O Amor É Nosso

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O Amor É Nosso!
logotipo da novela.
Informação geral
Formato Telenovela
Criador(es) Roberto Freire
Wilson Aguiar Filho
Walther Negrão
País de origem Brasil
Idioma original Português
Produção
Diretor(es) Gonzaga Blota
Jorge Fernando
Mário Márcio Bandarra
Carlos Zara
Elenco Fabio Jr.
Myriam Rios
Stênio Garcia
Tônia Carrero
Jorge Dória
Pepita Rodrigues
Osmar Prado
Stepan Nercessian
Yolanda Cardoso
Fernando Ramos da Silva
Isabela Garcia
Daniel Dantas
Kátia D'Angelo
Milton Moraes
Aracy Cardoso
Tema de abertura "Eu Me Rendo", Fabio Jr.
Transmissão original 27 de abril de 198123 de outubro de 1981
Cronologia
Último
Último
Plumas e Paetês
Jogo da Vida
Próximo
Próximo

O Amor É Nosso! foi uma telenovela brasileira, produzida e exibida no horário das 19 horas, pela Rede Globo, de 27 de abril a 23 de outubro de 1981, em 155 capítulos,[1] [2] substituindo Plumas e Paetês e sendo substituída por Jogo da Vida.[2]

Foi escrita por Roberto Freire e Wilson Aguiar Filho, que posteriormente foram substituídos por Walther Negrão, direção de Gonzaga Blota, Jorge Fernando e Mário Márcio Bandarra, com supervisão geral de Gonzaga Blota e, posteriormente, por Carlos Zara.[1]

Contou com Fábio Jr., Myrian Rios, Stênio Garcia, Tônia Carrero, Jorge Dória, Pepita Rodrigues, Osmar Prado, Stepan Nercessian, Yolanda Cardoso, Fernando Ramos da Silva, Isabela Garcia, Daniel Dantas, Kátia D'Angelo, Milton Moraes, Aracy Cardoso, Zaira Zambelli e Nelson Dantas nos papéis principais de uma trama que contava a trajetória de um jovem cantor em busca de sucesso e reconhecimento da crítica.

Trama[editar | editar código-fonte]

Pedro é um jovem cantor, que busca alcançar reconhecimento e sucesso. Quando ele descobre que seu irmão Claudio se envolveu com sua namorada Selma , ele sai da casa de seus pais e vai viver em uma comunidade de estudantes. Lá ele conhece os irmãos Bruno e Nina. Pedro e Bruno iniciam uma parceria profissional. Nina se apaixona por Pedro, mas seu amor fica dividido entre ele e Chico, o seminarista.

Pedro também conhece Gilda, uma mulher elegante que é dona de uma agência de promoção de eventos. Ela apresenta o cantor a várias pessoas importantes e isso o ajuda bastante em seu início de carreia. Gilda é ex-mulher de Roberto, mãe de Loreta e Silvinho e mãe adotiva de Pingo.

Produção[editar | editar código-fonte]

Roteiro[editar | editar código-fonte]

A produção de O Amor é Nosso! foi marcada por uma série de dificuldades. A princípio, seria escrita apenas pelo psiquiatra Roberto Freire, e teria como tema a juventude do início da década de 80 experimentando a psicanálise e às voltas com um padre revolucionário, para trazer à tona novos conceitos sobre a Igreja Católica.[3] A história era de Roberto Freire, mas ele fez questão de dividir sua autoria com Wilson Aguiar Filho, Roberto explicou na época do lançamento, "A novela começou sendo minha, com a colaboração do Wilson. Hoje, gostaria que fosse vista como um trabalho de co-autoria mesmo, porque estamos contribuindo igualmente para o desenvolvimento da história. Não seria justo colocar que ela é só minha. Não é. É meio a meio mesmo".[2] E Wilson completou contando como era feito esse trabalho em dupla, "Estruturamos os capítulos juntos, idealizando cena por cena, com tudo que irá acontecer. Depois, distribuímos as cenas, sem qualquer critério, e cada um escreve a parte que lhe coube. (...) Neste processo, a parte mais difícil é a estruturação, porque toma mais tempo. No momento, procuramos criar um estilo comum".[2] Os dois autores mostraram uma preocupação com o jovem, Roberto Freire comentou essa preocupação, "Vamos ver se desenvolvemos, basicamente, o comportamento do jovem de hoje. Que tipo de amor é esse que existe na juventude, que propostas ela traz? Evidente que tudo isso dentro dos limites do horário e da televisão. São situações muito críticas e muito novas, que precisam ser tratadas de maneira correta".[2] O tema foi considerado inadequado ao horário e a direção da TV Globo escalou o autor Wilson Aguiar Filho, para junto com Freire, reescrever a sinopse, a partir do capítulo 80.[2] O padre revolucionário continuou na história, mas com seu perfil bastante amenizado, e os jovens em vez de se envolverem com a psicanálise, apenas viviam quiproquós amorosos. Cogitou-se, na época, que seria usada a mesma técnica de Janete Clair em Anastácia, a Mulher Sem Destino, em 1967, onde um trágico acidente de ônibus levaria boa parte do elenco, que seria renovado a partir de uma nova história.[3] Mas o “ônibus da morte”, como ficou conhecido, não aconteceu, em entrevista à Folha de S.Paulo de 30 de julho de 1981, Walther Negrão contou “Como peguei a novela exatamente na metade, achei melhor encerrar algumas tramas propostas pelos outros autores para poder desenvolver a minha. Assim, todos os personagens ligados ao lado policial da novela vão desaparecer, porque pretendo destacar o lado romântico da história. Mas não haverá o ônibus da morte”.[3] Também Carlos Zara, que havia encerrado sua participação em Baila Comigo, foi chamado para auxiliar Gonzaga Blota na direção da novela, a partir do capítulo 114.[2] O Amor É Nosso! teve dificuldades até para conseguir um título, primeiro foi cogitado Transe Total, depois Brilho & Cor, até chegar-se ao título definitivo.

