Operação Downfall

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A Operação Downfall foi o nome de código dado ao plano dos Aliados para a invasão do Japão no final da Segunda Guerra Mundial. A operação foi cancelada quando o Japão se rendeu, após aos Bombardeamentos de Hiroshima e Nagasaki e a invasão soviética na Manchúria.

História[editar | editar código-fonte]

O plano da Operação Downfall

A invasão do Japão estava nos planos dos aliados na Segunda Guerra Mundial desde o início das hostilidades. Existe, entretanto, muita controvérsia a respeito da invasão, pois tendo em vista a combatividade dos soldados japoneses, esperava-se um "banho de sangue", com um número expressivo de baixas.

A Operação Downfall consistia em duas etapas de desembarques anfíbios no arquipélago nipônico. A primeira etapa (Operação Olympic) seria na porção meridional do arquipélago, em novembro de 1945 (ilhas de Kyushu e Shikoku), enquanto a URSS invadiria a ilha setentrional (Hokkaido). A segunda etapa (Operação Coronet) seria a invasão da ilha principal (Honshu) em março de 1946.

Os americanos estavam divididos em relação ao procedimento a ser adotado. O grupo político de Roosevelt pretendia manter o planejado e invadir o território japonês juntamente com a União Soviética. Entretanto o grupo político em torno de Truman preferia utilizar a bomba atômica para apressar o fim da guerra e evitar que tropas soviéticas também ocupassem partes do Japão.

Quando Roosevelt morreu e Truman assumiu o poder, a guerra na Europa já havia se encerrado. O sucesso do teste da bomba atômica fortaleceu a ideia de um ataque nuclear ao Japão como forma de acelerar o fim da Guerra.

Caso o Japão não se rendesse mesmo diante das bombas atômicas e da ofensiva soviética contra suas forças que ocupavam a China e Coreia, os americanos pretendiam utilizar outras 5 bombas contra as grandes concentrações de forças militares japonesas em Novembro, quando a Operação Downfall seria concretizada.

Os bombardeios atômicos de Hiroshima e Nagasaki

Dois dias antes da planejada declaração de guerra soviética ao Japão (08/08/1945) os EUA lançam a primeira bomba atômica contra Hiroshima (06/08/1945). No dia do início da ofensiva soviética contra as forças japonesas no continente (Operação Tempestade de Agosto), foi lançada a segunda bomba atômica sobre o Japão, na cidade de Nagasaki (09/08/1945).

Os americanos acreditavam que devido à enorme tradição e o amor que os japoneses possuem por sua terra natal, o bombardeio de Hiroshima e Nagasaki causaria, além da destruição física e econômica destas, um grande impacto psicológico no povo e nos governantes japoneses. Com isto, os EUA acreditavam que o Japão finalmente se renderia.

A potência explosiva dos artefatos nucleares bem como a destruição e o número de baixas causados nas explosões arrefeceram os ânimos dos Japoneses, ocasionando a rendição dos mesmos e então o término da Guerra do Pacífico, desencadeando o fim da Segunda Guerra Mundial.

Curiosidades sobre a bomba atômica[editar | editar código-fonte]

