Os Cariocas

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Os Cariocas
Os Cariocas com Diogo Nogueira (ao centro), na TV Brasil, 2014.
Informação geral
Origem Rio de Janeiro
País Brasil Brasil
Gênero(s) MPB
Período em atividade 1942-presente
Gravadora(s) Continental, Sinter, RCA Victor, Columbia, Mocambo, Philips, Som Livre, WEA, Vitória Régia Discos, Paradoxx Music, Albatroz, Columbia Sony Music, Guanabara
Integrantes Severino Filho, Eloi Vicente, Neil Carlos Teixeira, Fabio Luna
Ex-integrantes Ismael Neto, Ari Mesquita, Salvador, Tarquínio Penna, Badeco, Waldir Viviani, Quartera, Luiz Roberto, Edson Bastos e Hernane Castro

Figurando entre os mais antigos do Brasil, Os Cariocas é um conjunto vocal, criado por Ismael Neto em 1942, cujo repertório é a música popular brasileira (MPB).

Histórico[editar | editar código-fonte]

Cantavam em festinhas da vizinhança no bairro da Tijuca, quando participaram do programa de calouros Papel Carbono, de Renato Murce, pela Rádio Nacional do Rio de Janeiro, vindo a obter o segundo lugar. Em novas tentativas no programa, obtiveram a primeira colocação por duas vezes seguidas. Em 1946, um teste na Rádio Nacional—realizado na presença de Haroldo Barbosa, Paulo Tapajós e Radamés Gnattali, regente da orquestra da emissora—inclui o conjunto em um programa musical chamado Um milhão de melodias. Participaram dos programas Canção romântica e Quando canta o Brasil. Tiveram participação nos programas de auditório de César de Alencar, Manoel Barcelos e Paulo Gracindo. O grupo sobressaiu-se pela mistura de polifonia e efeitos rítmicos, que era diferente da dos conjuntos de sucesso na época, tais como Bando da Lua (acompanhavam Carmem Miranda), Os Anjos do Inferno e os Quatro Ases e um Coringa, que passaram a cantar em quatro ou cinco vozes.

Os componentes do conjunto eram Ismael Neto; Severino Filho; Emanuel Furtado, o Badeco; Waldir Viviani; e Jorge Quartarone, o Quartera. Sua primeira gravação foi um disco de 78 rpm, pela gravadora Continental, com as músicas Adeus América (Haroldo Barbosa/Geraldo Jaques) e Nova ilusão (José Menezes/Luís Bittencourt). Em 1950, gravaram a música Valsa de uma cidade (Ismael Neto/Antônio Maria). Junto com a cantora Marlene, gravaram Qui nem jiló e Macapá, ambas compostas por Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira.

O conjunto foi contratado pela RCA Victor, gravando as canções Podem falar (Ismael Neto/Antônio Maria) e O último beijo (Ismael Neto/Nestor de Holanda). Esta gravação foi usada como prefixo do programa de TV - Discos impossíveis de Flávio Cavalcanti. Canções juninas, como Baile na roça (Ismael Neto) e Pula fogueira(Haroldo Lobo/Mílton Oliveira), figuravam entre as diversas gravadas.

Em 1956, morre, prematuramente, Ismael Neto, e Severino Filho convida sua irmã Hortênsia Silva para fazer a voz de falsete. O disco Os Cariocas a Ismael Neto, pela gravadora Columbia, foi uma homenagem do grupo a seu fundador. Na gravadora Continental, foram levados a gravar Born too late, Chá-chá-chá baiano e Always and forever -- músicas que não pertenciam ao estilo do conjunto. Num dos lados desses 78 rpm, colocaram a música Chega de saudade (Tom Jobim/Vinícius de Moraes), com João Gilberto ao violão. Foi com esta melodia que Os Cariocas fizeram sua entrada definitiva na Bossa Nova. Em 1962, participaram do show "O encontro", na boate carioca Au Bon Gourmet, ao lado de Tom Jobim, Vinícius de Moraes, João Gilberto, os músicos Milton Banana (bateria) e Otávio Bailly (baixo). As músicas mais simbólicas da Bossa Nova foram apresentadas, entre elas: Samba do avião, Samba de uma nota só, Corcovado, Garota de Ipanema e outras.

Atuaram por diversas vezes no programa de TV, O Fino da Bossa, apresentado por Elis Regina e Jair Rodrigues, pela TV Record - Canal 7, de São Paulo.

Excursionaram pela Argentina, Porto Rico, Estados Unidos e México em 1965.Fizeram shows em Nova Iorque e Washington, no anfiteatro Carter Barron, tendo a participação de Astrud Gilberto e Paul Anka. Em Nova Iorque, apresentaram-se no programa de TV , To-night Show, comandado por Johnny Carson, na rede NBC. Gravaram quatro programas para o canal 11 de Buenos Aires.

Por divergências com o maestro Severino Filho, o conjunto ficou separado por vinte e um anos, com cada integrante cuidando de sua vida particular. A música do grupo continuou a ser divulgada pelas emissoras de rádio.Em 1987, o pianista Alberto Chineli convidou para ouvir o arranjo feito para a música Da cor do pecado, de Bororó. Severino Filho, entusiasmado, fez o arranjo vocal e chamou os integrantes do conjunto para voltarem aos palcos e aos discos.

Dos conjuntos vocais atuais, o MPB-4 é o que mais se assemelha a Os Cariocas, em termos de estilo.

OS CARIOCAS (1946-1956)[editar | editar código-fonte]

                                   A Era Ismael Netto

Tijuca, 1942.

Na esquina da Avenida Paulo de Frontin com Haddock Lobo, subúrbio da Tijuca, ainda sem Maracanã, jovens “navegavam” numa Juke Box conhecendo música além fronteira. Um importante encontro se dava: a harmonia dos grupos vocais integrantes das grandes orquestras americanas e o atento ouvido de Ismael Netto.

Dessa despretensiosa diversão surgia uma idéia: cantar juntos, por que não? O grupo logo estava formado: Ismael, seu irmão mais novo Severino, Waldir e colegas de bairro, que se revezavam como em um encontro para peladas. Ismael conseguia passar, empunhando um violão, cada uma das vozes ouvidas lá na caixinha de música para seus colegas: sua voz é essa, a sua é esta..., a minha é assim, vamos cantar. Com um decodificador de vozes em sua cabeça, Ismael instigava os colegas com melodias que soavam sem sentido isoladamente, mas em conjunto.

