Operação Prato

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A Operação Prato foi uma investigação militar realizada pelo Primeiro Comando Aéreo Regional - I COMAR, órgão da Aeronáutica brasileira sediado em Belém, capital do Pará, entre os meses de outubro e dezembro de 1977, para investigar o aparecimento e movimentação dos chamados Objetos Voadores Não Identificados - OVNI, nos municípios de Vigia do Nazaré, Colares e Santo Antônio do Tauá[1] , além de estranhos fenômenos associados ao corpos luminosos não identificados, chamados pela população de "chupa-chupa"[2] , relativos a ataques com raios de luz, causadores de queimaduras, perfurações na pele e mortes[nota 1] . Documentos oficiais guardados no Arquivo Nacional em Brasília e documentos extraoficiais vazados e divulgados pela mídia são os principais registros do período[nota 2] . Também envolveram-se nas investigações dos fenômenos os extintos Serviço Nacional de Informações - SNI[3] e o Centro de Informações de Segurança da Aeronáutica - CISA[4] .

Antecedentes[editar | editar código-fonte]

Caso Ilha dos Caranguejos-MA[editar | editar código-fonte]

A Ilha dos Caranguejos fica na Baía de São Marcos, próxima a Ilha de São Luiz no Maranhão. É desabitada, sujeita a inundações pelas marés, repleta de cobras e mosquitos. 

No dia 25 de abril de 1977, quatro homens se dirigiram a Ilha dos Caranguejos de barco, para a coleta de madeira. Por força das marés, os quatro ao final dos trabalhos precisavam esperar até a meia-noite para que a maré subisse novamente e o barco fosse liberado para navegar. Por volta das 20h foram dormir, sendo acordados pelos solavancos da maré no casco somente as 5h. Um dos homens, Apolinário, dormindo no convés, acordou e logo foi acudir Auleriano e Firmino no porão, ambos reclamando de dor. Apresentavam queimaduras de segundo grau. O quarto homem, José, deitado na rede, estava morto. Apolinário levou-os para o continente. A polícia maranhense investigou o caso e nunca chegou a uma conclusão. Os três sobreviventes nunca lembraram dos acontecimentos daquela madrugada, mesmo após hipnose regressiva pelo doutor Silvio Lago[nota 3] . A única referência do causador da tragédia foi atribuída a um dos sobreviventes, Firmino, que teria dito no hospital "um fogo" antes de desmaiar [5] .

O Instituto Médico Legal - IML do Maranhão determinou a morte de José como causada por hipertensão, gerando um acidente vascular cerebral, devido a choque emocional. Os ferimentos de Firmino e Auleriano foram comprovados em corpo de delito[6] [7]

A imprensa do Maranhão rapidamente noticiou a tragédia. O Jornal Pequeno em 29 de abril de 1977: "Misterioso Acontecimento na Ilha dos Caranguejos". O Estado do Maranhão em 1 de maio de 1977: "Sobreviventes da Ilha dos Caranguejo estão incomunicáveis". O mesmo jornal em dias posteriores continuou a dar cobertura ao caso[8]

O jornal O Liberal de Belém, Pará, associou o caso as estranhas luzes voadoras não identificadas sobre municípios do Maranhão. Registrou também que os noticiários de televisão da capital São Luiz divulgavam as ocorrências das estranhas luzes em Cajapió. E mais, conta uma história detalhada sobre o que ocorreu no barco, sobre uma luz brilhante que invadiu o porão da embarcação, vinda de um "objeto volumoso e pesado", contrastando com os depoimentos conhecidos dos sobreviventes de que nada lembram dos acontecimentos daquela noite[nota 4] .

Duas hipóteses surgiram na época para explicar o caso: algum tipo de descarga elétrica de fenômeno atmosférico, como um raio, defendido por médicos e policiais ou a ação mortal das luzes voadoras, os famosos discos voadores, divulgada pela imprensa.

