Olga Nikolaevna Romanova

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Olga Nikolaevna
Grã-duquesa da Rússia (Velikaya Knyaginya)
Olgachair.jpg
Retrato oficial de Olga Nikolaevna durante as comemorações dos 300 anos de reinado da família Romanov em 1913
Governo
Casa Real Romanov
Vida
Nascimento 15 de Novembro de 1895
São Petersburgo, Rússia Império Russo
Morte 17 de julho de 1918 (22 anos)
Ekaterinburgo, Flag of Russian SFSR.svg República Socialista Federativa Soviética da Rússia
Sepultamento Fortaleza de Pedro e Paulo, São Petersburgo, Rússia
Pai Nicolau II da Rússia
Mãe Alexandra Fiodorovna

Grã-duquesa Olga Nikolaevna da Rússia; em russo, Великая Княжна Ольга Николаевна Романовa, (Velikaya Knyaginya Olga Nikolaevna Romanova) foi uma grã-duquesa do Império Russo(término em 1917) e a primeira filha do tsar (Imperador) Nicolau II Romanov e da tsarina(Imperatriz) Alexandra Feodorovna de Hesse, nascida no dia 15 de Novembro de 1895 (3 de Novembro de acordo com o Calendário Antigo) no Palácio de Alexandre em Czarskoe Selo, São Petersburgo. Entre os seus padrinhos encontrava-se a sua bisavó, a rainha Vitória I do Reino Unido.

Durante a sua vida, o futuro casamento de Olga foi alvo de grande especulação na Rússia e houve rumores de que ela estaria ligada ao seu primo, grão-duque Dmitri Pavlovich Romanov, ao príncipe Carlos von Hohenzollern-Sigmaringen, depois rei Carlos II da Roménia, ao príncipe Eduardo de Gales e com o príncipe Alexandre da Sérvia.

O assassinato de Olga após a revolução russa de 1917, resultou na sua canonização como Portadora da Paz pela Igreja Ortodoxa Russa. Nos anos que se seguíram à sua morte, várias pessoas fizeram-se passar por sobreviventes da família imperial e Olga não foi exceção. Uma mulher chamada Marga Boodts afirmou ser a Grã-Duquesa mais velha, mas nunca foi levada a sério. Os seus restos mortais foram identificados através de testes ADN (DNA) nos anos 1990 e foram enterrados juntamente com os dos seus pais e duas das suas irmãs na Catedral do Forte Pedro e Paulo em São Petersburgo em 1998.

Índice

[editar] Biografia

[editar] Infância

Olga em 1898 com 2 anos de idade

Quando nasceu, Olga era um bebé grande e, de acordo com sua bisavó e madrinha a Rainha Vitória do Reino Unido, tinha "uma cabeça enorme". O médico teve que usar fórceps para ajudar a jovem mãe. Seu pai, o czar Nicolau II escreveu em seu diário:[1]

Cquote1.svg Um dia para ser lembrado para sempre… Exactamente às 9 horas, um choro de bebé foi ouvido e nós todos nos sentimos aliviados! Com uma oração nomeamos a filha enviada a nós por Deus, "Olga". Cquote2.svg
'
Cquote1.svg "Escolhemos o nome Olga porque aparece várias vezes na nossa família e é um antigo nome Russo." Cquote2.svg
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,[2] escreveu o seu pai para a Rainha Vitória.

"Olga", em Russo significa "santa" ou "saudável", e foi escolhido em parte para homenagear a irmã mais nova do Czar e madrinha de Olga, a Grã-duquesa Olga Alexandrovna. O Dia do seu Nome era celebrado todo ano em 24 de Julho (11 de Julho no Calendário Antigo).

