Ossetas

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Ossetas
(ирæттæ)
Ossetian girl 1883.jpg
Garota osseta em fotografia de 1883.
População total

700.000 (est.)

Regiões com população significativa
Rússia 515.000 [1]
Ossétia do Sul (Geórgia) 65.000 [2]
Resto da Geórgia 38.028 [3]
Turquia c. 100.000 [4]
Línguas
osseto, georgiano, russo
Religiões
Maioria cristã ortodoxa, com uma minoria muçulmana (sunita)
Grupos étnicos relacionados
Yaghnobi e outros povos iranianos, além dos iássicos na Hungria

Os ossetas (em osseto ирæттæ, irættæ) são um grupo étnico iraniano,[5] [6] [7] natural da Ossétia, região do Cáucaso. Os ossetas estão localizados, em sua maior parte, na Ossétia do Norte, situada na Rússia, e na Ossétia do Sul, que apesar de ter declarado sua independência permanece reconhecida internacionalmente como parte da Geórgia. Falam o osseto, um idioma indo-europeu da família iraniana.

Etimologia[editar | editar código-fonte]

O designação geográfica de origem russa "Ossétia", e o etnônimo correspondente, "osseta", vêm duma raiz georgiana. Os russos originalmente chamaram o povo de Jas, porém adotaram a designação georgiana no século XIV; no georgiano, a Alânia e os alanos são conhecidos como Osseti (ოსეთი) e Ossebi (ოსები), respectivamente. Já os próprios ossetas referem-se à sua nação como irættæ.

História[editar | editar código-fonte]

Os ossetas descendem dos alanos, uma tribo sármata. Tornaram-se cristãos durante o início da Idade Média, por influência dos georgianos e dos bizantinos. No século VIII um reino alano já consolidado, chamado nas fontes contemporâneas de Alânia, surgiu no norte das montanhas do Cáucaso, na região das atuais Circássia e Ossétia do Norte. Em seu apogeu, a Alânia foi uma potência regional, com uma forte presença militar, e uma vasta riqueza obtida com a Rota da Seda.

Forçados de sua terra natal, ao sul do rio Don, durante a conquista mongol, cruzaram as montanhas rumo ao território do outro lado das cordilheiras do Cáucaso, onde formaram três entidades territoriais distintas:

Acredita-se que o pai de Josef Stalin, Vissarion Dzhugashvili, tenha sido um osseta (embora já assimilado à cultura georgiana).

Os ossetas participaram de diversos conflitos armados com seus vizinhos na sua história recente: entre 1918 e 1920 houve o primeiro conflito osseto-georgiano, no início da década de 1990 houve o segundo, e entre 1991 e 1992 houve o conflito osseto-inguchétio.

Língua[editar | editar código-fonte]

O osseto se divide em dois principais ramos dialetais: o ironiano (Ирон), tanto na Ossétia do Norte como na Ossétia do Sul, e o digoriano (Дыгурон), na Ossétia do Norte. Ambos se dividem em diversos subdialetos, como o tualiano, o alaguiriano, o ksaniano, entre outros. O dialeto ironiano é o mais falado.

O osseto é classificado como um idioma iraniano do nordeste, subgrupo do qual o único membro ainda existente é o yaghnobi, falando no Tajiquistão, a mais de 2.000 quilômetros a leste. Ambos são descendentes do dialeto cito-sármata que já foi falado por toda a Ásia Central.

Religião[editar | editar código-fonte]

Hoje em dia a maioria dos ossetas, tanto na Ossétia do Norte quando na Ossétia do Sul, seguem o credo ortodoxo cristão. Historicamente, a região oriental de Digor sofreu a influência dos cabardinos, uma tribo circassiana vizinha, responsáveis pela introdução do islamismo no século XVII. Atualmente uma pequena minoria ainda professa o islamismo, na sua variante sunita.

Distribuição geográfica[editar | editar código-fonte]

A maioria dos ossetas vive atualmente ao longo da parte central da cordilheira do Cáucaso Maior, nas duas Ossétias, com um número significante deles vivendo também na Geórgia central. As inúmeras guerras causaram um princípio de diáspora entre os ossetas, o que fez com que muitos vivam atualmente em países como a Turquia, Rússia, França, Suécia, Síria, Estados Unidos e Canadá.

Referências

  1. 2002 Russian census (ru)
  2. Dados do censo de 1989; o conflito osseto-georgiano causou uma emigração significativa de ossetas da Ossétia do Sul; não há informações confiáveis sobre a população da região desde este último censo.
  3. Censo de 2002.
  4. The North Caucasian Diaspora In Turkey, Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (em inglês)
  5. Bell, Imogen, Eastern Europe, Russia and Central Asia, p.200
  6. Mirsky, Georgiy I., On Ruins of Empire: Ethnicity and Nationalism in the Former Soviet Union, p.28
  7. Mastyugina, Tatiana, An Ethnic History of Russia: Pre-revolutionary Times to the Present, p.80

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Nasidze et al., Mitochondrial DNA and Y-Chromosome Variation in the Caucasus, Annals of Human Genetics, Volume 68 Page 205 - May 2004
  • Nasidze et al., Genetic Evidence Concerning the Origins of South and North Ossetians (2004) [1]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]