Nukak

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Mãe Nukak com seu bebê, Dezembro de 1993.

Os Nukak [nɨkâk] são um povo indígena que vive na floresta úmida tropical, entre os rios Guaviare e Inírida, no departamento do Guaviare, na Colombia.

Aproveitamento do meio[editar | editar código-fonte]

São caçadores-coletores, nômades, praticam a horticultura itinerante em pequena escala. Caçam, especialmente as diversas espécies de macacos (Alouatta spp., Cebus spp., Lagothrix sp., Ateles sp., Callicebus sp.), Saimiri sciureus, Saguinus nigricollis, e também aves (patos selvagens, jacus, mutuns, inhambus, jacamins e tucanos), com zarabatanas construídas de caules de palma e dardos com "manyi" (Curarea sp.), curare, o veneno especial para paralisar a vítima; usam ademais a zarabatana com tabletes cheios de látex para caçar aves colando suas penas e alas em pleno voo.

Com lanças de madeira da palmeira Socratea exorrhiza, caçam os caititus queixadas e os jacarés-do-pantanal, cujos ovos também consumam. Não caçam nem comem veados (Mazama americana, Odocoileus virginianus) ni antas, por considerar que pertencem ao mesmo grupo de origem dos humanos. Capturam pacas; cutiaa; tatus; jabutis; rãs (em grande cantidade); caranguejos; camarões; caracóis; larvas de escaravelhos das palmeiras ("mun", Rhynchophorus spp.); larvas de varias espécies de vespa e ovos duma espécie de aranha.

Pescam com freqüência varias espécies de peixes, como peixes-gato, traíras, piranhas, pacus, pirandirás, tucunarés e raias. Atualmente parte da pesca se realiza com cordel e anzol de metal, porem ainda pescam como tradicionalmente, com arcoe flecha o arpões, armadilhas o samburás ("mei", gaiolas de água) e com timbó (Lonchocarpus spp., "nuún", raíz de uma liana que por conter certas sustâncias, se é ralada e agitada em pequenas correntes de água ou na estação seca, embasbaca a os peixes, que são então apanhados com as mãos) .

Coletam mel de mais de vinte espécies de abelhas e grande cantidade de frutos, como os das Palmeiras (Oenocarpus spp., Attalea spp., buriti), uma bananeira do mato, gravatás, ingás, el juansoco (Couma sp.) y otras árvores, lianas e arbustos. Bebem a resina doce do "mupabuat" (Lacunaria sp.) e água dum cipó (Doliocarpus sp.).

A colheita de material vegetal inclui os elementos necessários para cobrir seus acampamentos o "wopyi" com folhas de bananeiras do mato e de palmeiras, fazer suas redes de descansos com fibra da palmeira tucumã, amarres (Heteropsis sp., Eschweilera sp., Anthurium sp.), zarabatanas (Iriartella setigera, Bactris maraja), arcos (Duguetia quitarensis), cabos de tocha (Aspidosperma sp.), dardos (espinhos de Oneocarpus sp.), invólucro para os dardos (folhas de Calathea sp.), algodão para assegurar os dardos (Pachira nukakica, Ceiba sp., Pseudobombax sp.), guayucos para hombre (Couratari guianensis), cestos (Heteropsis sp.), morrais descartáveis (Jessenia sp., Heliconia sp.), sabonete (Cedrelinga sp.), perfume (Myroxylon sp., Justicia pectoralis) e diversos objetos como os raladores fabricados da raiz da palmeira Socratea exorrhiza.

Com os dentes das piranhas fabricavam machadinhas, porem a maioría as têm substituídas por as metálicas. Também praticavam a olaria, até 1990, fabricando pequenas panelas para levar em seus recorridos e outras grandes para deixar em sítios prefixados. Hoje preferem conseguir panelas metálicas. Quando não têm fósforos ou isqueiros, ainda usam paus especiais (Pausandra trianae) para produzir fogo. Antes fabricavam espelhos da resina de Trattinickia glaziovii; tochas de pedra e facas de guaduas.

