Nova classe média

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A nova classe média é um estrato social do Brasil. Ao final da última década, a pobreza declinou de forma acentuada no país[1] , diminuindo a desigualdade social e melhorando a distribuição de renda. Esse crescimento na renda dos mais pobres promoveu a entrada desse grupo na classe média, gerando um aumento sem precedentes nesse estrato social.

Definição[editar | editar código-fonte]

A nova classe média brasileira representa mais de 50% da população [2] . O crescimento desse segmento, com renda familiar per capita mensal entre R$ 291,00 a R$ 1.019,00 [3] , deve-se principalmente ao aumento na renda dos mais pobres. A elite econômica (classes A e B) tem renda superior a R$ 4.591, enquanto a classe D ganha entre R$ 768 e R$ 1.064. Os considerados pobres (classe E), por sua vez, reúne famílias com rendimentos abaixo de R$ 768[4] .

Esta importante parcela da população brasileira requer políticas públicas específicas[5] , que impeçam o seu retorno à pobreza e ofereçam oportunidades eficazes para sua contínua progressão.

Com a finalidade de traçar a evolução socioeconômica da sociedade e o perfil da nova classe média, a Secretaria de Assuntos Estratégicos lançou o aplicativo Nova Classe Média em Números [6] . Com ele, é possível fazer um diagnóstico dessa população ao longo da última década. Características pessoais, regionais, educacionais e habitacionais; participação no mercado de trabalho, composição familiar e consumo fazem parte dos indicadores que podem ser consultados na ferramenta.

Fenômeno Social[editar | editar código-fonte]

Responsável por injetar cerca de R$ 1,1 trilhão na economia brasileira[7] , a nova classe média tornou-se foco das empresas, que passaram a se adequar para atender a esse novo público[8] . O consumo da nova classe média aqueceu o mercado e ajudou o Brasil a minimizar os impactos da crise internacional de 2008-2011.

Um exemplo dado pelo Instituto Data Popular sobre o consumo em supermercados revela que, em 2002, a nova classe média só consumia 28 categorias de produtos, contra 40 em 2011. Este número é praticamente o mesmo das Classes A e B. Segundo análises da Pesquisa de Orçamentos Familiares feitas pela SAE[9] , o segmento de renda média já representa o maior poder de consumo no Brasil, quer se tome o consumo total (a vista e financiado), quer se tome somente o consumo financiado, o que revela o amplo acesso da classe média a serviços financeiros.

Comitê gestor[editar | editar código-fonte]

Um Grupo de Trabalho[10] foi formado pela Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE) para trabalhar com o mapeamento dos dados estatísticos, a fim de obter uma definição de classe média empiricamente prática, com bases conceitual e metodológica sólidas, que seja capaz de identificar quem são os membros desta nova classe, avaliar seu tamanho e sua heterogeneidade.

O Grupo é formado por representantes da Fundação Getúlio Vargas, do Ministério da Fazenda, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, da Internacional Center for Inclusive Growth, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, do Instituo de Ensino e Pesquisa de São Paulo, da USP e do Instituto Data Popular, entre outros.

O resultado dos debates irá orientar a SAE na formulação de uma segunda geração de políticas públicas[11] , específicas para esse público, com a finalidade de evitar que retornem à pobreza e garantam oportunidades para seu desenvolvimento.

A comissão, em seu primeiro encontro, instituiu uma agenda de trabalho até o mês de abril de 2012 para chegar a uma conclusão dos debates técnicos sobre o tema.

Perfil[editar | editar código-fonte]

Segundo pesquisa do Instituto Data Popular[12] , a nova classe média apresenta-se assim:

  • Mais de 42 milhões de brasileiros ascenderam à nova classe média na última década
  • Metade dos cartões de crédito pertence à nova classe média
  • Renda anual dos internautas da nova classe média é de R$ 328 bilhões
  • 68% dos jovens da nova classe média estudaram mais que seus pais
  • 41% da renda da nova classe média vem do trabalho da mulher, contra apenas 25% da Elite
  • A nova classe média representa 48% da renda nacional
  • 6 a cada 10 pessoas que acessam a internet são da nova classe média
  • A região sul é a que apresenta maior concentração da nova classe média, com 64% da população
  • O Nordeste lidera o crescimento da nova classe média. De cada 10 pessoas que melhoraram de vida, 3 são dessa região
  • O interior cresce mais que as regiões metropolitanas
  • A nova classe média gasta mais com serviços. Em 2002, de cada R$100,00, R$49,50 eram gastos em serviços. Hoje são R$65,00.
  • O impacto da Classe C no setor aeroportuário é maior que qualquer Copa do Mundo.
  • As Classes A e B compram mais produtos de baixo preço do que as Classes C e D.
  • De cada R$100,00 que uma família da Classe A gasta, R$25,00 vêm do trabalho da mulher; na Classe C, esse número sobe para R$41,00.
  • 62% da nova classe C prefere comprar produtos brasileiros, contra 25% da elite.

Referências

  1. A Nova Classe Média Brasileira: desafios que representa para a formulação de políticas públicas SAE - Secretaria de Assuntos Estratégicos. Visitado em 16-07-2012.
  2. Classe C cresceu mais no Nordeste Carta Capital (11-08-2012). Visitado em 16-07-2012.
  3. Governo define que a classe média tem renda entre R$ 291 e R$ 1.019 (valores de 2012) Secretaria de assuntos estratégicos da presidência da república (24-07-2013). Visitado em 24-10-2014.
  4. Rudá Ricci (21-05-2010). O Maior Fenômeno Sociológico do Brasil: a nova classe média Escola de Governo. Visitado em 16-07-2012.
  5. Francisco Carlos de Assis e Elizabeth Lopes (06-08-2011). Risco de retrocesso da nova classe média preocupa IstoÉ Dinheiro. Visitado em 16-07-2012.
  6. Brasil tem uma nova classe média Diário de Pernambuco (09-08-2011). Visitado em 16-07-2012.
  7. Fábio Chaib (17-11-2011). Nova Classe C consumirá mais de R$ 1 tri em 2011 Jovem Pan Online. Visitado em 16-07-2012.
  8. Margareth Castro e Evaldo Pighini (Fevereiro de 2011). A força que vem debaixo Revista Mercado. Visitado em 16-07-2012.
  9. Classe C tem mais gastos pessoais que A e B, diz pesquisa Terra Agência Brasil (08-08-2011). Visitado em 16-07-2012.
  10. Grupo de Trabalho vai traçar perfil da nova classe média brasileira Portal Brasil (28-09-2011). Visitado em 16-07-2012.
  11. País precisa de segunda geração de políticas públicas, afirma ministro da SAE Portal Fator Brasil (09-08-2011). Visitado em 16-07-2012.
  12. Daiane Souza. Instituto Data Popular divulga perfil da nova Classe Média brasileira Blog Heli Fidelis. Visitado em 16-07-2012.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]