Orixá

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Na mitologia yoruba, orixás (yoruba Òrìsà; em espanhol Oricha; em inglês Orisha) são ancestrais divinizados africanos que correspondem a pontos de força da Natureza e os seus arquétipos estão relacionados às manifestações dessas forças. As características de cada orixá aproxima-os dos seres humanos, pois eles manifestam-se através de emoções como nós. Sentem raiva, ciúme, demonstram vaidade, orgulho. Cada orixá tem ainda o seu sistema simbólico particular, composto de cores, comidas, cantigas, rezas, ambientes, espaços físicos e até horários. Como resultado do sincretismo que se deu durante o período da escravatura, cada orixá foi também associado a um santo católico, devido à imposição do catolicismo aos negros. Para manterem os seus orixás vivos, viram-se obrigados a disfarçá-los na roupagem dos santos católicos, aos quais cultuavam apenas aparentemente.[1]

História[editar | editar código-fonte]

Na mitologia, há menção de 600 orixás primários, divididos em duas classes, os 400 dos Irun Imole e os 200 Igbá Imole, sendo os primeiros do Orun ("céu") e os segundos da Aiye ("Terra").

Estão divididos em orixás da classe dos Irun Imole, e dos Ebora da classe dos Igbá Imole, e destes surgem os orixás Funfun (brancos, que vestem branco, como Oxalá e Orunmilá), e os orixás Dudu (pretos, que vestem outras cores, como Obaluayê e Xangô).

  • Axabó, orixá feminino e pouco conhecido, é da família de Xangô.
  • Ayrà, usa branco, tem profundas ligações com Oxalá e com Xangô.
  • Baiani, orixá também chamado Dadá Ajaká.
  • Egungun, Ancestral cultuado após a morte em Casas separadas dos orixás.
  • Exu, orixá guardião dos templos, encruzilhadas, passagens, casas, cidades e das pessoas, mensageiro divino dos oráculos.
  • Ibeji, orixás crianças, são gêmeos, e protegem as criancinhas.
  • Iemanjá, orixá feminino dos mares e limpeza, mãe de muitos orixás. Dona da fertilidade feminina e do psicológico dos seres humanos.
  • Ifá ou Orunmila-Ifa, Ifá é o porta-voz de Orunmila, orixá da adivinhação e do destino, ligado ao Merindilogun.
  • Irôco, orixá da árvore sagrada, (gameleira branca no Brasil).
  • Iyami-Ajé, é a sacralização da figura materna, a grande mãe feiticeira.
  • Logunedé, orixá jovem da caça e da pesca.
  • Nanã, orixá feminino dos pântanos e da morte. Protege idosos e desabrigados. Também dona da chuva e da lama. É mãe de Obaluaiê e junto com ele, dona das doenças cancerígenas. Mais velha orixá do panteão africano.
  • Obá, orixá feminino do Rio Oba. Dona da guerra e das águas.
  • Obaluaiyê, orixá das doenças epidérmicas e pragas, orixá da cura.
  • OrixaNlá ou Obatalá, o mais respeitado, o pai de quase todos orixás, criador do mundo e dos corpos humanos.
  • Odudua, orixá também tido como criador do mundo, pai de Oranian e dos yoruba.
  • Ogum, orixá do ferro, guerra, fogo, e tecnologia, deus da sobrevivência.
  • Olokun, orixá divindade do mar.
  • Olossá, orixá feminino dos lagos e lagoas.
  • Omolu, orixá da transformação.
  • Onilé, orixá do culto de Egungun.
  • Onilê, orixá que carrega um saco nas costas e se apóia num cajado.
  • Oranian, orixá filho mais novo de Odudua.
  • Orixá Oko, orixá da agricultura.
  • Ossaim, orixá das Folhas sagradas, conhece o segredo de todas elas. Junto com Oxóssi, protege as matas e os animais.
  • Oxaguian, qualidade de Oxalá jovem e guerreiro.
  • Oxalá, orixá do Branco, da Paz, da Fé.
  • Oxalufan, qualidade de Oxalá velho e sábio.
  • Oxóssi, orixá da caça e da fartura.
  • Oxum, orixá feminino dos rios, do ouro, deusa das riquezas materias e espirituais, dona do amor e da beleza, protege bebês e recém-nascidos.
  • Oxumaré, orixá da chuva e do arco-íris, o dono das Cobras e das transformações.
  • Oyá ou Iansã, orixá feminino dos ventos, relâmpagos, tempestades e também das paixões.
  • Xangô, orixá do fogo e trovão, protetor da justiça.
  • Yewá, orixá feminino do Rio Yewa. Protetora das moças virgens e dona da vidência.

