Orgulho branco

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa

Orgulho branco é um slogan que indica orgulho em ser branco. O slogan é usado principalmente por separatistas brancos, nacionalistas brancos, organizações neonazistas e supremacistas brancas. [1]

Defensores do orgulho branco afirmam que há um duplo padrão cultural em que são permitidos apenas determinados grupos étnicos de expressar abertamente o orgulho de sua herança, e que o orgulho branco não é inerentemente racista, sendo mais ou menos análogo a posições raciais como orgulho asiático, orgulho negro, ou formas não-raciais como o orgulho gay.[2] [3]

Nos Estados Unidos[editar | editar código-fonte]

Membros da Aryan Guard protestam contra uma manifestação anti-racismo em Calgary em 21 de março de 2009.[4] [5]

Carol M. Swain e Russell Nieli declaram que o movimento de orgulho branco (em inglês: white pride) é um fenômeno relativamente novo nos Estados Unidos, argumentando que, ao longo da década de 1990, "um novo movimento de orgulho branco, protesto branco, e de consciência branca desenvolveu-se nos Estados Unidos". Eles identificam três fatores contribuintes: um influxo de imigrantes durante os anos 1980 e 1990, o ressentimento em relação às políticas de ação afirmativa e o crescimento da Internet como uma ferramenta para a expressão e mobilização das reclamações. [6]

O slogan "White Pride, World Wide" aparece no logotipo do Stormfront, um site pertencente e operado por Don Black, que foi anteriormente um Grand Wizard da Ku Klux Klan. [7] Os Cavaleiros Brancos do Norte da Georgia da Ku Klux Klan descrevem-se como "um movimento patriótico branco de avivamento cristão dedicado a preservar a manutenção do orgulho branco e os direitos da raça branca". [8]

No Brasil[editar | editar código-fonte]

As bandeiras do grupo são as seguintes: defesa da pureza racial, ataque ao multiculturalismo perverso e antinatural, retorno dos brancos à Europa para unificar a raça e defesa da superioridade dos países nórdicos. Os apologistas dessa ideologia não se relacionam com pessoas de outras raças, defendem o conceito biológico de raça, rechaçam a miscigenação racial, negam serem racistas, afirmam que existem brancos puros e mestiços de pele branca, não aceitam o rótulo de nazistas e sugerem que a África é subdesenvolvida devido à sua população negra.[9]

Citações do grupo:

  • "Noruega, Suécia, Finlândia estão numa região fria pra caramba e estão entre os melhores países do mundo. O que os africanos fizeram nas terras deles?";
  • "O que seria dos EUA, Brasil e Austrália se não fosse a colonização europeia? Estariam até hoje com as mesmas civilizações que acreditavam em Astrologia, ouviam velhos patéticos como se fossem poços de sabedoria e tinham um monte de superstições".

E ainda:

  • "Brancos são mais inteligentes que os negros”.

Embora o racismo e o preconceito sejam proibidos pela legislação brasileira, os apologistas do orgulho branco mantêm páginas no Facebook, que têm causado indignação entre os internautas, com diversas denúncias à rede social e às autoridades. Em uma dessas páginas, que possui mais de 2.800 curtidas, advoga uma luta contra a extinção da raça. Entretanto, Maurício Santoro, assessor de Direitos Humanos da Anistia Internacional no Brasil, assegura: “A própria ideia de que a humanidade se divide em raças definidas, e é possível identificá-las, é completamente absurda do ponto de vista biológico. Essa é uma concepção do século XIX que não se sustenta mais”. E o promotor de justiça do Ministério Público de Minas Gerais esclarece que “qualquer tipo de conduta que traga algum traço de discriminação racial pode ser considerado crime”.[10]

Críticas[editar | editar código-fonte]

Um skinhead white power vestindo uma camisa que diz "branco e orgulhoso" em alemão.

O filósofo David Ingram argumenta que "afirmar orgulho negro" não é equivalente a "afirmar orgulho branco, uma vez que o anterior - ao contrário deste último - seria uma estratégia defensiva destinada a retificar um estereótipo negativo". [11] Por outro lado, então, "afirmações de orgulho branco - todavia mal disfarçadas como afirmações de orgulho étnico - servem para mascarar e perpetuar o privilégio branco". [11]

Os críticos argumentam que ideias tais como orgulho branco existem apenas para fornecer uma imagem pública limpa para a supremacia branca. Afirmam que o objetivo não declarado do movimento nacionalista branco é apelar para um público maior, e que a maioria dos grupos nacionalistas brancos promovem separatismo branco e violência racial. [12]

Referências

  1. Van McVey, Sarah. Race, Gender, and the Contemporary White Supremacy Movement: The Intersection of "isms" and Organized Racist Groups. [S.l.]: ProQuest, 2008.
  2. Speech by National Rifle Association First Vice President Charlton Heston Delivered at the Free Congress Foundation's 20th Anniversary Gala National Rifle Association Information Violence Policy Center (1997-12-07).
  3. Moritz, Justin J. (August 3, 2005), "Feds Rule "White Pride" is "Offensive" and "Immoral"", American Renaissance, http://www.amren.com/news/2010/04/feds_rule_white_1/ .
  4. "Neo-Nazi group and anti-racism protesters clash in Calgary", The Star, March 21, 2009.
  5. Violence erupts at 'White Power' march - Canoe
  6. *Swain, Carol M.; Nieli, Russell (2003), Contemporary Voices of White Nationalism in America, Cambridge: Cambridge University Press, p. 5, ISBN 0-521-01693-2 .
  7. Faulk 1997
  8. Hilliard & Keith 1999, p. 63
  9. Entrevista com defensores do orgulho branco. Yahoo, página acessada em 15 de novembro de 2013.
  10. Site prega orgulho de ser branco. O Tempo Brasil, página acessada em 15 de novembro de 2013.
  11. a b Ingram, David (2004), Rights, Democracy, and Fulfillment in the Era of Identity Politics: Principled Compromises in a Compromised World, Lanham, MD: Rowman & Littlefield, p. 55, ISBN 0-7425-3348-4 .
  12. Swain, Carol M. (2002), The New White Nationalism in America: Its Challenge to Integration, Cambridge: Cambridge University Press, p. 16, ISBN 0-521-80886-3  This may perhaps be the goal of the "white separatist" movement, but the term white pride must only be accepted to acknowledge the pride a white person is rarely allowed to feel based on their culture and upbringing because of the oppression now legally allowed by most minority groups.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Dobratz, Betty A.; Shanks-Meile, Stephanie L. (2001), The White Separatist Movement in the United States: White Power, White Pride, Baltimore: Johns Hopkins University Press, ISBN 0-8018-6537-9 .
  • Faulk, Kent (October 19, 1997), "White Supremacist Spreads Views over the Internet", The Birmingham News .
  • Hilliard, Robert L.; Keith, Michael C. (1999), Waves of Rancor: Tuning in the Radical Right, Amonk, NY: M.E. Sharpe, ISBN 978-0-7656-0131-5 .
  • Ingram, David (2004), Rights, Democracy, and Fulfillment in the Era of Identity Politics: Principled Compromises in a Compromised World, Lanham, MD: Rowman & Littlefield, ISBN 0-7425-3348-4 .
  • Swain, Carol M.; Nieli, Russell (2003), Contemporary Voices of White Nationalism in America, Cambridge: Cambridge University Press, ISBN 0-521-01693-2 .

Ligações externas[editar | editar código-fonte]