A Baixada Maranhense[editar | editar código-fonte]

Mapa de Municípios do Maranhão com Relatos de OVNI em 1977

O jornal o Estado do Maranhão em 14/07/77 noticiou vários relatos de encontros com as estranhas luzes voadoras, entre a população da Baixada Maranhense, microrregião com 21 municípios, geograficamente localizada próxima a Baia de São Marcos e a Ilha dos Caranguejos. No município de São Bento um lavrador viu um misterioso objeto em forma de pipa, tão luminoso que caiu do cavalo e desmaiou. Na fazenda Ariquipa, um homem foi queimado por uma tocha vinda de uma grande bola. Em Bom Jardim uma mulher foi atingida por um raio emitido por uma bola de fogo e desmaiou, sem queimaduras[9] .

No município de Pinheiro uma viatura levando o delegado e soldados foi perseguida por um Objeto Voador Não Identificado - OVNI que emitiu sinais luminosos , interpretado como uma tentativa de comunicação. No município de São Vicente do Ferrer o delegado sacou o revolver para atirar num OVNI sobre sua residência mas a forte luz emitida o impediu[nota 5] .

Na capital federal, Brasília, as notícias também chegaram. O Jornal de Brasília em 30/07/77, trazia informações do Maranhão, dando conta da extensa área geográfica onde eram observadas luzes no céu. Habitantes dos municípios de Perimirim, São Bento, Santa Helena, Pinheiro, Guimarães e Bequimão na Baixada Maranhense sofriam crises nervosas. O líder do Governo na Assembléia Legislativa, conta que ele e mais cem pessoas viram um ponto de luz irradiando focos de luz no Porto de Itauna e que os "lavradores temem também ser vítimas da luz que queima e adoece a quem ela atinge". O deputado estadual, porém, alerta não haver registro de casos de queimaduras. A notícia finaliza com uma estimativa grandiosa, atribuída ao Coordenador de Segurança do Estado: 50% da população da Baixada Maranhense já tinha visto o “estranho objeto[10] .

Medo e Pavor em Viseu-PA[editar | editar código-fonte]

O município de Viseu no Pará, localiza-se as margens do Rio Gurupi, fronteira natural entre os estados do Pará e Maranhão.

A imprensa também registra nesse município o aparecimento de luzes no céu e supostos ataques com raios a população, além da presença de uma entidade capaz de sugar sangue de suas vítimas. O período temporal das notícias no Pará coincide com a das publicadas no Maranhão. Em 10 de julho de 1977 várias histórias foram publicadas sobre a "lanterna com luz forte" que rondava os arredores de Viseu, como Curupati, Urumajó e Itaçu. Como a de dois moradores mortos após serem chupados por uma luz que voava, mas o delegado e um deputado esclareciam que ninguém sabia informar a identidade das vítimas[nota 6] .

Em 11 de julho de 1977 uma extensa matéria é publicada com diversas histórias. Na Vila do Piriá, a 14 km de Viseu, "a luz do Diabo" causou uma doença num morador, acabando com sua vitalidade. Informava que dezenas de caboclos do lugar haviam vivido aventuras com a luz voadora. Na Vila do Itaçu, 15 km de Viseu, ninguém havia visto a luz, mas todos acreditavam. Em Viseu um menino de nove anos foi envolvido por uma luz amarela que depois subiu ao céu em velocidade vertiginosa, ficando acamado por três dias com tremores e febre. Dois pescadores viram um "tamborão" luminoso e voador se aproximar da canoa onde estavam. Um caçador foi atingido pela luz em seu braço, dizendo que ela parecia furar sua carne e osso "e sentiu que toda a sua vitalidade estava sendo sugada"[nota 7] .

Os Fenômenos na Baia do Marajó[editar | editar código-fonte]

Entre o município de Viseu e a Baia do Marajó temos uma extensa faixa de litoral, pelo qual as luzes voadoras foram deixando rastros. Antes de chegar a Baia, há registros de observações e ataques de raios de luz em vários municípios, como Quatipuru/PA[11] e Maracanã/PA[12] .