Com onze dias de vida, Olga foi baptizada na Igreja Ortodoxa Russa. Como lembra a baronesa Sophie Buxhoeveden:[3]

Cquote1.svg O Baptismo na Igreja do Grande Palácio (ou de Catarina) foi uma esplêndida cerimónia. O bebé foi levado à Igreja em uma carruagem dourada, como uma princesa de contos de fadas. Uma manta dourada revestia seu pequeno corpo, e ela foi carregada com pompa pela velha Princesa Galitzin em uma almofada dourada. A Imperatriz Viúva e a Rainha da Grécia foram suas madrinhas, a Imperatriz Maria, maravilhosamente jovial para a função de avó, carregou o bebé durante a cerimónia. A Grã-duquesa Olga era um bebé loiro e gordo, não apresentava quando pequena a beleza que teria quando cresceu. Cquote2.svg
'

Os irmãos mais novos de Olga eram as Grã-duquesas Tatiana (1897), Maria (1899) e Anastásia (1901) e o Czarevich Alexei da Rússia (1904). Os seus familiares e amigos tratavam-na simplesmente por Olga Nikolaevna ou pelas suas alcunhas de "Olishka" ou "Olya" e não pelo seu título oficial de "Alteza Imperial".[4]

Nos primeiros meses de vida da filha, a czarina Alexandra não se separava dela e insistiu que ela os acompanhasse em uma visita de estado feita à França. Até os dois anos de idade, os seus amigos eram parentes próximos. Ela brincava com sua prima Irina, que era apenas quatro meses mais velha, e também com seus primos Maria Pavlovna e Dmitri Pavlovich. Mas sua amiga mais querida seria sua irmã Tatiana Nikolaevna, que nasceu em 1897. Seus pais escolheram o nome Tatiana por causa das irmãs Olga e Tatiana Larina, do livro Eugene Onegin de Pushkin.[5]

A Grã-duquesa Olga em 1904.

Sobre o relacionamento das duas Grã-duquesas, Pierre Gilliard o tutor de francês escreveu que através da sua beleza e a arte de agradar os outros, Tatiana ofuscava a irmã Olga em público. Esta, descuidada sobre si mesma, parecia ter-se sentado de costas. Mas notou que mesmo assim as duas irmãs eram apaixonadamente devotas uma à outra. E afirmou que, como existiam apenas 18 meses entre elas, isso já era um ponto de união.[6]

As duas partilhavam um quarto, vestiam-se de forma semelhante e eram conhecidas como o "Par Grande". Olga e Tatiana às vezes excluíam as duas irmãs mais novas de suas brincadeiras, nos primeiros anos.

Olga tinha longos cabelos loiro-escuros, o nariz igual ao do pai, e olhos azuis, uma característica dos Romanov.[7] Uma amiga de sua mãe, Lili Dehn disse:[8]

Cquote1.svg A Olga era a menina mais adorável e as pessoas gostavam dela desde o momento em que a olharam. Quando criança ela era franca, aos 15 anos ela era bela. Ela tinha menos de meia altura, com uma compleição jovial, profundos olhos azuis, muitos cabelos castanho claros, e mãos e pés bonitos. Ela levava a vida à sério, e era uma menina inteligente, com uma disposição agradável. Cquote2.svg
'

Desde os seus primeiros anos de vida, Olga era conhecida pela sua personalidade carinhosa e desejo de ajudar outros, mas também pelo seu temperamento imprevisível, honestidade cega e mau humor. Numa ocasião quando era mais nova, perdeu a paciência enquanto posava para um quadro e gritou ao homem: "És um homem muito feio e eu não gosto de ti nem um bocadinho!"[9] Os filhos do czar foram criados da forma mais simples possível, dormindo em colchões duros e, a não ser que estivessem doentes, tomavam banhos de água fria todas as manhãs.[10] Alexandra passou a educação vitoriana que recebera às filhas, jogos de tênis, banhos frios pela manhã e quentes à noite, o que se julgava bom para a saúde. Deu-lhes também uma forte educação religiosa, com a leitura de livros que louvavam a Deus e cumprimento dos rituais da Igreja.[11] No entanto ser filha de um dos homens mais poderosos do mundo tinha a sua influência e a governanta e os tutores de Olga reparavam nos impulsos autocráticos da filha mais velha do czar de todas as Rússias.

Durante uma visita a um museu onde algumas carruagens estavam em exposição, a Grã-duquesa ordenou a um dos empregados que preparasse a maior e mais bonita carruagem para a transportar para todo o lado. Os seus desejos não foram concedidos, para o alivio da sua governanta, Margaretta Eagar.[12] Ela também defendia que os direitos das crianças mais velhas deveriam ser protegidos. Quando lhe contaram a história bíblica de José e o seu casaco de muitas cores, ela simpatizou mais com os irmãos mais velhos do que com José e preferia Golias a Davi.[13]

Olga (centro) com as suas irmãs Maria, Tatiana e Anastásia em 1904.

