O Baluarte de Santa Maria

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O Baluarte de Santa Maria é um periódico mensário açoriano, publicado na ilha de Santa Maria.

História[editar | editar código-fonte]

Antecedentes: a Imprensa em Santa Maria[editar | editar código-fonte]

Fac-simile de "O Echo Mariense" e de "O Mariense", primeiros periódicos da ilha de Santa Maria (Álbum Açoriano. 1903).

O primeiro periódico na ilha de Santa Maria foi o O Mariense, um quinzenário literário e noticioso que veio a público em 9 de abril de 1885, uma quinta-feira. Era seu proprietário e editor Jacinto Monteiro de Bettencourt, e seu principal redator Urbano de Medeiros. Apresentava formato pequeno, com quatro páginas a 3 colunas, e era impresso na Typographia Oriental, na rua da Conceição, em Vila do Porto.[1] Teve efêmera duração, tendo a publicação sido suspensa em seu número 7, em consequência de sentença judicial por abuso da liberdade de imprensa, e pela recusa de seu editor em publicar a sentença. CANTO (1890) informa que do número 8 chegaram a imprimir-se as primeira e quarta páginas, "de que se tiraram mui poucos exemplares, por ser proibida a publicação pela autoridade".[2]

Este pioneiro foi sucedido, a 3 de outubro do mesmo ano (um sábado), pelo O Correio Mariense, semanário literário e noticioso, tendo como redator e editor João Clímaco dos Reis. Apresentava formato pequeno a 3 colunas, sendo impresso na Typographia Mariense, em Vila do Porto.[3]

Posteriormente, foram publicados:

Outras publicações periódicas na ilha foram:

O Baluarte[editar | editar código-fonte]

O Baluarte foi um quinzenário fundado, editado e dirigido pelo professor micaelense José de Medeiros Moniz[6] quando no exercício do Magistério na ilha de Santa Maria,[7] no ano letivo de 1927-1928. O seu primeiro número veio a público em janeiro de 1928. Propunha-se, conforme nota introdutória, intitulada "O vosso jornal", assinada por seu primeiro diretor:

"(…) íngreme e escabroso o caminho a trilhar, todavia este jornal não recuará um só momento na luta que tem que travar em defesa dos interesses marienses."

e complementava:

"(…) não será 'O Baluarte' um panfleto onde se tenham de mover campanhas pessoais, sustentar discussões fúteis ou registar genealogias burlescas, mas sim um humilde intérprete do povo, um acérrimo defensor da verdade e da justiça, e ainda um intransigente pretor de todos os abusos."

Após alguns meses foi obrigado a suspender a sua publicação, fazendo com que surgisse, a 30 de abril do mesmo ano, o A Lucta, quinzenário, cujo proprietário diretor e editor foi Libuíno de Sousa Cabral e que, a seu turno, também teve efêmera duração.

O desaparecimento de "A Lucta" deu lugar à continuação de "O Baluarte" que, com excelentes colaboradores à época, deixou então a sua marca na imprensa açoriana.

A 10 de outubro de 1929 o professor Moniz foi transferido para Ponta Delgada, sendo substituído na direção de O Baluarte por António Morais Cordeiro[8] e, mais tarde ainda, por José do Carmo Pacheco.[9]

No contexto da instauração do Estado Novo em Portugal, o periódico teve de encerrar em 1932 por razões de ordem política.[10]

O Baluarte de Santa Maria[editar | editar código-fonte]

No início de 1977, Arsénio Chaves Puim lançou a ideia da criação de um periódico em Santa Maria, que se materializou nesse mesmo ano, a 1 de maio, quando veio a público o primeiro número da IIª Série de O Baluarte.

Embora a equipa do novo periódico tivesse sido constituída inicialmente por quatro pessoas, a sociedade jornalística acabou ficando constituída por apenas três sócios, Arsénio Chaves Puim, José Dinis Resendes e João de Sousa Braga.

O projeto resgatava, desse modo, entre os antigos jornais da ilha, a memória do que melhor representava os ideais de democracia e liberdade pretendidos pelos seus fundadores, como expresso no editorial que refletia os Estatutos do periódico:[11]

"Hoje, como ontem, 'O Baluarte' estará ao serviço dos interesses e da promoção da ilha de Santa Maria, dentro de uma perspectiva de progresso e equilíbrio do conjunto regional e nacional."
"Independente de ideologias e objetivos de quaisquer grupos ou facções, de dentro ou de fora da ilha, 'O Baluarte' permanecerá um jornal livre, apenas comprometido com a primazia da verdade, o respeito por todos os homens e a defesa do bem comum."

