Ordem Trapista

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa

A Ordem Trapista (oficialmente, Ordem dos Cistercienses Reformados de Estrita Observância, ou em latim Ordo Cisterciensium Strictioris Observantiæ, OCSO), é uma congregação religiosa católica derivada da Ordem de Cister

O seu nome é devido ao mosteiro cisterciense de Nôtre-Dame de la Trappe (no departamento de Soligny-la-Trape), o primeiro a ser reformado, em 1662, por Armand-Jean Le Bouthillier de Rancé, o fundador da Ordem.

Os trapistas são monges beneditinos cenobitas, isto é, vivem em comunidade, o que os difere, por exemplo, dos monges cartuxos, que são eremitas ou anacoretas, isto é, religiosos de vida solitária.

"Trapista" é um "apelido" da "Ordem Cisterciense da Estrita Observância" (existe também os monges da Ordem Cisterciense da Comum Observância). Este apelido nasceu justamente do fato de que seu primeiro mosteiro foi a Abadia de La Trappe, conforme mencionado. Não tem nada a ver com "trapos" ou que seriam monges "esfarrapados", confusão muito comum, um "mito" acerca dos trapistas.

Outro mito a respeito dos trapistas é que eles seriam uma Ordem Religiosa nascida numa suposta crise de papel na Idade Média. O Papa, preocupado, teria organizado um conjunto de religiosos que iriam de "casa em casa recolhendo pedaços de pano para a confecção de papel e livros", sendo que estes monges teriam criado o cargo de monge copista. Os copistas sempre existiram no monaquismo ocidental e nunca foram uma "invenção trapista". Alguns chegam a lançar como prova desta "tese" o romance O Nome da Rosa de Umberto Eco, no qual não figura nenhuma personagem trapista, mas somente beneditinos e franciscanos, e ainda os inquisidores, à época, em sua maioria, dominicanos (inclusive a história narrada no romance se passa muitos anos antes da reforma que deu origem aos trapistas, por De Rancé em 1662).

Thomas Merton[editar | editar código-fonte]

O monge trapista mais conhecido na atualidade é Thomas Merton, falecido no final dos anos 60. Merton, ou padre Louis na vida religiosa, é autor de inúmeros livros sobre teologia, arte, vida monástica e religiosa, tendo mantido intensa correspondência com personalidades como o Dalai Lama, Martin Luther King, Frithjof Schuon, Marco Pallis, Martin Lings e outros, bem como participado do movimento pacifista contra a Guerra do Vietnam.

O Modo de Vida Trapista[editar | editar código-fonte]

Seguindo a regra de São Bento, a vida dos Trapistas segue o princípio fundamental do ora et labora, vivendo em grande austeridade e silêncio, orientada para a experiência do Deus vivo. Esta "atividade" é chamada de contemplação, isto é, a busca contínua da união com Deus.

O monge busca afastar-se do mundo; as comunidades trapistas são, via de regra, localizadas fora das cidades, vivendo os monges da atividade agrícola.

Os trapistas fazem os três votos religiosos típicos de todas as Ordens e Congregações religiosas católicas: pobreza, castidade e obediência, incluindo mais um, o voto de estabilidade, segundo o qual o monge promete viver no mesmo mosteiro até a morte.

Uma das mais importantes práticas devocionais trapistas é a celebração comunitária do Ofício Divino ou liturgia das horas, no qual os monges recitam e cantam o saltério, como forma sublime de oração comum.

Os mosteiros trapistas também são conhecidos pelos bens de consumo produzidos pelos monges, que vão de pães e queijos a roupas e caixões. Os monges trapistas não são proibidos de consumir bebidas alcoólicas e alguns mosteiros produzem suas próprias marcas de cerveja. Na Bélgica e na Holanda alguns monastérios produzem cerveja tanto para o consumo interno dos monges como para a venda para o público geral. As cervejas trapistas são extremamente famosas entre os apreciadores de cerveja sendo consideradas por alguns críticos como estando entre as melhores do mundo.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Ícone de esboço Este artigo sobre Catolicismo é um esboço. Você pode ajudar a Wikipédia expandindo-o.