A diversão forjada pelos jovens tijucanos, de reproduzir aquele som, seria adoçada pela camaradagem, pela descoberta do novo, tão comum aos jovens de qualquer tempo e, assim como nas peladas de rua, havia a busca pelo clímax, pelo gol, referendado naquela nova brincadeira, no ato de sentir, ouvir e fazer parte daqueles acordes, de moldar-se um tijolo de cada bloco harmônico concebido pelo jovem Ismael que, descobrira uma nova brincadeira e a seus amigos ensinava as regras. A tática então seria aperfeiçoar e colorir, com emoção e arte, a música proposta na vila da Rua Hadock Lobo...mais uma descoberta, assim como nos jogos, seriam necessárias dedicação, concentração e sensibilidade, e isso seria aperfeiçoado em ensaios.

Em plena segunda guerra mundial, década de quarenta, as rádios levavam jornalismo, notícias do front e entretenimento a todo o Brasil. A cultura dos Estados Unidos da América (EUA) invadia o mundo com o cinema e a música, principalmente. Cantores como Bing Crosby, orquestras como a de Glenn Miller e Tommy Dorsey, criavam fãs pelo Brasil e sugeriam à musicalidade do brasileiro, harmonias curiosas para o gosto popular.

Pied Pipers, Modernaires, The Pastels, grupos vocais americanos, eram ouvidos por Ismael Netto e seus colegas de bairro, que predileção construíam por aquela forma de cantar em grupo. O sucesso de grupos brasileiros como o Bando da Lua com Carmem Miranda, Anjos do Inferno, Quatro Ases e um Coringa, apesar de estilos diferentes ao do que Ismael e seus colegas faziam, indicavam caminhada possível ao profissionalismo.

Dos primeiros ensaios até apresentações pelo bairro poucas semanas se passaram. O Instituto Lafayette frequentado por alguns deles e onde lecionava o pai de Ismael Araújo da Silva Netto e Severino Araújo da Silva Filho foi um dos primeiros palcos.

Curiosamente, neste colégio estudou Mário Reis, que por seu estilo é considerado um dos pioneiros do estilo bossa-nova de cantar. Faltava o batismo e Ismael propôs a seu irmão: “vamos colocar um nome diferente, nada de namorados, da lua, do céu, será Os Cariocas.

A brincadeira de adolescentes chamava a atenção dos ouvintes vizinhos e a idéia de levar aqueles ensaios a sério passou a ser cogitada. E o que seria mais sério do que uma apresentação em rádio? O número de integrantes do conjunto oscilava, o amadorismo trazia e levava colegas: Aquino (em plena segunda guerra, largou o conjunto e foi para Israel), Piauí só tocava pandeiro, Amauri, Carlos (cantava bem em inglês), Ary, participavam daquela diversão ainda sem pretensões profissionais. Os Cariocas foram até sete, sempre com Severino, Ismael e Waldir. Os vocais ainda seguiam os moldes dos Namorados da Lua, Quatro Ases e um Coringa até que Ismael sugeriu a mudança radical.

A melodia estaria com ele e em falsete.

Quando um desses colegas se interessou por uma menina do bairro e se entregou ao namoro, entrou Quartera, que já freqüentava assiduamente aqueles encontros artísticos.

Em uma de suas visitas ao bar da Juke Box, onde sempre colocava ficha para ouvir algum sucesso americano interpretado dor Dorsey ou Miller, o dono do bar interpelou: “você gosta de grupos vocais? Tem uma garotada ali na vila (na rua Haddock Lobo, 217) que canta assim, talvez até melhor!” Quartera entrara assim para o grupo.

Um primeiro teste foi feito num concurso do programa Papel Carbono de Renato Murce na Rádio Clube do Brasil. Resultado: o campeão foi um assobiador com cinquenta e oito pontos, o terceiro lugar conquistado pela canção If you please, que rendeu ao conjunto trinta cruzeiros, foi obtido com cinqüenta e seis pontos. A proximidade com o primeiro posto nesta primeira investida encorajou os rapazes a uma nova tentativa. A nova investida mais uma vez no programa de Murce deu ao conjunto cinqüenta cruzeiros relativos ao primeiro lugar, com mais de vinte pontos à frente do segundo colocado.

O nome do conjunto aparecia com as investidas pelas rádios cariocas e convites, durante o ano de 1945, aconteceram para apresentações na grande Rádio Nacional.

O grande dia chegou, teste na Rádio Nacional. A sabatina seria gravar em acetato, suportes utilizados para gravações internas da Rádio, a canção americana Rum and Coca-Cola, gravada na década de trinta pelo trio vocal feminino Andrew

Sisters, grupo vocal formado por três irmãs de Minnesota – EUA. A banca examinadora, encerrada a gravação, avisou que um contato seria feito com brevidade para comunicar-lhes o resultado.

Um telefonema, a aprovação e o convite feito para integrar um quadro onde atuavam os maiores artistas da época. Mudanças? Sim, a diversão virava profissão. Aos três de fevereiro de 1946 estreavam na Rádio Nacional (Rádio) os garotos da Tijuca que há quatro anos brincavam de cantar em harmonia e com salário de Cr$5.000,00 - cinco mil cruzeiros.

O encontro com o profissionalismo em artes assustou famílias e integrantes do conjunto, pois um passo polêmico estava sendo dado. Como brincadeira, carregar violão e cantar, já era visto com maus olhos pelos tradicionais costumes das famílias tijucanas,  quanto mais fazer disso uma profissão.

Depois de algumas mudanças o grupo iniciou como quarteto de Ismael de Araújo Silva Netto ou Ismael Netto (1925 - 1956), Severino Araújo da Silva Filho ou Severino Filho (1928), Jorge Quartarone ou Quartera (1925) e Waldir Prado Viviani ou Waldir Viviani (1924 - 2001). Quartera aprovado em um concurso público, neste mesmo ano seguiu para Campina Grande, cidade no interior da Paraíba. Um trio impossibilitaria a atuação do conjunto, pois inviabilizaria a prática das idéias de Ismael e a indicação, por Rui Rei, do já vocalista profissional Emmanuel Barbosa Furtado - o Badeco(1924), contornou a situação.

Um acerto com a Nacional indicava que, temporariamente, o grupo seria um quarteto e aguardaria o retorno de Quartera, o que aconteceu oito meses depois, completando então o quinteto que dava a Ismael a possibilidade de utilizar acordes mais arrojados, com cinco vozes, que só passaram no teste da Rádio por serem os avaliadores maestros renomados, íntimos da música moderna erudita, como por exemplo, Radamés Gnattali (1906 - 1988) que transitava como poucos na fronteira nebulosa entre o mundo erudito e o popular.

