Noz-moscada

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Myristica fragrans

Myristica fragrans
Classificação científica
Reino: Plantae
Divisão: Magnoliophyta
Classe: Magnoliopsida
Ordem: Magnoliales
Família: Myristicaceae
Género: Myristica
Gronov.
Espécies
Cerca de 100 espécies, incluindo:

Myristica argentea
Myristica fragrans
Myristica malabarica

Noz-moscada é uma das especiarias obtidas do fruto da moscadeira (Myristica fragans), uma planta da família das Myristicaceae, de porte alto, atingindo cerca de 10 a 15 metros de altura, com várias ramas dispostas ao longo do tronco principal, a madeira é muito boa para confecção de móveis. O consumo de uma noz-moscada inteira ou 5 g do seu pó pode produzir efeitos de intoxicação como: alucinações auditivas e visuais, descontrole motor e despersonalização.[1] [2] Contém miristicina, um IMAO (inibidor da monoamina oxidase). [3]

Origem e história[editar | editar código-fonte]

Noz-moscada

Até meados do século XIX a única fonte mundial de noz-moscada eram as pequenas ilhas Banda nas Molucas, Indonésia. Utilizada desde o tempo dos romanos, a noz-moscada era uma das mais valorizadas especiarias na Idade Média, utilizada em noz e em macis como tempero e conservante em culinária e na medicina. Vendida por mercadores árabes à República de Veneza era distribuída na Europa a preços exorbitantes. Como os mercadores nunca divulgavam a localização exacta da sua fonte, nenhum europeu conseguia deduzir a sua origem. Em nome do rei de Portugal, em agosto de 1511 Afonso de Albuquerque conquistou Malaca, que era ao tempo o centro do comércio asiático. Conseguindo obter a localização das ilhas Banda, enviou uma expedição de três navios comandados pelo seu amigo de confiança António de Abreu para as encontrar. Pilotos malaios guiaram os portugueses via Java até Banda, onde chegaram no início de 1512.[4] Sendo os primeiros europeus a chegar às ilhas, aí permaneceram durante cerca de um mês, comprando e enchendo os seus navios com noz-moscada e cravinho[5] . Mais tarde a noz-moscada e o macis seriam negociados também pelos holandeses, passando depois a ser cultivada na Índia, na Malásia, nas Caraíbas e noutras regiões.

Botânica[editar | editar código-fonte]

A noz-moscada, exclusiva das ilhas Banda até meados do século XIX

Moscadeira[editar | editar código-fonte]

É a sua árvore, da família das Myristicaceae, uma planta de porte alto, atingindo cerca de 10 a 15 metros de altura, com várias ramas dispostas ao longo do tronco principal, a sua madeira é muito boa para confecção de móveis.

Observações[editar | editar código-fonte]

  • É uma planta dióica, portanto com sexos separados, plantas com flores femininas e plantas com flores masculinas. Vale ressaltar, que o caráter dióico se manifesta em uma proporção de 50% para cada sexo. A polinização é cruzada (masculinas x femininas) requer em média 10% de plantas masculinas, para fecundar as flores femininas.
  • As flores femininas dispostas na inflorescência com uma ou três flores; possuem um ovário superior (estigma) que recebe os grãos de pólen das flores masculinas, trazidos por ventos e insetos, promovendo a fecundação. As flores masculinas, dispostas em inflorescência com uma ou três flores; possuem um receptáculo em forma de coluna, onde ficam ligadas às anteras com os grãos de pólen.

Composição[editar | editar código-fonte]

Macis
  • A membrana laranja-avermelhada que cobre a casca da noz-moscada é chamada macis.
  • Seu sabor lembra uma mistura de pimenta-do-reino com canela, porém mais sutil e aromático; por ser levemente adstringente, se sai melhor em pratos salgados.
  • É bastante usada na cozinha devido a sua versatilidade, servindo desde pratos doces e salgados a biscoitos, tortas, pudins e bolos, até carnes e aves, como condimento.
  • Possui cerca de 10% de óleo essencial, composto principalmente por hidrocarbonetos. Em altas dosagens, possui um leve teor de substâncias alucinógenas, geralmente mais de uma semente.
  • Sua composição química é bastante variável, em média contém: 9.0% de água; 6.5% de compostos nitrogenados; 33% de gorduras; 4.5% óleos essenciais; 27 % de amido; 14.5%de extratos não nitrogenados; 3% de celulose e 2,5% de cinzas. O óleo essencial tem na sua composição a “Myristicina” ( C11 H12O3 ) que atua como narcótico e é tóxica se ingerida em grandes quantidades.