Olga adorava ler e, ao contrário das suas três irmãs, gostava do trabalho escolar. Diz-se que ela também tocava piano muito bem.[14] Pierre Gilliard, recordou:[15]

Cquote1.svg A mais velha, Olga Nikolaevna, possuía um cérebro extraordinariamente rápido. Ela tinha um grande poder de racionalização, bem como de iniciativa, tinha uma atitude muito independente e um dom para responder rapidamente. Ela deu-me muito trabalho no começo, mas os nossos desentendimentos iniciais foram rapidamente sucedidos por uma relação de franca cordialidade. Ela aprendia qualquer coisa extremamente rápido, e tentava sempre dar um significado original para o que estava aprendendo. Eu lembro-me bem como, na nossa primeira aula de gramática, quando eu estava explicando a formação dos verbos e o uso do auxiliares, ela logo me interrompeu dizendo "Eu entendi, monsieur. Os auxiliares são os servos dos verbos. Só o pobre "avoir" é que tem de se mudar sozinho. Cquote2.svg
'

Porém, Gilliard notou que esperava que as garotas fossem mais avançadas do que atualmente eram[15]– anos depois, outro professor proclamou que as crianças Imperiais eram menos instruídas do que um aluno comum de uma escola secundária.

Olga gostava de ler sobre política e jornais. Também se diz que ela gostava de "roubar" livros da estante da mãe. Quando era apanhada a ler um livro antes da sua mãe, dizia a Alexandra que a czarina tinha de esperar até que ela determinasse se era um livro apropriado para ela ler.[14]

Margaretta Eagar também reparou na inteligência de Olga, mas dizia que ela tinha pouca experiência no mundo real devido à sua vida de protecção. Ela e as irmãs não sabiam quase nada sobre dinheiro, uma vez que não tinham oportunidade de parar em lojas ou ter dinheiro verdadeiro nas mãos. Quando era mais nova, Olga pensou, uma vez, que um vendedor de chapéus que tinha ido ao palácio lhe tinha dado um chapéu como presente. A Grã-duquesa ficou assustada quando viu um policial a prender alguém na rua. Pensou que o policia a iria prender porque ela tinha se portado mal com a governanta. Quando estava a ler uma lição de História, afirmou estar contente por viver na altura em que vivia, onde as pessoas eram boas e não tão más quanto aquilo que tinham sido no passado.[12] Tinha 8 anos, em Novembro de 1903, quando lidou com a primeira morte, quando a sua prima, a Princesa Isabel de Hesse, morreu de febre tifóide enquanto visitava os Romanov na sua propriedade na Polónia.

[editar] Adolescência

Da esquerda para a direita: Tatiana, Olga e Anna Vyrubova em uma praia da Criméia.

Olga era conhecido pelo seu temperamento quente e as pessoas tinham dificuldade em mantê-la sob controle. Sophie Buxhoeveden escreveu que ela tinha um temperamento explosivo. E às vezes contrariava-se quando se sentia ofendida.[16]

O seu tutor inglês, Sydney Gibbes, lembrou que ela tinha um temperamento quente, mas não guardava ressentimentos. Tinha o coração do seu pai, mas faltava-lhe a sua consistência.

Anna Vyrubova, a ama de companhia da Czarina escreveu:[17]

Cquote1.svg A Olga era talvez a mais franca de todas, a sua mente era muito rápida para compreender ideias, e absorvia tanto conhecimento que ela aprendia algo sem aplicação ou sem ter estudado a fundo. As suas principais características, eu devo dizer, eram uma forte força de vontade e um singular hábito de sinceridade no pensamento e ação. Qualidades admiráveis numa mulher, essas mesmas características eram ocasionalmente difíceis de lidar na infância, e Olga quando pequena às vezes mostrava-se incontrolável e desobediente. Ela tinha um temperamento quente o qual, aprendeu a controlar rapidamente e se fosse permitido a ela viver sua vida normalmente ela teria sido, eu acredito, uma mulher de influência e distinção. Cquote2.svg
'

