Oralidade

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Oralidade é a transmissão oral dos conhecimentos armazenados na memória humana. Antes do surgimento da escrita, todos os conhecimentos eram transmitidos oralmente. A memória auditiva e visual eram os únicos recursos de que dispunham as culturas orais para o armazenamento e a transmissão do conhecimento às futuras gerações.[1] A inteligência estava intimamente relacionada a memória. Os anciões eram os mais sábios, pelo conhecimento acumulado.

Pierre Lévy faz uma distinção em "As tecnologias da inteligência: o futuro do pensamento na era da informática, faz distinção entre a oralidade primária, onde a palavra, por ser o único canal de informação, é responsável pela gestão da memória social; e a oralidade secundária em que a palavra (falada) tem uma função complementar à da escrita (e posteriormente à dos meios eletrônicos), sendo utilizada basicamente para a comunicação cotidiana entre as pessoas".

Em muitas culturas, a identidade do grupo estavam sob guarda de contadores de histórias, cantores e outros tipos de arautos, que na prática eram autenticamente os portadores da memória da comunidade. Este é o caso do papel desempenhado na África Ocidental pelos griot, sendo o relato mais famoso o dos feitos do rei Sundiata Keita, soberano do Império Mali.

Oralidade Primária[editar | editar código-fonte]

Segundo a teoria do filósofo francês Pierre Lévy, os elementos técnicos condicionam as formas de pensamento ou as temporalidades de uma sociedade. Antes do surgimento da escrita, a sociedade vivia no que, segundo ele, seria a oralidade primária, em que a palavra tem como função básica a gestão da memória social. Nesse caso o edifício cultural estaria fundado sobre as lembranças dos indivíduos.

Persistência[editar | editar código-fonte]

Apesar da grande diversidade técnica das últimas décadas, Pierre Lévy escreve sobre a persistência dessa oralidade primária nas sociedades modernas, não pelo simples fato de falarmos, mas porque as "representações e maneiras de ser ainda são transmitidas independentemente dos circuitos de escrita e dos meios de comunicação eletrônicos". Ainda que seu livro “As tecnologias da inteligência” tenha sido lançado em 1993, e que as novidades tecnológicas tenham evoluído bastante de lá pra cá, sua afirmação permanece atual.

As inconveniências da memória[editar | editar código-fonte]

A memória humana não corresponde a um equipamento de armazenamento e recuperação fiel das informações, havendo, muitas vezes, dificuldade para diferenciar as mensagens originais que recebemos das relações que associamos a elas. Segundo Pierre Lévy, as distorções dos fatos são ainda mais fortes quando interpretados segundo esquemas preestabelecidos. Nesse caso, as informações originais são transformadas ou forçadas para se enquadrar o mais possível no esquema já existente.

“O eterno retorno”[editar | editar código-fonte]

Essa seria a sensação nas sociedades sem escritas ou que não façam uso intenso dela, que poderia ser explicada pela tendência natural de reduzir acontecimentos singulares a esquemas estereotipados. “Não há nada de novo sob o sol”. Essa frase equivaleria, segundo o filósofo, a dizer que é difícil lembrar-se do específico e do singular sem reduzi-los a cenários ou formas preestabelecidas.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

NIANE, Djibril Tamsir, 1982, Sundjata ou a Epopéia Mandinga, coleção Autores Africanos, n. 15 Editora Ática, São Paulo, SP;

WALDMAN, Maurício. Africanidade, Espaço e Tradição: a topologia do imaginário africano tradicional na crônica “Griot” de Sundjata Keita. In. Revista África, nº 20-21. p. 219-268. São Paulo: Centro de Estudos Africanos da Universidade de São Paulo - CEA/USP, 2000. Artigo considerado de relevância internacional pelo Centre National de la Recherche Scientifique (CNRS, França). Ficha Catalográfica do CNRS: [1]; Mais informação: [2]; Download:[3].

LÉVY, Pierre. São Paulo: Editora 34, 1993. As tecnologias da inteligência. 1ª edição (10ª Reimpressão) São Paulo: Editora 34, 2001

Referências

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