Orson Welles

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Orson Welles
Nome completo George Orson Welles
Nascimento 6 de maio de 1915
Kenosha, Wisconsin
Nacionalidade  Estados Unidos
Morte 10 de outubro de 1985 (70 anos)
Hollywood, Califórnia
Ocupação Ator
Diretor
Produtor
Dramaturgo
Atividade 19311985
Cônjuge Virginia Nicholson (1934–1940)
Rita Hayworth (1943–1948)
Paola Mori (1955–1985)
Oscares da Academia
1941 - Cidadão Kane (melhor roteiro original)
IMDb: (inglês)

George Orson Welles (Kenosha, Wisconsin, 6 de maio de 1915Hollywood, 10 de outubro de 1985) foi um cineasta estadunidense.

Também foi roteirista, produtor e ator. Iniciou a sua carreira no teatro, em Nova Iorque, em 1934.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Órfão aos quinze anos, após a morte do seu pai (sua mãe morreu quando ainda tinha 9 anos), George Orson Welles começou a estudar pintura em 1931, primeira arte em que se envolveu. Adolescente, não via interesse nos estudos e em pouco tempo passou a atuar. Tal paixão o levou a criar sua própria companhia de teatro em 1937. Em 1938, Orson Welles produziu uma transmissão radiofônica intitulada A Guerra dos Mundos, adaptação da obra homônima de Herbert George Wells e que ficou famosa mundialmente por provocar pânico nos ouvintes, que imaginavam estar enfrentando uma invasão de extraterrestres. Um Exército que ninguém via, mas que, de acordo com a dramatização radiofónica, em tom jornalístico, acabara de desembarcar no nosso planeta. O sucesso da transmissão foi tão grande que no dia seguinte todos queriam saber quem era o responsável pela tal "pegadinha". A fama do jovem Welles começava. Foi casado com a atriz Rita Hayworth e tiveram a filha Rebecca. O casal divorciou-se em 1948.

Citizen Kane[editar | editar código-fonte]

Sua estreia no cinema, em filmes de longa metragem, ocorreu em 1941 com Citizen Kane (Em Portugal, "O Mundo a seus Pés"; no Brasil, "Cidadão Kane"), considerado pela crítica como um dos melhores filmes de todos os tempos e o mais importante dirigido por Welles.

Os elogios a Citizen Kane, originaram por três motivos:

Inovação[editar | editar código-fonte]

Welles inovou a estética do cinema com técnicas até então raríssimas nas produções cinematográficas. Algumas delas são:

  • Ângulos de câmera (uso de plongée e contra-plongée).
  • Exploração do campo (campo e contra-campo).
  • Narrativa (narrativa não linear).
  • Edição/Montagem (muito sofisticada para e época de sua realização, devido a não linearidade da narrativa).

Coragem[editar | editar código-fonte]

Orson Welles retratou em "Citizen Kane" a vida e a decadência de um magnata da comunicação norte-americana, baseado na história do milionário William Randolph Hearst. Esse filme foi um marco na carreira do ator. Mesmo estando pronto, "Cidadão Kane" quase não saiu, fruto de problemas com Hearst. Ele teve nove indicações para o Oscar, mas venceu apenas um, o de melhor roteiro original. Sua coragem de realizar esta obra prima acabou resultando no fechamento de muitas portas no futuro, beirando ao ostracismo no fim da vida.

Dinamismo[editar | editar código-fonte]

Foi diretor, co-roteirista, produtor e ator em "Citizen Kane". O que é surpreendente, pois no cinema o acúmulo de funções acaba influenciando de maneira negativa no resultado final. Mas no caso de Welles surgiu uma obra completamente à frente do seu tempo.

Passagem pelo Brasil[editar | editar código-fonte]

Logo após a realização de Citizen Kane, no dia 13 de fevereiro de 1942 Welles viajou ao Brasil onde pretendia filmar o famoso carnaval carioca e a façanha de quatro jangadeiros cearenses na costa brasileira para acrescentar ao seguimento My Friend Bonito, do documentário It's All True. Mas algo desastroso ocorreu. Numa tarde chuvosa, um dos jangadeiros conhecido como Jacaré recusou-se à sair ao mar para gravar por questões de segurança. Orson insistiu e ofereceu um cachê maior ao jangadeiro, que no final acabou aceitando. Durante a viagem, a jangada virou, jogando os quatro jangadeiros ao mar. Jacaré foi o único que desapareceu. Seu corpo foi encontrado dias depois devorado por tubarões.

