O Outro

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O Outro
Informação geral
Formato Telenovela
Duração 60 min. aproximadamente
Criador(es) Aguinaldo Silva
País de origem Brasil
Idioma original Português
Produção
Diretor(es) Fred Confalonieri
Ingnácio Coqueiro
José de Abreu
Marcos Paulo
Gonzaga Blota
Ricardo Waddington
Del Rangel
Produtor(es) Paulo Afonso Grisolli
Elenco Francisco Cuoco
Natália do Valle
Malu Mader
Yoná Magalhães
Beth Goulart
Herson Capri
Miguel Falabella
Marcos Frota
Eva Todor
José Lewgoy
Arlete Salles e grande elenco
Tema de abertura "Flores em Você", Ira!
Transmissão original 23 de março de 198710 de outubro de 1987
N.º de episódios 179
Cronologia
Último
Último
Roda de Fogo
Mandala
Próximo
Próximo

O Outro é uma telenovela brasileira produzida e exibida pela Rede Globo no horário das 20h, de 23 de março a 10 de outubro de 1987, com 179 capítulos, substituindo Roda de Fogo e substituída por Mandala.

Foi escrita por Aguinaldo Silva e dirigida por José de Abreu, Fred Confalonieri e Ignácio Coqueiro, tendo a direção geral ficado a cargo de Marcos Paulo, Gonzaga Blota, Ricardo Waddington e Del Rangel. A novela contou ainda com a colaboração de Ricardo Linhares e supervisão de Daniel Filho.[1] [2]

Apresentou Francisco Cuoco, Natália do Valle, Malu Mader, Yoná Magalhães, Beth Goulart, Herson Capri. Miguel Falabella, Marcos Frota e Eva Todor nos papéis principais.

Enredo[editar | editar código-fonte]

A trama se desenrola entre os diferentes mundos de dois homens idênticos fisicamente.

O empresário milionário Paulo Della Santa é um homem atormentado com a família e os negócios em crise. A esposa, Laura, luta para manter o casamento, apesar da torcida contra de Marília e Pedro Ernesto, filhos de Paulo.

O negociante Denizard de Mattos, dono de um ferro-velho, é uma figura simples, do povo. Viúvo, pai da adolescente Zezinha, ele mantém um caso amoroso com a esfuziante Índia do Brasil, sua secretária.

Paulo vive sem saber que tem um sósia, Denizard de Mattos, e, por acaso, ambos se encontram no banheiro de um posto de gasolina, momentos antes de o lugar explodir e incendiar-se. Resgatado no lugar de Paulo e confundido com ele, Denizard acaba por tomar o lugar do empresário e, mesmo depois que seu segredo é descoberto, a farsa é mantida por interesse dos adversários que desejavam tomar o poder de seu sósia. Entretanto, aproveitando-se da troca de identidade, Paulo decide lutar para retornar e retomar seu lugar de direito.

Paulo, desaparecido, é dado como morto, e Denizard, com amnésia, ocupa o seu lugar ante a família e os negócios, sem que ninguém desconfie de sua verdadeira identidade. De um lado está a família de Denizard, preocupada com o seu sumiço; do outro, está a família de Paulo, tentando reintegrar um homem sem memória ao convívio de todos.

Mas a troca de identidade dos sósias não é segredo para a hippie Glorinha da Abolição, uma jovem à procura do pai e de suas origens, e que já foi apaixonada por Paulo Della Santa.

Produção[editar | editar código-fonte]

Roteiro[editar | editar código-fonte]

"O tema já foi explorado, mas a maneira de contar a história será sempre diferente (...) Cada personagem tem o seu outro, só que dentro dele mesmo. E de certa forma, todos, de algum modo lutam para que ele não aflore, o que inevitavelmente vai acontecer em algum momento. Todos os personagens escondem dentro de si lados bem diferentes, como todos os seres humanos".

—Aguinaldo Silva.[3]

Para escrever O Outro, Aguinaldo Silva fez uso da literatura e do cinema, como o filme épico japonês Kagemusha, de Akira Kurosawa; o romance O Duplo, de Fiódor Dostoiévski; e o filme de ficção científica estadunidense O Segundo Rosto, de John Frankenheimer. Mas foi o filme noir O Terceiro Homem, de Carol Reed, a principal fonte de inspiração do autor.[2] Aguinaldo convidou Ricardo Linhares para a colaboração do roteiro. Ricardo escrevia capítulos inteiros da novela, não importava a história que estava no capítulo, tanto a principal quanto as paralelas. Ele escrevia para todos os núcleos.[2] Aguinaldo e Ricardo se conheceram na primeira oficina da Casa de Criação Janete Clair, criada em 1985 por Dias Gomes para elaborar e selecionar roteiros para as produções teledramatúrgicas da Rede Globo.[2] Aguinaldo Silva homenageava a doutrina espírita com o personagem Denizard, que era espírita na novela. O nome verdadeiro de Allan Kardec, criador dessa filosofia, era Hypollite Denizard Rivail.[3] Durante a produção de O Outro, houveram acusações de que a novela seria uma releitura de Vidas Cruzadas, trama que Ivani Ribeiro escreveu para a Rede Excelsior em 1965 e que tinha uma historia muito semelhante.[3]