Em 20 de outubro de 1977, a população do município de Vigia do Nazaré, 99 km de Belém, presenciou as 18h45min o ostensivo surgimento de objetos cruzando o céu, causadores, aparentemente, de um apagão de energia elétrica. O prefeito relata ter ouvido rumores nas ruas “dando conta que um objeto estranho cruzava os céus em espantosa velocidade e lançando uma luz amarela. Como já tivesse ouvido falar na aparição desses objetos, correu até a janela de sua casa, divisando então a olho nu quando um subia da Ilha de Tapará que fica localizada por trás da cidade sem ruídos e sem deixar rastros tomava rumo do povoado de Santo Antônio de Ubintuba”[nota 8] . A reportagem de 20 de outubro de 1977 do jornal A Província do Pará sobre objetos sobrevoando Vigia do Nazaré e sobre o desespero reinante no povoado de Santo Antônio do Ubintuba (“Ubintuba pode ser abandonada”), acrescida da manifestação do prefeito claramente a favor da ajuda militar, coloca em cena o Primeiro Comando Aéreo Regional, o I COMAR, órgão da Força Aérea Brasileira, sediado em Belém.

Registros Militares: Oficiais e Vazados[editar | editar código-fonte]

Composição de páginas do documento Registro de Observações de OVNI

Em setembro de 1991 relatórios elaborados durante a missão militar foram vazados para publicação em revista do gênero, chamada UFO Documento[13] . Em outubro de 2008, o Centro de Documentação e Histórico da Aeronáutica – CENDOC, enviou ao Arquivo Nacional em Brasília envelopes com os primeiros documentos sigilosos sobre OVNI, após uma campanha iniciada em 2004 pela liberdade de informação sobre objetos voadores não identificados, que recolheu milhares de assinaturas, capitaneada pela Comissão Brasileira de Ufólogos – CBU[14] . Em abril de 2009 novos lotes foram liberados e finalmente apareceram os primeiros documentos sobre a operação militar no Pará[15] . Ainda em 2009, o Gabinete de Segurança Institucional da Presidência – GSI, liberou lote de documentos do antigo Serviço Nacional de Informações - SNI sobre a operação no Pará[16] . O lote continha várias paginas iguais ou semelhantes àquelas existentes nos relatórios vazados, confirmando a autenticidade de muitas delas. O principal documento liberado pelas autoridades chama-se “Registros de Observações de OVNI”, uma coletânea de 130 registros, emitido pelo I COMAR e enviado ao Estado Maior da Aeronáutica em fevereiro de 1979[17] .Um cruzamento desses registros oficiais com existentes em documento vazado, denominado “Resumo Sintético Cronológico”, onde estão relacionadas 284 observações militares e relatos de civis, permite obter 99,2% de comparações positivas entre os documentos nas datas e horários, com descrições entre idênticas e muito semelhantes, com apenas um registro em cento e trinta sem seu par correspondente. Outro cruzamento, desta vez de um subconjunto de 122 observações militares de 1977 do vazado “Resumo Sintético Cronológico” com seus pares registrados nos relatórios de missão vazados, obtêm-se uma correspondência 94,2% de comparações positivas[nota 9] . Esses documentos estão disponíveis na rede, os oficiais e os vazados. No sitio do Arquivo Nacional, sob o código de referencia BR AN,BSB ARX, é possível ter acesso por meio digital a todos os arquivos oficiais OVNI liberados até o momento. Os vazados, entregues a ufólogos, estão hospedados em sitio mantido pela Revista UFO. No sítio de Fernando Rodrigues na UOL temos os arquivos completos do SNI[18] .

Conjunto de Observações e Relatos[editar | editar código-fonte]

Os dois documentos que formam a coletânea dos registros das observações realizadas pelos agentes da 2a Seção, pelos informantes civis e informantes militares são os documentos “Resumo Sintético Cronológico” (vazado) e o “Registros de Observações de OVNI” (oficial). Eles incluem, além do período clássico da Operação Prato, período posterior de monitoramento do I COMAR, finalizado em novembro de 1978. O primeiro é o conjunto total de observações, incluindo satélites artificiais. O segundo, um extrato particular dos objetos observados, considerados relevantes e não identificados.

