O Ato da Primavera

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O Acto da Primavera
 Portugal
1962 • cor • 90 min 
Realização Manoel de Oliveira
Correalização António Reis
António Soares
Domingos Carneiro
Produção Manoel de Oliveira
Argumento Manoel de Oliveira
Elenco Nicolau Nunes Da Silva
Ermelinda Pires
Maria Madalena
Amélia Chaves
Luís de Sousa
Francisco Luís
Género documentário, docuficção etnográfica
Idioma português
Direção de fotografia Manoel de Oliveira
Figurino Jaime Valverde
Edição Manoel de Oliveira
Distribuição Filmes Lusomundo
Lançamento 2 de Outubro de 1963
Cronologia
Último
Último
Aniki Bóbó
O Passado e o Presente
Próximo
Próximo
Página no IMDb (em inglês)

O Acto da Primavera (1962) é um documentário português de longa-metragem de Manoel de Oliveira, co-realizado por António Reis, António Soares e Domingos Carneiro, no qual é encenado uma celebração popular da Paixão de Cristo, festa tradicional da aldeia transmontana da Curalha. A obra é marcada pelo gesto teatral e pela palavra, modos pelos quais os actores se exprimem e que são próprios do género. É, depois de alguns filmes de Leitão de Barros, uma das primeiras docuficções portuguesas.

É ainda uma das obras contemporâneas do cinema etnográfico praticado por Jean Rouch e, nesse contexto, obra marcante no domínio da antropologia visual: prática que tinha e viria a ter importantes contribuições em Portugal. A docuficção, etnográfica ou social, seria explorada por António Campos, António Reis, Ricardo Costa e, mais tarde, por Pedro Costa, com diferentes abordagens. Ricardo Costa havia também de filmar o seu Auto da Paixão em lugar oposto, na vila do Redondo, no Alentejo (O Pão e o Vinho - 1981).

O Acto da Primavera estreou no cinema Império, em Lisboa, a 2 de Outubro de 1963.

Ficha sumária[editar | editar código-fonte]

Sinopse[editar | editar código-fonte]

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«Representação popular do Auto da Paixão, segundo o texto medieval de Francisco Vaz de Guimarães, apresentando a atmosfera duma comunidade que, para além das fainas e dos ritmos quotidianos, se transfigura em seus rituais ingénuos mas sinceros. Ao espectáculo, celebrado pela Páscoa e de iniciativa própria, assistem as gentes das aldeias vizinhas, sendo antecedido por uma apresentação, em que se enumeram as suas diversas fases». Cit.: José de Matos-Cruz, O Cais do Olhar, ed. da Cinemateca Portuguesa, 1999.

Enquadramento histórico[editar | editar código-fonte]

No prosseguimento da sua experiência com Douro, Faina Fluvial, Oliveira, sempre fascinado por paisagens de infância, pelo sentido musical da imagem animada, resolve meter nela a palavra: Aniki-Bobó. Por imperativos técnicos, imobiliza-se a câmara. Conta-se uma história e as personagens falam. São crianças. O diálogo é escrito. E o escrito é dito e a paisagem de fundo torna-se palco para uma ditada encenação. Os imperativos da palavra emperram o modo de filmar, o olhar fixa-se em quadros estáticos e o resultado fica entre o teatro e o cinema.

Volvidos dezanove anos, filmando teatro de um modo teatral, como antes, com equipamentos ainda pesados mas agora sem texto escrito, Manoel de Oliveira fará do Auto da Paixão um marco na sua carreira. A questão do imperativo teatral no seu cinema, aqui misturado com crença religiosa, tem origem neste filme e isso fundamentará opiniões e vontades que na sua carreira apostam e que no futuro se hão-de afirmar: O Passado e o Presente (1971).

A teatralidade, entretanto condizente n' O Acto da Primavra, tinha sido defeito em Aniki-Bobó. Voltou a ser defeito n’O Passado e o Presente, mas mal isso foi dito ergueram-se as vozes e as vontades. Houve barafunda. A questão acabou por ficar mal esclarecida. Mas pouco tempo depois ficou toda a gente a saber, feitas as contas, quem tinha razão. A prova estava bem à vista no teatral arrojo de tudo o que se vê no Amor de Perdição. Como não podia deixar de ser, a peça seria verbosa e longa, bem à medida do romantismo camiliano e do típico sentimento português.

Outras provas marcantes haviam de surgir. À parte algumas notáveis excepções, o estilo vingou. E Oliveira, desinteressando-se de vez pela raia miúda, firmou-se no insólito, no imaginário da burguesia, em temas grandiloquentes, em retratos expressionistas, surreais, de ilustres figuras do seu passado e do seu presente. Vogaria ágil a sua caravela, velas enfunadas pela ventania que, num ápice, o faz chegar às Américas.

Elenco[editar | editar código-fonte]

Ficha técnica adicional[editar | editar código-fonte]

  • Apetrechos: Amândio Medeiros
  • Caracterização: Max Factor – Adélia Chaves
  • Director de som: Manoel de Oliveira
  • Operador de som (referência): Maria Isabel de Oliveira e Rosalio Almada.
  • Assistente de som: João Barbosa
  • Montagem da versão francesa: António Lopes Ribeiro
  • Laboratório de Imagem: Tóbis Portuguesa e Ulyssea Filme
  • Laboratório de som: Studios Marignan (Paris)

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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