Escolha do elenco[editar | editar código-fonte]

Francisco Cuoco foi escolhido para interpretar os sósias Paulo Della Santa e Denizard de Mattos, o ator estava afastado havia três anos das novelas, desde o final de Eu Prometo.[3] Para interpretar Glorinha da Abolição, a atriz Malu Mader adotou um visual desleixado, com o cabelo meio despenteado e sem maquiagem..[4] Betty Faria seria Índia do Brasil, personagem que acabou ficando com Yoná Magalhães.[3] A primeira cogitada para viver Laura foi Glória Menezes e depois Vera Fischer, ambas recusaram o papel. Natália do Valle foi escolhida, em ascensão na época devido ao sucesso de Cambalacho, no ano anterior. O nome da sua personagem seria Edith, depois se tornou Laura.[3] Cláudia Abreu foi escalada para interpretar Zezinha ainda quando participava das gravações da novela Hipertensão e portanto apareceu simultaneamente nos primeiros capítulos de O Outro e nos últimos capítulos da novela das sete horas, onde sua personagem, Luzia, assassinada no início da novela, apareceu em flashbacks para o desfecho de sua trama. As então modelos Paula Burlamaqui, Nani Venâncio e Gisele Fraga participaram como concorrentes de Dedé, de Luma de Oliveira no concurso da modelo revelação de 1987, Garota do Pepino 87. Luma de Oliveira fez de sua personagem Dedé um grande sucesso. Tanto que estampou a capa da revista Playboy por duas vezes, quase seguidas: em setembro de 1987, durante a exibição da novela, e novamente, seis meses depois, em março de 1988. Um dos principais dubladores do Brasil, o já falecido Cleonir dos Santos, fez uma ponta nessa novela como o porteiro Abraão. Zilka Sallaberry chegou a ser confundida com uma cigana quando passou a integrar um grupo de ciganos, para viver a personagem Francesca.[2]

Gravação[editar | editar código-fonte]

Algumas cenas de O Outro foram gravadas em Copacabana, na Zona Sul do Rio de Janeiro, na cidade cenográfica de Guaratiba, na Zona Oeste, que reproduzia ruas do bairro carioca. A novela também teve cenas gravadas na Argentina, quando Paulo Della Santa e Glorinha da Abolição fazem uma viagem romântica.[5] O diretor da novela, Ricardo Waddington, também participou da trama como um jovem esquiador que paquera Glorinha, deixando Paulo com ciúmes.[3]

Ainda nos capítulos iniciais da trama, Marcos Paulo foi substituído por Gonzaga Blota na direção de O Outro.[2] O então diretor de núcleo do horário das 20 horas, Paulo Afonso Grisolli, não gostou das cenas gravadas pelo diretor Marcos Paulo, alegando falta de qualidade técnica e figurinos inadequados.[3] Era comentário nos bastidores da novela que a má qualidade das cenas devia-se a má vontade da produção com Marcos Paulo, que na época alegou cansaço para sua saída.[3] Porém, um mês depois, ele entrava para o elenco de Brega & Chique, como ator. Aguinaldo Silva chegou a criar um personagem especialmente para Marcos Paulo, mas que acabou sendo recusado por ele. O personagem, Gabriel, foi vivido por Herson Capri. Com a saída do diretor, as gravações foram suspensas. O próprio Paulo Afonso chegou a dirigir algumas cenas.[3] O novo diretor escolhido por Paulo foi Gonzaga Blota, que refez todas as cenas.[3] José Lewgoy também desentendeu-se com a produção da trama e acabou sendo afastado definitivamente pelo autor. Em consequência disso, seu personagem, o simpático Agostinho, morreu.