África[editar | editar código-fonte]

Na África cada orixá estava ligado a uma cidade ou a uma nação inteira; tratava-se de uma série de cultos regionais ou nacionais.

Sàngó em Oyo, Yemoja na região de Egbá, Iyewa em Egbado, Ogún em Ekiti e Ondo, Òsun em Ilesa, Osogbo e Ijebu Ode, Erinlé em Ilobu, Lógunnède em Ilesa, Otin em Inisa, Osàálà-Obàtálá em Ifé, Osàlúfon em Ifon e Òságiyan em Ejigbo.

A realização das cerimônias de adoração ao Òrìsá é assegurada pelos sacerdotes designados para tal em sua tribo ou cidade.

Brasil[editar | editar código-fonte]

No Brasil, existe uma divisão nos cultos: Ifá, Egungun, orixá, Vodun e Nkisi, são separados pelo tipo de iniciação sacerdotal.

Em cada templo religioso são cultuados todos os orixás, diferenciando que nas casas grandes tem um quarto separado para cada orixá, nas casas menores são cultuados em um único (quarto de santo) termo usado para designar o quarto onde são cultuados os orixás.

Alguns orixás são só assentados no templo para serem cultuados pela comunidade, exemplo: Odudua, Oranian, Olokun, Olossa, Baiani, Iyami-Ajé que não são iniciados Iaôs para esses orixás.

A Iyalorixá ou o Babalorixá são responsáveis pela iniciação dos Iaôs e pelo culto de todo e qualquer orixá assentado no templo, auxiliada pelas pessoas designadas para cada função. Exemplo o Babaojé que cuida da parte dos Eguns e Babalosaim que é o encarregado das folhas.

Apesar de serem de origem daomeana, Nanã, Obaluaiyê, Iroko, Oxumarê e Yewá, são cultuados nas casas de nação Ketu, mas são muito raros os Iaôs que são iniciados, houve casos de passar vinte ou trinta anos sem se iniciar ninguém para esses orixás que são cultuados em locais separados dos outros.

Existem orixás que já viveram na terra, como Xangô, Oyá, Ogun, Oxossi, viveram e morreram, os que fizeram parte da criação do mundo esses só vieram para criar o mundo e retiraram-se para o Orun, o caso de Obatalá, e outros chamados Orixá funfun (branco).

Existem orixás que são cultuados pela comunidade em árvores como é o caso de Iroko, Apaoká, os orixás individuais de cada pessoa que é uma parte do orixá em si e são a ligação da pessoa, iniciada com o orixá divinizado; ou seja, uma pessoa que é de Xangô, seu orixá individual, é uma parte daquele Xangô divinizado, com todas as características, ou arquétipos.

Existe muita discussão sobre o assunto: uns dizem que o orixá pessoal é uma manifestação de dentro para fora, do Eu de cada um ligado ao orixá divinizado, outros dizem ser uma incorporação mas é rejeitada por muitos membros do candomblé, justificam que nem o culto aos Egungun é de incorporação e sim de materialização. Espíritos (Eguns) são despachados (afastados) antes de toda cerimônia ou iniciação do candomblé.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

Ligação externa[editar | editar código-fonte]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Osun Eyin, Pai Cido. Candomblé. A panela do segredo. Editora Arx, 2000. ISBN 8535402160 http://ocandomble.wordpress.com/os-orixas/