Os Gêmeos
Os Gêmeos[1] é uma dupla de irmãos gêmeos idênticos grafiteiros de São Paulo, nascidos em 1974, cujos nomes reais são Otávio e Gustavo Pandolfo. Formados em desenho de comunicação pela Escola Técnica Estadual Carlos de Campos, começaram a pintar grafites em 1987 no bairro em que cresceram, o Cambuci, e gradualmente tornaram-se uma das influências mais importantes na cena paulistana, ajudando a definir um estilo brasileiro de grafite.
Os trabalhos da dupla estão presentes em diferentes cidades dos Estados Unidos, Inglaterra, Alemanha, Grécia, Cuba, entre outros países. Os temas vão de retratos de família à crítica social e política; o estilo formou-se tanto pelo hip hop tradicional como pela pichação.[2]
Em 22 de maio de 2008, executaram a pintura da fachada da Tate Modern, de Londres, para a exposição Street Art, juntamente com o grafiteiro brasileiro Nunca, o grupo Faile, de Nova York; JR, de Paris; Blu, da Itália; e Sixeart, de Barcelona.[3]
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Referências
- ↑ Osgemeos são a febre do momento. Veja São Paulo.
- ↑ Tristan Manco, Caleb Neelon, Lost Art. Graffiti Brasil. [S.l.]: Thames & Hudson, oct. 2005. 64 p. ISBN 0500285748
- ↑ Nunca e Osgemeos pintam paredes da Tate Modern, em Londres.
[editar] Ver também
[editar] Bibliografia
- Assum Preto, 2008, Libri Aparte, ISBN 978-88-95059-05-1
- Urban Discipline, 2002, Getting Up, ISBN 3-00-009421-0
[editar] Ligações externas
- Entrevista no Roda Viva (em português)
- Homepage (em inglês)
- Entrevista (em inglês)
- Fotos
- Ekosystem (fotos)
- Artigo do New York Times: The Talk; Double Vision
- Projeto Arte fora do museu: grafite dos Gêmeos, na entrada do MAM-SP.
Pintomeira é um artista plástico português.
Pintomeira nasce em Deocriste, Viana do Castelo – Portugal, em 1946. É nesta cidade, em 1966, que realiza a sua primeira exposição na Galeria da Livraria Divulgação. Desiste da sua formação em arquitectura e ingressa, em 1967, num dos mundos que mais o fascinava: o da pintura. O outro era o cinema. Vai para Lisboa, frequenta um atelier colectivo na Mouraria, onde encontra o pintor surrealista Raul Perez. Convive mais tarde com Mário Cesariny, Cruzeiro Seixas e outros do movimento surrealista português. Anos mais tarde, mais exactamente em 1972, e após uma curta passagem por África, parte para Paris na companhia da pintora e modelo holandesa Marijke de Hartog que conhece em Portugal e com quem casa em 1976, em Amesterdão. Os dois fixam-se na capital holandesa. Abortada a possibilidade de inscrição na Nederlandse Filmacademie ( Academia de cinema da Holanda), sua paixão dos tempos do Liceu, Pintomeira frequenta em 1978-1979 a CREA (Studentencentrum van de Universiteit van Amsterdam) onde estuda pintura e cinema. Após algumas exposições na Holanda, faz em 1978 a sua primeira exposição em Paris, na Galerie Entremonde. No mesmo ano participa no Salon Metamorphoses em homenagem a René Magritte realizado no Grand Palais de Paris. Com esta participação, termina o seu período surrealista. Sobre o seu percurso surrealista, escreve Luis Chaves, historiador de arte, no catálogo de uma retrospectiva em 2005: “Recuamos até à década de setenta do século XX para entrarmos em contacto com a sua passagem pelo surrealismo. Descobrimos a convivência com Cesariny, Raul Perez e outros ligados a esse movimento, aquando da sua estada em Lisboa. No entanto, será já em Paris e mais tarde em Amesterdão, que todas as convenções e preconceitos se soltam para dar lugar a uma expressão liberta de toda a preocupação racional e ética resultante da ideia introduzida por André Breton: o automatismo psíquico." Durante a década de 80, no seu atelier em Amesterdão, Pintomeira recebe várias influências, sendo a mais marcante a do grupo CoBrA (agregação das letras iniciais das cidades de Copenhaga, Bruxelas e Amesterdão) e do qual fazem parte grandes nomes como Karel Appel, Corneille, Asger Jorn e Lucebert. Algumas influências desse movimento, como as texturas espessas, o desenho automático, as cores vivas e primárias do expressionismo em combinações complementares, e ainda os motivos simples e depurados com algumas ligações ao surrealismo e á arte primitiva, acompanharam o artista durante grande parte da sua obra. Na década de 90 inicia uma fase de estilização e depuração da figura que consiste no constante exercício e experimentação à volta do contorno, tornando-o preponderante através do seu alargamento, prolongação e multiplicação. Donald Meyer, escritor e crítico de arte, escreve no livro “Contornos . Contours” editado pela Appelbloesem Pers de Amsterdam: “...a escrita pincelada é profundamente pessoal e convida o espectador a percorrer todas essas linhas-estradas contornantes, dando-lhe a possibilidade de contemplar a figura ou objecto no conforto da periferia anfiteátrica. O rigor quase matemático de todas essas linhas e contornos acentuam uma preocupação na busca de uma harmonia que suavize uma observação mais racional ou dramática da memória. No entanto, esse rigor na procura do equilíbrio não significa austeridade ou aprisionamento do lírico. ...Essa exuberância linear, esses traços espessos, que se cruzam e interligam, conduzem a novas áreas e oferecem movimento e ritmo a uma representação estática ou inspiram um ambiente de dinamismo e