visitada em 11 de dezembro de 2010.
  5. Ranking decrescente do IDH-M dos municípios do Brasil Atlas do Desenvolvimento Humano. Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) (2000). Página visitada em 11 de outubro de 2008.
  6. a b Produto Interno Bruto dos Municípios 2004-2008 Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Página visitada em 11 dez. 2010.
  7. BUENO, E. Brasil: uma história. Segunda edição revista. São Paulo. Ática. 2003. p. 267.
  8. PORTO, Aurélio. O Trabalho alemão no Rio Grande do Sul, Graf, Santa Terezinha, Porto Alegre, 1934, p.168.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]