Censura[editar | editar código-fonte]

O Amor É Nosso! foi gravada durante o regime militar no Brasil, e a vigência da Censura no Brasil. Em depoimento, o diretor Jorge Fernando conta que os diretores se reuniam e montavam um capítulo para os censores. As cenas que não ficavam prontas eram gravadas de improviso, apenas para constarem no capítulo e terem o conteúdo aprovado pela Censura Federal.[4]

Participações especiais[editar | editar código-fonte]

A presença de Fernando Ramos da Silva, o menino revelado pelo filme Pixote, a Lei do Mais Fraco, de Hector Babenco, foi considerada pura exploração de seu sucesso no cinema.[2] A personagem Mayra, uma cantora decadente e com delírios de grandeza, interpretada pela cantora e atriz Marlene, motivou a revolta de seus fãs, que não aceitavam qualquer alusão entre a personagem e a estrela da Rádio Nacional.[3] Por sua vez, os fãs de Emilinha Borba, rival de Marlene, atacavam através da imprensa, dizendo que a personagem era um retrato fiel da atriz e que Marlene só poderia mesmo interpretar uma cantora fracassada. Tônia Carrero teve uma personagem que era praticamente a continuação de seu papel em Água Viva, exibida no ano anterior, em que a personagem Stella Fraga Simpson tinha a intenção de adotar Maria Helena (Isabela Garcia). Em O Amor É Nosso!, não só ela adota Isabela como também Pingo, o personagem de Fernando Ramos da Silva. Naturalmente, a imprensa apontou a falta de criatividade. Rosana Garcia e Júlio César, depois de 4 anos interpretando Narizinho e Pedrinho do Sítio do Picapau Amarelo, voltavam às novelas. O cantor Roberto Carlos fez uma participação especial, onde o personagem Pedro, de Fábio Jr., entra no teatro em que Roberto Carlos ia se apresentar. Pedro consegue cantar para Roberto Carlos, que ouve a composição, gosta da letra, mas critica a música. Na época, Roberto Carlos era casado com Myrian Rios, que vivia Nina, a mocinha da história.[3]

Elenco[editar | editar código-fonte]

Em ordem de abertura

Ator Personagem
Fábio Jr. Pedro
Myrian Rios Nina
Stênio Garcia Padre Leonardo
Stepan Nercessian Chico

Atrizes convidadas

Tônia Carrero Gilda
Marlene Mayra

Participações Especiais

Jorge Dória Sandoval
Milton Moraes Roberto
Osmar Prado Alfredo
Pepita Rodrigues Carmem
Yolanda Cardoso Lola
Kátia D'Angelo Sandra

Elenco (ordem alfabética)

Antônio Patiño Rogério Gusmão
Aracy Cardoso Anita
Ariel Coelho Floriano
Buza Ferraz Bruno
Carlos Alberto Bahia Frank
Cláudio Savietto Dick Patterson
Cleyde Blota Isabel
Cristina Aché Tereza
Daniel Dantas Ivo
Élida L'Astorina Sharlene
Gilda Guilhon Tininha
Haroldo Botta Beto
Isabela Garcia Maria
Ivan de Albuquerque Camargo
Ivan Mesquita Macedo
Júlio César Rodrigues Vieira Silvinho
Lisa Vieira Suzana (Suzi)
Mayara Norbin Márcia
Nelson Dantas Celso
Ney Santanna Cláudio
Rosana Garcia Loreta
Simone Carvalho Cíntia
Zaira Zambelli Selma

Apresentando

Fernando Ramos da Silva como Pingo

Elenco de apoio[editar | editar código-fonte]