Ela adorava o seu pai e usava sempre uma figura de São Nicolau ao pescoço.[18] Tal como as suas irmãs, gostava de jogar ténis e de nadar com o seu pai durante as férias de Verão e confiava-lhe os seus segredos nas suas longas caminhadas.[14] Embora também adorasse Alexandra, a sua relação com a mãe foi um pouco manchada durante a adolescência e o principio da idade adulta. Enquanto as irmãs ajudavam as empregadas a limpar o quarto e arrumar as camas, Olga às vezes tendia a ser preguiçosa e mandona. A Imperatriz queixava-se do comportamento de Olga de tempos em tempos. Durante a guerra ela escreveu ao marido:[19]

Cquote1.svg A Olga é sempre a mais reticente sobre todas as propostas, embora acabe sempre por fazer aquilo que mando," escreveu Alexandra à Nicolau a 13 de Março de 1916. "E quando eu sou severa, embirra comigo. Cquote2.svg
'
As cinco crianças Romanov em 1909. Cortesia: Beinecke Library.
Olga com Alexei em 1911.

Numa outra carta para Nicolau durante a Primeira Guerra Mundial, Alexandra queixou-se que a teimosia, mau humor e relutância da Olga para fazer uma visita oficial ao hospital onde normalmente trabalhava como enfermeira da Cruz Vermelha, tornava as coisas difíceis.[20] Ocasionalmente, Olga também achava a atitude da sua mãe enervante. Em 1913 queixou-se numa carta à sua avó Maria Feodorovna do fato de a mãe estar sempre doente: "Como de costume, o coração dela não está bem. É tudo tão desagradável."[21]'

A rainha Maria da Roménia, que conheceu Olga e as suas irmãs quando estas visitaram a Roménia numa visita de estado em 1914, comentou nas suas memórias que as raparigas agiam naturalmente e eram abertas quando Alexandra não estava presente, mas quando ela aparecia "elas pareciam estar sempre atentas às suas expressões como se se certificassem de que os seus desejos eram cumpridos."[22]

Um dia, quando tinha 16 anos, Olga estava sentada ao lado do seu irmão Alexei de 7 durante um jantar de família e foi culpada pela mãe por não ter controlado o mau comportamento dele que passou o tempo a implicar com toda a gente, a recusar sentar-se na cadeira, não comia a comida e lambeu o prato. As acusações da czarina não tiveram fundamento, segundo o Grão-Duque Constantino Constantinovitch da Rússia. "A Olga não consegue lidar com ele," escreveu no seu diário no dia 18 de Março de 1912.[23]

Apesar do seu mau comportamento ocasional, Olga, tal como o resto da família, adorava o tão esperado herdeiro e chamava-o carinhosamente de "bebé". O pequeno rapaz sofria frequentes ataques de hemofilia e quase morreu por diversas vezes. Tal como a mãe, Olga e as três irmãs podiam também transportar o gene da Hemofilia.[24]

A baronesa Sophie Buxhoeveden descreveu Olga como loira e alta, com olhos azuis, nariz pequeno, o qual ela chamava "meu humilde nariz arrebitado" e dentes adoráveis. Em sua opinião ela era franca e graciosa tinha ouvido "absolutamente correto" para a música, conseguindo tocar qualquer coisa de ouvido, reproduzir peças complicadas e os acompanhamentos mais difíceis com um toque encantador ao piano; e era ainda bela amazona, dançarina e cantora. Notou no entanto, que Olga era preguiçosa ao praticar, mas quando queria tocava por horas.

Em suas palavras, Olga era direta, falava claramente e sinceramente, tinha um grande charme e era alegre, praticando muitas brincadeiras com seus tutures; já crescida estava sempre disposta a se divertir. Devota ao pai, Olga era generosa, e a um apelo ela rapidamente se dispunha a ajudar. A baronesa observou que a Revolução a afiou mais que aos outros, fazendo com que ela mudasse muito e que seu espírito vivo desaparessece.[16]