Documento Total de Registros Reg em 77 Reg em 78
Sintético Cronológico 284 195 89
Observações OVNI 130 82 48

Ambos são documentos resumo e as observações originais, via de regra, estão contidas nos relatórios da primeira e segunda missão da Operação Prato, nos relatórios do agente Flávio Costa em vigílias na Baia do Sol e visitas particulares a Colares e região (1978) e relatórios de missões específicas (fazenda Jejú).

Região[editar | editar código-fonte]

Região Atingida no Pará[editar | editar código-fonte]

Mapa de Abrangência dos Relatos Civis e Observações Militares de OVNIS em 1977 no Pará

A região afetada pelos fenômenos no Pará concentrou-se numa faixa de cerca de 260 quilômetros do litoral nordeste paraense banhado pelo Oceano Atlântico. No extremo Leste o Rio Gurupi, divisa natural com o Maranhão e a Oeste a Baia do Marajó.

Região Coberta pela Operação Prato[editar | editar código-fonte]

As localidades geográficas cobertas foram principalmente a Baia do Marajó, Baia do Sol, Rio Bituba, Ilha de Colares e municípios de Santo Antônio do Tauá, Vigia do Nazaré, Colares, Ananindeua, Castanhal e Belém (Ilha do Mosqueiro).

Primeira Missão Militar 20/10 a 11/11/77[editar | editar código-fonte]

Mapa de Municípios - Operação Prato

No dia 20/10/1977 à tarde, uma equipe da seção de informações do I COMAR, conhecida como 2ª Seção ou A2, composta de três agentes, sai de Belém em direção ao município de Santo Antônio do Tauá, distante cerca de 60 km da capital. Nos primeiros dias realizaram uma série de entrevistas com habitantes dos municípios de Tauá, Colares e de povoados próximos ao Rio Bituba, como Santo Antônio do Ubintuba, Vila Nova do Ubintuba e Paraíso do Ubintuba todos no município de Vigia e na Burrega em Tauá. Realizam também as primeiras observações de objetos voadores, alguns identificados, outros não. Durante os primeiros dias o chefe da 2ª Seção, coronel Camillo Ferraz de Barros, além de uma equipe médica militar, citada na documentação vazada, mas nunca identificada em suas páginas, acompanham depoimentos e chegam a ter suas próprias observações de objetos voadores. Logo no início da missão incorporam-se dois grandes personagens da Operação Prato: o sargento Flávio Costa e à época capitão, Uyrangê Hollanda, ambos lotados na 2ª Seção. O então capitão Hollanda assumiu a chefia da operação em 01/11[19] .

A base de operações se estabeleceu em Colares dia 29/10. O sargento Flávio Costa registrou em relatório específico uma descrição de como os cidadãos de Colares estavam percebendo os fenômenos e como estavam sendo afetados. Conta dos ataques com foco de luz, a “histeria coletiva” em que se encontrava a população e testemunha as constantes procissões de moradores soltando fogos e tiros para afugentar as luzes. Em resumo, a sociedade local estava apavorada. Também deixa claro o papel negativo e irresponsável da imprensa na criação do chupa-chupa: “do monstro criado pela imprensa”. Segundo o relatório: “Em sua totalidade a região (...) tem por habitantes pessoas de índice cultural, sócio-econômico e sanitário dos mais baixos, aliados a crendices e formação simples, facilmente influenciados pelos meios de comunicação, nem sempre usados por pessoas escrupulosas.”[20] .

No dia 01/11 encontramos o maior contingente militar registrado na documentação da Operação Prato: o chefe da 2ª Seção, o chefe da Operação, uma equipe de três sargentos da 2ª Seção e quatro tripulantes de um helicóptero Bell H-1H Huey. Ao todo 9 militares.