Lá estavam eles, que destoavam, até no nome, dos conjuntos vocais da época denominados Os Namorados da Lua, Bando da Lua, Anjos do Inferno, Os Garotos da Lua, Os Trigêmeos Vocalistas7, Os Cariocas, nome escolhido por Ismael, indicava uma nova sonoridade, uma nova forma de cantar a música popular brasileira em grupo.

No fim de 1947, Braguinha, o João de Barro, compositor, na época diretor artístico da gravadora Continental e autor das versões em português dos temas infantis de Walt  Disney, contratou os serviços do conjunto para dublagem do desenho Ferdinando, o Touro.

Braguinha gostou do desempenho do conjunto e os convidou para integrar o elenco da  gravadora.

O momento da gravação do primeiro disco estava se aproximando e a escolha das músicas seguiam a uma exigência da gravadora: deveriam ser brasileiras. Haroldo Barbosa já havia colocado o grupo para cantar músicas brasileiras na Rádio e esta seria a tendência das gravações do grupo.

Para a gravação, Os Cariocas tiveram luxuoso acompanhamento de músicos como José Menezes de França, o Zé Menezes, ao violão, autor da melodia do lado B, Pedroca no Pistão, Centopéia ao piano e Pedro Vidal Ramos, o Vidal, dedilhando o contrabaixo; o primeiro e o último, músicos do sexteto de Radamés Gnattali. Este 78 rotações de 1948 trazia no lado A Adeus América (Haroldo Barbosa e Geraldo Jacques) e no lado B  Nova ilusão (Zé Menezes e Luis Bitencourt). O lado A deste primeiro setenta e oito gravado pelo conjunto revela em sua poesia, na letra de Geraldo Jacques, nacionalismo musical com exaltação ao samba, destoando completamente da função inicial do conjunto na Nacional: intérpretes da música americana.

Adeus América

(Haroldo Barbosa e Geraldo Jacques)

Não posso mais, ai que saudade do Brasil

Ai que vontade que eu tenho de voltar

Adeus América, essa terra é muito boa

Mas não posso ficar porque

O samba mandou me chamar

O samba mandou me chamar

Eu digo adeus ao boogie woogie, ao woogie boogie

E ao swing também

Chega de rocks, fox-trotes e pinotes

Que isso não me convém

Eu vou voltar pra cuíca, bater na barrica

Tocar tamborim

Chega de lights e all rights e de fights good nights

Isso não dá mais pra mim

Eu quero um samba feito só pra mim

Curiosidade na canção acima conta que Geraldo Jacques de frente para o cine Odeon na Praça da Cinelândia, vendo a enorme fila que se formava para a audiência do  artista espanhol Xavier Cugat (1900 - 1990), intuiu os primeiros versos da canção, em um  banco daquela praça embebido por indignação a tamanho apelo do artista estrangeiro.

Porém, este autor, espanhol, com vida em Cuba, foi conhecido como autor de mambos, música cubana, como El Manisero, estilos não citados na letra de Adeus América, onde somente os sons americanos servem de base para a canção protesto. O disco teve grande sucesso alcançando o posto de mais vendido por semanas. A canção AdeusAmérica chegou a ter execução proibida nos Estados Unidos quando um funcionário da CBS impediu que os Anjos do Inferno, em turnê por aquele país, interpretassem a canção por supor sê-la ofensiva ao orgulho norte-americano.

Os quatro discos seguintes chegaram em 1949 com os pares de faixas: os sambas Sinceridade de Luiz Bittencourt e Roberto Faissal e Cadê a Jane? de Wilson Batista e Erasmo Silva; as marchinhas juninas Botaram fogo na bomba de Roberto Roberti e Arlindo Marques Jr e Eu também sou Batista de José Batista e Wilson Batista; Juazeiro de Humberto Teixeira e Luiz Gonzaga e Vamos dançar o côco de Humberto Teixeira e Carlos  Barroso; com Marlene dividindo as faixas em Macapá e Qui nem jiló, ambas da dupla Humberto Teixeira e Luiz Gonzaga. Interessante destacar o fato de que o grupo, caracterizado inicialmente pela interpretação de canções americanas, tinha até este momento em sua discografia o placar de seis a quatro com vitória dos baiões sobre os sambas.

O aparecimento do conjunto na Rádio despertava grande interesse também nas casas de espetáculo e as propostas para shows apareciam, como por exemplo, o convite para  integrar o show de Carlos Machado no Night Club Casablanca, no canto direito da Praia Vermelha, onde atuaram ao lado da atriz Cleia Barros e de Marlene. As casas noturnas proliferavam no eixo centro / zona sul da cidade do Rio nas décadas de quarenta e cinqüenta e o conjunto seguia a tendência, aproveitando o sucesso na Nacional.

São também destes primeiros anos profissionais do conjunto as primeiras viagens inter-estaduais: Belo Horizonte e São Paulo , aonde foi o conjunto a  convite da Rádio Bandeirantes. O conjunto, com autorização expressa da direção da Rádio Nacional, levava sua música por todo o Brasil. Para cada viagem um memorando era preenchido autorizando folga ao conjunto. Vitor Costa, diretor de grande visão comercial, diante de grande assédio aos artistas da Rádio, criou com Moacir Arêas, um departamento responsável pelas negociações de contratos com artistas da Rádio, gravações de jingles, ou atuações quaisquer de artistas da sua marca, fora dos auditórios da Nacional.

As viagens em DC-3 pela Real Aerovias, em remota época da aviação, construíram alguns causos, como o de uma viagem para Uberaba-MG em 1950 quando a aterrissagem se deu em pequeno aeroporto de Passos-MG, por estar o piloto perdido.

Em 1950 o conjunto mudou de gravadora, seguindo para a Capitol, atual Universal que teve entre a primeira e a atual marca os nomes Sinter, Phillips, Polygram; nesta gravadora registrou sucessos como Marca na parede de Ismael Netto e Mario Faccini e Tim tim por tim tim de Haroldo Barbosa e Geraldo Jacques.

O primeiro LP brasileiro, chamado de “dez polegadas” foi lançado em 1951 pelo selo Capitol e contou com vários artistas deste selo. O Brasil se tornava o quarto país do mundo a utilizar o suporte, três anos depois do protótipo americano. Os Cariocas participam do protótipo fabricado pela fábrica Sinter e lançado pelo selo Capitol. No LP “Músicas para o carnaval” o conjunto cantou Meu maior amor, marcha de Felisberto Martins, Vitor Simon e César Ladeira.