Gleb Botkin lembra de Olga como leitora ávida e poetisa de talento considerável, evidenciando a sua amizade com o seu pai, o médico da Corte Eugene Botkin. Ele lembrou que, com o seu pai ela se sentia livre para discutir qualquer coisa que a interessava ou aborrecia referindo-se a ele como ‘ poço fundo de idéias profundas’, e em cartas como ‘Querido Poço’. Sobre Olga, Gleb escreveu:

Cquote1.svg Olga e eu trabalhávamos seriamente com poesia e a Grã-duquesa ficou interessada em meus versos. Seu interesse naturalmente acrescentou mais entusiasmo em meus esforços, e daí em diante eu submeti cada novo verso escrevendo-o a Olga, o qual ela analisava muito cuidadosamente, geralmente dando-me valiosos conselhos, e trocando opiniões sobre rimas, ritmos e outros problemas que eu suponho preocupar os poetas. Assim foi que eu conheci e apreciei o caráter fino e sensível da Grã-duquesa Olga… Ela era por natureza uma pensadora e como me pareceu mais tarde, entendia da situação geral melhor do que qualquer outro membro da família, incluindo até seus pais. Por fim, eu tive a impressão de que ela tinha poucas ilusões em relação ao que o futuro ia reservar a eles, e em conseqüência estava ocasionalmente triste e aflita. Mas tinha uma doçura em seu redor que evitava afetar alguém em uma maneira depressiva, até mesmo quando ela se sentia assim. Cquote2.svg
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Em suas memórias, A.A. Mossolov observou que Olga aos dezessete anos já era uma jovem senhorita, mas continuava a agir como criança. Descreveu a Grã-duquesa como tendo bonitos cabelos claros e um rosto puramente russo, largo e oval, que não era regular, mas com um colorido e sorriso, que mostravam dentes brancos, dando jovialidade a ela. Segundo ele, o caráter de Olga era bom, com uma amabilidade angelical.[25]

As quatro irmãs, usavam Perfumes Coty. O perfume preferido de Olga era o Rose Thé.[26]

[editar] Rumores de casamento

Olga com o seu pai e oficiais em 1912.

Olga e as irmãs mais novas estavam rodeadas de homens novos que as protegiam no palácio e no Iate da família, o "Standard" e estavam habituadas a misturarem-se com eles e a partilhar a diversão das férias durante o cruzeiro anual que costumavam fazer no Verão. Quando Olga tinha 15 anos, um grupo de soldados que seguia a bordo do iate ofereceu-lhe um retrato do nu David de Miquelângelo, cortado de um jornal, no seu dia do nome a 11 de Julho de 1911.

"A Olga riu-se muito dele," escreveu a sua indignada irmã Tatiana à sua tia Olga Alexandrovna. "E nenhum dos soldados deseja confessar que foi ele quem o fez."[27]

Ao mesmo tempo que a adolescente Olga estava a aproveitar as suas inocentes paixonetas, a sociedade começava a falar sobre o seu futuro casamento. Em Novembro de 1911, um baile formal foi organizado para celebrar o seu 16º aniversário e a sua entrada para a sociedade. Os seus pais ofereceram-lhe um anel de diamantes e um colar de diamantes e pérolas como presente de aniversário e um símbolo de que ela se tinha tornado numa jovem mulher.[28]

Uma mulher de um general escreveu no seu diário, no Verão seguinte, a 7 de Junho de 1912, que Olga tinha ficado noiva do Grão-Duque Dmitri Pavlovich da Rússia (primo em primeiro grau e, mais tarde, um dos assassinos de Rasputine) na noite anterior. No livro "Rasputin File", no entanto, Edvard Radzinsky, especula que o noivado acabou por ser cancelado devido ao fato de Dmitri não gostar de Rasputine, à sua ligação com o Príncipe Yussupov e aos rumores de que era bissexual.[29]

Contudo, nenhuma outra fonte menciona um noivado oficial. Antes da Primeira Guerra Mundial, havia alguma discussão sobre o casamento de Olga com o Príncipe Carlos da Roménia, mas ela não gostava dele. Durante uma visita ao país em 1914, ela fez o possível para não falar com o príncipe. A sua mãe, a rainha Maria da Roménia, não ficou impressionada com Olga, afirmando que as suas maneiras eram demasiado bruscas e que ela não era bonita.[30] Os planos entraram então em pausa com a Guerra em 1914. O Príncipe Eduardo, filho mais velho do rei de Inglaterra, Jorge V e o Príncipe da Sérvia também foram mencionados, mas nunca levados a sério. Olga disse uma vez ao seu tutor francês Pierre Gilliard que queria casar com um russo e permanecer no seu país. Disse também que os pais não a podiam forçar a casar com alguém de quem ela não gostasse.[31]

[editar] Primeira Guerra Mundial

Olga (esq.) e a irmã Tatiana tratam de um paciente durante a Primeira Guerra Mundial.

