Os Magros

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Os Magros é um romance de Euclides Neto, publicado em 1961.

Com a técnica de contraponto, alternando as cenas da família de um trabalhador rural e da família do fazendeiro, o romancista Euclides Neto apresenta um vigoroso documento da servidão em certas propriedades agrículas.

Os Magros é um romance da juventude do autor, e foi reeditado como forma de reafirmar a sua perfeita sintonia com a obra da maturidade.

[editar] Enredo

Dois quadros bem distintos: num casebre no fundo do mato, Fazenda Fartura, município de Ipiaú, Bahia, o agregado João, sua mulher e Filhos morrem de fome. Os meninos comem terra. O trabalhador sequer tem dinheiro pra comprar um facão e, por causa disso lhe reduz o ganho semanal. O que ele recebe no sábado mal dá para comprar a farinha e tripas.

Sobre João e sua família pesam ameaças constantes de desemprego. É que as fazendas de cacau não admitem trabalhadores com muitos filhos. Os meninos vivem escondidos nos matos, com medo do gerente.

Grassam as doenças resultantes da desnutrição crônica e da falta total de higiene. A família fica feliz quando a morte leva um menino. è menos um para sofrer. É menos uma boca para alimentar.

Enquanto isso - e aqui vem o contraste gritante - o fazendeiro Dr. Jorge, que tem mil hectares de cacau safreiro, vive num palacete em Salvador. A esposa estéril é neurótica: embala uma boneca como se fosse filha, alimenta o desvario de que a boneca Rose-Marie é uma criança de verdade, chegando ao ponto de consultar pediatra, fazer tratamento caro com um médico inescrupulçoso. O marido ocioso coleciona brilhantes e fraquenta a alta roda com a amante jovem e loura.

[editar] Comparação com Vidas Secas

É do fato de ser situado e datado que nascem as virtudes e os defeitos de Os Magros. As conquistas formais de Graciliano Ramos, o grande construtor e o surpreendente estilista de magreza desta geração, deixaram, sem dúvidas, marcas na escrita de Euclides Neto. Algumas indesejáveis e desnecessárias, que ressoam como ecos inúteis.

A cadela desta família de vidas magras do romance euclidiano não tem nome de peixe, mas se chama Sereia. A proximidade eufônica e marinha com Baleia cria no leitor preconceituoso a expectativa de um pastiche. Mas Os Magros não tem nada de pastiche ou imitação simplória. É obra autônoma que testemunha o engajamento da escrita de um homem comprometido com sua terra e, principalmente, com a gente que vive nela.

É verdade que Euclides Neto constrói seu romance observando alguns pontos de identidade com Vidas Secas. Dialogando com esta obra, ampliando suas conquistas. E isto confere atualidade e interesse ao romance reeditado. A viagem intertextual de Os Magros sugere inúmeras abordagens e reclama a atenção da crítica acadêmica, universitária, para o texto euclidiano.

Ler este romance de Euclides Neto implica reler e compreender a recepção do realismo social trazido pelo romance de 30. Já podemos observar quando a simples imitação se transforma em diálogo intertextual destinado a levar adiante uma conquista, a reforçar um projeto ideológico ou estético.

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