Ordem Equestre e Militar de São Miguel da Ala

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A Ordem Equestre e Militar de São Miguel da Ala, conhecida por Ordem de São Miguel da Ala, Real Ordem de São Miguel da Ala ou, simplesmente, Ordem da Ala, foi uma ordem de cavalaria, supostamente fundada pelo rei D. Afonso I de Portugal depois da tomada de Santarém aos muçulmanos, em 1147 e depois reactivada pelos partidários de D. Miguel I.

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Origens [editar]

A tomada da cidade de Santarém teria ocorrido no dia do São Miguel (alado) (8 de Maio) e, segundo a lenda, este arcanjo teria aparecido aos guerreiros cristãos sob a forma de um braço armado e alado, ajudando-os a derrotar os mouros. Caso estes factos correspondessem à verdade histórica, para comemorar esse milagre, D. Afonso Henriques teria decidido pela fundação de uma ordem de cavalaria, que se tornaria, assim, a mais antiga ordem de origem puramente portuguesa. Com efeito a cidade de Santarém foi conquistada em Março de 1147 (e não em Maio), como está claramente comprovado, mas não há um único documento coevo que prove a fundação de tal ordem pelo primeiro rei português.

A Ordem de São Miguel da Ala terá sido reactivada durante o reinado de D. Miguel I,1 funcionando como uma ordem secreta apoiante do absolutismo ou tradicionalismo vinculada às ideias miguelistas e combatente contra a Maçonaria. Depois da vitória dos Liberais em 1834, é extinta oficialmente, mas continua a existir clandestinamente, apoiando D. Miguel I no exílio.1

Em 1848, D. Miguel I e o Partido Realista, recentemente formado para o apoiar2 conseguem que o Papa Pio IX a reestruture militante e política, vocacionada para a defesa da religião Católica e para a restauração em Portugal do que consideravam a legítima sucessão.1 Os Grão-Mestres da Ordem seriam sempre um Rei de Portugal seu descendente ou representante,1 passando a ser considerada uma ordem secreta por ter de viver na clandestinidade, que lutaria contra o que ela considerava ter como usurpador à frente do Reino de Portugal. Pouco se sabe, porém, sobre o seu funcionamento e os seus membros, já que, segundo a tradição, esta ordem sempre teria tido um carácter reservado e envolto num certo mistério. O cargo de Grão-Mestre da Ordem seria a partir daí reivindicado pelos herdeiros de D. Miguel I (D. Miguel II, D. Duarte Nuno e D. Duarte Pio).

A Ordem seria, assim, de fundação muito mais recente[carece de fontes?] (embora se ignore a data exacta da fundação), tendo-se procurado engrandecer o seu passado através deste começo mítico ligado ao fundador da nacionalidade.

Atualmente [editar]

A Ordem de São Miguel da Ala é hoje uma irmandade católica e patriótica que procura recompensar os que servem aos interesses do sucessor do trono de Portugal, tendo a sua na pessoa de D. Duarte Pio de Bragança.

Teve suas atividades levadas a cabo pelos herdeiros de D. Miguel I de maneira ininterrupta, vindo a ser formalmente registrada em 2004, por D. Duarte Pio, junto ao Registo Nacional de Pessoas Colectivas.1

Imbróglio judicial [editar]

Em 2007, D. Duarte Pio foi investigado pelo Ministério da Economia e Inovação e, posteriormente, processado pelo deputado Nuno da Câmara Pereira, do Partido Popular Monárquico, sendo acusado por roubo de patente.3 Em 2009, o Tribunal Cível de Lisboa acabou por dar razão a Nuno da Câmara Pereira e obrigou D. Duarte Pio a desistir da representação da referida Ordem.1

Não há que se confundir, todavia, entre a chamada Ordem de São Miguel da Ala, registrada por Nuno da Câmara Pereira em 1981, e a chamada Real Ordem de São Miguel da Ala, registrada por D. Duarte Pio em 2004, conforme afirmações do Registo Nacional de Pessoas Colectivas e da própria juíza Isabel Sá, do 4.º Juízo Cível.1 Seria este um problema de registro de marca, pelo que a aposição do termo "Real", pelo registro posterior feito por D. Duarte Pio, não seria suficiente para distinguir ambas as instituições.

Referências

  1. a b c d e f g Casa Real Portuguesa - Real Ordem da Asa de São Miguel. Casarealportuguesa.org.
  2. Maria Emília Sena de Vasconcelos (1989). «Miguelismo no Alto-Minho» (PDF). "Cadernos Vianenses", Viana do Castelo: Pelouro da Cultura Câmara Municipal, Tomo XIII p. 114. Câmara Municipal de Viana do Castelo.
  3. D. Duarte processado por 'roubo' de 'patente. Diário de Notícias (Portugal).

Ligações externas [editar]