Chave da suíte 27 ocupada durante 6 meses por Orson Welles durante sua estadia no Rio de Janeiro.

Orson Welles, que já estava hospedado há seis meses no Hotel Copacabana Palace no Rio de Janeiro, após o acidente, resolveu prosseguir as filmagens, dessa vez como uma homenagem ao jangadeiro morto. Mas agora Orson sofria pressões externas. Parte pela imprensa brasileira que o culpava pelo acidente de jangada, parte pelo governo Getúlio Vargas que não via o diretor com bons olhos desde que ele homenageou os jangadeiros. Ocorre que os jangadeiros, meses antes das filmagens, haviam se envolvido em polêmica com o presidente Getúlio Vargas por questões trabalhistas não cumpridas. E esse fato teve repercussão negativa para o governo na época.

Para piorar a situação de Welles, durante sua estadia no Rio de Janeiro, o diretor soube por telefone que seu filme mais recente havia sido editado nos EUA sem seu consentimento.

Sobre o fato, Welles comentou em entrevista ao crítico de cinema, André Bazin: "Era co-dirigido por mim e Norman Foster. Era uma história entre um pobre menino e seu touro. Depois fizeram outra versão, modificando todas as ideias e refazendo tudo ao modo deles. Eu tinha rodado durante três meses, mas a RKO (estúdio) me despediu. Quando retomaram a ideia não queriam saber mais nada de mim. Tampouco me pagaram nenhum tipo de direitos e atuaram como se fosse uma história original".

Todos esses problemas, somados à uma discussão por telefone que culminou no fim de seu relacionamento com a atriz Dolores Del Rio, irritaram profundamente o diretor que numa crise de fúria atirou móveis de sua suíte 27 do Copacabana Palace diretamente na piscina. Esse fato é considerado até hoje o mais pitoresco da história do hotel.

Apesar de todos os contratempos, Orson Welles despediu-se do Brasil deixando saudades no povo que aprendeu a admirá-lo por seu talento, carisma e genialidade.

Carreira Turbulenta[editar | editar código-fonte]

Esse tipo de problema iria ser uma constante na carreira de Welles, que logo após o fracasso de público de A Dama de Xangai (1948) raramente conseguiria realizar um filme à sua maneira, dirigindo quase sempre em condições precárias.

Touch of Evil

Para se ter um exemplo, as filmagens de Dom Quixote (1959-1972) (Don Quijote de Orson Welles) duraram mais de dez anos, e mesmo assim somente o copia do filme pode ser visto (hoje já está disponível em DVD).

Tentando continuar sua carreira, ele passou as décadas seguintes aceitando papéis de ator, no qual sua presença e voz marcante, mesmo quando as participações eram pequenas, nunca passavam sem chamar atenção. Ao voltar a Hollywood depois de uma temporada na Europa, Welles atuaria como um dos co-protagonistas do premiado The Long, Hot Summer (1958), dirigiu e atuou em A Marca da Maldade, famoso por ter incluído um plano-sequência de três minutos com um desfecho impactante, e teria um de seus melhores desempenhos em cena no filme Compulsion, de 1959.

Em 1962 realizou "The Trial", filme baseado na obra " O Processo" de Franz Kafka. Welles considerou este um dos seus mais gratificantes filmes realizados. Em 1979 teve um pequeno papel no filme "The Secret Life of Nikola Tesla."

Morte[editar | editar código-fonte]

Orson Welles morreu de ataque cardíaco em sua casa em Hollywood, Califórnia em 10 de outubro de 1985, aos 70 anos, e, segundo a lenda, teria feito o seguinte comentário sobre sua profissão antes de morrer: "Esse é o maior trem elétrico que um menino já teve." Uma curiosidade: nesse mesmo dia infelizmente também falecia o ator Yul Brynner.

Seu último trabalho foi dublando a voz do planeta Unicron no desenho animado de longa metragem de 1986 The Transformers: The Movie.

Filmografia[editar | editar código-fonte]

Curtas metragens[editar | editar código-fonte]

  • The Hearts of Age (1934)
  • Magnum,P.I. Série (1980-1985)(Como a voz de Robin Masters)

Diretor[editar | editar código-fonte]