Têm hortas em seu território, nas rotas que recorrem. Cultivam tradicionalmente para a alimentação, tubérculos como batata-doce (Ipomea batatas), taros (Xanthosoma violaceum, Colocasia sp.), inhames (Dioscorea sp.) e mandioca (Manihot esculenta). Também palmeiras de pupunha (Bactris gasipaes), abacaxi (Ananas comosus), ají ou pimenta (Capsicum chinense), uva caimarona (Pourouma cecropiifolia), anonáceas (Annona sp., Rollinia sp.), ucuje (Macoubea sp.), mamão (Carica sp.) y milho (Zea mays). En todas as hortas há banana (Musa paradisiaca) e cana de azúcar (Saccharum oficinarum). Recentemente tem introduzido na horta outras plantas, como o caju (Anacardium occidentale).

Também cultivam plantas para obter artefatos para a vida diária: as cuias (Crescentia cujete, Lagenaria siceraria, Posadaea sphaerocarpa), para fazer recipientes; urucu (Bixa orellana) e crajiru (Arrabidaea chica) para colorir o corpo; e a cana brava (Gynerium sagitatum), para fabricar flechas e arpões. O tabaco (Nicotina tabacum) se colhe para usos rituais.

Antes de plantar, os homens fazem a roça, tumba e queima dum área. Todas e todos os integrantes do grupo participam na semeadura e a safra. As mulheres dedicam mais tempo que os homens ao cuidado da horta. Teoricamente cada planta é de quem a semear.

Aspectos sociais[editar | editar código-fonte]

O matrimônio, base dos grupos domésticos, se estabelece depois de que o homem tem cortejado formalmente à mulher com presentes aceitados e ela tem consentido morar com ele, preferencialmente com a família e o grupo da noiva. Para buscar parelha, um homem deve passar por um ritual de iniciação no qual suporta diversos sofrimentos e dificuldades, demonstra as habilidades fundamentais para a subsistência e consume um alucinógeno (Virola sp.).

Se considera o casal mais adequado o formado por primos cruzados, em tanto que os primos paralelos e os irmãos não podem juntar-se, por o que cada homem busca mulher nos grupos onde as irmãs e tias maternas estão casadas e por tanto as solteiras são elegíveis. Se a mulher vive ainda na fogueira do pai, os presentes devem incluir-lo. Si a mulher aceita, se estabelece no acampamento com o homem e quando têm um filho se consideram um casal formal, lo qual determina mútuas relações de parentesco expressadas em direitos e deveres de reciprocidade. Um homem pode ter varias esposas mas predominam os que tem uma ou dois e são muito poucos os que chegam a três. Esta poligamia coexiste com uma poliandria temporal durante a gravidez, com o objetivo de melhorar as qualidades de quem vai a nascer.

Cada grupo doméstico faz parte dum grupo territorial e se integra com outros para as lavores e a seguridade, segundo as distintas estações e situações. Por outra parte cada Núkâk se considera parte de uma patrilhinagem, "nüwayi", designado por o nome dum animal o planta. Têm sido identificados ao menos dez grupos territoriais Nükâk, integrado cada uno por 50 o 60 pessoas, que la maioria do ano não permanecem juntas senão se distribuem em grupos de caça e coleta de acordo com as estações climáticas e as situações de seguridade. Em alguns eventos se reúnem grupos diferentes e antes praticam um ritual especial, "entiwat", em que os grupos dançam frente a frente, se batem e ofendem e logo se abraçam, lembram com pranto a seus antepassados e expressam-se afeto. Os grupos praticam a troca "ihinihat", especialmente porque não todos os recursos se encontram no mesmo território.

Língua[editar | editar código-fonte]

Los Núkâk falam uma língua tonal, que forma parte de la família macu e está estreitamente relacionada com a língua dos Kâkwa, Cacua o Bara-Makú, falada no Querarí e Papurí no Vaupés (Cathcart, M. 1979; Siverwood-Cope, P.L. 1990).

