Os Filhos de Anansi

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Os Filhos de Anansi (Anansi Boys) é um livro do escritor britânico Neil Gaiman, lançado em 2006 no Brasil pela Conrad editora e em Portugal, pela Presença — pela colecção Via Láctea.

A história fala da vida de um homem normal, que tem sua vida transformada depois que descobre que é filho de Anansi e o pior, ele tem um irmão que herdou todos os poderes do pai. O conto é uma história que fala da superação de um homem simples frente ao maravilhoso e obscuro mundo dos deuses.

Anansi é o nome do Deus-Aranha do livro.

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Nesta trama bem humorada e repleta de referencias da mitologia africana, são ressaltadas “ a la Fontaine” fábulas que caracterizam o comportamento oportunista, trapaceiro e egoísta do Deus Anansi – Aranha – que como Criador e Nomeador de todas as coisas, intitula-se possuidor do direito sobre tudo e todos, de modo que vê o mundo como um gigantesco parque de diversões que só existe para seu prazer e deleite.

Ops! Dentro de seu universo mítico talvez as coisas possam funcionar assim, no entanto, no mundo real o jeito “Anansi” de ser irá estabelecer o verdadeiro caos na vida de um de seus herdeiros. Charles Nancy (Anansi), desconhece a verdadeira origem de seu pai, e seus poderes, quando inesperadamente sua pacata e mediócre vida suburbana é invadida pela chegada de seu irmão Spider Nancy, que é o tipo de “Cara” que todo homem quer ser, descolado, bem articulado, sedutor e ótimo em tudo, mas principalmente em transformar a vida de Charles em um inferno:

“ - Ele está tornando minha vida um inferno – respondeu Fat Charlie – Eu só quero que vocês façam com que ele vá embora. Mais nada. Vocês podem fazer isso ?

Aí é que o circo pega fogo, preparem seus corações, pois Neil Gaiman não é considerado o Mestre da ficção fantástica por acaso...A medida do caos entre a desordem da racionalidade humana, os labirintos do inconsciente e o mundo mítico de Gaiman:

Os sonhos, elemento sempre presente nas narrativas de Gaiman serão o fio condutor na trama dessa brilhante teia de incríveis personagens, ora como transporte para profundidades do inconsciente, ora como validação de outras possíveis realidades, ou seja, mundos paralelos.

“HÁ LUGARES MÍTICOS. ELES EXISTEM, CADA UM A SUA MANEIRA. Alguns pairam sobre o mundo. Outros existem sob o mundo, como o esboço de uma pintura.”

Os arquétipos utilizados estabelecem uma fusão hibrida : Seres míticos/personas do cotidiano e esteriótipos humanos/seres míticos, assim nos identificamos tanto em um mundo como no outro com uma gama de personagens fascinantes, engraçadas e complexas em suas dualidades.

Se tudo começa dentro de uma normalidade que beira ao tédio é simplesmente para ser subvertido em grau máximo, assim o mundo de Charlie é virado de cabeça para baixo, e nesta jornada ele sera “ absolutotalmente” como diz Coats, transformado.

“Onde havia uma mulher, como se fossem dispersos por um disparo de uma arma, havia agora uma nuvem de pássaros voando em todas as direções.”

Vários vilões ?

Somos conduzidos ao amago das personagens, descobrimos seus defeitos e fragilidades, chegando a momentos estonteantes que já não sabemos mais quem são os bons ou os maus, chegando a um ponto que gregos e troianos estão cobertos de razão, é como se Gaiman sussurra-se nas entrelinhas: Divirta-se fique do lado que quiser, porque “tudo é da lei”.

A narrativa é deliciosamente pontuada de alusões a clássicos da literatura como Macbeth, O processo, A metamorfose, O corvo; do cinema de Hitchcock ao mágico de Oz; até a programas de talk show, mas principalmente a citação de muitas músicas, pois “ ESTA HISTORIA COMEÇA ...com uma música”.

Assim, vamos ouvindo essa trilha sonora conforme fazemos a leitura, a música da virada de Charlie em um verdadeiro Anansi é “Under the Boardwalk”, que tratando-se de Gaiman deve ser a versão Rolling Stones.

Enfim são 14 capítulos, subdivididos em cenas curtas, que conferem ritmo e fluidez as 344 paginas desse excelente livro, em uma viagem que nos leva da Florida para Londres, de Londres para a Florida e então para um Mundo mítico, dele para a Florida, e de novo a Londres e tudo mistura-se, digo os Mundos, até chegarmos a uma Ilha do Caribe onde se definira essa trama de pura adrenalina onírica.