O Ano da Morte de Ricardo Reis
| O Ano da Morte de Ricardo Reis | |||||||
|---|---|---|---|---|---|---|---|
| Autor (es) | José Saramago | ||||||
| País | |||||||
| Género | romance | ||||||
| Editora | Editorial Caminho | ||||||
| Lançamento | 1984 | ||||||
| Páginas | 415 | ||||||
| Cronologia | |||||||
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O Ano da Morte de Ricardo Reis é um romance escrito em 1984 por José Saramago cujo protagonista é o heterónimo Ricardo Reis de Fernando Pessoa. O personagem que empresta o nome à obra retorna a Lisboa em 1936, após uma ausência de 16 anos, e aí se instala observando e testemunhando o desenrolar de um ano trágico, através do qual o leitor é levado a sentir o clima sombrio em que o fascismo se afirma na sociedade, antevendo-se um futuro negro na história de Portugal, Espanha e Europa.
Na biografia de Ricardo Reis e de Álvaro de Campos, ao contrário da biografia de Alberto Caeiro, não constam as suas mortes. Por isso, após a morte de Pessoa, José Saramago aventurou-se a terminar a história de um deles, o que acha que "sábio é aquele que se contenta com o espectáculo do mundo".
O autor cria a sua versão alternativa da história, a que poderia ter sido, fazendo uso de informações oficiais e misturando-as com fontes oficiosas. Assim, segundo a professora Ana Paula Arnaut, da Faculdade de Letras de Coimbra, "Saramago presta uma homenagem aos heróis anónimos", no que o próprio escritor parece concordar quando afirma, em 1990, no português Jornal de Letras, Artes & Ideias que quando se refere a corrigir a história não significa corrigir os fatos da história, mas sim introduzir nela "pequenos cartuchos" que façam explodir o que até então parecia indiscutível: substituir o que foi pelo que poderia ter sido.[1]
Saramago aproveita-se do fato de Fernando Pessoa não ter determinado a data da morte do protagonista do romance para fazê-lo testemunhar o período em que o fascismo aos poucos se instalava na sociedade portuguesa. O plano da imaginação cruza-se então com o da história: Reis vai morrer no mesmo período em que começaria a longa agonia de Portugal.[1]
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- "Esfuziam gritos patrióticos, Portugal Portugal Portugal, Salazar Salazar Salazar, este não veio, só aparece quando lhe convém, nos locais e às horas que escolhe, aquele não admira que aqui esteja, porque está em toda parte." [1]