Em quatro de dezembro de 1952 Ismael se casa com a cantora, colega de Nacional, Heleninha Costa e é neste ano que o conjunto ingressa na RCA Victor com dois sambas de Ismael: Está fazendo um ano e Me dá me dá; deste período na RCA são as gravações de Comigo é assim, da dupla autora de Nova ilusão, Baião de Vassouras de Luiz Gonzaga e David Nasser, Lá vem a Rita de Haroldo Lobo e Milton de Oliveira. Nesta ocasião o salário do conjunto chegara a Cr$25.000,00

acompanhando a escalada do grupo. No final de 1954 o conjunto volta para a Continental.

Ismael já morava em Copacabana, Rua Prado Júnior, ponto tradicionalmente boêmio no não menos boêmio bairro de Copacabana. Lá com Heleninha começava vida nova, mas talvez não fosse o lugar mais propício. A noite carioca era sugada ao máximo por Ismael que saía da Praça Mauá de dancing em dancing até fazer ponto na taberna da Glória. Conversa à mesa com amigos músicos, jornalistas e todo o tipo de boêmios, pouca atenção à saúde, mas fértil contato com futuros parceiros. Era da noite também aquele que ficou conhecido como o seu principal parceiro, Antonio Maria.

Maria, pernambucano, jornalista e poeta, ainda em Pernambuco trabalhava na Rádio Clube de Pernambuco, cidade para a qual dedicou letra de frevos como o Frevo nº 1, Frevo nº 2 e Frevo nº 3; filho de usineiro, tinha situação estável, até que uma especulação financeira quebrou a família e Maria seguiu os passos de milhares de retirantes: tentar o sucesso na capital. Tinha espetacular resistência para as aventuras da noite e encontrou por volta de 1953 um paraense de mesma reputação, este com quem escreveria uma dezena de canções. A parceria Ismael & Maria rendeu números como Canção da volta, Madrugada 3 e 5, Disse o que eu queria, Podem falar, Cartas, Sei perder, O Rio amanhecendo, Carioca 1954 e talvez a mais famosa delas - Valsa de uma cidade.

Valsa de uma cidade

(Ismael Netto e Antonio Maria)

Vento do mar no meu rosto e o sol a queimar, queimar

Calçada cheia de gente a passar e a me ver passar

Rio de Janeiro, gosto de você

Gosto de quem gosta

Deste céu, deste mar, desta gente feliz

Bem que eu quis escrever um poema de amor

E o amor estava em tudo o que vi

Em tudo quanto eu amei

E no poema que eu fiz

Tinha alguém mais feliz que eu

O Que não me quis

A parceria revelava claro frescor na soturna tendência à fossa da poesia dos samba canções de Maria e fugia dos temas sobre desamores e desencontros. As melodias de Ismael o levavam a usar temas sobre a paisagem e as peculiaridades da cidade que ambos adotaram como lar, temas estes que alguns anos mais tarde permeariam o estilo denominado de bossa nova.

Valsa de uma cidade dos parceiros paraense e pernambucano virou hino informal à cidade do Rio e disputa em eleições populares, voto a voto com a preferida para o quesito hino – Cidade maravilhosa de André Filho. Lúcio Alves, ex-Namorados da Lua, teve a primazia da primeira gravação pela Continental em 1954 . Os Cariocas só a gravariam, com arranjo de Severino, em 1957, em um disco póstumo intitulado “Os Cariocas a Ismael Netto” . Ismael, a despeito das atuações do conjunto, um dia confidenciou a Badeco, seu companheiro no acompanhamento do conjunto; Ismael tocava violão de seis cordas e Badeco um violão tenor: gosto muito de nosso vocal, conseguimos um padrão muito

bom, mas nosso acompanhamento é muito ruim, essa batida de samba que fazemos é muito pesada e quadrada, utilizamos nossos instrumentos apenas para termos referencial harmônico, mas em nada contribuem à beleza..

Em conversas com seu irmão Severino, comentava sobre a música brasileira estar se tornando cada vez mais propícia à vocalização, estando os compositores ousando nas harmonizações o que dava aos dois, maior liberdade para a distribuição de cinco vozes.

Severino já iniciara seus estudos com Joacquim Koellreuter e seu primeiro arranjo, para a canção Tea for two agradara muito a Ismael, ao conjunto e aos maestros e diretores da Rádio.

Em 1954, Tom Jobim (1927 - 1994) com parceria de Billy Blanco (1924) compôs "A  Sinfonia do Rio de Janeiro", peça que teve a orquestração de Radamés Gnattali em disco chamada de sinfonia popular em tempo de samba. Desta gravação participaram: Dick Farney, Lúcio Alves, Dóris Monteiro, Emilinha Borba, Nora Ney, Jorge Goulart e Os Cariocas. O advento do LP (long playing) disponibilizava tempo quatro vezes maior de música de cada lado do disco e a Sinfonia do Rio tinha quinze minutos de música ininterrupta de cada lado.

Em 1955 o setenta e oito rotações da Continental, com as músicas "Sei perder" e "Qu'est-ce que tu penses", traria as últimas gravações com a participação de Ismael Netto.

Ismael em seus últimos anos demonstrava cansaço, os problemas de saúde decorrentes de sua vida desregrada surgiam, problemas estes que o acompanhariam até o seu falecimento em trinta e um de janeiro de 1956. No dia seguinte seu sepultamento no cemitério São João Baptista, nesta cidade, em Botafogo. Aos trinta anos Ismael Netto abandona a vida deixando Heleninha Costa e Os Cariocas.

Severino Filho assume a direção do conjunto e toma as providências com pesar para o conjunto seguir sua trajetória. A primeira voz, exercida em voz falsete por Ismael, característica do conjunto, era responsabilidade agora da irmã caçula Hortênsia de Araújo Silva ou Hortênsia (1932) que completava o quinteto. A primeira apresentação com Hortênsia no conjunto foi no programa Quando canta o Brasil no dia três de março de 1956 e a primeira gravação, o setenta e oito com Garota coquete de Lúcio Alves e Geração da vitamina de Haroldo Barbosa pela Continental.

Em 1957, pela gravadora Columbia, é lançado o LP “Os Cariocas a Ismael Netto”  com canções do integrante desaparecido. São deste LP as seguintes faixas e parceiros: Valsa de uma cidade (Antonio Maria), Afinal (Luiz Bittencourt), Marca na parede (Mario Faccini), Me dá me dá (Claudionor Santos), Último beijo (Nestor de Holanda), Se teus olhos me dissessem (Jairo Argileu), Canção da volta (Antônio Maria).

