Numídia
Numídia (202 a.C. - 46 a.C.) foi um antigo reino berbere no Norte da África e que depois alternou entre ser uma província romana e um estado cliente do império. O reino não existe mais e estava localizado perto da fronteira oriental da moderna Argélia, junto da província da Mauretania (atual Argélia e Marrocos) para o oeste, a província da África (atual Tunísia) para o leste, o Mar Mediterrâneo para o norte e o deserto do Saara para o sul. Seus habitantes chamavam-se númidas.
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[editar] História
[editar] Numídia independente
O nome Numidia foi utilizado pela primeira vez por Políbio e outros historiadores durante o século III a.C. para indicar o território a oeste de Cartago, incluindo todo o norte da Argélia até o rio Mulucha (Muluya), aproximadamente 160 km a oeste de Oran. Os Númidas era constituídos em dois grandes grupos tribais: os Massylii na Numídia oriental e os Masaesyli, na ocidental.
Durante a primeira parte da Segunda Guerra Púnica, os Massylii orientais, sob o rei Gala, se aliaram com Cartago, enquanto que os Masaesyli ocidentais, sob o rei Sífax, se aliaram com Roma. Porém, em 206 a.C., o novo rei dos Massylii, Masinissa, se aliou com Roma e Sífax mudou de lado e passou a apoiar Cartago. Ao final da guerra, os vitoriosos romanos deram toda a Numídia para Masinissa dos Massylii. Quando ele morreu, em 148 a.C., o seu território se estendia a oeste da Mauretania até a fronteira com Cartago e para o sudeste até a Cirenaica, de modo a rodear completamente Cartago, exceto pelo mar 1 .
Após a morte de Masinissa, ele foi sucedido por seu filho Micipsa. Quando este morreu, em 118 aC, foi sucedido por seus dois filhos em conjunto (Hiempsal I e Aderbal) e pelo filho ilegítimo de Masinissa, Jugurta, de origem líbia e que era muito popular entre os númidas. Hiempsal e Jugurta discutiram imediatamente após a morte de Micipsa. Jugurta mandou matá-lo, o que provocou uma guerra civil com Aderbal.
Após Jugurta tê-lo derrotado em batalha, Aderbal fugiu para Roma em busca de ajuda. Os oficiais romanos, supostamente motivados por propinas ou - mais provável - pelo desejo de terminar rapidamente o conflito no rico reino cliente, terminaram a luta dividindo a Numídia em duas partes. Jugurta ficou a metade ocidental. A propaganda romana posterior alegou que esta metade era a mais rica, o que não era verdade, pois era menos populosa e menos desenvolvida.
[editar] Guerra contra Roma
Em 112 a.C., Jugurta reiniciou sua guerra com Aderbal. Ele incorreu na ira de Roma no processo ao matar alguns comerciantes romanos que estava ajudando Aderbal. Após uma breve guerra com Roma, Jugurta se rendeu e recebeu um tratado de paz altamente favorável, o que levantou suspeitas de propinas mais uma vez. O comandante local foi convocado até Roma para enfrentar acusações de corrupção feitas por seu rival político Gaius Memmius. Jugurta foi também forçado a ir até Roma para testemunhar contra o comandante romano e foi completamente desacreditado assim que seu passado violento e impiedoso foi amplamente conhecido, principalmente após ele ter sido considerado suspeito na morte de um rival númida.
A guerra foi deflagrada entre a Numídia e a República romana e diversas legiões fora enviadas para o norte da África sob o comando do cônsul Quintus Caecilius Metellus Numidicus. A guerra se prolongou em uma campanha longa e sem final à vista pois os romanos tentavam derrotar Jugurta de forma decisiva. Frustrados com a aparente falta de ação, o tenente de Metellus, Gaius Marius, retornou à Roma para tentar ser eleito cônsul. Marius foi eleito e e retornou à Numídia para tomar controle da guerra. Ele enviou seu questor Lucius Cornelius Sulla para a vizinha Mauretania para eliminar ali o suporte à Jugurta. Com a ajuda de Bocus I da Mauretania, Sulla capturou Jugurta e terminou definitivamente a guerra. Jugurta foi levado acorrentado à Roma e colocado no Tullianum.
