Operações militares no golpe de 1964

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As operações militares no golpe de 1964 tiveram seu início com bastante antecedência. Para entender os mecanismos que causaram uma ditadura militar comandada pelos generais na década de 1960, deve-se retornar à épocas muito anteriores.

Início do Século XX[editar | editar código-fonte]

Os jovens oficiais estudantes ou recém formados cadetes das Forças Armadas brasileiras, foram influenciados pela missão francesa, iniciada pouco depois da Primeira Guerra Mundial, que significou a quebra da geopolítica vigente no século XIX. O Brasil do início do século XX era dominado, política e economicamente, por oligarquias rurais, formadas por grandes latifundiários. O movimento dos jovens oficiais, conhecido como tenentismo,pretendiam a modernização das Forças Armadas brasileiras, tornando-as semelhantes às europeias. Os tenentes defendiam também uma reforma política, de modo a concentrar maior poder na União, contra o coronelismo, o mandonismo local e as oligarquias estaduais, que consideravam corruptas. O movimento preconizava também a introdução do voto secreto.

A formação dos jovens oficiais[editar | editar código-fonte]

Não raros foram os oficiais brasileiros mandados estudar em escolas militares no exterior. Inicialmente na França, na École Supérieur de Guerre, e após a Segunda Guerra Mundial, nos Estados Unidos, na Fort Leavenworth War School.

O termo "perigo comunista" provavelmente foi utilizado mais intensamente logo após o término da Segunda Guerra Mundial. Acredita-se, porém que o anticomunismo já existisse à época da chamada Intentona comunista (ou Revolta de 1935).

Sabe-se que o Partido Comunista do Brasil (depois Partido Comunista BrasileiroPCB) tem sua fundação logo após a Revolução Russa de 1917. Sabe-se também que Luís Carlos Prestes, líder tenentista, converteu-se ao comunismo provavelmente em maio de 1930, e viajou para a União Soviética em 1931. Em março de 1935, a Aliança Nacional Libertadora, dominada pelos comunistas iniciou suas atividades políticas. Porém, na década de 1920, a ideologia dos jovens militares brasileiros era predominantemente nacionalista e portanto oposta ao internacionalismo comunista. Estavam reunidos desta forma todos os ingredientes de um conflito ideológico que iria crescer ao longo do século XX.

Ao ser sufocada a revolta comunista de novembro de 1935, iniciou-se, no interior das Forças Armadas, um sentimento anticomunista. Portanto, a esquerda brasileira passou a ser encarada já, de início, como um inimigo interno a mando dos soviéticos e a luta igualitária, como a luta de traidores da Pátria. Desta forma, os militares que tendessem mais à esquerda, seriam considerados pela nata da oficialidade brasileira como duplamente traidores, isto é, traidores da Pátria e traidores da Instituição Militar a qual pertenciam. Além de considerados traidores, aqueles militares desprezados pelos seus colegas de farda ainda eram considerados covardes, pois consta nos anais da história um momento controverso do levante do Rio de Janeiro, em que os militares comunistas teriam assassinado companheiros de caserna enquanto dormiam. Em função desse episódio, real ou imaginário, estabeleceu-se, dentro do Exército, o hábito de rememorar, a cada nova geração de jovens oficiais que se formava, aqueles heróis sacrificados covardemente, gerando assim um sentimento de revolta e vingança contra os comunistas e contra os movimentos igualitários. Esse sentimento anticomunistaa foi reforçado durante a ditadura do Estado Novo. Os jovens oficiais dos anos 1920 e 1930 tornar-se-iam os generais que fizeram eclodir o golpe de 1964.

Guerra fria[editar | editar código-fonte]

A Guerra Fria desde a Segunda Guerra Mundial estava se ampliando pelo planeta, de um lado os comunistas de outro os conservadores. A sociedade brasileira em seu desenvolvimento ideológico, ora pendia para a esquerda, ora pendia para a direita. Ao mesmo tempo eclodiam no planeta golpes de estado também em ambas as orientações ideológicas. O mundo estava num equilíbrio perigoso, de um lado os norte-americanos com seus mísseis nucleares e de outro os soviéticos da mesma forma. O intervencionismo foi uma constante na década de 1960, em ambos os blocos ideológicos.

