Ogum no Batuque

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Batuque
Ogum

150px Ogum no ritual do sacrificio. No candomblé do Ile Ase Ijino Ilu Oxossi.

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Ògún (yorubá) significa maçico, duro. Na religião do batuque, o orixá Ogum é o dono do ferro e do metal e de todos os seus derivados, como armas e ferramentas. Também é dono da bebida alcoólica e é considerado o senhor das batalhas. É esposo de Oyá, que o traiu com Xangô após embebedá-lo com atã.

Por ser o dono do "obé" (faca), sem ele não há como um sacerdote preparar a feitura de seus yawos. Qualquer sacerdote da Religião do Orixá tem que ter Ogum em seus assentamentos. Por ter regência também sobre as armas, é invocado para vencer demandas. Pela mesma razão é o protetor dos militares.

A diferença entre as obrigações de faca de Ogum e Bará é que o primeiro é firmado para a ritualística de somente Orixás, enquanto que o segundo é firmado para serviços de Egúns e trocas.

Na Nação de Cabinda, existem três classes de Ogum: Avagã: Cultuado na parte externa do templo. Junto com o Bará Lodê, faz a proteção externa do local. Tem tendência a ser usado em trabalhos de maior demanda. Onira: Cultuado na parte interna do templo. Tem como missão proteger todo espaço do culto contra demandas de morte e feitiços. Adiolá: Ogum da parte interna do templo. Trabalha principalmente com os orixás de praia.

Em algumas casas da Nação de Cabinda, há uma quarta classe de Ogum, que recebe o nome de Olobedé. Trabalha também na parte interna do templo, com ações de limpeza e afastamento de energias maléficas. É um Ogum muito severo, mas de grande consciência.

Na Nação Ijexá são cultuados Ogum Avagã, Ogum Onire e Ogum Adjolá. Este último é um guerreiro guardião que trabalha na beira da água a mando de Oxum, Iemanjá e Oxalá. Ogun Avagã tem seu assentamento junto a Bára e Oyá.

Na Nação Nagô são cultuados Ogun Wari, Alagbede, Olode, Alé, Ògúnjà, Meje, Onire e Soroke.


Características[editar | editar código-fonte]

As suas cores são o vermelho e o verde[1] (para o Meje, verde e branco). O dia da semana consagrado a Ogum é a terça-feira (segunda-feira para Ogum Avagã), e o seu sincretismo é com São Jorge (em algumas nações Ogum Avagã é sincretizado com São Paulo). A sua saudação no batuque, "Ogunhê!", é muito usada nas procissões em comemoração ao Dia de São Jorge (23 de abril)[2] , juntamente com saudações ao santo católico.

As suas armas e ferramentas são: a espada,a lança, a bigorna, o escudo, o capacete, a ferradura, o martelo, a marreta, a enxada, o ancinho, o alicate, o bisturi e o serrote (para Ogum Avagã, um revólver). Os seus metais são o ferro, o aço e o chumbo, e sua pedra é o diamante.

As suas atividades são a agricultura, a batalha, as viagens, os caminhos, e a caça.

Na Nação de Cabinda, seu fio é feito com uma conta verde-mato e uma vermelho-sangue. Algumas casas também adotam o fio com 7 contas para cada uma na sequência, por ser seu número. Já Avagã, suas cores são o verde e o vermelho escuro.

Na Nação Ijexá, a sua guia (fio-de-contas) é feita com uma conta verde e uma vermelha para Ogum Onira e Ogum Avagã; para Ogum Adjola, contas azuis são incluídas.

No Jeje a sua guia é feita em verde e branco, com predominância do verde.

Lugares na natureza: campos, matas e encruzilhadas[2] .

Oferendas[editar | editar código-fonte]

  • Uma costela de boi com 3, 5 ou 7 ripas
  • Miãmiã gordo (farinha de mandioca com azeite de dendê)
  • Pipoca, folhas de alface (para Ogum Adjolá), uma maçã vermelha (para Ogum Onira), uma laranja de umbigo (para Ogum Avagã)
  • Vela: verde com vermelha; verde escuro para Ogum Avagã (Nação de Cabinda e Ijexá); verde com branca (Jeje)

Lenda da coleta dos búzios[editar | editar código-fonte]

Devido à traição de Oyá, Ogum e Xangô jamais se reconciliaram e, por diversas vezes, acabavam por se defrontar em acirradas disputas.

Certa vez, Ogum propôs a Xangô que realizassem uma trégua nessas lutas, pelo menos até à lua seguinte. Xangô respondeu com alguns gracejos, que Ogum revidou, mas propôs uma aposta: que ambos se dirigissem à praia e recolhessem o maior número de búzios que conseguissem. O perdedor ofereceria ao vencedor o fruto da sua coleta. Estando acertados, Ogum deixou Xangô e dirigiu-se à casa de Oyá, solicitando-lhe que pedisse a Ikú (a morte) que fosse à praia na hora em que ele havia combinado com Xangô. Oyá exigiu uma certa quantia em ouro, que prontamente recebeu de Ogum.

No dia seguinte, Ogum e Xangô amanheceram na praia, iniciando a coleta. De vez em quando se entreolhavam, e Xangô lançava ditos jocosos contra Ogum, sem perceber que Ikú se aproximava de si. Ao levantar os olhos, deparou-se com Ikú, que riu de seu espanto. Assustado, Xangô abandonou a sua sacola com os búzios colhidos, se escondendo. No fim do dia, Ogum procurou Xangô mostrando a sua coleta. Xangô, envergonhado, abaixou a cabeça e entregou ao guerreiro o fruto da sua coleta.

Referências

  1. ORO, Ari Pedro. Religiões Afro-Brasileiras do Rio Grande do Sul: Passado e Presente (em português) Estud. afro-asiát. vol.24 no.2 Rio de Janeiro, 2002.
  2. a b JAQUES, André Porto. A Geografia do Batuque: estudos sobre a territorialidade desta religião em Porto Alegre-RS. Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

OS FUNDAMENTOS RELIGIOSOS NA NAÇÃO DO ORIXÁS - Paulo T. B. Ferreira

Ver também[editar | editar código-fonte]

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Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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