Logo no início das gravações, há uma cena em que Paulo Della Santa sonha estar enforcando um homem idêntico a ele. Para colocar o ator Francisco Cuoco contracenando com ele mesmo, foi cogitada o uso de uma máscara de borracha, feita a partir do rosto do ator, que seria vestida por algum figurante. a produção contratou uma equipe de São Paulo especializada em máscaras mortuárias que faria uma cabeça de acrílico com as feições de Francisco Cuoco, a partir de um molde de gesso colocado sobre o rosto do ator, porém o gesso ficou preso ao rosto do ator, pois havia se secado e também por causa da barba do ator que ficou presa ao gesso. Chegaram a sugerir até mesmo que fosse chamado um especialista do IML. Durante cinco horas, Francisco Cuoco ficou respirando por um canudinho no nariz, a máscara foi retirada com o auxílio de martelo e talhadeira. Segundo o ator, que se recorda da história com muito humor, sua barba, até hoje, tem falhas devido ao episódio. A cena do encontro dos personagens acabou sendo gravada de outro forma, primeiro gravou-se Cuoco vestido como Paulo, depois, como Denizard. A edição encarregou-se da montagem.[2] [3] Francisco Cuoco contou com o auxílio de um dublê nos primeiros capítulos, Victor Lopes. Os dois sósias moravam no mesmo local, a avenida Atlântica, mas nunca haviam se encontrado.

Elenco[editar | editar código-fonte]

Participações especiais nos primeiros capítulos[editar | editar código-fonte]

Trilha sonora[editar | editar código-fonte]

Nacional[editar | editar código-fonte]

O Outro Nacional
Trilha sonora de Vários intérpretes
Lançamento 1987
Gênero(s) Vários
Formato(s) LP e k7
Gravadora(s) Som Livre
Produção Liminha
Cronologia de Vários intérpretes
Último
Último
-
O Outro Internacional
Próximo
Próximo

Capa: Luma de Oliveira

  1. Mar de CopacabanaGilberto Gil (tema de Índia do Brasil)
  2. Quero Ficar Com VocêMaria Bethânia (tema de Laura)
  3. Nosso Amor a Gente Inventa (Estória Romântica)Cazuza (tema de Marília e João Silvério)
  4. Doublé de CorpoHeróis da Resistência (tema de Dedé)
  5. Esquece e VemNico Rezende (tema de Denizard)
  6. Kátia Flávia (A Godiva do Irajá)Fausto Fawcett & Os Robôs Efêmeros (tema geral)
  7. Amanhã é 23Kid Abelha (tema de Glorinha da Abolição)
  8. Fogo de SaudadeBeth Carvalho (tema de Agostinho)
  9. O Mundo é Um MoinhoNey Matogrosso (tema de Edwiges e Genésio)
  10. Quem Me Olha SóBarão Vermelho (tema de Gabriel)
  11. Retratos e CançõesSandra Sá (tema de Pedro Ernesto e Zezinha)
  12. Flores Em VocêIra! (tema de abertura)

Internacional[editar | editar código-fonte]

O Outro Internacional
Trilha sonora de Vários intérpretes
Lançamento 1987
Gênero(s) Vários
Formato(s) LP e K7
Gravadora(s) Som Livre
Produção Sérgio Motta
Cronologia de Vários intérpretes
Último
Último
O Outro Nacional
Próximo
Próximo

Capa: Malu Mader

  1. Coming Around AgainCarly Simon (tema de Índia do Brasil)
  2. Don't Dream It's OverCrowded House (tema de Denizard)
  3. The Miracle Of Love - Eurythmics (tema de Marília e João Silvério)
  4. At The Back Of My Heart – M.C.R. (tema de locação)
  5. You're The VoiceJohn Farnham (tema de locação)
  6. The Words Get In The WayGloria Estefan & Miami Sound Machine (tema de Laura)
  7. This LoveBad Company (tema de Dedé)
  8. Don't Get Me WrongPretenders (tema de Glorinha da Abolição)
  9. Two PeopleTina Turner (tema de Pedro Ernesto e Zezinha)
  10. Never Gonna Leave You – Subject (tema de locação)
  11. Stay The Night – Benjamin Orr (tema de locação)
  12. Foolish Pride – Sasha (tema romântico geral)
  13. I'll Be Over YouToto (tema de Edwiges e Genésio)
  14. Thousand Miles From Home – Jim Porto (tema de Gabriel)

Referências

  1. O Outro Teledramaturgia. Página visitada em 3 de junho de 2014.
  2. a b c d e f g O Outro Memória Globo. Globo.com. Página visitada em 3 de junho de 2014.
  3. a b c d e f g h i j k l O Outro Teledramaturgia. Página visitada em 3 de junho de 2014.
  4. O Outro Memória Globo. Globo.com. Página visitada em 3 de junho de 2014.
  5. O Outro Memória Globo. Globo.com. Página visitada em 3 de junho de 2014.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]