Observações Militares Significativas[editar | editar código-fonte]

01/11/1977 – 19h00min – Município de Colares

Um corpo luminoso amarelado de forte intensidade vindo da baia do Sol, inicialmente a 2.000 m de altitude entrou no campo de visão dos militares e da população. Vinha em trajetória descendente ligeiramente curva emitindo lampejos azulados intensos. Possuía em sua parte superior um semicírculo avermelhado. Sua velocidade era cerca de 800 km/h, mas na retomada do voo em ascensão acelerou surpreendentemente atingindo velocidade supersônica, curvou levemente no sentido contrario a primeira curva, alterou sua cor para vermelho rubro e parou de emitir os lampejos azulados[21] .

06/11/1977 05h20min e 05h25min – Município de Colares

06 de novembro de 1977 Eventos em Colares, Operação Prato

As 05h20min, vindo da direção sudoeste, sobre a Baia do Marajó, a 5.000 m de distancia um corpo luminoso de cor amarelo avermelhado seguiu uma trajetória reta descendente, emitindo lampejos intermitentes azulados de intenso brilho. Chegou a 500 m de distância e 200 m de altitude. Abruptamente virou para a esquerda na direção sul-sudeste, em ascensão, com recuperação de velocidade, subindo para 3.000 m de altitude e atingindo velocidade supersônica, sem emitir boom sônico ou deslocar o ar, numa rota em direção ao município de Tauá em longa reta.

As 05h25min outra passagem de corpo luminoso amarelo avermelhado, vindo da Baia do Marajó pela direção nor-noroeste, começou a ganhar grande velocidade. O objeto procedeu a uma curva em ascensão a esquerda, quando a distancia estimada de 800 m, fez outra curva agora para o nordeste, nesse momento foi estimada em 1.500 m sua altitude e velocidade acima de 800 km/h; assumiu uma trajetória reta, desaparecendo rapidamente[22] .

Depoimentos Relevantes[editar | editar código-fonte]

Foram colhidos 42 depoimentos: 11 em Tauá, 11 em Ubintuba e 20 em Colares. Abaixo, resumidos cinco deles, todos registrados no documento oficial do I COMAR, Registro de Observações de OVNI.

Registro número 1 - Registro de Observações de OVNI

Registro número 1 – 02/09/1977 22h00min – Tauá, rodovia – Sra. Amélia, 77, alfabetizada

“(...) percebeu vindo de sua direita e a frente uma ‘luz’ de cor amarelo-avermelhada, de brilho muito intenso (comparado a um farol de carro). Inicialmente a ‘luz’ deslocava-se cortando a rodovia em diagonal, bruscamente mudou de direção (450), vindo exatamente em sua direção: D Amélia e a filha (...) um objeto de vidro, de cor azulada, com uma pequena luz de cor vermelha na parte de cima (...) após parar por alguns instantes, movimentou-se com baixa velocidade (...) altitude era de 30m.”

Registro número 3 – 12/10/1977 02h00min – Tauá, Campo Cerrado – Sr. Manoel, 38, analfabeto Trecho Relatório Primeira Missão, depoimento de 21/10:

“(...) percebeu forte luminosidade através do telhado (...) a custo conseguiu levantar-se apanhou sua espingarda e saiu de casa deparando então com uma luz azulada que pairava a baixa altura (20m) sobre as árvores próximas; que apontou sua arma para atirar; que nesta ocasião foi atingido por um feixe de luz avermelhada que o paralisou.”

Trecho reportagem A Província do Pará de 20/10 com declarações de Manoel:

“(...) objeto estranho parado a cinco metros mais ou menos de mim e, no seu interior o casal dando gargalhadas como se estivesse fazendo gozação. (...) Ele viu uma espécie de nave espacial, com um casal de tripulantes, sendo a mulher branca e loira e o homem branco, usando chapéu de couro como se fosse de vaqueiro,(...)”[nota 10] .