A movimentação do Marechal Lott[editar | editar código-fonte]

Em 1955 as forças conservadoras foram impedidas de executar um golpe de estado pelo marechal Henrique Batista Duffles Teixeira Lott, que através de uma manobra garantiu a eleição e a posse de Juscelino Kubitschek.

Juscelino Kubitschek, apesar de implantar a indústria automobilística no Brasil e de proporcionar o desenvolvimento da infra-estrutura econômica através de obras como a construção de Brasília, a criação da Sudene, a construção de estradas, hidrelétricas, etc. mergulhou o Brasil num endividamento e inflação.

Em 25 de agosto de 1961, Jânio Quadros renunciou. Ao fazê-lo divulgou uma carta renúncia ao estilo da carta testamento de Vargas.

No Rio Grande do Sul o então governador Leonel Brizola comandou a "campanha da legalidade" que assegurou a posse de João Goulart.

O início do movimento[editar | editar código-fonte]

Em 2 de Fevereiro de 1962 foi fundado o Instituto de Pesquisas e Estudos Sociais (IPES), financiado por empresas norte-americanas e dirigido pelo general Golbery do Couto e Silva.

As forças políticas apoiadas pelos militares impuseram o parlamentarismo. Em 1962, foi convocado um plebiscito para escolher a forma de governo do Brasil - presidencialismo ou parlamentarismo. Venceu o presidencialismo. Jango saiu vitorioso.

A mobilização militar norte-americana[editar | editar código-fonte]

Segundo Philip Agee, agente da CIA,[1] o presidente norte americano John Kennedy mandou financiar oito candidatos aos governos dos 11 estados brasileiros onde houve eleições. Houve também o financiamento americano a 15 candidatos ao Senado, a 250 candidatos à Câmara e a mais de quinhentos candidatos às Assembleias Legislativas.

Os Estados Unidos através dos militares brasileiros, com respaldo político e econômico das forças da UDN, lideradas por Carlos Lacerda estavam pondo sua máquina política, econômica e militar para derrubar Goulart.

Em meados de 1963, inimigos de Goulart tinham reuniões frequentes com o então embaixador americano no Brasil Lincoln Gordon e com o adido militar americano no Brasil, o então tenente-coronel Vernon Walters o qual mantinha relações com vários militares brasileiros e era particularmente relacionado ao general Humberto de Alencar Castelo Branco.[2]

Os ministros militares solicitaram o estado de sítio. O movimento dos sargentos e a revolta dos marinheiros, liderados pelo Cabo Anselmo, em 1963, criaram confusão nas Forças Armadas e o pretexto para dar o golpe de estado.

Segundo Waldir Pires, o banqueiro Magalhães Pinto, um dos maiores financiadores do IPES, se reunia seguidamente com Lincoln Gordon, embaixador dos Estados Unidos, e com o coronel Vernon Walters. Segundo os arquivos norte-americanos da fundação Lyndon Johnson, a Operação Brother Sam seria o braço forte de apoio logístico e tecnológico para o avanço dos militares brasileiros sobre a Guanabara.

Estava montado então o teatro de operações, onde todo o aparato político e militar apoiado pelos norte-americanos estava armado no sentido de derrubar o Presidente João Goulart e a tomada do poder por forças conservadoras.

Jango não detinha o apoio dos governadores estaduais, e as Forças armadas também não aceitavam a sua liderança. O equilíbrio estratégico de forças mostrava uma relação extremamente desfavorável ao governo federal. Uma vez deflagrado o golpe, a situação saiu do controle do presidente em 24 horas. Ante a possibilidade de um ataque da frota do Caribe, liderada pelo porta-aviões nuclear Forrestal - que estaria a doze milhas marítimas do porto de Vitória, com armas apontadas contra o Rio de Janeiro - Jango decide não reagir ao golpe e assim evitar o risco de uma guerra civil.

A situação militar nas diversas regiões[editar | editar código-fonte]

O Brasil estava com a situação militar ainda indefinida no início da mobilização para a derrubada de Jango. Os generais golpistas não sabiam em quem confiar, portanto as informações e as estratégias estavam praticamente restritas a um pequeno grupo. Não poderia haver vazamento sob pena da eclosão de uma guerra civil. A Frota do Caribe havia se deslocado em direção à região do teatro de operações, e era liderada por uma formidável força tarefa comandada por um dos maiores e mais modernos porta-aviões nucleares do mundo.