O conjunto sofrera grande perda com o desaparecimento de Ismael e até um final para o grupo foi cogitado. Heleninha Costa, viúva, e Severino, porém, mantiveram a disposição de prosseguir a obra iniciada por Ismael. A primeira década completada na Rádio, coincidente ao período de Ismael, deu a seus integrantes estabilidade funcional na Nacional, benesse não garantida pelas leis trabalhistas que regiam a classe musical.

Ainda em 1956 Severino Filho é contratado pela Rádio Nacional para atuar também como arranjador , a parte orquestral do conjunto era agora também de responsabilidade de um integrante do grupo. Severino organizou também, um coro de doze vozes, a quem batizou com seu próprio nome e uma orquestra de baile chamada Orquestra Panamericana e com esta gravou quatro LPs:  “Samba Internacional”, “Stardust”, “Metais e vozes em Festival” e “A volta ao mundo em 7 notas”.

O Jornal O Globo patrocinou em 1957, sob o comando de Sílvio Túlio Cardoso, o prêmio Disco de Ouro aos melhores do ano. Venceram Elizeth Cardoso, como melhor cantora; Agostinho dos Santos, o melhor cantor; Vinícius de Moraes, letrista; Os Cariocas foi grupo vocal vencedor.

Neste ano, 1957, o conjunto tem primeira exposição na nova mídia, a televisão, em apresentação na TV Rio.

Hortênsia se casa em 1959 e abandona a carreira artística no ano seguinte, após participar, com o conjunto, de um show de Ari Barroso na Boite Fred’s em companhia do próprio autor de Aquarela do Brasil que tocava piano, dos cantores Haroldo de Almeida e Carminha Mascarenhas e do cômico Castro Filho.

A saída de Hortênsia causa profunda reformulação na estrutura do grupo que passa definitivamente a um quarteto vocal com Severino, Badeco, Quartera e Waldir gravando canções como Joga a rede no mar (Fernando César e Nazareno de Brito), Tudo é bossa (Miguel Gustavo e Alcyr Pires Vermelho), Preto velho bossa nova (Norival Reis e Jorge Duarte) e Zelão (Sérgio Ricardo).

A primeira viagem internacional do grupo data deste período, quando foram a Buenos Aires, em agosto de 1960, para apresentação no Canal 9 da TV argentina. O debut se realizou no programa “Musica en el aire” com instrumentos emprestados de músicos argentinos. A explicação: o quarteto embarcou para a Argentina em um avião e os instrumentos, violão e de percussão, em outro. Assim que, houve um atraso do segundo e a fidalguia dos músicos argentinos resolveu o impasse, com o empréstimo de um violão e instrumentos de percussão similares aos cariocas, viabilizando assim a atuação.

Abelardo Barbosa, que dividira apartamento com Antonio Maria na década de cinqüenta, participava do início da televisão com o programa “Discoteca do Chacrinha”, que por décadas elevaria seu pseudônimo a sinônimo de comunicação no Brasil. Os Cariocas participaram do programa inicial da temporada de 1961.

O movimento conhecido como bossa nova já se erguia e um evento marcaria este início: o show “Um Encontro” de 1962 reuniu na boate Au Bon Gourmet bairro do Lido em Copacabana, Rio de Janeiro, por quarenta e cinco dias, Os Cariocas, Tom Jobim - voz e piano, Vinícius de Moraes – voz, João Gilberto – voz e violão. O então quarteto Os Cariocas tinha Severino, Badeco, Quartera e Luis Roberto e neste show se apresentou com apenas Badeco ao violão, no que tange ao acompanhamento instrumental. Vale ressaltar que neste show estavam Otávio Bailey tocando contrabaixo e Milton Banana conduzindo a bateria. Neste show, realizado na casa de Flávio Ramos e com direção do ex-Bando da Lua, Aloísio de Oliveira, foram lançadas canções como Garota de Ipanema de Tom Jobim e Vinícius de Moraes, Samba do avião de Tom, Só danço samba de Tom e Vinícius.

Existe gravação deste show, precária e amadora, pecado da história de nossa música popular. Nesta percebe-se a reação entusiasmada da platéia ao ouvir pela primeira vez canções que se tornariam clássicos da música brasileira, como no final de Samba do avião onde escuta-se da platéia um “Tom, muito bonito hein!”.

O quarteto, formação só ocorrida na ocasião do afastamento do Quartera em 1946  e a partir de 1959, acrescentava uma novidade, o conjunto agora, além de vocal, era quarteto instrumental com a seguinte distribuição: Severino aproveitou seus estudos com Zimbres, Koellreuter e Aída Gnattali para aperfeiçoar a técnica pianística e passou, a partir de 1962, a ser além de primeira voz e arranjador, o pianista do grupo; Badeco, segunda voz, permaneceu ao violão, que já dominava, só que agora com a batida do João Gilberto (que Ismael infelizmente não conheceu); Quartera, terceira voz, que só tinha se aventurado em cabaças, tan-tans, instrumentos de percussão, assumiu as baquetas tocando caixa e prato em uma bateria reduzida; o novato Luis Roberto assumiu a quarta voz e os solos vocais, tocava violão muito bem, mas empunhava no grupo o contrabaixo acústico. Sua tendência à seresta destoava do estilo de voz pequena e sem impostação dos solistas vocais do período, mas marcava seu estilo inconfundível, preservado pelo crivo de Severino, que apenas moldou em voz limpa, sem vibratos, a voz de Luis Roberto para os momentos do canto em grupo.

De 1962 até 1967 seis discos de vinil foram gravados pelo conjunto na Phillips (depois Polygram e atualmente Universal): “A Bossa dos Cariocas” - 1962, “Mais Bossa com Os Cariocas” - 1963, “Os Cariocas de Quatrocentas Bossas” - 1964, “A Grande Bossa dos Cariocas” - 1964, “Arte Vozes” - 1966 e “Passaporte” - 1966.

Estes LPs, gravados em dois canais, tinham formato padrão de instrumentação, com metade do repertório gravado com acompanhamento de orquestra, arranjos de Severino. As gravações aconteciam em dois tempos: primeiro se gravava a parte instrumental de orquestra, contrabaixo (Luis Roberto), bateria reduzida de caixa e prato (Quartera), violão (Badeco) e o piano de Severino, que também regia a orquestra, para então, gravada a parte instrumental, o conjunto colocar o vocal.

