Ogum no Batuque

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Batuque
Ogum

Ogum no ritual do sacrificio. Orossi..JPG Ogum no ritual do sacrificio.No candomblé do Ile Ase Ijino Ilu Orossi.

'Religiões afro-brasileiras'


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Na religião do batuque, o orixá Ogum é o dono do ferro e de todos os seus derivados, como armas e ferramentas. Também é dono da bebida alcoólica e é considerado o senhor da guerra. É esposo de Iansã, que o traiu com Xangô após embebedá-lo com uma bebida denominada atã.

Por ser o dono do "obé" (faca), sem ele não tem como outros orixás serem feitos. Qualquer sacerdote de orixá tem que ter Ogum em seus assentamentos, pois este é o dono do axé das facas. Por ser dono das armas, é invocado para vencer demandas. Pela mesma razão é o protetor dos policiais e dos soldados.

Na Nação Ijexá são cultuados Ogum Avagã, Ogum Onire e Ogum Adjolá. Este último é um guerreiro guardião que trabalha na beira da água a mando de Oxum, Iemanjá e Oxalá. Ogun Avagã tem seu assentamento junto a Bára e Oyá.

Na Nação Nagô são cultuados Ogun Wari, Alagbede, Olode, Alé, Ògúnjà, Meje, Onire, Soroke.


Características[editar | editar código-fonte]

As suas cores são o vermelho e o verde[1] . (Para o Jeje, verde e branco). O dia da semana consagrado a Ogum é a quinta-feira (segunda-feira para Ogum Avagã), e o seu sincretismo é com São Jorge, em algumas nações Ogum Avagã é sincretizado com São Paulo. A sua saudação no batuque, "Ogunhê!", é muito usada nas procissões em comemoração ao Dia de São Jorge (23 de abril)[2] , juntamente com saudações ao santo católico.

As suas armas e ferramentas são: a espada,a lança, a bigorna, o escudo, o capacete, a ferradura, o martelo, a marreta, a enxada, o ancinho, o alicate, o bisturi e o serrote[3] . Os seus metais são o ferro, o aço e o chumbo, e sua pedra é o diamante.

As suas atividades são a agricultura, a guerra, as viagens, os caminhos, e a caça.

A sua guia (fio-de-contas) é feita com uma conta verde e uma vermelha para Ogum Onira e Ogum Avagã; para Ogum Adjola, contas azuis são incluídas, no Jeje a sua guia é feita em verde e branco , com predominância do verde.

Lugares na Natureza [2] : Os campos, as matas e as encruzilhadas.

Oferendas[editar | editar código-fonte]

  • Uma costela de boi com 3, 5 ou 7 ripas
  • Inhaminhã gordo (farinha de mandioca com azeite de dendê)
  • Pipoca, folhas de alface (para Ogum Adjolá), uma maçã vermelha (para Ogum Onira), uma laranja de umbigo (para Ogum Avagã).
  • Vela: verde com vermelha; verde escuro para Ogum Avagã, verde com branca no Jeje.

Lenda da coleta dos búzios[editar | editar código-fonte]

Devido à traição de Iansã, Ogum e Xangô jamais se reconciliaram e, por diversas vezes acabavam por se defrontar em acirradas disputas.

Certa vez, Ogum propôs a Xangô que realizassem uma trégua nessas lutas, pelo menos até à lua seguinte. Xangô respondeu com alguns gracejos, que Ogum revidou, mas propôs uma aposta: que ambos se dirigissem à praia e recolhessem o maior número de búzios que conseguissem. O perdedor ofereceria ao vencedor o fruto da sua coleta. Estando acertados, Ogum deixou Xangô e dirigiu-se à casa de Oiá, solicitando-lhe que pedisse a Ikú (a morte) que fosse à praia na hora em que ele havia combinado com Xangô. Oiá exigiu uma certa quantia em ouro, que prontamente recebeu de Ogum.

No dia seguinte, Ogum e Xangô amanheceram na praia, iniciando a coleta. De vez em quando se entreolhavam e Xangô lançava ditos jocosos contra Ogum, sem perceber que Ikú se aproximava de si. Ao levantar os olhos, deparou-se com Ikú, que riu de seu espanto. Assustado, Xangô abandonou a sua sacola com os búzios colhidos, se escondendo. No fim do dia, Ogum procurou Xangô mostrando a sua coleta. Xangô, envergonhado, abaixou a cabeça e entregou ao guerreiro o fruto da sua.

Referências

  1. ORO, Ari Pedro. Religiões Afro-Brasileiras do Rio Grande do Sul: Passado e Presente (em português). Estud. afro-asiát. vol.24 no.2 Rio de Janeiro, 2002.
  2. a b JAQUES, André Porto. A Geografia do Batuque: estudos sobre a territorialidade desta religião em Porto Alegre-RS.. Universidade Federal do Rio Grande do Sul.
  3. Para Ogum Avagã, um revólver.

Ver também[editar | editar código-fonte]

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Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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