Oatácidas

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Os Oatácidas, Wattásidas [1] ou Banû Watâs [2] , foram uma dinastia que governou em Marrocos. Eram oriundos de uma tribo berbere Zeneta, tal como como os sultões Merínidas.

Esta tribo, que seria inicialmente proveniente da actual Líbia, estava estabelecida no Rif, na margem do Mediterrâneo. De sua fortaleza de Tazouta, entre Melilla e a Moulouya, os Beni Wattas expandiram gradualmente seu poder à custa da família reinante Merínida. Estas duas famílias sendo aparentadas, os Merínidas recrutaram vários vizires na tribo Oatácida. Os vizires Oatácidas empõem-se pouco a pouco no poder. O último sultão Merínida foi destronado em 1465. Segue-se um período de confusão que dura até 1472. O Marrocos é cortado em dois, com ao sul uma dinastia árabe emergente, os Saadianos, e no norte um sultanato Oatácida declinante .

História[editar | editar código-fonte]

Reino Oatácida na sua extensão máxima (1420-1547).

A dinastia berbere Oatácida foi fundada num Marrocos em declínio, durante uma crise política, cultural, social e financeira. Enquanto os Merínidas tentam como podem repelir as invasões Portuguesas e Espanholas, ajudando ao mesmo tempo o Reino de Granada a sobreviver á Reconquista, os Oatácidas, que ocupam altos cargos no governo, tomam gradualmente o poder por meios políticos. Os merínidas descobrem o golpe de estado e massacram os conspiradores, mas sobrevive um Oatácida : Abu Abd Allah ach-Chaykh Muhammad ben Yahya. Enquanto a dinastia anterior está morrendo lentamente, ele declara-se Sultãot e funda oficialmente a sua dinastia. Os Oatácidas vão governar o pequeno reino de Fez, nessa época Marrocos está dividido. Eles prometem ao povo marroquino e andaluz atormentados por a guerra virar a favor dos Reis Católicos que protegerão fielmente Marrocos contra as incursões estrangeiras. Mas afinal não cumprem o que prometem, os Portugueses multiplicando praças fortes na costa marroquina. O sucessor de Mohammed al-Cheikh, tentará apoderar-se de Arzila e Tânger, respectivamente em 1508, 1511 e 1515 mas sem sucesso. Mais ao sul, nasce uma dinastia rival: os Saadianos. Estes últimos, apoderam-se de Marraquexe em 1524 e fazem dela sua capital. Em 1537 a competição das duas linhagens de Sultões resulta na tomada de Agadir (mais propriamente da Fortaleza de Santa Cruz do Cabo de Gué) aos portugueses, pelos Saadianos, enquanto os Oatácidas procuram uma abordagem mais diplomática com os Reis Católicos. Os Saadianoss são tratados como heróis pelas populações, o que lhes facilita a conquista militar e lhes permite retomar uma após outra todas as fortalezas portuguesas na costa marroquina (aliás a maioria são abandonadas pelos portugueses por falta de meios, para se consagrarem mais largamente à Índia), além de Tânger, Ceuta e Mazagão. Nessa mesma época, eles atacam os Oatácidas que afinal vão se curvar diante do poder Saadiano emergente. Em 1554, num momento em que todas as cidades Oatácidas depõem as armas uma após outra, o sultão (Oatácida) Abu Hassan Ali, com a energia do desespero retoma Fez, mas Saadian resolvem este problema rapidamente, e matam o Oatácida rebelde. Os últimos Oatácidas fogem Marrocos, mas são mortos em conseqüência de ataques de piratas contra seu navio. No final, os Oatácidas não melhoraram em nada a situação marroquina após a Reconquista hispánica. Será preciso a chegada dos Saadianos para restaurar a ordem e repelir as ambições expansionistas dos reinos da Península Ibérica.

Cronologia[editar | editar código-fonte]

