O Livro Negro do Capitalismo

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O Livro Negro do Capitalismo
Autor (es) Gilles Perrault
Idioma traduzido para o português
País  França
Assunto mortes causadas pelo capitalismo
Linha de tempo da história 1900 a 1997
Editora Editora Record[1]
Lançamento 1998
Páginas 546
ISBN 8501056561

O Livro Negro do Capitalismo (título original: Le Livre noir du capitalisme) é uma obra coletiva de professores e pesquisadores universitários publicada em 1998 em reação ao O Livro Negro do Comunismo (1997).[2]

O Livro Negro do Capitalismo não pretende apenas mostrar, como também quantificar as vítimas do sistema econômico em questão. O livro é composto por uma série de tópicos independentes, encomendados a distintos escritores, aos quais foram concedidas cartas brancas para escreverem sobre qualquer aspecto do capitalismo.[3] Os tópicos abordados vão desde o tráfico de escravos africanos até a era financeira da globalização.

Descrição[editar | editar código-fonte]

O Livro Negro do Capitalismo é uma obra sobre aspectos essenciais de um modelo econômico, de uma ideologia e de uma política que, de acordo com os autores têm produzido ao longo da história (e em todo o mundo) injustiça, discriminação, desigualdade e exclusão social. Os autores desafiam a noção de que o capitalismo é um estado natural da humanidade, bem como a ideia de que suas catástrofes são igualmente catástrofes naturais, sem rosto e sem responsável, argumentando a intrínseca responsabilidade de instituições como o Dow Jones e o FMI.

Organizado por Gilles Perrault, a obra reúne artigos de historiadores, economistas, sociólogos, sindicalistas e escritores como Jean Suret-Canale, Phillippe Paraire, Claude Willard, Pierre Durand, François Delpla, Robert Pac e Jean Ziegler. Cada um escolheu sobre qual variável do capitalismo escrever: escravidão, repressão, tortura, violência, roubo de terras e recursos naturais, criação e divisão artificial de países, imposição de ditaduras, embargos econômicos, destruição dos modos de vida dos povos e das culturais tradicionais, devastação ambiental, desastres ecológicos, fome e miséria.

Para Gilles Perrault, o adversário real do capitalismo trata-se da multidão civil envolvida pelo processo capitalista. Ele sustenta que este sistema econômico é assombrado pelas multidões deportadas da África para as Américas para servir como mão-de-obra escrava, pelos homens sacrificados nas trincheiras das grandes guerras, por aqueles torturados até a morte nas celas dos "cães de guarda do capitalismo", pelos fuzilados na Espanha e também na Argélia, pelos centenas de milhares massacrados na Indonésia, e por aqueles que foram quase erradicados, como os índios das Américas, e aqueles que foram sistematicamente assassinados na China para garantir a livre circulação do ópio.

De acordo com o Livro Negro do Capitalismo a revolta daqueles que tiveram sua dignidade negada representa o maior perigo para a manutenção do status quo capitalista. A publicação refere que a insatisfação social resultante da marginalização à qual o Terceiro Mundo é submetido combina-se com a insatisfação daqueles condenados a pagar os juros de uma dívida que serve apenas para enriquecer seus governantes, gerando o derradeiro oponente deste sistema econômico.

Apêndice[editar | editar código-fonte]

O apêndice do livro fornece uma lista incompleta de vítimas atribuídas ao sistema capitalista do século XX pelo editor. A lista - que inclui as guerras motivadas por interesses capitalistas - conta com um número estimado de 58 milhões de mortos na Primeira e na Segunda Guerras Mundiais, além de mortes nas várias guerras coloniais, repressões anticomunistas, conflitos étnicos, algumas vítimas de fome e desnutrição, levando ao montante de 106 milhões de mortes atribuídas ao capitalismo naquele século.[4]

Estrutura do livro[editar | editar código-fonte]

