O Cantor de Jazz

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The Jazz Singer
O Cantor de Jazz (PT/BR)
The Jazz Singer.gif
 Estados Unidos
1927 • p&b • 88 min 
Direção Alan Crosland
Roteiro Alfred A. Cohn
Elenco Al Jolson
May McAvoy
Warner Oland
Eugenie Besserer
Género drama musical
Idioma inglês
Página no IMDb (em inglês)

O Cantor de Jazz (The Jazz Singer, no original) é considerado como o primeiro filme de grande duração com falas e canto sincronizado com um disco de acetato. É um filme musical norte-americano estreado em 6 de outubro de 1927. A partir daí, os filmes mudos passaram a ser totalmente substituídos pelos filmes falados ou talkies, que tornaram-se a grande novidade. Al Jolson foi o ator principal do filme e o primeiro a falar e cantar num filme, com sua voz gravada em banda sonora sincronizada.

Na verdade sempre existiu a fala e o canto no cinema, pois em muitas das primeiras projeções os atores e atrizes cantavam escondidos atrás da tela, como uma dublagem, assim como muitos pianistas ficavam a frente da tela, improvisando, enquanto a projeção dos primeiros curtas seguia. Por isto, O Cantor de Jazz é considerado o primeiro filme onde o som estava gravado, mas separadamente, tocando em um disco de acetato.

The Jazz Singer foi produzido pela Warner Bros. com o sistema sonoro Vitaphone. Al Jolson, famoso cantor de jazz da época, canta várias canções no filme, dirigido por Alan Crosland. A história é baseada numa peça de mesmo nome, um grande sucesso da Broadway em 1925, remontada em 1927, com George Jessel no papel principal.

Foi um dos primeiros filmes a ganhar o Oscar, dividindo a premiação especial com O Circo, de Charlie Chaplin[carece de fontes?].

Sinopse[editar | editar código-fonte]

A história de O Cantor de Jazz começa com o jovem Jakie Rabinowitz desafiando as tradições de sua família judia tradicional, cantando numa casa de diversões norte-americana canções populares da época. Punido por seu pai, um Chazan ou cantor litúrgico da sinagoga, que queria ver seu filho seguir seus passos, Jakie foge de casa. Anos depois se torna um cantor de jazz de sucesso, mas sempre em conflito com as relações com sua família e herança cultural.

Elenco[editar | editar código-fonte]

  • Al Jolson .... Jakie Rabinowitz (Jack Robin)
  • May McAvoy .... Mary Dale
  • Warner Oland .... Cantor Rabinowitz
  • Eugenie Besserer .... Sara Rabinowitz
  • Otto Lederer .... Moisha Yudelson
  • Bobby Gordon .... Jakie Rabinowitz (aos 13 anos)
  • Richard Tucker .... Harry Lee
  • Walter Rodgers .... Homem do Make-Up (não-creditado)[1]
  • Myrna Loy ... Garota do coro (não-creditada)

A produção e seus antecedentes[editar | editar código-fonte]

Antes de entregar o papel principal a Al Jolson, a Warner tentou contratar o ator que fazia o papel na Broadway, entretanto Jessel pediu um salário muito alto. A Warner foi então atrás de Eddie Cantor, que também recusou o papel.

Segundo o historiador de cinema Donald Crafton, Al Jolson "cantou canções jazzísticas (minstrel) num rosto pintado de preto, alcançando o ápice de sua popularidade. Antecipando o sucesso de inúmeros cantores, crooners e cantores de rock, Jolson eletrificou platéias, com a vitalidade e a sensualidade de suas canções e gestualidade, que deveu muito a influência africana nos Estados Unidos."[2] .

O minstrel ou minstrel show, no qual se fundamenta a interpretação musical de Jolson neste filme, é um tipo de teatro norte-americano de variedades que surgiu em 1830, onde alternadamente são apresentados dança, música, esquetes cômicos, atos variados, por atores brancos, de descendência européia, com a cara pintada de negro, tentando personificar de forma caricatural os negros norte-americanos. Depois da guerra civil, os atores eram frequentemente negros pintados de negro. No minstrel os negros são retratados como ignorantes, preguiçosos, supersticiosos e musicais. Sobreviveu como divertimento interpretado por atores profissionais até 1910, continuando de forma amadora até 1950. Em 1960 com as primeiras vitórias nas lutas pelos direitos civis e contra o racismo nos Estados Unidos, esta forma perdeu totalmente a sua popularidade.

Em The Jazz Singer Al Jolson canta duas canções populares como o jovem Jakie Rabinowitz, o futuro cantor de jazz e seu pai interpreta o Kol Nidre como cantor litúrgico ou Chazan (do hebraico חזן cantor). Neste filme outro famoso Chazan da época Jossele Rosenblatt, interpretando a si mesmo, canta outra canção litúrgica. Como o adulto Jack Robin, Jolson canta outras seis canções, cinco canções "jazzísticas" e o Kol Nidre.

Este filme, que custou 422 000 dólares[3] , uma grande quantia para os padrões da Warner, foi um enorme sucesso de público.

Recepção e impacto[editar | editar código-fonte]

Como a maioria das salas ainda não estavam preparadas para a projeção de filmes sonoros, o filme foi inicialmente exibido fora das grandes cidades em uma versão silenciosa. Apenas no ano seguinte este filme foi exibido nacionalmente em sua versão falada e cantada.

Em 1998, o filme foi escolhido pelo American Film Institute como um dos melhores filmes norte-americanos de todos os tempos[4] .

Debate da crítica sobre a interpretação no filme[editar | editar código-fonte]

Segundo o pesquisador Corin Willis, o uso da face negra pintada pela personagem Jack Robin em O Cantor de Jazz:

é uma exploração artística e expressiva da noção de duplicidade e hibridismo étnico dentro do que pode ser chamado identidade norte-americana. Dos mais de setenta exemplos de rosto pintado nos primeiros filmes sonoros de 1927 a 1953 que eu vi, mesmo as novas aparições de Jolson em outros filmes, The Jazz Singer é único e o único onde a face pintada de negro é central ao desenvolvimento narrativo e temático.[5]

Prêmios[editar | editar código-fonte]

  • Vencedor do Oscar Especial pela excelente produção, pioneira dos filmes falados, e que revolucionou a indústria cinematográfica (Warner Bros.).
  • Indicado pela adaptação da peça teatral para o cinema (Alfred A. Cohn) e pela sonoplastia (engineering effects, Nugent Slaughter).

Referências[editar | editar código-fonte]

  1. Walter Rodgers no IMDB
  2. Crafton (1999), pp. 108–9.
  3. Crafton (1999), p. 111.
  4. AFI's 100 Years...100 Movies American Film Institute (1998). Página visitada em 2007-08-03.
  5. Willis (2005), p. 127.

Outras fontes[editar | editar código-fonte]