  • 1420: O sultão Merínida Abû Sa`id `Uthmân ben Ahmad morre, seu filho Abû Muhammad `Abd al-Haqq sucede-lhe como Sultão Merínida com apenas um ano de idade. O governador deSalé Abû Zakarîyâ Yahyâ da tribo dos Banû Wattas aliada dos Merínidas e instalada no Rif exerce a Regência e mantém-se no poder durante 28 anos.
  • 1437: Fracasso de uma expedição portuguesa contra Tânger. Parte da força expedicionária é capturada. Um tratado é assinado e os portugueses obtêm o direito de voltar a embarcar com a condição de devolver Ceuta. Deixam como refém o infante Dom Fernando para garantir a execução do pacto. Mas D. Duarte prefere sacrificar seu irmão. D. Fernando morre em Fez, em 5 de Junho de 1443.
  • 1458: O rei de Portugal Afonso V prepara um exército para uma cruzada contra os otomanos (ou que finge ser para isso) ao apelo do Papa. Finalmente volta suas forças contra Alcácer-Ceguer [3] um pequeno porto situado entre Tânger e Ceuta. Ele consegue tomar a praça.
  • 1459: Abû Muhammad `Abd al-Haqq volta-se contra o novo regente Yahyâ e sua família, que são massacrados. Apenas dois irmãos sobrevivem, incluindo Muhammad ach-Chaykh, o mesmo que em 1472 se torna o primeiro sultão Oatácida.
  • 1462: Henrique IV de Castela toma Gibraltar.
  • 1465: Abû Muhammad `Abd al-Haqq é abatido em Fez durante uma revolta popular. Um sultão de origem Idríssida, é proclamado, mas sua autoridade é limitada à região de Fez.
  • 1469: Nessa data os muçulmanos já perderam quase todos os seus territórios de Al-Andalus. Os Nasridas apenas conservam Granada e seus arredores até 1492. Este período conhece um afluxo maciço, para Marrocos, de Andaluzes muçulmanos e judeus perseguidos pela Inquisição e a conversão forçada ao cristianismo.
  • 1471: O rei Afonso V de Portugal toma Arzila, e Tânger, aproveitando-se das desordens em Fez. Esta anarquia não dura muito tempo, um sobrevivente do massacre de 1459, Muhammad ach-Chaykh retoma Fez e instala o sultanato Oatácida em 1472.
Marrocos ao princípio do século XVI : em vermelho, o domínio dos Oatácidas.
  • De 1472 a 1505 : Mohammed al-Shaykh não pode impedir a instalação dos Portugueses nas costas do país em Safim (1481), e em seguida, Azamor em (1486). Os Portugueses realmente ocuparão essas duas cidades em 1508 e 1513.
  • 1492: O Reino de Granada, último estado muçulmano de Espanha é derrotado pelos reis Católicos, selando o fim da Espanha Islãmica.
  • 1505: Mohammed al-Burtuqâlî sucede a Mohammed al-Shaykh Muhammad até 1524. Falha em suas tentativas de retomar Arzila em 1508 e 1515, e Tânger, em 1511 e vê os Portugueses multiplicar praças fortes ao longo da costa : criação de Santa Cruz do cabo de Gué (actual Agadir), instalação em Mazagão (actual El Jadida), construção da fortaleza de Castelo de Aguz (actual Souira Kedima), na foz do rio Tensift.
  • 1511: Mohammed al-Jazuli, chefe de uma poderosa Zaouïa do Suz apoia a designação como chefe de guerra do Saadiano Muhammad al-Qâ'im bi-'Amr Allah.
  • 1524 : Os Saadianos apoderam-se de Marraquexe, com o apoio das tribos berberes do vale do Suz e do vale do Drá.
  • 1528: Ahmed tem que reconhecer aos Saadianos a independência de facto nas regiões do sul. Quando tenta tomar Marraquexe, é vencido e forçado a retirar-se. Nesse momento, dois filho de Muhammad al-Qaim, compartilham o poder no sul: Ahmed al-'A`raj que reina em Marraquexe, e Mohammed ach-Chaykh, governador do Suz.
  • 1537: Os Saadianos obtêm a partilha de Marrocos em dois reinos após a sua vitória sobre o Oatácidas na batalha do rio (oued) el-Abid. Os Saadianos tomam Santa Cruz do cabo de Guer (Agadir) aos Portugueses e aparecem como os defensores do Islão, enquanto os Oatácidas tentam negociar com os cristãos. Os Saadianos apoderam-se progressivamente das praças fortes portuguesas, excepto Tânger, Ceuta e Mazagão.
  • 1545: Os Saadianos fazem prisioneiro o Sultão Oatácida Ahmed, que é libertado contra o abandono de Meknès. Dois anos depois os Saadianos tomam Fez. Em seguida, falham em suas tentativas de expandir-se para Argélia.
  • 1554: O Oatácida Abû Hasûn `Alî, apoiada pelos Otomanos instalados em Argel, volta a tomar Fez. Mas é finalmente derrotado e morto no Tadla pelo Saadiano Muhammad al-Shaykh que recupera Fez. os últimas Oatácidas são massacrados por piratas quando fogem Marrocos.

A dinastia[editar | editar código-fonte]

Os vizires Oatácidas[editar | editar código-fonte]

Durante a menoridade do emir Merinida Abû Muhammad `Abd al-Haqq

Sultões Oatácidass (1472-1554)[editar | editar código-fonte]

Filiação[editar | editar código-fonte]

├1─Abû Zakarîyâ Yahyâ 1428-1448.
│  ├3─Yahyâ 1458-1459 morto pelo merínida Abû Muhammad `Abd al-Haqq
│  └*1─Mohammed ach-Chaykh 1472-1504.
│     ├*2─Mohammed al-Burtuqâlî 1504-1526.
│     │  └*3─Abu al-Abbas Ahmad ben Muhammad 1526-1545 et 1547-1549.
│     │     │
│     │     └*4─[5] Mohammed al-Qâsrî 1545-1547.
│     │
│     └*5─[4] Abû Hasûn `Alî 1526 et 1554
└──Yûsuf
   │
   └2─[6] `Alî 1448–1458, morto em 1459.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Notas e referências

  1. em árabe: وطاسيون; transl.: waṭāsīyūn
  2. em árabe: بنو الوطاس; transl.: banū al-waṭās
  3. Ksar-es-Seghir ; árabe : الصغير القصر , a pequena fortaleza, o pequeno castelo
  4. a b Abû Hasûn `Alî é o irmão de Mohammed al-Burtuqâlî segundo Charles-André Julien, Histoire de l'Afrique du Nord, des origines à 1830, ed. originale 1931, reed. Payot, Paris, 1994, ISBN 978-2228-887892, p. 569 un frère d'Al-Burtuqâlî, Abû Hasûn, filho do mesmo segundo (em árabe) ar Les Wattassides / Banû al-Wattas
  5. irmão de Ahmed segundo Les dynasties musulmanes / Afrique du Nord, Wattasides , filho do mesmo segundo (em árabe) ar Les Wattassides / Banû al-Wattas
  6. Charles-André Julien, ibidem, p. 561 le neveu d'Abû Zakarîyâ,`Alî ibn Yûsuf

Ligações externas[editar | editar código-fonte]


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