Quando oficializado o registo do periódico, a partir do nº 43 da IIª série (1 de novembro de 1980) o seu nome passou para O Baluarte de Santa Maria, uma vez que já havia outro, no país, com o nome de "O Baluarte".

Características[editar | editar código-fonte]

  • Periodicidade: mensal
  • Dia de publicação: 1ª semana do mês
  • Tiragem média: 1.500 exemplares
  • Vendas médias por número: 1.450
  • Número de assinantes: 1.440
  • Zona de vendas: Ilha de Santa Maria, Ilhas, Continente, Estados Unidos, Canadá
  • Preço de venda ao público:
  • Nº médio de páginas por edição: 12
  • Dimensão da mancha: 39 x 27 cm
  • Papel: de jornal
  • Gramagem do papel: 50 gr
  • Medida do papel: 61 x 86 cm
  • Utiliza papel: em folha
  • Fornecedor do papel: Imprimaçor - Ponta Delgada
  • Impressão: Imprimaçor - Ponta Delgada

Referências

  1. CANTO, 1890:234; CABRAL, 1903:294.
  2. Op. cit., p. 234.
  3. CANTO, 1890:234.
  4. CABRAL, 1903:294.
  5. CORDEIRO, G. "No desaparecimento de 'O Baluarte'", "O Baluarte", ano IV, nº 1, 1 mai 1977, p. 1.
  6. "Recordando..." in O Baluarte de Santa Maria, jul, 1994, p. 15.
  7. CORDEIRO, G. "No desaparecimento de 'O Baluarte'", "O Baluarte", ano IV, nº 1, 1 mai 1977, p. 1.
  8. António Morais Cordeiro (4 de fevereiro de 1869 - Vila do Porto, 8 de junho de 1948) foi chefe da Secretaria da Câmara Municipal de Vila do Porto e Solicitador Judicial durante vários anos. Exerceu ainda os cargos de delegado do Procurador da República em Vila do Porto, de Administrador do Concelho (hoje Presidente da Câmara Municipal), e de Presidente do Município. in O Baluarte de Santa Maria, jul, 1994, p. 15.
  9. José do Carmo Pacheco (Vila do Porto, 16 de julho de 1903 - Venezuela, 13 de maio de 1959) exerceu o cargo de ajudante de Notário até 1933, ano em que, por motivo de casamento, fixou residência na ilha de São Miguel. Aí continuou a exercer as mesmas funções, na Secretaria Notarial de Ponta Delgada. Foi ainda Chefe do Contencioso das organizações do empresário micaelense Augusto de Atayde. Em 1948 emigrou para a Venezuela, onde veio a falecer. in O Baluarte de Santa Maria, jul, 1994, p. 15.
  10. Editorial. O Baluarte de Santa Maria, ano XXXVIII, 2ª série, nº 407, 19 mai 2011. O próprio Moniz, entretanto, dá essa data de desaparecimento como novembro de 1930. (MONIZ, José de Medeiros. "Reaparecimento de 'O Baluarte'". "O Baluarte", ano IV, nº 2, IIª série, 1 jun 1977, p. 1.
  11. Primeiro número do jornal "O Baluarte" da 2ª série in Baluarte Online. Consultado em 8 set 2011.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • CABRAL, Júlio. "A Imprensa em Santa Maria", in Álbum Açoriano, fascículo nº 37, 1903. pp. 293-295.
  • CANTO, Ernesto do. Biblioteca Açoriana: notícia bibliográfica das obras impressas e manuscriptas nacionais e estrangeiras, concernentes às ilhas dos Açores. Ponta Delgada (Açores): Typ. do Archivo dos Açores, 1890, 556p.
  • CHAVES, Correia. A Imprensa Não-Diária em Portugal - Anuário 92/93. [s.l.]: Associação da Imprensa Não-Diária, [s.d.]. 202p. il.
  • PINHEIRO, José Joaquim. "Imprensa Periódica nos Açores". in Arquivo dos Açores, vol. VIII, Ponta Delgada (Açores), Universidade dos Açores, 1982, Edição fac-similada pela edição de 1886. pp. 485-556.
  • SOUSA, José de. "História da Imprensa em Santa Maria". Boletim Renovar, Vila do Porto, Fev. 1980.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]