Operação Serval

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Intervenção militar no Mali
(Operação Serval)
Parte da(o) Revolta no norte do Mali e Insurgência islâmica no Magrebe
Two French Air Force Rafale fighter aircraft, below, prepare to break formation after refueling with a U.S. Air Force KC-135 Stratotanker aircraft with the 351st Expeditionary Air Refueling Squadron over Mali 130423-F-DT859-086.jpg
Dois caças Dassault Rafale franceses voando sobre o Mali.
Data 11 de janeiro de 2013 - 1 de agosto de 2014
Local Mali Mali
Desfecho Vitória francesa e do governo do Mali
  • Tropas da França e do Mali recuperam o controle dos principais centros urbanos do país;
  • Lançada a operação Barkhane para eliminar os últimos grupos rebeldes no país;
Combatentes
Mali Mali
ECOWAS members.svg CEDEDAO

Flag of the United Nations.svg Coalizão internacional

Apoio logístico:

 Estados Unidos[1] [2]
Bélgica Bélgica[3]

Canadá Canadá[4]

Dinamarca Dinamarca[5]

Espanha Espanha[6] [7]

Reino Unido Reino Unido[8]

Flag of Jihad.svg Al-Qaeda
Principais líderes
Mali Dioncounda Traoré

Mali Ousmane Fané[9] [10]

França François Hollande

França Jean-Yves Le Drian

França Edouard Guillaud
[11]

Flag of Jihad.svg Iyad Ag Ghaly[12]
Flag of Jihad.svg Mokhtar Belmokhtar[13]
Flag of Jihad.svg Omar Hamaha[14]
Flag of Jihad.svg Abdel Karim
Forças
Mali 7.000 - 7.800

França 2.500 soldados[15]
Aviões Dassault Rafale, Dassault Mirage 2000D
helicópteros Aérospatiale Gazelle
40 veículos blindados
[16] [17]

 Alemanha 300 soldados[18]

Togo 40[19]
Nigéria Nigeria 900
Senegal Senegal 500
Gana Ghana 120
Burkina Faso Burkina Faso 500
Níger Níger 500
Togo Togo 500
Benim Benin 300
Guiné Guiné 144[20] [21]

Flag of Jihad.svg Jihadistas Desconhecido
Tropas francesas no Mali se preparando para a operação.

A intervenção militar no Mali, denominada Operação Serval (em francês: Opération Serval, uma referência ao felino africano), foi uma operação militar realizada no norte do país, no início de 2013, pelas Forças Armadas Francesas, com apoio logístico das Forças Armadas dos Estados Unidos e de outros países europeus. A intervenção estrangeira ocorreu a pedido da junta militar que governa o Mali desde o golpe de 2012[22] e contou com o apoio de vários países africanos e ocidentais[23] [24] [25] , tendo sido autorizada pelas Nações Unidas[26] . O objetivo declarado da intervenção é deter o avanço de tuaregues e rebeldes islâmicos do Azauade, supostamente ligados à Al Qaeda, os quais[27] governam de facto o norte do país desde 2012, podendo eventualmente chegar à capital, Bamako.

Antecedentes[editar | editar código-fonte]

Em janeiro de 2012, após um influxo de armas que ocorreu após a Guerra Civil Líbia, tribos tuaregues do Movimento Nacional de Libertação do Azauade (MNLA) começaram uma rebelião contra o governo central do Mali.[28] Em abril, o MNLA afirmou que havia atingido seus objetivos e cancelou sua ofensiva contra o governo, proclamando a independência do Azauade.[29] Em junho de 2012, no entanto, o MNLA entrou em conflito com os grupos islamitas Ansar Dine e o Movimento para a Unidade e Jihad na África Ocidental (MUJAO) após os islâmicos começarem a impor a sharia no Azauade.[30] Em 17 de julho, o MUJAO e o Ansar Dine haviam expulsado o MNLA de todas as grandes cidades.[31] Em 1 de setembro de 2012, a cidade de Douentza, na região de Mopti, até então controlada pela milícia Iso Ganda, foi tomada pelo MUJAO,[32] e em 28 de novembro de 2012, o MNLA foi expulso de Léré, Região de Timbuktu pelo Ansar Dine.[33]

Assim, o resultado inesperado da revolta tuaregue e do colapso do Estado do Mali após o golpe de Estado de março, foi o estabelecimento de um miniestado fundamentalista islâmico no norte do país.[31]

Pedido de intervenção[editar | editar código-fonte]

Em 24 de setembro de 2012, o governo do Mali voltou-se para as Nações Unidas, a fim de solicitar que uma força militar internacional ajudasse o Exército do Mali a recuperar o controle do Azauade.

O pedido foi apresentado pelos então presidente e primeiro-ministro do país africano, Dioncounda Traoré e Cheick Modibo Diarra, respectivamente, através de uma carta ao secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki Moon.[22]

Em 20 de dezembro de 2012, o Conselho de Segurança da ONU autorizou o envio uma força militar conjunta africana (AFISMA), sendo a aprovada a proposta por unanimidade pelos 15 membros do Conselho e na presença do ministro das Relações Exteriores do Mali, Tieman Coulibaly.