Jugurta foi executado pelos romanos em 104 aC, após ter sido mostrado ao povo romano nas ruas no triunfo de Gaius Marius.
[editar] Província romana
Após a morte de Jugurta, a Numídia ocidental foi anexada às terras de Bocus I, rei da Mauretania, enquanto que o resto (excluindo Cirene e suas proximidades) continuou a ser governado por príncipes locais até a guerra civil entre Júlio César e Pompeu. Após Cato, o Jovem ter sido derrotado por César, ele cometeu suicídio (46 aC) em Útica e a Numídia se tornou brevemente a província de África Nova até que Augusto restaurou Juba II (filho de Juba I) após a batalha de Actium.
Logo em seguida, em 25 a.C., Juba foi transferido para o trono da Mauretania e a Numídia foi dividida novamente entre a Mauretania e a província de África Nova. Sob Sétimo Severo (193 d.C.), a Numídia foi separada da África Vetus e governada por um procurador imperial. Sob a nova organização do império por Diocleciano, a Numídia foi dividida em duas províncias: o norte se tornou Numídia Cirtensis, com a capital em Cirta, enquanto que o sul, que agora incluía as montanhas Aurès e estava sob ameaça de saqueadores, se tornou Numidia Militiana ("Numídia Militar"), com capital na base legionária de Lambaesis. Subsequentemente porém, o imperador Constantino I reuniu as novamente as duas províncias em uma única, sediada em Cirta, agora renoemada como "Constantina" (moderna Constantine, Argélia) em sua homenagem. Seu governador foi promovido para o cargo de consularis em 320 dC e a província permaneceu como uma das sete províncias da diocese da África até a invasão dos vândalos em 428 d.C., que iniciou a sua lenta derrocada, acompanha de desertificação. A província permaneceu sob o jugo dos vândalos, embora já nesta época estivesse limitada às faixas costeiras por causa de investidas dos bérberes. O domínio romano foi restabelecido após a Guerra Vândala, quando se tornou parte da nova prefeitura pretoriana da África.
[editar] Reis númidas
- Massinissa (238-148 a.C.)
- Micipsa, Gulussa e Mastarnabal - Triunvirato e Duovirato (148-145 a.c.)
- Micipsa (148-118 a.C.)
- Hiempsal I, Aderbal e Jugurta - Triunvirato e disputas (118 a.C.-117)
- Aderbal (117-112 a.C.)
- Jugurta (117-105 a.C.)
- Gauda (105-88 a.C.)
- Hiempsal II (88-60 a.C.)
- Juba I (60-46 a.C)
- Intervenção romana (46-25 a.C.)
- Juba II (25 a.C.-23 d.C.)
[editar] Grandes cidades
A Numídia se tornou fortemente romanizada e estava repleta de cidades. As principais eram:
- Ao norte, Cirta, atual Constantine, Argélia, a capital com o seu porto Rusicada (moderna Skikda)
- Hippo Regius (Hipona) (perto de Annaba), bem conhecida sé episcopal de Santo Agostinho.
- Para o sul, no interior, as estradas militares levavam até Teveste (Tebessa) e Lambaesis (Lambessa), com extensas ruínas romanas e conectadas por estradas até Cirta e Hipona, respectivamente.
Incluindo estas cidades, havia no todo vinte que sabemos terem recebido o status de colônia romana em um momento ou outro. No século V, o Notitia Dignitatum listou nada menos que 123 sés episcopais cujos bispos se reuniram em Cartago em 479 dC.
Referências
[editar] Ligações externas
- Este artigo incorpora texto da Encyclopædia Britannica (11ª edição), uma publicação agora em domínio público.
"Africa, Roman". Encyclopædia Britannica (11th). (1911).