Registro número 4 – 13/10/1977 03h25min – Colares – Padre Alfredo de La Ó, 48, médico, físico, teólogo

“(...) despertado por latidos (...) Avistou um objeto luminoso que lhe chamou a atenção por emitir forte luminosidade, deslocando-se do mar para a terra (N/S). O objeto desenvolvia grande velocidade (maior do que a habitualmente observada nos aviões à reação), a uma altura aproximada de 20 m; em absoluto silêncio, (...) encontrava-se a 75m do ponto mais próximo da trajetória (...) Disse que a parte superior do objeto emitia forte luz avermelhada, e na parte inferior uma luminosidade azulada muito intensa, chegando a clarear toda área onde passou.”

Registro número 7 – 16/10/1977 05h30min – Paraiso do Ubintuba, Vigia – Sr. Raimundo, 48, analfabeto

“(...) voltava para sua residência (...) sentiu como de perdesse as forças (...) Observou então um objeto iluminado de forma circular (como uma arraia (SIC)), de pequeno porte (1,50m aproximadamente), deslocando-se a baixa altura (5 a 10m sôbre o solo) que emitia um foco de luz dirigido (como uma lanterna) de cor azul muito intensa em sua direção; (...) Queixa-se de tremor no corpo, dor de cabeça e entorpecimento na região atingida pelo foco. Não foi observado sintomas de queimaduras.”

Registro número 8 – 16/10/1977 18h30min – Colares – Dra. Wellaide, 24, médica

Registro número 8 - Registro de Observações de OVNI
"(...) afirmou ter visto e observado (...) Objeto Luminoso (brilho metálico), fazendo evoluções sobre a parte frontal da cidade (praia do Cajueiro NE, a baixa altura (100 m), a distância estimada de 1.500 m, sem produzir o mínimo de ruído. Descreveu os objetos assim: Forma cônica-cilíndrica (parte superior mais estreita) tamanho aparente em função da distância 3.00m de comprimento, por 2.00m de diâmetro; Movimentando-se de maneira irregular. (posição vertical em função do seu eixo longitudinal), balanceios laterais acentuados, entretanto vez ou outra efetuava ligeiras paradas e dava uma volta sobre si mesmo."

Sobre a atendimento de habitantes no Posto de Saúde de Colares, disse:

"Afim de preservar a sua reputação ética profissional, deixou de fazer uma comunicação mais completa com referência as pessoas que se dizem atingidas por um 'foco de luz' de procedência desconhecida (quatro casos que atendeu)." "Além de Crise Nervosa, seus pacientes apresentavam outros sintomas tais omo: PARESIA (amortecimento parcial do corpo) (...) Seus pacientes referem: cefaleia, astenia, tonturas, tremores generalizados eo que reputa mais importante são as queimaduras de 1º grau, bem como marcas de micro-perfurações. De acordo com o sexo, os homens sobre o pescoço (jugular) a as mulheres, digo, a mulher no seio (só um caso)."

A médica ao longo dos anos deu várias entrevistas para a mídia escrita e televisiva, ampliando significativamente o escopo de suas declarações de 1977, agregando novas informações e percepções pessoais[23] [24] .

Informe do SNI de Belém[editar | editar código-fonte]

A Agencia do SNI em Belém, enviou documento confidencial de cinco folhas a Agência Central do SNI em Brasília, datado de 09/11/77, sobre informações relativas a “OBJETOS VOADORES NÃO IDENTIFICADOS – OVNI”, divulgando os primeiros dados das investigações que estavam sendo conduzidas pela Segunda Seção do I COMAR[25] . O informe faz uma introdução ao assunto OVNI, ligando rapidamente o fenômeno a eventos relatados em municípios do Pará e num primeiro momento atribuído ao misticismo da população empobrecida das regiões afetadas. Informa que o I COMAR constatou o clima de tensão entre a população de alguns municípios e coletou relatos sobre luzes em voo e focos de luz dirigidos sobre pessoas. O documento continua com outros informes. Que a equipe da 2a Seção montou posto de vigia para fotografar a luz e registrou objeto a três mil metros de altitude e velocidade de 30.000 km/h. As luzes foram várias vezes fotografadas e delas pouco se concluía, parecendo haver confusão na equipe sobre isso. Conta que o chefe da equipe identificou a foto que mais impressionou a todos como a estrela Dalva (Vênus), levando o próprio a duvidar das demais fotos como sendo de OVNI. Que não havia consenso entre a equipe “sobre o que foi visto”, mas a reserva poderia ser fruto de não se querer “cair no ridículo, perante os colegas.”. Informa detalhes dos relatos sobre OVNI e vítimas das luzes, colhidos com a médica do posto de saúde e com o pároco de Colares e o prefeito de Vigia. Acusa a imprensa de fazer exploração do assunto. Termina informando que o I COMAR continuaria as investigações.

