Operação Priboi

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Operação Priboi foi o nome em código para a deportação em massa pelos soviéticos nos estados bálticos de 25 a 28 março de 1949, é chamada de deportação de Março pelos historiadores Báltico. Aproximadamente 90.000 estonianos, letões e lituanos, rotulados como inimigos do povo, foram deportados para áreas inóspitas da União Soviética. Foi uma das operações mais complexas de engenharia de deportação pelos soviéticos na era da Guerra Fria.[1] [2]

Embora retratado como " Deskulakização ", a operação se destinava a facilitar a forçada coletivização das famílias rurais e de eliminar a base de apoio para a insurgência dos Forest Brothers (Irmãos da Floresta) contra a ocupação soviética.[3] Assim, os soviéticos escolheram especificamente nacionalistas anti-soviéticos, partidários e parentes dos Forest Brothers, veteranos que serviram no exercito alemão e parentes dos já presos nos Gulag Soviéticos por alegadas actividades anti-soviéticas.[1] A deportação cumpriu seus objetivos: dentro de algumas semanas, a maioria das famílias rurais aceitou a coletivização e se organizaram em kolkhozes (fazendas coletivas).

Devido à alta taxa de mortalidade dos deportados durante os primeiros anos de seu exílio na Sibéria, causado pela falha das autoridades soviéticas de fornecer roupas ou habitação adequada no local de destino, seja por negligência ou premeditação, algumas fontes consideram estas deportações um ato de genocídio.[4] [5] [6] Com base na Cláusula Martens e os princípios da Carta de Nuremberg, o Tribunal Europeu dos Direitos Humanos considerou que a deportação de março constituiu um crime contra a humanidade.[7]

Decisão[editar | editar código-fonte]

Em resposta às atividades de vários grupos de resistência, como o Floresta Irmãos e seus apoiadores, Aleksandr Mishutin, Procurador do SSR letão escreveu um relatório secreto a Moscou em 21 de setembro de 1948, na qual ele relatou que elementos "contra-revolucionárias" incluindo "kulaks", grupos de resistência subterrânea e outros "inimigos do povo", eram comuns na sociedade Soviética letã. A decisão secreta, n º 390-1388ss,[8] foi tomada pelo Conselho de Ministros da União Soviética em 29 de janeiro de 1949, aprovando a deportação dos "kulaks", "nacionalistas", "bandidos", os seus apoiantes, e suas famílias da Lituânia, Letônia e Estônia. Em 28 de fevereiro de 1949, Viktor Abakumov, o ministro da Segurança do Estado (MGB), assinou o despacho nº 0068 para a preparação e execução das deportações em massa por parte das forças do Ministério do Interior (MGB) da URSS sob o comando do tenente-general Burmak. A partir daí, adicionais despachos foram emitidos, o despacho nº 00225, que ordenou vários ramos do Ministério do Interior (MVD) da URSS para ajudar o MGB, bem como ordens a nível de república, por exemplo, a decisão do Ministério No. 282ss e 297ss, de 24 de março do Conselho SSR letão(um dia antes das deportações iniciarem) que autorizou o confisco das propriedades dos deportados.

Planejamento[editar | editar código-fonte]

Devido à imensa escala da operação Priboi nas três repúblicas, recursos consideráveis foram envolvidos.

Além das tropas já estacionadas na Letónia e Estónia, um adicional de 8.850 soldados foram mobilizados para a Estónia e a Letónia de outras partes da União Soviética para participar na operação.

As telecomunicações foram um componente vital para garantir o bom funcionamento da operação, portanto, a MGB comandou todas as centrais telefônicas civis durante a operação. Um total de 8.422 caminhões foram organizadas, 5.010 caminhões civis foram requisitados e os restantes veículos eram de origem militar, incluindo 1.202 trazidos do Distrito Militar de Leningrado , 210 do Distrito Militar da Bielo-Rússia e 700 das Forças Interiores do MGB. Estes veículos adicionais estavam estacionados do lado de fora da fronteira das Repúblicas Bálticas, para não levantar suspeitas e enviados no início da operação.[1]

Execução[editar | editar código-fonte]

Deportação era para ser realizada fisicamente por pequenas equipes operacionais de nove a dez homens, que incluia cinco agentes do MGB e quatro ou cinco militantes do Partido Comunista local, armados pelo MGB.