Operação[editar | editar código-fonte]

Críticas[editar | editar código-fonte]

Embora explicitamente o presidente francês, François Hollande, justifica a participação francesa por razões de paz e rejeita a existência de interesses políticos ou econômicos com estas palavras:

A França é um país livre, tem valores" [...] "Nós não estamos defendendo nenhum interesse político ou econômico no Mali, apenas defendemos a paz[34]


Estudiosos como G. Labarthe, fundador da agência de notícias suíça DATAS e especialista em África, assegura que parece claro que a França e os outros países envolvidos no Mali também estão se movendo no interesse de garantir as jazidas minerais da região[35] , como aconteceu na Líbia há dois anos. Durante os meses antes da intervenção Le Monde publicou diversos artigos sobre a importância das jazidas de urânio e questionou uma possível intervenção militar.[36]

A organização Global Research também mostra que em torno de Faléa na região de Kayes, no sul do país, há importantes jazidas de urânio cujo acesso poderia ser potencialmente importante para a indústria nuclear francesa. Na mesma região, a corporação canadense Rockgate leva anos fazendo prospecção. Existem também jazidas de urânio importantes na região de Gao. Além disso, a AQMI (Al Qaeda no Magreb Islâmico) manteve a 7 reféns franceses e os islâmicos ameaçam segurança para toda a região do Sahel, que abriga milhares de cidadãos franceses, cujo lider foi dado como morto, mas a informação ainda não foi confirmada.[37] [38]

Referências

  1. EUA enviam tropas em apoio a missão no Mali
  2. Malí: Washington pone a disposición de Francia aviones de transporte 17 de enero de 2013 - AFP
  3. Regering keurt steun aan militaire interventie in Mali goed
  4. Canada sending C-17 transport plane to help allies in Mali
  5. Danmark sender transportfly ind i kampene i Mali
  6. España confirma que intervendrá en Malí. Cuartopoder, 2013.
  7. [1]. ABC, 2013.
  8. BBC: UK troops to assist Mali operation to halt rebel advance
  9. Francia continúa operación en Malí, detenido avance islamista AFP - 11 de enero de 2013
  10. Mueren “un centenar” de islamistas en combates en Malí AFP - 12 de enero de 2012
  11. Soldados franceses repelen insurgentes en Malí Ene - 12,12
  12. Daniel, Serge. «Mali's isolated junta seeks help to stop Tuareg juggernaut», ModernGhana.com, 30 de marzo de 2012. Consultado el 14 de julio de 2012.
  13. «Belmokhtar's unit participated in Niger suicide attacks», The Long War Journal, 24 de maio de 2013. Consultado el 24 de maio de 2013.
  14. «Mali Tuareg rebels' call on independence rejected», BBC, 6 de abril de 2012. Consultado el 14 de julio de 2012.
  15. BBC: Mali conflict: UN backs France's military intervention
  16. Francia bombardea a rebeldes en Mali mientras llegan más tropas a Bamako Reuters - 13 de enero de 2013
  17. Francia confirma los bombardeos de cuatro cazas Rafale en Gao 13-01-2013 - Europa Press
  18. Alemanha vai enviar 300 militares para o Mali 13-01-2013 - Exército brasileiro]
  19. Terra: Llegan a Malí 40 togoleses, primeros soldados de fuerza africana
  20. Se intensifica la ofensiva internacional sobre Mali AFP y Reuters - 14 de enero de 2013
  21. Se agrava la crisis en Mali por avance de islamistas sobre tropas de Francia EFE y REUTERS - 14 de enero de 2013
  22. a b Malí pide a la ONU autorizar una intervención militar internacional en el norte del país
  23. Togoleses en Malí
  24. Chad envía contingente de tropas especiales a Malí
  25. Envía Nigeria a Malí primeros refuerzos para Francia
  26. El Consejo de Seguridad de la ONU autoriza el envío de una misión militar a Malí
  27. Mali lanza una ofensiva apoyada por Francia y África Occidental contra los rebeldes salafistas
  28. Mali Besieged by Fighters Fleeing Libya Stratfor. Visitado em 22 de Março de 2012.
  29. "Tuareg rebels declare the independence of Azawad, north of Mali", Al Arabiya, 6 de Abril de 2012. Página visitada em 6 de Abril de 2012.
  30. Serge Daniel. "Islamists seize north Mali town, at least 21 dead in clashes", Google News, 27 de Junho de 2012. Página visitada em 27 de Junho de 2012.
  31. a b Adam Nossiter. "Jihadists' Fierce Justice Drives Thousands to Flee Mali", 18 de Julho de 2012. Página visitada em 23 de Novembro de 2012.
  32. "Mali: des islamistes à la lisière Nord-Sud", 1 de Setembro de 2012. Página visitada em 13 de Janeiro de 2013.
  33. "Ban Ki-moon met en garde contre une intervention au Mali", 29 de Novembro de 2012. Página visitada em 13 de Janeiro de 2013.
  34. La sombra del uranio sobrevuela Malí Público 18/01/2013
  35. Riquezas minerais, além do combate ao terror, explicam intervenção francesa no Mali Opera Mundi.
  36. L'intervention militaire au Mali n'est pas une solution Le Monde 20/06/2012
  37. Líder da al Qaeda está vivo, diz serviço de monitoramento ESTADÃO - 3 de março de 2013
  38. Las claves de la rebelión en Malí.

Ver também[editar | editar código-fonte]

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Ligações externas[editar | editar código-fonte]