Período entre Missões[editar | editar código-fonte]

Em desenvolvimento.

Segunda Missão Militar[editar | editar código-fonte]

Em desenvolvimento. revisado até esse ponto - 19/01/2014

Testemunho[editar | editar código-fonte]

Em 1997, vinte anos depois, Hollanda Lima concedeu uma entrevista aos pesquisadores Ademar José Gevaerd e Marco Antônio Petit relatando os acontecimentos e as atividades de sua equipe nos dois últimos meses da operação. Parte dessa entrevista, gravada em vídeo pelos ovniólogos, apareceu numa edição especial do programa Linha Direta, da Rede Globo, sobre a Operação Prato. Segundo Hollanda, sua equipe presenciou as mais surpreendentes e estranhas manifestações de natureza desconhecida. Além de ter presenciado, os militares registraram os erráticos movimentos de pequenos objetos luminosos que julgou serem “sondas ufológicas”. Constataram também a presença de gigantescas naves que executavam manobras que destruiriam qualquer aeronave conhecida. Seriam maiores que “um prédio de trinta andares” em seu comprimento e emitiam luzes de várias cores. Tais espaçonaves recolhiam regularmente as sondas.

Em sua entrevista, Hollanda Lima declarou que dois agentes do Serviço Nacional de Informação, também tiveram a oportunidade de presenciar estas manifestações envolvendo os objetos gigantes. O capitão pôde fotografar e filmar diversos tipos de luzes, das mais diversas dimensões. As cores também variavam e supunha ele que indicavam a função ou o tipo de manobra do “aparelho”.

A equipe também recolheu relatos incríveis contados pela população ribeirinha. Alguns envolvendo seres luminosos saídos do interior de estranhos objetos. Esses seres arrebatavam pessoas com sua luminosidade. Outros sugavam o sangue das pessoas que capturavam. Um fato registrado é que na maioria dos episódios havia a presença de uma ou mais testemunhas.[26]

A Operação Prato foi tema de um documentário do The History Channel, que no Brasil foi exibido com o título O Caso Roswell Brasileiro, dentro da série Arquivos Extraterrestres.

Os relatórios da Operação Prato[editar | editar código-fonte]

Originalmente, o Capitão Hollanda Lima dizia que apesar de crer na possibilidade de vida extraterrestre não acreditava ser esse o caso dos registros visuais em Colares, contudo mudou radicalmente a sua opinião durante o tempo em que esteve na região, pois teria visto, filmado e fotografado OVNIS sobrevoando a cidade, próximo aos locais onde o pessoal de sua equipe estava instalado.

O comando da Aeronáutica oficializou o término da operação após quatro meses e ordenou o regresso da equipe. Porém o capitão disse que tentaria investigar ainda por conta própria. As luzes continuaram a ser vistas em Colares por algum tempo mas não com a mesma intensidade e casos de vítimas das queimaduras não foram mais registrados.

Uyrangê Bolívar Hollanda Lima foi encontrado morto em sua casa na Região dos Lagos no Rio de Janeiro em 2 de Outubro de 1997, ou seja, dois meses após sua entrevista ser dada. Ufólogos que ficaram amigos do militar afirmam que Uyrangê passava por uma profunda depressão devido a experiência que sofreu com os fatos ocorridos e portanto cometeu suicídio, enquanto uma outra corrente de ufólogos afirma não acreditar que Uyrangê tenha cometido suicídio, lançando suspeitas sobre uma conspiração de assassinato. Todo o material registrado pela sua equipe durante a Operação Prato ficou em posse da FAB, que só começou a liberar os arquivos ao público em 2008.