Contras da trama[editar | editar código-fonte]

O Amor É Nosso! é considerado o maior fiasco da história das novelas da Globo e foi propositalmente apagada dos arquivos da emissora,[3] conforme declarações de funcionários do arquivo da Rede Globo à imprensa, a telenovela foi totalmente descartada dos arquivos da emissora.[5] O público não entendeu a história, que misturava elementos policiais com romances e confusões típicas dos jovens. A trama tinha ainda excesso de personagens,[3] um emaranhado de personagens que confundiu o telespectador afastando-o da novela.[2] Como a Globo na época tinha pouca concorrência e não existiam opções como TV por assinatura e internet, a emissora nem sofreu abalo nos índices, mas, para o famoso padrão Globo de qualidade, mais forte do que nunca naquela época, um fiasco como O Amor É Nosso! era difícil de ser tolerado.[3] A novela não foi exibida em qualquer outro país - nem ao menos em Portugal, que assiste às tramas brasileiras desde 1977 -, nem tampouco seus trechos foram exibidos no Vídeo Show e sua abertura não consta do site da emissora. Só restariam no arquivo da TV Globo as chamadas de estreia e a abertura exibida no Fantástico na véspera da estreia.[3]

O crítico Artur da Távola definiu, no jornal O Globo de 25 de outubro de 1981, um dia após a exibição do último capítulo da trama “Muito difícil fazer um balanço crítico de O Amor É Nosso. Diante de tantas alterações, impossível analisar a obra. Não há obra. A novela acabou descosida, diferente, desossada, embora de certa forma divertida. Mas morrerá sem deixar saudades”, e completou, “A novela ficará como essas pessoas que morrem jovens: partem cheias de promessas e esperanças do que poderiam ter sido, se tivessem vindo a ser”.[3]


Trilha sonora[editar | editar código-fonte]

Nacional[editar | editar código-fonte]

O Amor É Nosso! Nacional
Trilha sonora de Vários intérpretes
Lançamento 1981
Gênero(s) Vários
Formato(s) Vinil
Gravadora(s) Som Livre
Cronologia de Vários intérpretes
Último
Último
-
O Amor É Nosso! Internacional
Próximo
Próximo

capa: Fábio Jr.

  1. "Bem Simples" – Roupa Nova
  2. "O Maior Mistério" – Renato Teixeira
  3. "Jogada Pelo Mundo" – Gal Costa
  4. "Sentinela" – Milton Nascimento
  5. "Rochedo" – Beth Carvalho
  6. "Bons Amigos" – Kátia
  7. "Eu Me Rendo" – Fábio Jr.
  8. "Bem-te-vi" – Renato Terra
  9. "Abre Coração" – Marcelo
  10. "Para Ser o Sol" - A Cor do Som
  11. "Eu Voltei" – Cláudia Telles
  12. "Tesouro da Juventude" – Lulu Santos
  13. "Golpe de Amor" – Fernanda
  14. "Como Posso Esquecer" – Aquarius

Internacional[editar | editar código-fonte]

O Amor É Nosso! Internacional
Trilha sonora de Vários intérpretes
Lançamento 1981
Gênero(s) Vários
Formato(s) Vinil
Gravadora(s) Som Livre
Cronologia de Vários intérpretes
Último
Último
O Amor É Nosso! Nacional
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Próximo
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capa: Logotipo da novela

  1. "Sunshine On My Shoulders" – John Denver
  2. "No Tears Tomorrow" – Lonnie Smith
  3. "How Do You Say Goodbye" – Ted Baryson
  4. "The Best Of Times" – Styx
  5. "Is Something Wrong With You?" – Bobby Thurston
  6. "Good Thing Going" – Sugar Minott
  7. "Unchain My Heart" – Don Potter
  8. "Ancora" – Eduardo De Crescenzo
  9. "Nowhere To Hide" – Voyage
  10. "Seguiré Mi Camiño" – Julio Iglesias
  11. "Welcome Home" – Corelia
  12. "You're Breaking My Heart" – Niteflyte
  13. "I Spy" – Savannah
  14. "Peace And Love" – Steve MacLean

Referências

  1. a b O Amor É Nosso - Curiosidades. Memória Globo. Globo.com. Página visitada em 15 de julho de 2014.
  2. a b c d e f g h i Nilson Xavier. O Amor É Nosso - Bastidores. Teledramaturgia. Página visitada em 15 de julho de 2014.
  3. a b c d e f g h i j Thell de Castro (29 de junho de 2014). Globo apaga novela de Fábio Jr. considerada maior fiasco da história. Notícias da TV. Página visitada em 15 de julho de 2014.
  4. O Amor É Nosso - Censura. Memória Globo. Globo.com. Página visitada em 15 de julho de 2014.
  5. Intercom

Ligações externas[editar | editar código-fonte]