O disco “Passaporte” era prenúncio de viagem ao exterior, e o sucesso dessa fase de Os Cariocas estendeu-se a países estrangeiros, com retorno à Argentina para atuações em boates e televisão.  Na boite da Rua Tucuman em Buenos Aires o conjunto teve temporada onde dividiu a noite com a legenda do tango argentino e virtuose do bandoneon: Astor Piazzolla.

Em 1965, o conjunto iniciou em Porto Rico uma excursão que se prolongaria a Nova York e Washington, com atuação em show no Carter Barron, anfiteatro de 4000 lugares, do qual participaram também Astrud Gilberto e Paul Anka.

Em Nova York, Os Cariocas foram convidados a participar do famoso To-Night Show, de Johnny Carson, na NBC, tendo retornado na semana seguinte, tal o sucesso alcançado. Os integrantes do grupo se recordam com orgulho dos entusiásticos aplausos recebidos, após execução do número à capella O amor em paz de Tom e Vinícius, dos componentes da famosa orquestra de Skitch Henderson, que estava atuando no programa talk-show, pioneiro do gênero.  O To-Night Show era assistido por trinta e cinco milhões de tele-espectadores, de costa a costa dos Estados Unidos, o que constituía uma fábula para a época.

Nessa ocasião, o conjunto foi apresentado a Quincy Jones, a quem deu uma audição particular nos estúdios da Mercury. Resultou desse encontro, o lançamento de Os Cariocas em disco nos Estados Unidos, com o LP "Introducing The Cariocas",  com uma seleção de bossa nova produzida pelo maestro americano.

Algumas declarações sobre o grupo, citadas no encarte deste LP estão expostas abaixo.

  • “The

Cariocas, a fresh new sound from Brazil – the first vocal quartet blending bossa nova rhythms and melodies with modern jazz harmonies”

(Os Cariocas, um novo som do Brasil – o primeiro quarteto vocal que mistura ritmo de bossa nova e melodias harmonias modernas do jazz).

Quincy Jones.

  • “They

are an absolute delight and I am an absolute fan! The Cariocas charming vocal stylings make the infectious Brazilian pop music sound even more irresistible”

(Eles são um gozo absoluto e eu sou fã incondicional! O estilo vocal charmoso de Os Cariocas torna o envolvente som da música popular brasileira ainda mais irresistível).

Sammy Cahn.

  • “The

taste and the skill of the Cariocas represent to me one of the great pleasures that we always expect but so seldom attain in this profession”

(O gosto e competência de Os Cariocas representam para mim um dos maiores prazeres que nós sempre esperamos, mas tão raramente se atinge nesta profissão).

Skitch Henderson.

  • "I

know and admire the Cariocas for many years. They have been one of the pioneers of the modern Brazilian music and I am very happy to see them introduced in this country"

(Eu conheço e admiro Os Cariocas há muitos anos. Eles têm sido um dos pioneiros de música brasileira moderna e estou muito feliz em vê-los apresentados a este país).

João Gilberto. 

De volta ao Brasil, o conjunto acertava com o empresário Monte Kay e produtores de discos a gravação de um novo LP em que as canções seriam apresentadas inicialmente em português, seguindo-se versão em inglês, a fim de torná-lo mais digerível pelo público norte-americano, quando surgiu a oportunidade de uma grande excursão pelo México. Em tempo, a idéia de cantar em inglês não teve adesão unânime do grupo, o que inviabilizou o projeto. Passo controverso, que ironicamente nos remete ao início da vida profissional do grupo, quando só cantavam em inglês; para alguns impediu uma trajetória de possível valor para o grupo nos EUA, pois que, já em 1966, aquele país detinha o maior mercado de discos do mundo.

A temporada foi iniciada na cidade do México no início de 1967 e vinha obtendo grande sucesso de público e de crítica, quando teve que ser interrompida por problemas particulares. Após trinta dias de atuação no Salón Carnaval do Sheraton, com grande público, o grupo regressou ao Brasil. As atividades só puderam ser reiniciadas seis meses depois.  Em julho de 1967, Os Cariocas gravaram no Canal 11 de Buenos Aires quatro programas, mostrando a nova bossa da música popular brasileira que conquistava o mundo quando um novo recesso se iniciou.

O fato, acrescido da cisão à proposta de gravar em inglês nos EUA, desgastou o relacionamento entre os quatro integrantes e uma caminhada curta até um recesso de duas décadas se iniciou, vinte e um anos após o início profissional do conjunto

O grupo perdeu neste recesso a estruturação da nova mídia cuja hegemonia  comandaria até os dias de hoje a divulgação da arte pelo mundo: a televisão. Em 1967 a televisão ainda engatinhava e não há (ao menos não se encontrou ainda) registro do conjunto daquele período, os que foram feitos, muitos por sinal, se perderam. O rádio, porém, manteve em sua programação clássicos do conjunto e durante vinte anos Os Cariocas mantiveram-se vivos na mídia tão importante para o seu crescimento.

Em 1988 a Prefeitura da cidade do Rio convocou o conjunto para, com Ela é Carioca de Tom e Vinícius, participar da campanha contra a emancipação do bairro da Barra da Tijuca. A Barra permaneceu carioca e o conjunto retornava às atividades.

A volta aos shows acontecia: em uma temporada na casa de show chamada Jazzmania no Arpoador - Rio de Janeiro,  Os Cariocas reencontrariam seu público. Durante a execução de Tema pra Lúcia (Severino Filho), gravada no LP / CD deste mesmo ano de 1988 Minha Namorada - Somlivre, Luis Roberto se sentiu mal e pediu para que o show fosse paralisado por instantes. Caminhou até o camarim e de lá não voltou. Mais uma perda para o conjunto. O caçula do quarteto deixava prematuramente o conjunto que o adotara em 1961.

Para o prosseguimento da carreira, entra para o conjunto o contrabaixista e vocalista Edson Bastos . Com Edson no lugar de Luis Roberto o conjunto ganhou seu segundo prêmio Sharp (o primeiro foi ganho com “Minha Namorada” de 1988 pela Somlivre) com o LP / CD de 1992 Reconquistar - Warner.

Em 1994 sai do grupo o Edson entrando o baixista Eloi Vicente Quartarone Teixeira ou Eloi Vicente (1948), sobrinho do Quartera e em 1995 o Badeco pede a aposentadoria, entrando em seu lugar Neil Carlos Teixeira.