Notas

  1. Jornal O Liberal, Objeto voador apavora Umbituba, 16/10/1977 - arquivado na Biblioteca Pública de Belém.
  2. A autenticidade dos documentos da Aeronáutica sob guarda do Arquivo Nacional é incontestável. Os documentos vazados sob guarda da Revista UFO foram entregues antes da liberação do documento oficial Registro de Observações de OVNI e um cruzamento minucioso entre os documentos garante a autenticidade dos vazados, além da idoneidade da própria revista.
  3. SÍLVIO Pereira do LAGO nasceu em Niterói/RJ, em 03 de novembro de 1909, Era formado em Medicina. Parapsicólogo, compositor, conferencista. Faleceu no ano de 1998.
  4. Jornal O Liberal, Luz dos mistérios volta aos céus do Maranhão, 14/07/1977 - arquivado na Biblioteca Pública de Belém.
  5. Jornal O Liberal, Objeto voador misterioso apavora todo o Maranhão, 29/07/1977 - arquivado na Biblioteca Pública de Belém.
  6. Jornal O Liberal, LUZ MISTERIOSA APAVORA VISEU, 10/07/1977 - arquivado na Biblioteca Pública de Belém.
  7. Jornal O Liberal, LUZ MISTERIOSA AINDA CAUSA PAVOR EM VISEU, 11/07/1977 - arquivado na Biblioteca Pública de Belém.
  8. Jornal A província do Pará, As evoluções dos objetos nos céus da Vigia, 20/10/1977 - arquivado na Biblioteca Pública de Belém.
  9. Livro Corpos Luminosos– Uma Operação Militar em Busca de Respostas, edição do Autor, Hélio Amado R Aniceto, 2014. Introdução. 8-10 pp. - arquivado no slideshare.net/helioaniceto7/corpos-luminosos (em português).
  10. Jornal A província do Pará, Manoel "Coronha" tentou atirar no disco. A arma não funcionou, 20/10/1977 - arquivado na Biblioteca Pública de Belém.

Referências

  1. I COMAR. Registros de Observações de OVNI Arquivo Nacional. Visitado em 25 de agosto de 2014.
  2. I COMAR. Relatório de Missão, Operação Prato – Comentários Revista UFO/documentos vazados. Visitado em 25 de agosto de 2014.
  3. Agência do SNI de Belém, dossiê 3252/83. Objetos Voadores Não Indentificados – OVNI http://www.fenomenum.com.br/, crédito Revista UFO. Visitado em 25 de agosto de 2014.
  4. I COMAR. Relatório de Missão, Operação Prato Revista UFO/documentos vazados. Visitado em 25 de agosto de 2014.
  5. Bob, Pratt. Perigo Alienígena no Brasil: Perseguições, Terror e Morte no Nordeste (em português). [S.l.]: Editora Biblioteca UFO, 2003. Seção Capítulo 19 Morte na Ilha do Caranguejo. 171-185 pp. ISBN 85-87362-15-1.
  6. SSP/MA. Corpo de Delito de Auleriano http://www.fenomenum.com.br/, crédito Edson Boaventura Junior. Visitado em 25 de agosto de 2014.
  7. SSP/MA. Corpo de Delito de Firmino http://www.fenomenum.com.br/, crédito Edson Boaventura Junior. Visitado em 25 de agosto de 2014.
  8. Pablo Villarrubio Mauso. Estranhas mortes na Ilha dos Caranguejos Revista UFO. Visitado em 27 de agosto de 2014.
  9. Equipe UFO. As mortes começaram no Maranhão Revista UFO. Visitado em 27 de agosto de 2014.
  10. Jornal de Brasília 30/07/77. Objeto luminoso esta causando medo no Maranhão Arquivo Nacional. Visitado em 27 de agosto de 2014.
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