Durante a Primeira Guerra Mundial, Olga, Tatiana e a sua mãe Alexandra foram enfermeiras pela Cruz Vermelha e foram expostas a experiências pelas quais nunca tinham passado.

Olga preocupava-se e tinha pena dos soldados que ajudava a tratar. Contudo, o stress de cuidar de homens quase mortos eventualmente também afetou a sua sensibilidade. A sua irmã Maria contou numa carta que ela partiu três vidros de uma janela durante um ataque de raiva com o seu guarda-chuva no dia 5 de Setembro de 1915.[32] No dia 19 de Outubro passou a exercer funções apenas no escritório do hospital por já não aguentar o tormento da sala de operações.[33] Teve de receber injeções de arsénio no mesmo mês, uma vez que era este o tratamento da altura para depressões ou distúrbios nervosos. Durante este período Olga perdeu muito peso.[34]

[editar] Exílio e execução

Olga em 1916.

Olga e a sua família foram presos após a abdicação do pai Nicolau II devido à Revolução de Fevereiro de 1917. Primeiro no Palácio de Alexandre, depois em Tobolsk e, finalmente, em Ekaterinburgo.

Durante o tempo em que esteve presa com o resto da família, Olga tentou dar conforto aos seus pais e irmãos.[35]

Há relatos de que o seu pai lhe deu um pequeno revólver que ela escondia num sapato durante o tempo em que estiveram presos em Czarskoe Selo e Tobolsk, no entanto, o coronel Eugene Kobylynsky aconselhou-a a deixar a arma para trás antes de a família partir para Ekaterinburgo, ao que a Grã-Duquesa assentiu relutantemente.[36]

Durante os seus últimos meses, Olga esteve profundamente deprimida e perdeu uma grande quantidade de peso.[37] Um dos guardas recordou nas suas memórias:

Cquote1.svg Ela estava magra, pálida e tinha um ar doente. Deu poucos passeios pelo jardim e passou a maior parte do tempo com o irmão. Cquote2.svg
'

Outro guarda recordou que das poucas vezes que saia de casa, ficava parada no mesmo lugar "a fixar tristemente a distância, tornando fácil a leitura das suas emoções."[38] Mais tarde Olga zangou-se com as irmãs mais novas Maria e Anastásia, por serem "demasiado simpáticas" com os guardas.[39]

Olga foi forçada a assistir à morte da sua adorada irmã Tatiana (que se encontrava ao seu lado) antes de ela própria ser morta com o resto da família, na noite de 17 de Julho de 1918.[40] Já depois da sua morte, o seu antigo tutor, Pierre Gilliard, descobriu uma oração escrita por ela dentro de um livro que ele tinha conseguido resgatar da "Casa Para Fins Especiais":

Cquote1.svg Dai-nos, Senhor, a paciência, neste ano de dias de tempestade e cheios de trevas, para conseguirmos sofrer a opressão popular e as torturas dos nossos carrascos. Dai-nos a força, ó Senhor da justiça para perdoar-nos o mal dos nossos irmãos e para carregar a Cruz tão pesada e sangrenta, com a tua humildade. Nos dias em que os inimigos nos roubam, que consigamos suportar a vergonha e a humilhação, Cristo, nosso salvador, ajuda-nos. Mestre do mundo, Deus e do Universo, abençoa-nos com rezas e dá às nossas almas o humilde descanso nesta hora horrível e insuportável. No limiar da nossa sepultura, respira para os lábios dos teus humildes escravos força maior do que a força humana - para rezar pelos nossos inimigos. Cquote2.svg
'

[41]

Olga Nikolaevna foi assassinada com 22 anos de idade. Encontra-se sepultada na Fortaleza de Pedro e Paulo, São Petersburgo na Rússia.[42]