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  • O presidente Harry Truman ordenou que a bomba só poderia ser jogada se a visibilidade da cidade em questão fosse perfeita. Uma hora à frente do Enola Gay, três aviões meteorológicos estavam responsáveis por determinar o real alvo da bomba. O comandante da Força Aérea, Carl Spaatz, escolheu as cidades-alvo, em ordem de prioridade: Hiroshima, Kokura, Niigata e Nagasaki. Um dos aviões avisou à Casa Branca: "Em Hiroshima está uma manhã clara de verão". Devido a esta declaração, foi avisado ao Enola Gay qual seria o destino da bomba. No dia do ataque a cidade de Niigita estava com o tempo nublado, e Nagasaki, o "plano B" acabou sendo alvo do bombardeio nuclear.
  • Devido a diversos acidentes na decolagem dos B-29, o coronel Paul Tibbets, amedrontado com o possível desastre que seria um avião explodir com uma bomba atômica armada dentro, decide deixar a mesma desarmada. Durante o voo, ele foi o responsável por armar a bomba, em pleno ar.
  • A carta de justificação do ataque, que foi lida na manhã seguinte pelo presidente, encontrava-se totalmente preenchida antes do bombardeio, porém com uma exceção: O local onde deveria ficar o nome da cidade estava em branco. Apenas após a confirmação do avião meteorológico que Hiroshima estava em "perfeitas condições", foi que a carta teve seu preenchimento finalizado.
  • O presidente Truman afirmou publicamente que o ato genocida contra uma imensa área densamente habitada por civis comuns japoneses (a exemplo de Dresden no front Oeste) tinha como pretexto o ataque japonês a área militar de Pearl Harbor. Afirmou também que o uso de armas atômicas era uma maneira de "encurtar" a guerra, salvar vidas americanas exterminando civis japoneses inocentes (boa parte crianças, refugiados e idosos, já que os homens jovens estavam no front militar) e, também, como reciprocidade desproporcional, vingando em civis comuns inocentes vidas de militares perdidas no front comum.
  • A onda de calor, que chegou a 3871°C, queimou tudo que se localizava em um raio de 10 km. A potência da bomba,lançada em Nagasaki, foi de 20 kilotons, matando cerca de 200 mil japoneses. Devido a radiação presente na bomba, os japoneses que sobreviveram ao ataque tiveram vários problemas de saúde. Houve inúmeros casos de crianças que nasceram com problemas físicos e/ou mentais devido as alterações genéticas causadas pela bomba, bem como a presença de leucemia.
  • Meses após o ataque, era comum que as queimaduras causadas pela bomba ainda não estivessem cicatrizadas.

O fim da Operação Downfall e as conseqüências do ataque nuclear[editar | editar código-fonte]

No Japão uma rebelião de generais tem início em 12 de agosto, e culmina com um processo de quase golpe de Estado no dia 14. No dia 15 de agosto o Japão declara a rendição, mas as forças americanas e soviéticas só interrompem o avanço em 01 de Setembro, nas vésperas da assinatura da rendição em 2 de setembro. Neste meio tempo a Coreia foi dividida em duas partes, ao norte ocupada pelos soviéticos e ao sul pelos americanos.

A primeira consequência foi operacional da rendição nestes moldes significou o cancelamento da Operação Downfall. Dentro dos EUA isto deu mais força aos que defendiam quem os Estados Unidos deveriam governar o mundo sozinhos e não em aliança com a União Soviética como defendia Roosevelt.

Em termos estratégicos e históricos, os ataques nucleares ao Japão podem ser pensados como o primeiro ato da Guerra Fria. Significou garantir o Japão como país ocupado exclusivamente pelas tropas americanas, sem ingerência soviética, portanto aliado dos EUA. Ao mesmo tempo preparou terreno para uma divisão mal resolvida da Coreia, que desembocaria em novos conflitos (a Guerra da Coreia entre 1950 e 1953), principalmente após a vitória dos comunistas na China em 1949.

O cancelamento da Operação Downfall na dramática sequência dos bombardeamentos de Hiroshima e Nagasaki também pode ser pensado como o início da corrida armamentista entre EUA e URSS, pois os soviéticos iniciaram um esforço desenfreado para obter esta nova arma.

Referências[editar | editar código-fonte]

  1. Allen, Thomas B.; Polmar, Norman (1995). Code-Name Downfall. New York: Simon & Schuster. ISBN 0684804069.
  2. Atomic Bomb: Decision — Target Committee, May 10–11, 1945. Página visitada em 6 de agosto de 2005. http://www.dannen.com/decision/targets.html
  3. Skates, John Ray (1994). The Invasion of Japan: Alternative to the Bomb. Columbia, SC: University of South Carolina Press. ISBN 0872499723.
  4. Richard B. Frank, "Why Truman dropped the bomb: sixty years after Hiroshima, we now have the secret intercepts that shaped his decision", The Weekly Standard, (August 8, 2005): p. 20. http://www.weeklystandard.com/Utilities/printer_preview.asp?idArticle=5894
  5. Sutherland, Richard K. et al., "DOWNFALL": Strategic Plan for Operations in the Japanese Archipelago; 28 May 1945. (PDF http://www.blackvault.com/documents/wwii/marine1/1239.pdf. Retrieved December 4, 2006.)
  6. Thomas, Evan (March 2007). "The Last Kamikaze". World War II Magazine: 28.
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  1. Thomas B. Allen and Norman Polmar, Code-Name Downfall: The Secret Plan to Invade Japan- And Why Truman Dropped the Bomb (New York: Simon & Schuster, 1995), ISBN 0684804069.