Plantio[editar | editar código-fonte]

  • Planta adaptada ao clima quente e úmido, com temperatura média anual de 25· C, precipitação pluviométrica de 1.500 a 3.000 ao ano, com chuvas bem distribuídas, sem período de estiagem prolongado. Prefere as baixas altitudes, inferiores a 500 metros. Os solos mais recomendados devem ter um bom teor de matéria orgânica, profundos e bem drenados.
  • A propagação se faz geralmente por sementes, devendo-se escolher as maiores e mais pesadas, sem manchas e deformações ou outro qualquer defeito, provenientes de plantas matrizes sadias vigorosas e produtivas.
    • As sementes devem se semeadas em canteiros separadas umas das outras cerca de 3 a 5 cm em posição horizontal, regadas diariamente com exposição de luz de em média de 50%. A germinação ocorre entre 30 a 40 dias após a semeadura e o índice de germinação é cerca de 50%. Quando as mudinhas alcançam 5 cm de altura, faz-se a repicagem das mesmas para sacos de polietileno com capacidade para 2 a 3 kg de terra rica em matéria orgânica, permanecendo no viveiro por cerca de 12 meses.
    • As mudas devem receber tratos culturais adequados durante este período, alcançando 20 a 30 cm de altura e com 3 pares de folhas e caule com 1 cm de diâmetro, ou seja o ponto ideal para o plantio. As mudas são plantadas em covas com as dimensões de 0,40m em todas as direções no espaçamento de 8 x 8m, proporcionando uma densidade de 156 plantas por hectare. O plantio no Sul da Bahia é realizado entre os meses de maio a agosto, sob boas condições de sombreamento provisório com bananeira.

Cuidados especiais[editar | editar código-fonte]

  • Os cuidados com o cultivo se limitam a 4 limpas anuais a fim de evitar a concorrência com o mato. Realizar desbaste de bananeira a fim de eliminar o excesso de sombreamento, quando necessário.
  • As pragas mais comuns são os insetos sugadores, a exemplo de tripes, todavia sem causar danos econômicos significativos.
  • Doenças: Há registro da enfermidade, vulgarmente conhecida como, Mal Rosado provocada pelo fungo Corticium salmonicolor, cujo controle é feito cortando o galho infectado de 20 a 30 cm do ponto de infecção. Em seguida pulveriza com fungicida à base de cobre a 5%. Os galhos doentes eliminados devem ser queimados fora da área da cultura.

Colheita[editar | editar código-fonte]

  • A moscadeira nas condições da região Sul da Bahia, inicia a produção aos 4 anos, superando os países de origem, onde as primeiras frutificações ocorrem aos 6 anos. Os frutos são deiscentes (se abrem quando maduros) e medem de 5 a 8 cm de diâmetro. Quando maduros, apresentam coloração amarelo-claro e se racham em duas partes, colocando à mostra as sementes. As sementes de forma oval, medem de 3 a 4 cm de comprimento por 2 a 3 de largura, tegumento lenhoso e duro, marrom brilhante escuro, envolvido por uma membrana de cor roxo – avermelhado, que é o arilo ou macis. Rompendo a casca dura das sementes, encontra-se a amêndoa da noz-moscada.
  • Apenas as plantas dotadas de flores femininas produzem frutos, porém é necessário manter no plantio o percentual de 10 a 20% de plantas masculinas para que ocorra uma boa fecundação. A maturação dos frutos ocorre com 170 a 180 dias após a fecundação, com os frutos de coloração amarela pálida. O rendimento varia com a idade da planta, vigor e estado fitossanitário da planta. Uma boa produção é estimada em 1.500 a 2.000 frutos por ano, o que corresponde 10 a 15 kg de sementes frescas, e 3 a 4 kg de macis. Após a secagem resulta em 5 a 7 kg de noz-moscada e 1,5 a 2 kg de arilo. A concentração da produção é entre os meses de abril a setembro.

Melhoramento[editar | editar código-fonte]

  • Após a colheita os frutos são conduzidos para galpões, onde são abertos para retirada das sementes. Separa-se o arilo das sementes, colocando as mesmas a secar por um período de 9 a 13 dias. As sementes passam por um período de três semanas para secarem, e quando secam, chocalham ao se agita-las. Durante a secagem, tanto o arilo quanto a semente deve ser revolvido de hora em hora, a fim de uniformizar o processo de secagem.
  • Faz-se então a extração da noz, golpeando-se a ponta da semente seca com um pequeno pedaço de madeira, com cuidado para não esmagar a noz. Após o beneficiamento as nozes são armazenadas em vasilhames apropriados: caixas ou sacos plásticos, fechados e armazenados em local iluminado e úmido.

Comercialização[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Livro dos alimentos
  2. Erowid. Effects of Nutmeg & Myristicine by Scott Dorsey. Página visitada em 03/10/2009.
  3. Truitt Jr., Edward B.; Duritz, Gilbert; Ebersberger, Ethel M.. Evidence of Monoamine Oxidase Inhibition by Myristicin and Nutmeg. Exp Biol Med (Maywood) 1963 112: 647 (PDF Acesso, Maio, 2014)
  4. Hannard (1991), page 7; Milton, Giles. Nathaniel's Nutmeg. London: Sceptre, 1999. 5 and 7 p. ISBN 978-0-340-69676-7
  5. Hannard (1991), page 7