Opinião pública

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Opinião pública é a expressão da participação popular na criação, controle, execução e crítica das diretrizes de uma sociedade. É também designada por senso comum, em que se inserem as ideias consideradas corretas pela maior parte da sociedade, que seguem um padrão ético-moral que é subjetivo segundo a sua cultura, condições sociais e, em alguns casos, sua religião. Quando se diz, por exemplo: "A opinião pública está pressionando o governo", significa que a sociedade civil, geralmente através da mídia, expressa uma posição de pressão ao governo. É, portanto, o comportamento que a maioria de uma sociedade toma em relação a algum assunto.[nota 1]

No campo político, é controvertido o conceito de opinião pública e o seu papel nos governos. As obras sobre a democracia do século XX não são unânimes quanto ao seu significado e à sua função. Na antiguidade, os gregos e os romanos empregavam locuções semelhantes para o termo: os romanos falavam em "consensus populi" em um sentido puramente jurídico. Nem gregos, nem romanos usaram o termo em sua presente acepção política. A expressão "Vox populi, vox Dei" ja era utilizada pelos filósofos na Idade Média e, mais tarde, em "Discursos", Maquiavel comparou a voz do povo à voz de Deus. No século XVIII, Alexander Pope escreveu: "É estranha a voz do povo; é e não é a voz de Deus".[1] Mas, 'opinião pública' em seu sentido sociológico surgiu na linguagem da Europa Ocidental introduzida pela França, onde Jean-Jacques Rousseau a usou, pela primeira vez, às vésperas da revolução[2]

No início do século XIX, várias circunstâncias se aliaram para dar ao termo um conceito especial, como a prevalecência da sua eficiência na vida política; o estágio primário de desenvolvimento de disciplinas como psicologia, sociologia, antropologia; o alcance gradual da crítica política publicamente expressa o bar, o café e o salon ingleses e franceses como palcos da discussão pública de assuntos sujeitos a controvérsia; além de instrumentos como constituições que defendiam, por exemplo, as liberdades civis.[1]

História da Opinião Pública[editar | editar código-fonte]

Como explica Samuel Mateus em " A Estrela (de)Cadente- uma breve história da Opinião Pública" (2008), "o conceito de Opinião Pública esta foi invocado com persistência de maneira muito precisa, no contexto das sociedades liberais de pendor democrático. O modelo liberal constitui o primeiro grande entendimento de opinião pública concebida de forma substantivada: uma Opinião Pública maiúscula, instância entre a sociedade civil e o Estado."[3]

"A opinião pública liberal (burguesa) constitui-se como força moral e crítica sobre a sociedade e o Estado ou qualquer outro poder em geral. A opinião pública política fundamenta-se na esfera privada, mais propriamente na sociedade civil, e é constituída pelos indivíduos particulares reunidos em público que fazem ouvir a sua voz através de uma comunicação política expressa como opinião pública, tida esta como produto do raciocínio público sobre os assuntos públicos. Dado que cada um possui a sua aspiração privada, pelo que é na defesa dos interesses de cada um que publicamente se pode atingir a harmonia e o bem-estar social. O seu pressuposto é que somente do diálogo e do debate públicos pode a verdade assomar aos homens e guiar os cidadãos na identificação e no solucionamento dos problemas da sociedade. A opinião pública surge de uma reabilitação pública da doxa na medida em que, erigida em fundamento de legitimidade da acção governamental, requer que a opinião de cada subjectividade seja considerada igual perante todas as restantes. A teoria liberal da opinião pública é, assim, uma teoria do público e da sua liberdade constitutiva em expressar os seus pontos de vista, em discutir os temas e em avaliar criticamente os actos do poder político" [4]

Definição de opinião[editar | editar código-fonte]

A notícia existe por meio de um processo de transformação: a mídia transforma (molda) a notícia de acordo com as características pré-estabelecidas do suposto receptor. Este, o receptor, cria, em função de desejos, personalidades e credos, sua interpretação em relação ao fato noticiado. A opinião pública é criada a partir do agrupamento das interpretações dos receptores. Num sentido mais amplo, a opinião está ligada à crença na qual o indivíduo se baseia para criar conclusões e pontos de vista.

A opinião, resumidamente, reúne elementos heterogêneos em diversas combinações e resulta em julgamentos reflexivos. Já a opinião pública é baseada pela mídia numa espécie de agrupamento homogêneo de crenças, ideais e opinião. Para atingir a opinião pública, o consenso geral, a estrutura midiática aposta em valores comuns à maioria, como o repúdio à corrupção, o apelo ao sofrimento humano perante às tragédias ou a admiração por valores assumidamente honestos.

Contrato de Comunicação Midiático -> Espaço Público de Informação

A opinião privada e pública protagonizam um movimento centrífugo e centrípeto. Ambas precisam se mesclar para se formarem, numa troca constante que cria e se refaz ao longo do tempo.

Para desenvolver o conceito de opinião pública, intrinsecamente ligado ao de espaço público, Patrick Charaudeau faz uma comparação com a história da linguagem.

Discursos de representação[editar | editar código-fonte]

As práticas sociais são a força-motriz das representações, e vice-versa, atribuindo-lhes valores que tendem a confirmá-las ou modificá-las.

A mídia tem o poder de influenciar através do saber fazer, do fazer pensar e do fazer sentir, tendo importância fundamental a ordem do discurso que por ela é reproduzida.