  • Prólogo - Gilles Perrault
  • Introdução - Maurice Cury
  • As origens do capitalismo (séculos XV a XIX) - Jean Suret-Canale
  • Economia servil e capitalismo: um balanço qualificável - Philippe Paraire
  • 1871: traição de classe e semana sangrenta - Claude Willard
  • A Grande Guerra: 11.500 mortos e 13.000 feridos por dia ao longo de três anos e meio - Jean-Pierre Fléchard
  • Contra-revolução e intervenções estrangeiras na Rússia (1917-1921) - Pierre Durand
  • A Segunda Guerra Mundial - François Delpla
  • Sobre a origem das guerras e uma forma radical do capitalismo - Pierre Durand
  • Imperialismos, sionismo e Palestina - Maurice Buttin
  • Guerra e repressão: a hecatombe vietnamita - François Derivery
  • Massacres e repressão no Irã - François Derivery
  • Genocídio anticomunista na Indonésia - Jacques Jurquet
  • Anexação fascista de Timor-Leste - Jacques Jurquet
  • O Iraque, vítima do petróleo - Subhi Toma
  • A África negra sob a colonização francesa - Jean Suret-Canale
  • Argélia 1830-1998: dos primórdios do capitalismo colonial à empresa monopolista de recolonização "globalizada" - André Prenant
  • A África das independências e o "comunismo" (1960-1998) - Francis Arzalier
  • As intervenções norte-americanas na América Latina - Paco Peña, (jornalista e professor chileno)
  • Estados Unidos: o sonho inacabado - A longa marcha dos afro-americanos - Robert Pac
  • Centenário de um genocídio em Cuba - A "Reconstrução" de Weyler - Jean Laïlle
  • O genocídio dos índios - Robert Pac
  • O capitalismo assalta a Ásia - Yves Grenet
  • As migrações nos séculos XIX e XX: contribuição para a história do capitalismo - Caroline Andreani
  • Capitalismo, corrida armamentista e comércio de armas - Yves Grenet
  • Os mortos-vivos da globalização - Philippe Paraire
  • A globalização do capital e as causas das ameaças da barbárie - François Chesnais
  • Os banqueiros suíços matam sem metralhadoras - Jean Ziegler
  • Um anúncio vale mil bombas... Os campos publicitários na guerra moderna - Yves Frémion
  • E mesmo assim a abolição do capitalismo não seria suficiente... - Monique e Roland Weyl
  • Capitalismo e barbárie: quadro negro dos massacres e das guerras no século XX (1900-1997)

Autores[editar | editar código-fonte]

Editado por Gilles Perrault, o livro é composto pelo trabalho de diversos colaboradores como: Caroline Andréani, François Arzalier, Roger Bordier, Maurice Buttin, François Chesnais, Maurice Cury, François Delpla, François Derivery, André Devriendt, Pierre Durand, Jean-Pierre Fléchard, Yves Frémion, Yves Grenet, Jacques Jurquet, Jean Laïlle, Maurice Moissonnier, Robert Pac, Philippe Paraire, Paco Peña, André Prenant, Maurice Rajsfus, Jean Suret-Canale, Subhi Toma, Monique e Roland Weyl, Claude Willard e Jean Ziegler.[3] [5] [6] [7] [8] O livro foi traduzido para diversas línguas, incluindo o italiano[9] e o tcheco.[10]

Referências

  1. O Livro Negro do Capitalismo. Visitado em 5 de março de 2011.
  2. PERRAULT, Gilles (1995). O livro negro do capistalismo Amostra do Google Books. Visitado em 19 de março de 2015.
  3. a b (setembro de 1999) "Éléments de critique sociale" (em francês). Alternative Libertaire 220. Visitado em 23 de junho de 2011. Cópia.
  4. Black Book of Capitalism [ligação inativa] Pour la Republique Sociale.
  5. [:: La Maison d'édition::] (em francês). Visitado em 17 de abril de 2008.
  6. Marie Germanos. (maio de 2002). "Le livre noir du capitalisme" (em francês). Socialisme International 3. Visitado em 17 de abril de 2008.
  7. (17 de novembro de 1997) "Le Livre noir du capitalisme" (em francês). Marianne (magazine). Visitado em 18 de abril de 2008.
  8. Pierre Gilly. (abril de 1998). "Svenska Clartéförbundet - Recensioner 1998-4" (em sueco). Tidskriften Clarté. Visitado em 18 de abril de 2008.
  9. Il libro nero del capitalismo (em italiano). Visitado em 18 de abril de 2008.
  10. Černá kniha kapitalismu (em tcheco).

Ver também[editar | editar código-fonte]

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