Outras 5.025 metralhadoras e 1.900 fuzis foram trazidos para garantir que essas equipes operacionais estivessem suficientemente armadas para realizar a operação. Ao contrário da deportação junho de 1941, as famílias deportadas em 1949 não foram separadas.[9] Como as pessoas já haviam experimentado as deportações em massa, elas desconfiavam da chegada de novas tropas, veículos, trens e tentaram se esconder. Por isso, os soviéticos mais tarde organizaram outras ações menores para localizar aqueles que escaparam da primeira operação em março.[10]

Resultados[editar | editar código-fonte]

Cerca de 72% dos 94 mil deportados eram mulheres e crianças menores de 16 anos de idade. Sergei Kruglov, o ministro do Interior, informou a Stalin em 18 de maio, que 2.850 eram "velhos decrépitos solitários", 1.785 crianças sem pais para suportá-los e 146 com eram portadores de deficiência.

Resumo dos resultados da Operação "Priboi" [1]
República Famílias Pessoas Trens de carga
Estonianos 7,702 19,827 15
Letões 13,537 41,811 31
Lituanos 8,012 25,951 20
Total 29,251 87,589 66
Sexo e idade dos deportados [1]
Número absoluto Proporção (%)
Homens 25,708 27.1
Mulheres 41,987 44.3
Crianças (16 anos ou menos) 27,084 28.6
Total 94,779 100.0

Os deportados eram obrigados a assinar um documento após a sua chegada, designando-se oficialmente com o status de "colonos especiais" sem direito de retorno para sua casa, com a pena de trabalhos forçados de vinte anos por tentativas de fuga. Os deportados não eram autorizados a deixar a sua área designada e eram obrigados a se apresentar ao comandante do MVD local, uma vez por mês, e cuja falta era uma ofensa punível.

Medalhas[editar | editar código-fonte]

Por decreto do Presidium do Soviete Supremo da URSS, foram autorizadas as ordens e medalhas para a conclusão bem sucedida da Operação Priboi. 75 pessoas receberam a Ordem da Bandeira Vermelha, e os seus nomes foram publicados no Pravda em 25 de agosto de 1949. Em 26 de agosto, o Pravda publicou os nomes de 17 pessoas que receberam a Ordem da Guerra Patriótica de Primeira Classe por coragem e heroísmo durante a operação.[11]

Referências

  1. a b c d e Strods, Heinrihs; Kott, Matthew. (2002). "The File on Operation 'Priboi': A Re-Assessment of the Mass Deportations of 1949". Journal of Baltic Studies 33 (1): 1–36. DOI:10.1080/01629770100000191.
  2. (2002) "Erratum". Journal of Baltic Studies 33 (2): 241. DOI:10.1080/01629770200000071.
  3. Strods, Heinrihs; Kott, Matthew. (2002). "The File on Operation 'Priboi': A Re-Assessment of the Mass Deportations of 1949". Journal of Baltic Studies 33 (1): 1–36. DOI:10.1080/01629770100000191.
  4. Rudolph J. Rummel, Lethal Politics: Soviet Genocide and Mass Murder Since 1917, Transaction Publishers 1990, ISBN 1-56000-887-3
  5. J. Pohl, Stalin’s genocide against the “Repressed Peoples”, Journal of Genocide Research, Volume 2, Number 2, 1 June 2000 , pp. 267-293
  6. Lauri Mälksoo, Soviet Genocide? Communist Mass Deportations in the Baltic States and International Law, Leiden Journal of International Law (2001), 14: pp757-787 Cambridge University Press
  7. Postimees 31 March 2009: Martin Arpo: kommunismiaja kuritegude tee Euroopa Inimõiguste Kohtuni
  8. The title of the deportation order: "O vyselenii s territorii Litvi, Latvii i Èstonii kulakov s sem'iami, semei banditov i natsionalistov, nakhodiashchikhsia na nelegal'nom polozhenii, ubitykh pri vooruzhennykh stolknoveniiakh i osuzhdennykh, legalizovannykh banditov, prodolzhaiushchikh vesti vrazheskuiu rabotu, i ikh semei, a takzhe semei repressirovannykh posobnikov banditov"
  9. History of Latvia the 20th Century. Jumava. Rīga. 2006 ISBN 9984-38-038-6 p.354–355
  10. Anušauskas, Arvydas. ''Lietuvių tautos sovietinis naikinimas 1940–1958 metais]]. Vilnius: Mintis. ISBN 5-417-00713-7.
  11. O facsimile das listas publicadas no Pravda em 25 e 26 de agosto de 1949 é reproduzida no exemplar de 1999 do Yearbook of the Occupation Museum of Latvia