[editar] Canonização

Em 2000, Olga e sua família foram canonizados como Portadores da Paz pela Igreja Ortodoxa Russa. A família foi anteriormente canonizada em 1981 pela Igreja Ortodoxa Russa no estrangeiro como Santos Mártires. Os corpos do czar Nicolau II, da czarina Alexandra e de três filhas foram finalmente enterrados na Catedral de São Pedro e Paulo em São Petersburgo em 17 de julho de 1998, oitenta anos após seu assassinato.[43]

[editar] Genealogia

Os antepassados de Olga Nikolaevna da Rússia em três gerações
Olga Nikolaevna da Rússia Pai:
Nicolau II da Rússia
Avô paterno:
Alexandre III da Rússia
Bisavô paterno:
Alexandre II da Rússia
Bisavó paterna:
Maria de Hesse-Darmstadt
Avó paterna:
Maria Feodorovna
Bisavô paterno:
Cristiano IX da Dinamarca
Bisavó paterna:
Luísa de Hesse-Kassel
Mãe:
Alexandra Feodorovna
Avô materno:
Luís IV de Hesse-Darmstadt
Bisavô materno:
Carlos de Hesse-Darmstadt
Bisavó materna:
Isabel da Prússia
Avó materna:
Alice do Reino Unido
Bisavô materno:
Alberto de Saxe-Coburgo-Gota
Bisavó materna:
Vitória do Reino Unido

Referências

  1. Diários de Nicolau II de 1895
  2. cartas de Nicolau II de 1895
  3. Buxhoeveden, Baroness Sophie. "The Life and Tragedy of Alexandra Feodorovna: Empress of Russia". alexanderpalace.org.
  4. Massie (1967), p. 135
  5. A Lifelong Passion: Nicholas and Alexandra: Their Own Story, 1997, p. 163
  6. Gilliard, Pierre. ""Thirteen Years at the Russian Court
  7. Massie, Nicholas and Alexandra, pp. 132–133
  8. Dehn, Lili (1922). "The Real Tsaritsa". ISBN 5-300-02285-3
  9. Eagar, Margaret (1906). ""Six Years at the Russian Court"" alexanderpalace.org.
  10. Massie (1967), p. 132
  11. Radzinsky (1992)
  12. a b Eagar, Margaret (1906). ""Six Years at the Russian Court"". alexanderpalace.org.
  13. Título ainda não informado (favor adicionar).
  14. a b c Massie (1967), p. 133
  15. a b Gilliard, Pierre. ""Thirteen Years at the Russian Court"
  16. a b Buxhoeveden, Sophie "The Life and Tragedy of Alexandra.
  17. Vyrubova, Anna. ""Memories of the Russian Court"". [1].
  18. Radzinsky (1992), p. 358
  19. Bokhanov et al., p. 124
  20. King and Wilson, p. 47
  21. King and Wilson, p. 46
  22. King and Wilson, p. 45
  23. Maylunas and Mironenko, p. 352
  24. Vorres, p. 115
  25. Mossolov, A. A. "At the Court of the Last Tsar".
  26. Massie (1969), p. 126
  27. Bokhanov et al., p. 123
  28. Massie (1967), p. 179
  29. Radzinsky (2000), pp. 181–182
  30. Sullivan, p. 280
  31. Massie, p. 252
  32. Cartas de Maria Nikolaevna de 1915
  33. ""Olga Breaking Windows"". alexanderpalace.org (2006)
  34. Cartas da Czarina Alexandra para o Czar Nicolau II
  35. Cartas de Olga Nikolaevna de 1917
  36. "Olga Armed," discussão no fórum do [www.forum.alexanderpalace.org alexanderpalace.org]".
  37. Christopher, Kurth, and Radzinsky, p. 180
  38. King and Wilson, p. 238
  39. King and Wilson, p. 246
  40. Relatório Yurovsky
  41. Radzinsky, p. 359
  42. Olga Nikolaevna Romanova no Find a Grave
  43. Shevchenko, Maxim (2000) "The Glorification of the Royal Family" Nezavisimaya Gazeta

[editar] Bibliografia

[editar] Ligações externas

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