O I Exército[editar | editar código-fonte]

Em 1964 o Estado da Guanabara não era mais a capital do Brasil, mas muitas das instituições ainda não tinham se mudado para a nova capital federal.

Jango dispunha de todo o apoio dos comandantes de tropa do I Exército. A Vila Militar era a unidade que possuía o maior poder de fogo da América Latina e era comandada por oficiais legalistas, portanto fiéis à Constituição e ao governo.

O governo federal ainda tinha a seu favor a mais poderosa base aérea da América Latina, a Base de Santa Cruz além do Corpo de Fuzileiros Navais, sediado na Guanabara também de respeitável poder de fogo.

Daí a necessidade da mobilização da Frota do Caribe estando com suas armas apontadas sobre o Rio de Janeiro. O antigo Distrito Federal capturado, o restante do País capitularia facilmente.

Os conspiradores sabendo do poderio da ex-capital concentraram seus esforços sobre a região para impedir sua reação. Havia a necessidade da surpresa, pois se esta não houvesse, seria uma catástrofe para o país. Talvez uma guerra civil cujas consequências eram inimagináveis. Estrategicamente a região deveria ser cercada por terra, ar e mar com a maior rapidez possível. Somente assim aquela região seria capturada ilesa.

Ainda estrategicamente Minas Gerais deveria declarar sua independência e os Estados Unidos a reconheceriam prontamente. Esta manobra visava facilitar o ataque norte-americano sobre o restante do Brasil sob o pretexto de "libertar um estado democrático de uma suposta ditadura comunista", repetindo assim os eventos do Vietnã, Coreia, etc.

Por este motivo o movimento partiu de Minas Gerais. A surpresa e o sigilo eram fatores determinantes para o sucesso das operações. Sabia-se que vazando informações, as tropas fiéis à Jango teriam tempo de se organizar e o Brasil poderia entrar em guerra civil cujo desenlace seria imprevisível. Esta possibilidade não era admissível pelos militares golpistas que usaram destes argumentos para convencer aos legalistas, que percebendo a situação resolveram ceder aos rebeldes.

Ainda no Rio de Janeiro, Carlos Lacerda era peça chave para a execução do golpe, pois poderia sabotar a resistência de dentro para fora.

Uma vez eclodido movimento de fora para dentro, e havendo a sabotagem de dentro para fora, se tornaria impossível a reação dos militares "legalistas".

A estratégia estava armada, a execução ocorreu bastante precisa apesar da precipitação do General Olímpio Mourão Filho em iniciar as operações antes do momento previsto. Alguns acreditam que Mourão agiu desta forma para evitar possível vazamento de informações aos legalistas, outros dizem que foi uma atitude impensada e precipitada mesmo.

Os modernizadores e os tradicionalistas[editar | editar código-fonte]

Nas forças armadas também havia uma cisão, poder-se-ia afirmar que havia dois movimentos internos nestas. Um era o movimento liderado por Castelo Branco, seguido por Golbery do Couto e Silva, Ademar de Queirós e Ernesto Geisel, este grupo, dizem alguns, mais inteligente e estratégico, denominado de "modernizador". O outro grupo era o "tradicionalista", mais violento, muito mais conservador, radical e dado à ações intempestivas. Este grupo seria mais tarde conhecido como " a linha dura", liderado por Costa e Silva, seguido por Siseno Sarmento e Muniz de Aragão entre outros.

Ambos grupos eram antagônicos, mas tinham em comum a derrubada de Goulart, o primeiro aceitaria a democracia, o segundo não.

O grupo modernizador era moderado, agia de forma lenta e gradual. Suas ações e planejamentos se baseavam nos princípios de que as mudanças não podem ser executadas de forma brusca, pois a brusquidão pode gerar certas rupturas no tecido social e estas podem ser irreparáveis.

Este grupo criou através de Golbery do Couto e Silva o IPES. O Instituto basicamente serviria para preparar a sociedade brasileira para as mudanças comportamentais que deveriam ser postas lentamente em prática. Havendo assim o retorno à democracia alinhada à direita.

A socialização do Brasil pelo alinhamento ao bloco soviético não era bem vinda devida à orientação ideológica conservadora da elite militar brasileira, desta forma foram executados estudos no sentido de alterar as atitudes da sociedade com pequenas intervenções.