A primeira atuação do conjunto com esta formação, a sétima na história do grupo, foi gravar com o compositor e cantor Sebastião Rodrigues Maia (Tim Maia) o CD “Amigo do Rei” - Tim Maia e Os Cariocas de 1995 pelo selo Vitória Régia do próprio Tim. O CD lançado em 1996 trazia sucessos da carreira de Tim e de Os Cariocas, acrescidos de duas canções inéditas: Amigo do Rei de Lenine e Dudu Falcão, título dado ao CD e Haja fôlego de Dominguinhos e Crimério, faixa que ganhou vídeo clipe disponibilizado no mesmo CD. A Vitória Régia lançava com “Amigo do Rei” o primeiro CD no Brasil com faixa interativa para visualização em computador.

Ressalta-se também aqui que os dois novos componentes (Neil [1969] e Eloi) foram recebidos desde este momento como integrantes do conjunto, com direito a voto, ou seja, integrantes de uma sociedade. Assim foi, e é, o relacionamento profissional entre os membros do grupo, apesar da presença marcante das lideranças de Ismael e posteriormente, de Severino.

Os Cariocas tinham em 1995: Severino Filho - piano, arranjos e primeira voz; Quartera - bateria e terceira voz; Neil Carlos Teixeira - baixo e segunda voz; Elói Vicente - violão, quarta voz e solos vocais. Esta formação gravou os CDs “A Bossa Brasileira” (1996) - indicado ao prêmio Sharp, “Os Clássicos Cariocas” (Prêmio Caras de melhor conjunto - 1998), “Os Cariocas.com.bossa” (2000) - indicado ao prêmio Tim, todos pela gravadora de Roberto Menescal, a Albatroz. Desta gravadora e desta formação é também o primeiro DVD do grupo gravado no Teatro Guaíra de Curitiba em 2000.

Em 1998 o conjunto viajou para Miami - EUA onde realizou show no teatro do hotel Fontaine Bleu. A excursão seguiria para Nova York onde um DVD seria gravado. Um acidente, porém, causado pela queda de um elevador, de um prédio em construção, matou coincidentemente uma brasileira e o quarteirão onde se localizava o teatro foi interditado cancelando o show e a gravação.

Em julho de 2002 o conjunto viajou novamente para os EUA onde realizou show no Bid (Centro Cultural do Banco de Desenvolvimento Inter-Americano) em Washington (em parceria de Marcos Valle), na Pensilvânia e no Joe’s Pub em Nova York. A excursão terminou em Tókio no show “Get´s Bossa Nova” um mês após a vitória brasileira na Copa do Mundo de futebol realizada naquele país, onde o clima estava bem brasileiro.

Hugo Carvana, ator e diretor de teatro, cinema e televisão, convidou em 2001 o conjunto para a participação em filme por ele dirigido: “Apolônio Brasil”, inicialmente intitulado “Tempestade Cerebral”. Hugo Carvana prestou uma bela homenagem ao conjunto que participou de cena com seguinte roteiro: o conjunto está sentado em bancos de bar de um dancing qualquer no centro da cidade enquanto Apolônio, o protagonista do filme (Marco Nanini) canta ao piano; ao final de uma canção Apolônio anuncia “Há músicos que vêm e passam, mas alguns são eternos”; o conjunto se vira e canta Valsa de uma cidade. Bela passagem na história do conjunto.

Os Cariocas atuaram em cinema também nos filmes “Poeira de Estrelas” de 1948  com direção de Moacir Fenelon, Copacabana Palace de 1962 de Jorge Dória e Sérgio Amidei, “Estou Aí” de José Cajado Filho de 1949, “Barnabé tu és meu” de 1952 de José Carlos Burle. Em 1997 o diretor musical David Tygel (Boca Livre) do filme “For All” convidou o grupo para cantar o tema da abertura deste filme dirigido por Luiz Carlos Lacerda e Buza Ferraz. Os Cariocas gravaram Chiclete com banana de Gordurinha com o acompanhamento do grupo Água de Moringa.

Em 2003 um litígio marca a saída de Quartera do grupo, por desentendimento com o Severino, fato só comparado às perdas de Ismael, Luis Roberto e Waldir Viviani (falecido em 2001).

Ainda em 2003, Hernane Ramalho de Castro (1971), baterista e vocalista, entrou para o grupo. Neste período algumas apresentações no exterior ocorreram: em 2003 viagem para Assunção - Paraguai, em 2004 o grupo viajou para Montevidéu - Uruguai, em 2005 para Lugano - Suíça e em 2006 de volta a Assunção.

Em 2008, nos festejos dos cinquenta anos da bossa nova, o grupo faz show em Zurique convidando o cantor e compositor Danilo Caymmi.

Esta formação gravou "Os Cariocas", disco promocional da Diebold e os discos de carreira “Bossa Carioca” de 2004, lançado pela Albatroz / Sony-BM e "Nossa Alma Canta" (Vencedor do Prêmio da Música - Vale - para melhor grupo de MPB), pela Guanabara Records, gravado em 2009 e lançado em fevereiro de 2010.

Participou também da gravação de quatro DVDs: “Bossa in Concert” – EMI, “Casa da Bossa” – Universal, “Carlos Lyra - 50 anos” – Biscoito Fino,  “Nova Bossa Carol Saboya” – Aosis Records.

Em 2010 Hernane Castro deixa o conjunto.

Fábio Luna de Morais (1974), vocalista, flautista e baterista entra para o grupo. Neste mesmo ano o conjunto excursiona pelo Nordeste e por São Paulo divulgando o CD “Nossa Alma Canta” e grava o programa “Samba e História” pela LBV TV.

Em 2011, o conjunto participa do festival de inverno de São Lourenço e o show é transmitido posteriormente para toda Minas Gerais pela Rede Minas.

Em 2012 faz show no Teatro Zitarrosa em Montevideo, grava programa para a TV Câmara-DF e para  TV do Ceará.

Em 2013 grava o CD/LP "Estamos aí" com produção independente e distribuição da Biscoito Fino.

Em 2014 o conjunto, além do lançamento do CD/LP "Estamos aí" (indicado ao Prêmio da Música como melhor grupo de MPB), presta homenagem a Dorival Caymmi em show acompanhado da cantora Wanda Sá. Participa dos programas Sarau com Chico Pinheiro e Samba na Gamboa com Diogo Nogueira.

Fatos[editar | editar código-fonte]

  • 1988 - A prefeitura do Rio de Janeiro, convida para participar do movimento pelo "Não" à emancipação da Barra da Tijuca, cantando A Barra é carioca, ela é carioca, satirizando Ela é carioca (Tom Jobim/Vinícius de Moraes).
  • 1990 - Foi agraciado com o prêmio Sharp pelo lançamento do disco A minha namorada - gravadora Som Livre.

