Opinião pública

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Opinião pública é o que geralmente se atribui à opinião geral de uma sociedade. É também designada por senso comum, em que se inserem as ideias consideradas corretas pela maior parte da sociedade, que seguem um padrão ético-moral que é subjetivo segundo a sua cultura, condições sociais e, em alguns casos, sua religião. Quando se diz, por exemplo: "A opinião pública está pressionando o governo", significa que a sociedade civil, geralmente através dos mídia, expressa uma posição de pressão ao governo. É, portanto, o comportamento que a maioria de uma sociedade toma em relação a algum assunto.

Índice

[editar] Definição de opinião

A notícia existe por meio de um processo de transformação: a mídia transforma (molda) a notícia de acordo com as características pré-estabelecidas do suposto receptor. Este, o receptor, cria, em funcão de desejos, personalidades e credos, sua interpretação em relação ao fato noticiado. A opinião pública é criada a partir do agrupamento das interpretações dos receptores. Num sentido mais amplo, a opinião está ligada à crença na qual o indivíduo se baseia para criar conclusões e pontos de vista.

A opinião, resumidamente, reúne elementos heterogêneos em diversas combinações e resulta em julgamentos reflexivos. Já a opinião pública é baseada pela mídia numa espécie de agrupamento homogêno de crenças, ideiais e opinião. Para atingir a opinião pública, o consenso geral, a estrutura midiática aposta em valores comuns à maioria, como o repúdio à corrupção, o apelo ao sofrimento humano perante às tragédias ou a admiração por valores assumidamente honestos.

Contrato de Comunicação Midiático -> Espaço Público de Informação

A opinião privada e pública protagonizam um movimento centrífugo e centrípeto. Ambas precisam se mesclar para se formarem, numa troca constante que cria e se refaz ao longo do tempo.

Para desenvolver o conceito de opinião pública, intrinsecamente ligado ao de espaço público, Patrick Charaudeau faz uma comparação com a história da linguagem.

[editar] Discursos de representação

As práticas sociais são a força-motriz das representações, e vice-versa, atribuindo-lhes valores que tendem a confirmá-las ou modificá-las.

A mídia tem o poder de influenciar através do saber fazer, do fazer pensar e do fazer sentir, tendo importância fundamental a ordem do discurso que por ela é reproduzida.

[editar] Lugar de discurso das mídias

William e Katherine Middleton se beijam na sacada do Palácio de Buckingham

Os discursos das mídias têm a capacidade de influenciar o comportamento de um grupo social. Recentemente, pôde ser observado no Brasil algo do gênero com o interesse de parte da população no casamento do príncipe britânico William e Katherine Middleton. Com a cobertura do evento da realeza por parte da mídia, os brasileiros passaram a se sentir mais próximos dos ingleses e dos fatos que antecederam e sucederam o casamento, mesmo que fatores culturais como, por exemplo, a identidade nacional, abranjam diferenças consideráveis entre os dois países. Com isso, temos que o lugar de discurso das mídias, onde a população toma referências e ideias, pode ser moldado de acordo com a finalidade de atrair, e assim gerar audiência para assuntos aparentemente incongruentes com a tradição de determinada sociedade.

[editar] Bem individual x coletivo

Tal discussão está intrinsecamente ligada à de espaço público. O início da polêmica ocorreu a partir da polis grega, que dividiu a coisa pública da privada, e a civitas romana, criadora do conceito de bem comum, que estará ligado ao poder. Durante o Renascimento, a esfera pública, pertencente ao contexto monárquico, tornou-se numa questão burguesa. Na atualidade, ela é principalmente um espaço de discussão de cidadania, relacionando-se à noção de opinião pública. Bem individual e coletivo são, dessa forma, objeto comum.

A partir disso, a fragilidade da dicotomia individual-coletivo ou público-privado foi ainda mais acentuada com o desenvolvimento de novas mídias. Certamente, a TV teve um papel de destaque. Georges Balandier discute sobre “a palavra enfraquecida, o oculto que se torna manifesto a cada instante sob o regime do tudo visível”. No entanto, para Patrick Charaudeau, as mídias não se apoderam do espaço público para influenciar a opinião pública, mas apenas dão espaço à publicização daquele.

[editar] Discurso Circulante

Segundo Patrick Charaudeau, "O discurso circulante é uma soma empírica de enunciados com visada definicional sobre o que são os seres, as ações, os acontecimentos, suas características, seus comportamentos e os julgamentos a eles ligados"[1]. O discurso circulante, portanto, é capaz de gerar expressões, máximas e ditados populares que expõe como funciona internamente a cultura de um grupo.

Pode-se observar algumas funções importantes relativas ao discurso circulante:

  • Instituir poder e contra-poder. Sendo o poder trazido através de um discurso de uma voz considerada superior à população em geral, já o contra-poder vem através de grupos organizados que tentam contestar a ordem vigente, reivindicar direitos;
  • Regular o cotidiano social, feita por discursos que definem os comportamentos da vida em sociedade;
  • A dramatização é uma função trazida por discursos que refletem os dilemas da vida, muitas vezes trazendo superstições e folclores para justificar o errante destino do homem.

Um determinado discurso circulante pode manter em evidência fatos polêmicos, gerando assim uma discussão cotidiana a respeito de determinados casos cobertos pela imprensa. Um exemplo disso pode ser visto através do uso da expressão "tudo vai acabar em pizza".[2] Essa expressão teve origem nos estúdios da rádio Gazeta AM, onde o jornalista esportivo Milton Peruzzi a utilizou para relatar o resultado das "acaloradas" reuniões de conselho do Palmeiras, onde após o término das reuniões, os conselheiros, exaustos e famintos, partiam para uma pizzaria de forma totalmente tranquila, como se nada houvesse ocorrido. Posteriormente esse termo começou a ser utilizado pela imprensa para se referir aos casos de corrupção que acabavam sem solução.

A imprensa tem, portanto, a capacidade de trazer à tona discussões que poderiam passar despercebidas pela população, ao criar uma expressão que pode cair prontamente no gosto popular, onde também, muitas vezes, transcende e expande o uso e significado original da expressão. Observamos que as pressões populares dificilmente aconteceriam sem a influência da imprensa, que exerce plenamente o seu papel de “quarto poder”, mostrando os passos de uma dada discussão, as pessoas públicas e suas opiniões sobre o objeto de discussão, e desta forma molda novas ideias para a opinião e esfera pública.

[editar] Ver também

Referências

[editar] Bibliografia

  • Charaudeau, Patrick. Discurso das mídias. São Paulo: Contexto, 2006. 288 p. ISBN 9788572443234
  • Habermas, Jürgen. Mudança Estrutural da Esfera Púlica: investigações quanto a uma categoria da sociedade burguesa. 2ª ed. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 2003. 398 p.
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