Tem seis vogais orais e seis nasais: [i], [ɨ], [u], [ɛ], [ʌ], [a]. Apresenta onze fonemas consoánticos [p]; [b] ([m] com vogal nasal, postnasalizada ao final da palabra); [t]; [d] ([n] com vogal nasal, postnasalizada ao final da palavra); [c] ([ʦ] o [ʧ] indiferentemente); [ɟ] ([ɲ] em ambiente nasal); [k], [ɡ] ([ŋ] em ambiente nasal); [ɹ] (varia livremente com [ɺ], [l], [r]); [h] (aspirada); [ʔ] (fechadura glotal).

Registra tons contrastantes alto y ascendente nos pies acentuados. O tom alto tem uma variante descendente quando a vogal em que recai o acento precede uma consoante oclusiva o a fricativa glotal [h]. Os pies não acentuados registram tom baixo. Cada tom modifica totalmente o significado da palavra.

O ordem corrente é sujeito - objeto - verbo, porem o sujeito pode não anteceder ao objeto, porque o verbo conjuga-se com prefixos pessoales com sufixos de tempo e modo. Os casos expressam-se com sufixos nos nomes (declinação). As preposições das línguas indo-europeias são posposições sufixadas.

Referências[editar | editar código-fonte]

  • ARDILA, Gerardo y Gustavo POLITIS 1992: "La situación actual de los Nukak", en Revista de la Universidad Nacional de Colombia 26: 2-6.
  • ASOCIACIÓN NUEVAS TRIBUS DE COLOMBIA 1982 a 1993: Informes trimestrales de actividades, presentados a la Dirección General de Asuntos Indígenas del Ministerio de Gobierno o del Interior, Bogotá, vários mecs.
  • CABRERA, Gabriel; Carlos FRANKY y Dany MAHECHA 1999: Los N+kak: nómadas de la Amazonia colombiana; Universidad Nacional de Colombia, Sf. Bogotá D.C.- ISBN 958-8051-35-5
  • CÁRDENAS, Dairon y Gustavo POLITIS 2000: Territorios, movilidad, etnobotánica y manejo del bosque en los Nukak orientales. Instituto Amazónico de Investigaciones Científicas SINCHI, Bogotá D.C.- ISBN 958-695-035-2
  • CATHCART, Marylin 1979: "Fonología del Cacua", Sistémas Fonológicos Colombianos vol. IV, p.p. 9-45; ILV; Editorial Townsend, Lomalinda (Meta).-
  • FRANKY, Carlos; Gabriel CABRERA; Dany MAHECHA 1995: Demografía y movilidad socio-espacial de los Nukak. Fundación Gaia, Bogotá D.C.
  • GROUX, Sabine 1993: "Rapports su la situation sanitaire et sociales des indiens Nukak de Colombie"; París. mec. 66 páginas.
  • GUALTERO, Israel 1989: "Estudio breve de la cultura material de los Nukak". Asociación Nuevas Tribus de Colombia, mec. 15 p.
  • GUTIÉRREZ, Ruth 1996: "Manejo de los recursos naturales (fauna y flora) por los Nukak"; trabajo de grado. Universidad Nacional de Colombia, mec.
  • MAHECHA R., Dany, Carlos FRANKY, Gabriel CABRERA y Carmen R. FAJARDO M. 1998 Los Nukak un mundo que se extingue. COAMA, Bogotá D.C.- ISBN 958-96633-1-1
  • MONDRAGÓN, Héctor 1994 "La defensa del territorio Nukak" en Antropología y derechos Humanos. Memorias del VI Congreso de Antropología en Colombia. Carlos Vladimir Zambrano editor. Universidad de los Andes, p.p. 139 a 155. Bogotá D.C.- ISBN 958-95646-1-5
  • POLITIS, Gustavo G. 1995 Mundo Nukak. Fondo de Promoción de Cultura, Banco Popular, Bogotá D.C.- ISBN 958-9003-81-83
1996 Nukak. Instituto Amazónico de Investigaciones SINCHI, Bogotá D.C.- ISBN 958-95379-8-7
  • SILVERWOOD-COPE, Peter L. 1990: Os makú, povo caçador do nordeste da Amazônia. Editora Universidade de Brasília.- ISBN 85-230-0275-8

Ligações externas[editar | editar código-fonte]