Wajãpi

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Wajãpi
Wayapi
Oiampi
População total

1.906

Regiões com população significativa
 Brasil (Amapá e Pará) 956 Siasi/Funasa, 2010[1]
Guiana Francesa 950 Grenand, 2009[1]
Línguas
Língua oiampi
Religiões
Xamanismo
Etnia
Tupi-guarani

Wajãpi, Wayãpi, Waiãpi, Oiampi ou Guarampis são um povo indígena do norte da América do Sul cuja língua pertence à família linguística tupi-guarani.[2]

No Brasil, estão distribuídos em treze pequenas aldeias situadas em áreas protegidas do centro-oeste do estado do Amapá, na região delimitada pelos rios Oiapoque, Jari e Araguari - mais precisamente na Terra Indígena Waiãpi,[3] junto aos limites do Pará com o Suriname e a Guiana Francesa, entre os município de Mazagão, Laranjal do Jari e Pedra Branca do Amapari - e também em Macapá. Há um outro grupo, isolado, no Alto Ipitinga. Uma outra família habita o Parque Indígena do Tumucumaque (que é parte do Parque Nacional Montanhas do Tumucumaque[4] ), no estado do Pará. Um outro grupo está localizada na Guiana Francesa.[5]

Os Waiãpi os mesmos Guaiapi, mencionados na região do baixo rio Xingu - sua área de origem desde o século XVII.[6] Os Waiãpi mantêm contato com não índios desde meados do século XVIII.

Demografia[editar | editar código-fonte]

Nos últimos 25 anos, os Wajãpi têm tido um crescimento populacional constante, sendo que, depois de 1973, quando se deu o contato com a Funai, a taxa de natalidade aumentou significativamente. Na época do contato, havia, no Brasil, 151 indivíduos. Quinze anos depois, somavam 310 indivíduos. No início dos anos 1990, eram 498 indivíduos no Brasil (censo de 1994) e 412 na Guiana Francesa (censo de 1992), totalizando uma população de aproximadamente 910 pessoas. Em 2009, eram cerca de 956 pessoas, segundo a Funasa.[7]

Cultura[editar | editar código-fonte]

Os Wajãpi destacam-se pela beleza de suas festas: a festa do milho (no inverno), a festa do mel, as danças dos peixes e, principalmente, as festas coletivas que são feitas para agradar o herói civilizador Ianejar, que, segundo suas crenças, ameaça destruir a humanidade.[8] [9] [10]

A arte gráfica dos oiampis[11] foi declarada obra-prima do Patrimônio Oral e Imaterial da Humanidade pela Unesco: os índios desenvolveram a arte kusiwa, "que sintetiza seu modo particular de conhecer e agir sobre o mundo". Eles a utilizam como adorno para o corpo e decoração de artefatos.[12] [13] [14]

O ministro da Cultura, Gilberto Gil, entrega certificado da Unesco de proteção do Patrimônio Imaterial da Humanidade aos Wajãpi (2003).

Os Wajãpi desenvolveram uma linguagem única, que une a forma verbal à arte gráfica e à pintura e através da qual transmitem conhecimentos e significados culturais, estéticos e religiosos. Seus ornamentos, designados pelo termo Kusiwa, são aplicados com tinturas vegetais em cuja composição estão presentes sementes de urucum, gordura de macaco, suco de jenipapo verde e resinas perfumadas.

A arte Kusiwa compreende um repertório de códigos que têm como motivos mais frequentes os animais - pássaros, peixes, borboletas, cobras, jacarés, jabutis, etc. Segundo a tradição oral dos Wajãpi, a origem das cores e dos padrões gráficos remonta aos tempos primevos, quando surgiram os ancestrais da humanidade. Antes disso, não havia cores nem formas distintas entre os habitantes do mundo: todos eram fisicamente iguais, sem diferenças nas suas linguagens. Mas tinham cantos e danças diferentes. Foi durante uma grande festa que coube ao demiurgo Janejar promover a separação entre homens e animais, destinando a cada um o seu espaço, organizando-se, assim, a vida em sociedade. Os futuros homens e animais exibiram seus cantos e suas danças. Uma parte desses primeiros seres, que dançavam à beira do primeiro rio, caíram na água e se transformaram em peixes. Desde então, passaram a servir de alimento para os humanos. No fundo das águas, entretanto, peixes e cobras aquáticas continuam vivendo e festejando. Somente os xamãs podem penetrar nesse domínio sem perigo. [15]

As expressões orais e gráficas dos Wajãpi foram registradas pelo IPHAN como patrimônio cultural imaterial do Brasil e incluídas pela UNESCO na Lista Representativa do Patrimônio Imaterial da Humanidade.

Referências

  1. a b Povos Indígenas no Brasil: 2006-2010 2011, p. 9-16
  2. Ethnologue. Waiãpi
  3. Terra Indígena Waiãpi.
  4. Parque Montanhas de Tumucumaque. Conservation International do Brasil.
  5. Quem são os Wajãpi Conselho das Aldeias Wajãpi. Página visitada em 10 de março de 2014.
  6. Instituto Socioambiental. Wajãpi - língua. Por Dominique Tilkin Gallois.
  7. Instituto Socioambiental: "Wajãpi" - população.
  8. GALLOIS, Dominique Tilkin. 1994. Mairi Revisitada. A Reintegração da Fortaleza de Macapá na Tradição Oral dos Waiãpi (resenha por Tânia Stolze Lima). Mana vol.3 n°1; Rio de Janeiro, abril de 1997 ISSN 0104-9313
  9. Della Cruz, Gisele Thiel. Fundamentos Teóricos e Práticos do Ensino de História, p.164.
  10. Gêneses waiãpi, entre diversos e diferentes, por Dominique Tilkin Gallois. Revista de Antropologia ISSN 0034-7701 vol.50 no.1 São Paulo Jan./Jun. 2007.
  11. "Arte kusiwa" IPHAN.
  12. Expressões orais de povo indígena viram patrimônio da humanidade. Folha Online, 7 de novembro de 2003.
  13. "Arte indígena vira patrimônio da humanidade". Revista História Viva, nº 2, pg. 17. Editora Duetto (dezembro 2003).
  14. Vídeo: A arte da pintura dos índios wajãpis
  15. Dossiê Iphan 2 Wajãpi - Expressão gráfica e oralidade entre os Wajãpi do Amapá, p. 12. Funções simbólicas e comunicativas da arte gráfica kusiwa

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]