diversão a uma figura depurada.” Em 1999 Pintomeira deixa Amesterdão e regressa a Portugal. O trabalho que realiza no seu novo atelier no norte do país, dá origem um um vasto conjunto de obras figurativas, ainda com influências do grupo CoBrA e que denomina de “Nova Linha”. Sobre este trabalho realizado entre 1999 e 2007, Alberto Abreu, historiador e curador de algumas exposições de Pintomeira, escreveu: “A desmaterialização dos objectos foi o caminho seguido por Pintomeira numa Nova Linha onde o contorno acabou por se reduzir a um filete, as imagens dos objectos aparecem estilizadas quando não reduzidas a silhuetas sem cor nem respeito pelos outros objectos do quadro, neste composto de texturas que Ihe conferem ritmo, irrealidade, estatuto de "formas puras”. Neste ambiente Pintomeira colocou grelhas quadriculares, aves, silhuetas femininas, rostos de perfil, frutos; e varandas, e luas, e caras com olhos de espanto.” Entre 2003 e 2010, e alternando com “Nova Linha”, Pintomeira produz também um extenso conjunto de trabalhos sobre tela e papel a que dá o nome de “Faces”. Sobre este tema, a professora e escritora Arlete Salgado Faria escreveu no catálogo de uma retrospectiva em 2005: “...O ciclo das mulheres (faces) evoluiu, das formas arredondadas para outras mais angulosas e finas; os peixes aranhiços dos olhos que nos enfrentavam quais oráculos se esbatem para se tornarem mais humanos, nos lábios acintosos e encimados em queixos quadrados e rostos angulares.. Outras mulheres (faces), de rosto branco, franjado e esfíngico remetem para os tempos imemoráveis do Egipto antigo e ressaltam novas técnicas utilizadas pelo pintor.” O ano de 2007 marca uma viragem acentuada na sua obra figurativa. As influências CoBrA e os contornos desaparecem. O tema “Interiores” apresenta trabalhos próximos da pop art com influências do design gráfico. A figura está manifestamente presente e as cenas de interiores denunciam representações teatralizadas. Neste sistema de objectos sobressaem o palco, a tela e a encenação. No catálogo de uma exposição de “Interiores”, Moisés de Lemos Martins, sociólogo, escritor e professor na Universidade do Minho, escreveu: “Em Interiores são raros, todavia, estes espaços que articulam o interior com o exterior. Nesta fase estética, marcada pela Pop Art e pelo Design Gráfico, Pintomeira descreve, de um modo geral, lugares enclausurados em si mesmos, sem linhas de fuga nem horizonte. Este procedimento obedece aos princípios da Arte Minimalista. Ao privilegiar o espaço de exposição, o artista cria uma obra que se situa entre a pintura, a escultura e a arquitectura. Este espaço, simultaneamente contínuo e descontínuo, assenta na autonomia do mundo interior e não parece conceber qualquer exterior. Mas não é inconcebível que esta paisagem possa ser também percebida do exterior, embora o interior fique necessariamente escondido pela fachada.” Em 2009 e 2010 é produzido o tema “ Outras Faces”; conjunto de obras realizadas em impressão digital e acrílico sobre tela e que nos transportam para uma nova Pop Art. E sobre este tema é, de novo, Moisés de Lemos Martins que escreve no catálogo que acompanhou a exposição intitulada “Outras Faces”: “Nesta exposição, com dez quadros exclusivamente figurativos, a linguagem do artista desvincula-se da realidade num processo de total artificialização dos retratos, que passam ao não lugar da impessoalidade, como se fossem objectos produzidos para consumo. Num estilo neutro e documental, estes retratos figuram, com efeito, a impessoalidade, mas figuram igualmente o isolamento. Não existe neles o espaço crítico da presença de um sujeito; existe apenas o espaço paradoxal da sua desaparição.” Em 2011 surge “Exteriores” que vem complementar “Interiores” produzido entre 2008 e 2009. É composto por uma série de trabalhos que reúnem figuras do quotidiano em encenações urbanas, atravessando passadeiras de rua, onde a sinalética rodoviária é fortemente explorada. José Luis Ferreira, sociólogo, escritor, investigador de arte e Membro Académico Ind. IAA/AIE – International Association for Aesthetics, escreveu no catálogo da exposição “Exteriores . Interiores” “…a regularidade linear do risco, expandido ao traçado largo, recto ou curvilíneo… a acoplagem da sinalética, do pictograma, da carga simbólica e determinante cultural – do semáforo – na Aldeia Global, onde não se perde o sentido das [...] «coisas sólidas e voláteis»[...] coexistente, dentro e fora (no interior e no exterior), de tudo quanto é belo, na existência das coisas, naturais ou artificiais… Daí, o eu admitir que deva considerar-se, enquanto ponto de vista estrito e, unicamente metodológico – taxonómico, atávico, ou pragmático – uma qualquer diferenciação essencial entre Exteriores Urbanos e Interiores Domésticos, na obra pictórica do pintor…” Pintomeira, além da pintura, também se dedica à fotografia e ilustração de livros.
Desde 1966 e até à actualidade Pintomeira tem no seu currículo uma quantidade enorme de exposições individuais, em Portugal e no estrangeiro. Entre 1971 e 2010 participou em várias exposições colectivas, bienais e feiras de arte, tanto em terras lusas como noutros estados europeus. Está representado em várias colecções institucionais, colecções públicas e privadas em diversos estados da UE, na USA e Israel.