Lugar de discurso das mídias[editar | editar código-fonte]

William e Katherine Middleton se beijam na sacada do Palácio de Buckingham

Os discursos das mídias têm a capacidade de influenciar o comportamento de um grupo social. Recentemente, pôde ser observado no Brasil algo do gênero com o interesse de parte da população no casamento do príncipe britânico William e Katherine Middleton. Com a cobertura do evento da realeza por parte da mídia, os brasileiros passaram a se sentir mais próximos dos ingleses e dos fatos que antecederam e sucederam o casamento, mesmo que fatores culturais como, por exemplo, a identidade nacional, abranjam diferenças consideráveis entre os dois países. Com isso, temos que o lugar de discurso das mídias, onde a população toma referências e ideias, pode ser moldado de acordo com a finalidade de atrair, e assim gerar audiência para assuntos aparentemente incongruentes com a tradição de determinada sociedade.

Bem individual x coletivo[editar | editar código-fonte]

Tal discussão está intrinsecamente ligada à de espaço público. O início da polêmica ocorreu a partir da polis grega, que dividiu a coisa pública da privada, e a civitas romana, criadora do conceito de bem comum, que estará ligado ao poder. Durante o Renascimento, a esfera pública, pertencente ao contexto monárquico, tornou-se numa questão burguesa. Na atualidade, ela é principalmente um espaço de discussão de cidadania, relacionando-se à noção de opinião pública. Bem individual e coletivo são, dessa forma, objeto comum.

A partir disso, a fragilidade da dicotomia individual-coletivo ou público-privado foi ainda mais acentuada com o desenvolvimento de novas mídias. Certamente, a TV teve um papel de destaque. Georges Balandier discute sobre “a palavra enfraquecida, o oculto que se torna manifesto a cada instante sob o regime do tudo visível”. No entanto, para Patrick Charaudeau, as mídias não se apoderam do espaço público para influenciar a opinião pública, mas apenas dão espaço à publicização daquele.

Discurso circulante[editar | editar código-fonte]

Segundo Patrick Charaudeau, "O discurso circulante é uma soma empírica de enunciados com visada definicional sobre o que são os seres, as ações, os acontecimentos, suas características, seus comportamentos e os julgamentos a eles ligados"[5] . O discurso circulante, portanto, é capaz de gerar expressões, máximas e ditados populares que expõe como funciona internamente a cultura de um grupo.

Pode-se observar algumas funções importantes relativas ao discurso circulante:

  • Instituir poder e contra-poder. Sendo o poder trazido através de um discurso de uma voz considerada superior à população em geral, já o contra-poder vem através de grupos organizados que tentam contestar a ordem vigente, reivindicar direitos;
  • Regular o cotidiano social, feita por discursos que definem os comportamentos da vida em sociedade;
  • A dramatização é uma função trazida por discursos que refletem os dilemas da vida, muitas vezes trazendo superstições e folclores para justificar o errante destino do homem.

Um determinado discurso circulante pode manter em evidência fatos polêmicos, gerando assim uma discussão cotidiana a respeito de determinados casos cobertos pela imprensa. Um exemplo disso pode ser visto através do uso da expressão "tudo vai acabar em pizza".[6] Essa expressão teve origem nos estúdios da rádio Gazeta AM, onde o jornalista esportivo Milton Peruzzi a utilizou para relatar o resultado das "acaloradas" reuniões de conselho do Palmeiras, em que após o término das reuniões, os conselheiros, exaustos e famintos, partiam para uma pizzaria de forma totalmente tranquila, como se nada houvesse ocorrido. Posteriormente esse termo começou a ser utilizado pela imprensa para se referir aos casos de corrupção que acabavam sem solução.

A imprensa tem, portanto, a capacidade de trazer à tona discussões que poderiam passar despercebidas pela população, ao criar uma expressão que pode cair prontamente no gosto popular, em que também, muitas vezes, transcende e expande o uso e significado original da expressão. Observamos que as pressões populares dificilmente aconteceriam sem a influência da imprensa, que exerce plenamente o seu papel de “quarto poder”, mostrando os passos de uma dada discussão, as pessoas públicas e suas opiniões sobre o objeto de discussão, e desta forma molda novas ideias para a opinião e esfera pública.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b Introduction to Political Science (Introdução à Ciência Política)- RODEE, Carlton Clymer e outros. Editora Mc Graw Hill Book Company. Capítulo XV - Opinião pública. Páginas 97 a 118.
  2. Paul A. Palmer, "Public Opinion in Political Theory" - "Ensaios de História e Teoria Política", Cambridge, Massachusetts, EUA, 1936, p. 236
  3. “A Estrela (De)Cadente: para uma breve história da opinião pública”, Estudos de Comunicação, nº 4, 2008, pp.59-80 http://www.labcom.ubi.pt/ec/04/html/05-Samuel_Mateus-A_estrela__de__cadente.html
  4. “A Estrela (De)Cadente: para uma breve história da opinião pública”, Estudos de Comunicação, nº 4, 2008, pp.59-80 http://www.labcom.ubi.pt/ec/04/html/05-Samuel_Mateus-A_estrela__de__cadente.html
  5. Patrick Charaudeau(2006, p. 118)
  6. "E tudo termina em pizza...", Revista Aventuras na História - Editora Abril. Página visitada em 27/06/2011.

Notas

  1. Laurence Lowell, no seu trabalho "Opinião pública na guerra e na paz", criticou o conceito de "público global" e de "opinião universal". Para ele, uma opinião é tornada pública quando aceita por uma absoluta maioria de cidadãos. Não necessariamente a unanimidade, desde que a minoria dissidente acate a decisão de modo voluntário, por convicção e não por coação.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Charaudeau, Patrick. Discurso das mídias. São Paulo: Contexto, 2006. 288 pp. ISBN 9788572443234
  • Habermas, Jürgen. Mudança Estrutural da Esfera Púlica: investigações quanto a uma categoria da sociedade burguesa. 2ª ed. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 2003. 398 pp.