No Memorial da América Latina, em São Paulo, é acompanhado pela Orquestra Jazz Sinfônica da Universidade Livre de Música. Centro Cultural Banco do Brasil - participou no espetáculo em homenagem a Vinícius de Moraes.

de grandes nomes da música brasileira. Viagem a Assunção - Paraguai.
  • 2007 - Participação no CD de Erasmo Carlos “Convida 2”.
  • 2008 - Os Cariocas” realizam vários shows pelo Brasil. Com o espetáculo “Os Cariocas e Miucha” excursionam por diversas capitais em turnê comemorativa dos 50 anos da bossa nova. “Os Cariocas” realizam show em Zurique na Suíça acompanhados de Danilo Caymmi. Os Cariocas realizam show em Buenos Aires na Argentina no teatro Gran Rex.
  • 2009 - “Os Cariocas” realizam vários shows pelo Brasil. “Os Cariocas” participam do CD “Um cantinho, um violão e bossa nova” com Danilo Caymmi lançado pela Universal. “Os Cariocas” gravam seus nomes na calçada da fama da Toca do Vinicius em Ipanema no Rio de Janeiro.
  • 2010 - Os Cariocas” realizam vários shows pelo Brasil divulgando o CD “Nossa Alma Canta” lançado pela gravadora Guanabara Records. Os Cariocas” participam do primeiro “Cruzeiro Bossa Nova” no navio MSC Música. Os Cariocas” participam do projeto para reinauguração do “Beco das Garrafas”. “Os Cariocas” participam do programa de televisão “Sarau” em homenagem a Vinicius de Moraes. Os Cariocas” gravam o show de lançamento do CD “Nossa Alma Canta” para o canal de televisão Sesc Instrumental. Hernane Castro deixa o grupo e em seu lugar entra o baterista e flautista Fábio Luna de Morais (1974-) Viagem pelo Nordeste e por São Paulo (capital e interior) divulgando o CD “Nossa Alma Canta”.
  • 2011 - Os Cariocas recebem pela quarta vez o prêmio da

música Vale, como melhor grupo de MPB com o CD “Nossa alma canta”- Guanabara Records.

  • 2012 - Viagem a Montevideo - Uruguai, com show no Teatro Zitarrosa. Participação no Festival de Jazz e Bossa de Pipa- RN. Show em homenagem a São Paulo no Ibirapuera, capital e em São Carlos.
  • 2013 - Os Cariocas participam da gravação da canção de

Sullivan e Massadas "Um sonho a dois" . A canção alcança o primeiro lugar na Rádio JB. O conjunto grava em produção independente o CD/LP "Estamos aí" com lançamento pela gravadora Biscoito Fino. Participação no Festival de Jazz de Manaus no Teatro Amazonas.

Formações[editar | editar código-fonte]

  • Primeira formação - Ismael Neto, Severino Filho, Emmanoel Furtado ("Badeco"), Jorge Quartarone ("Quartera") e Waldir Viviani.
  • Segunda formação - Hortênsia Silva, Severino Filho, "Badeco", "Quartera" e Waldir Viviani.
  • Terceira formação - Severino Filho, "Badeco", "Quartera" e Waldir Viviani.
  • Quarta formação - Severino Filho, "Badeco", "Quartera" e Luís Roberto.
  • Quinta formação - Severino Filho, "Badeco", "Quartera" e Edson Bastos.
  • Sexta formação - Severino Filho, "Badeco", "Quartera" e Eloi Vicente.
  • Sétima formação - Severino Filho, Neil Carlos Teixeira, "Quartera" e Eloi Vicente.
  • Oitava formação - Severino Filho, Hernane Castro, Neil Carlos Teixeira e Eloi Vicente.
  • Nona formação - Severino Filho, Eloi Vicente, Neil Carlos Teixeira e Fabio Luna

Discografia[editar | editar código-fonte]

  • 1948 - Os Cariocas
  • 1949 - Os Cariocas (3 gravações)
  • 1949 - Os Cariocas e Marlene
  • 1950 - Os Cariocas com a orquestra de Lyrio Panicali
  • 1950 - Os Cariocas (2 gravações)
  • 1951 - Os Cariocas (3 gravações)
  • 1952 - Os Cariocas (7 gravações)
  • 1952 - Os Cariocas com Luiz Gonzaga
  • 1952 - Bob Nelson e Os Cariocas
  • 1953 - Os Cariocas (3 gravações)
  • 1953 - Heleninha Costa e Os Cariocas
  • 1954 - Os Cariocas
  • 1954 - Sinfonia do Rio de Janeiro
  • 1955 - Os Cariocas
  • 1956 - Os Cariocas (3 gravações)
  • 1957 - Os Cariocas (7 gravações)
  • 1957 - Os Cariocas e Ismael Neto
  • 1958 - O melhor de ... Os Cariocas
  • 1960 - Tom Jobim e Billy Blanco
  • 1960 - Os Cariocas (2 gravações)
  • 1961 - Os Cariocas (compacto duplo)
  • 1961 - Os Cariocas (2 gravações)
  • 1962 - Os Cariocas (3 gravações)
  • 1962 - A Bossa dos Cariocas
  • 1962 - A Bossa dos Cariocas
  • 1963 - Mais Bossa com Os Cariocas
  • 1964 - A grande bossa dos Cariocas
  • 1965 - Os Cariocas (coletânea)
  • 1965 - Os Cariocas de quatrocentas Bossas
  • 1966 - Arte & Vozes
  • 1966 - Passaporte
  • 1975 - Os Cariocas (coletânea)
  • 1979 - A arte de Os Cariocas (coletânea)
  • 1988 - O melhor de Os Cariocas (coletânea)
  • 1990 - Minha namorada
  • 1991 - Reconquistar
  • 1994 - Os Cariocas - Mestres da MPB (coletânea)
  • 1997 - Tim Maia & Os Cariocas - Amigo do Rei
  • 1997 - A Bossa Brasileira
  • 1998 - Os Clássicos Cariocas
  • 2000 - Os Cariocas.com.bossa
  • 2003 - Os Cariocas.com.bossa
  • 2004 - Bossa Carioca
  • 2010 - Nossa Alma Canta
  • 2013 - Estamos aí

Participações especiais[editar | editar código-fonte]

Referências[editar | editar código-fonte]


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