As intervenções deveriam ser lentas, pois se fossem aceleradas e percebidas pelo público alvo (A classe média) automaticamente seriam rejeitadas. Havendo a rejeição, haveria a rigidez às mudanças e por consequência a sociedade mudaria os rumos para onde estaria sendo direcionada.

Foi muito importante a propaganda institucional e voluntária executada pelos meios de comunicação notadamente conservadores no Brasil. Os primeiros passos aplicados no sentido de alteração comportamental dos brasileiros, se iniciaram antes da década de cinquenta. O grupo modernizador apenas aproveitou os dados e subsídios levantados pelos grupos dominantes e os direcionou a favor do golpe.

Ocorre porém, que após desencadeado o golpe, o grupo tradicionalista assumiu ao comando após a morte de Castello Branco, ficando o grupo modernizador sem liderança expressiva até Ernesto Geisel ascender ao poder.

O II Exército[editar | editar código-fonte]

O II Exército, ao contrário do I Exército, era avesso à política de Jango. Em São Paulo, o governo federal não tinha respaldo. Os generais comandantes daquela região aderiram rapidamente ao movimento militar que eclodiu para a derrubada de Goulart. O governador de São Paulo, Ademar de Barros, liderava aos conspiradores civis; o general Cordeiro Farias era um líder que acabou por se encarregar da união entre militares e civis.

Para os líderes do movimento daquela região existia uma dificuldade: o general Amaury Kruel, comandante do II Exército. O general era legalista, isto é, respeitava a ordem constitucional.

Consta que, ao saber da conspiração, no dia 31 de março de 1964, Kruel telefonou para o presidente. Dizem que o teor da conversa não era nada ameno, pois o general exigia, em nome da governabilidade do Brasil, que Jango fechasse a CGT e demitisse ministros. Consta que o presidente não aceitou as ofertas de negociação do general Kruel. O comandante do II Exército divulgou, então, uma nota oficial, na qual informava que aderira aos rebeldes.[carece de fontes?]

O III Exército[editar | editar código-fonte]

O III Exército era uma incógnita para os rebeldes apesar de muitos destes serem gaúchos. A mobilização pela deposição de Goulart no Rio Grande do Sul foi simultânea entre a 3ª Divisão de Cavalaria situada em Bajé, comandada pelo general Hugo Garrastazu; a 3ª Divisão de Infantaria situada em Santa Maria, comandada pelo general Poppe de Figueiredo; a 2ª Divisão de Cavalaria, em Uruguaiana comandada pelo o general Joaquim Camarinha e em Cruz Alta o general Adalberto Pereira dos Santos assumiu a coordenação militar.

O governador do estado Ildo Meneghetti, adversário político de Jango e de Brizola, temendo uma reação violenta dos militares no estado se refugiou em Passo Fundo, sendo protegido por poderoso aparato da polícia militar do Estado.

Havia a possibilidade real de confrontos no Rio Grande do Sul devido à influência de Leonel Brizola sobre grande parte de oficiais legalistas, muitos ex-alunos do general Argemiro de Assis Brasil, ministro chefe da Casa militar, fiel ao presidente e legalista também.

A cidade de Porto Alegre era reduto eleitoral de Goulart e de Brizola, a população poderia não aceitar pacificamente ao golpe que depunha o presidente, o que poderia ser uma dificuldade aos golpistas devida índole aguerrida do povo gaúcho.

Nas regiões de Santa Catarina e Paraná também não se sabia qual seria a reação da população frente ao golpe. A Quinta Região Militar comandada pelo Terceiro Exército era no Paraná influenciada por São Paulo, e em Santa Catarina influenciada pelo Rio Grande do Sul. Em sua maioria os políticos paranaenses e catarinenses estavam mais inclinados ao conservadorismo, isto é à direita, portanto havia uma grande possibilidade de apoio ao golpe.

As tropas do Rio Grande do Sul do general Ladário Pereira Teles, comandante do III Exército entraram em "prontidão rigorosa". Havia a impressão de que oficiais legalistas reagiriam contra os rebeldes.

Devida comunicação eficiente entre os generais e ao convencimento daqueles que poderiam reagir pelos golpistas, os militares favoráveis ao governo federal mudaram rapidamente de posição

O general Poppe de Figueiredo, da 3ª. Divisão de Infantaria, sediada em Santa Maria, peça chave que poderia definir o posicionamento militar do Terceiro Exército acabou por ser convencido pelos seus colegas do Norte. Depois da definição de Poppe, os comandantes das guarnições de Bajé e Uruguaiana acataram o comando dos rebeldes.

Apesar de haver a rápida mudança de situação ainda ocorreram no Sul algumas escaramuças militares.

No dia 3 de abril Meneghetti para Porto Alegre reassumindo as suas funções de governador.

As regiões nordeste e norte e o IV Exército[editar | editar código-fonte]

Principalmente na região nordeste, os civis, lideradas por Miguel Arraes, se confrontavam ideologicamente com as forças militares do IV Exército lideradas pelo general Justino Alves Bastos.,Bastos fazia parte ativa da conspiração e acreditava que haveria oposição civil das Ligas Camponesas que seguiam a orientação do deputado Francisco Julião.

Acreditavam os golpistas que as reações contrárias ao movimento, na região, seriam derrotadas no máximo em um mês, e assim as tropas do IV Exército poderiam vir a deslocar-se para o sul, reforçando o contingente da Guanabara.

Mourão Filho e a precipitação, Guedes e a superstição[editar | editar código-fonte]

Olímpio Mourão Filho desencadeou, em 31 de março de 1964, uma movimentação militar em direção ao Rio de Janeiro, a qual foi definida por muitos analistas “uma manobra intempestiva”.

O general Antônio Carlos Muricy registrou que a ação deveria ter início entre 2 e 8 de abril de 1964. Observe-se a curiosa influência da superstição de um general sobre uma ação militar. Carlos Luís Guedes, então comandante da 4ª Divisão de Infantaria de Minas Gerais, sediada em Belo Horizonte, afirmava que o movimento deveria ter sido iniciado antes do dia 2 ou depois do dia 8 de abril de 1964. Isto porque, segundo o general: "tudo o que começasse em fase lunar de quarto minguante não daria certo". Independentemente da superstição, o início repentino do movimento facilitou a surpresa e impossibilitou qualquer vazamento de informação que viesse a atrapalhar a execução do golpe.

O golpe institucional de Moura Andrade[editar | editar código-fonte]

As tropas se deslocaram rapidamente para locais estratégicos e em quarenta e oito horas houve um segundo "golpe", desta vez constitucional onde o presidente do Congresso Nacional, senador Auro de Moura Andrade declarou vacância no cargo de Presidente da República, apesar de Jango ainda estar no Brasil.

Em 1º de abril de 1964, Goulart viajou do Rio de Janeiro para Brasília, e da capital federal para Porto Alegre, deixando para Darci Ribeiro, chefe do Gabinete Civil, a incumbência de comunicar ao Congresso Nacional que o presidente permanecia no País. Entretanto, o senador Auro de Moura Andrade, agindo inconstitucionalmente, ignorou a comunicação oficial e declarou a vacância da presidência da República. Em seguida investiu no cargo de Presidente da República o presidente da Câmara, o deputado Pascoal Ranieri Mazzilli. Agindo desta forma, Moura Andrade facilitou os processos de reconhecimento internacional (especialmente pelos Estados Unidos) do novo governo, impossibilitando qualquer reação por parte dos defensores da ordem constitucional.

A decisão de Jango[editar | editar código-fonte]

No dia 2 de abril de 1964, Jango e Brizola se reuniram com os generais no sul, em Porto Alegre, para discutir a resistência ao golpe. De acordo com o ex-governador: " (...) A certa altura, chegou na sala um auxiliar do presidente, com uma comunicação que havia captado pelo rádio, segundo a qual o governo dos Estados Unidos havia reconhecido o governo que se estabelecera em Brasília (...) O presidente não queria assumir a responsabilidade de desencadear uma guerra civil (...) Àquela altura, o presidente João Goulart agiu corretamente"...

Referências

  1. livro publicado por Philip Agee, em Ingles sob o título "Inside The Company: CIA Diary", 1975, Editora Penguin Books, ISBN 0-14-004007-2
  2. Langguth, A.J. Hidden Terrors: The Truth About U.S. Police Operations in Latin America. Pantheon Books, New York, 1978. ISBN 0394738020, pp. 101.

Ver também[editar | editar código-fonte]