Ostra

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Ostras-do-pacífico (Crassostrea gigas)

Ostras-do-pacífico (Crassostrea gigas)
Classificação científica
Reino: Animalia
Filo: Mollusca
Classe: Bivalvia
Ordem: Ostreoida
Família: Ostreidae
Gêneros
Crassostrea

Hyotissa
Lopha
Ostrea
Saccostrea
outros

O nome ostra é usado para um número de grupos diferentes de moluscos que crescem, em sua maioria, em águas marinhas ou relativamente salgadas. As ostras verdadeiras pertencem à ordem Ostreoida, família Ostreidae. As ostras têm um corpo mole, protegido dentro de uma concha altamente calcificada, fechada por fortes músculos adutores. As brânquias filtram o plâncton da água.

A ostra tem uma forma curiosa de se defender. Quando um parasita invade seu corpo, ela libera uma substância chamada madrepérola, que se cristaliza sobre o invasor impedindo-o de se reproduzir. Depois de cerca de três anos esse material vira uma pérola. Sua forma depende do formato do invasor e sua cor varia de acordo com a saúde da ostra.

Outros moluscos chamados de "ostra"[editar | editar código-fonte]

Um número de outros moluscos que não caem dentro desses grupos tem nomes comuns que incluem a palavra "ostra", porque elas ou têm o gosto de ou parecem ostras, ou porque elas produzem pérolas detectáveis. Exemplos incluem a família Spondylidae das ostras espinhosas e a ostra-peregrina, um tipo de vieira. As ostras são organismos filtradores de fitoplâncton, pode-se entender como microalgas, a filtração ocorre por meio das brânquias, dispersas ao longo de seu corpo em pares, os residuos dessa filtração são chamados de pseudofezes, e em locais de cultivo, pode apresentar problemas como a diminuição da profundidade do local, e o acúmulo de máteria orgânica particulada.

Biologia[editar | editar código-fonte]

Atualmente, a cultura da ostra-plana (Ostrea edulis) nativa é muito limitada na Europa, devido à sobrexploração e a doenças que dizimaram esta espécie. Oriunda do Japão, a ostra-gigante (Crassostrea gigas) foi introduzida na Europa na década de 1970. Graças ao seu crescimento rápido e à sua grande capacidade de adaptação a diferentes meios, a ostra-gigante é atualmente a ostra mais cultivada em todo o mundo, nomeadamente na Europa. No entanto, esta espécie regista presentemente índices de mortalidade significativos em diversos Estados-Membros. Começou a reproduzir se naturalmente nos Estados-Membros do norte da União, em que anteriormente não se reproduzia, originando incrustações em algumas regiões costeiras. As ostras são hermafroditas e mudam de sexo, amadurecendo primeiro como machos e em seguida como fêmeas. A reprodução depende da temperatura e da salinidade da água. Antes de se fixarem, as larvas atravessam uma fase pelágica, durante a qual as correntes as podem dispersar por uma vasta área. Mudam então de forma, assumindo as formas juvenis de molusco bivalve apresentadas supra. As ostras alimentam se por filtragem da água.[1]

Cultura[editar | editar código-fonte]

A produção é iniciada com a captação de sementes (larvas de ostra) no meio natural. Para as capturar, os ostreícultores utilizam coletores colocados em locais estratégicos. Quando as larvas atingem alguns milímetros de comprimento, são retiradas dos coletores e ficam prontas para serem criadas. Contudo, atualmente, uma parte importante das larvas de ostra utilizadas em aquicultura provém de maternidades, permanecendo a unidade populacional de reprodutores em instalações no mar. As ostras libertam os gâmetas na primavera, quando a temperatura da água é elevada. As larvas são introduzidas em tanques com circuito fechado e alimentadas com algas cultivadas. Quando as larvas estão prestes a fixar se a um suporte, é introduzido no tanque um suporte de fixação novo e sólido para «recolher» as ostras. O método de cultura de ostras utilizado é definido em função do ambiente (amplitude das marés, profundidade da água, etc.) e da tradição. Na costa atlântica de França, as ostras são produzidas essencialmente em «sobreelevação»: as ostras são colocadas em sacos de rede de plástico fixados a placas colocadas na baixa mar. A «cultura sobre o solo», em que as ostras são colocadas diretamente na baixa mar ou em águas pouco profundas, é menos praticada do que a cultura em sobreelevação. A «cultura em suspensão», em que as ostras são criadas em cordas, como o mexilhão, é praticada em Espanha e é adequada para a cultura em águas sem marés ou ao largo. Outro método utilizado é a «cultura em águas profundas», em que as ostras são colocadas em parques que podem atingir 10 m de profundidade. As ostras atingem o seu tamanho comercial ao fim de 18 a 30 meses. Os métodos de recolha variam em função do tipo de cultura: as ostras cultivadas em sobreelevação são recolhidas removendo as bolsas das placas; as ostras cultivadas sobre o solo são apanhadas na baixa mar com recurso a ancinhos ou por dragagem (se a altura da água o permitir); as ostras cultivadas em águas profundas são apanhadas com dragas.[2]

Produção e comércio[editar | editar código-fonte]

A nível mundial, a aquicultura responde por 97 % da produção total de ostras. A China é, de longe, o maior produtor, com 80 % da produção mundial total, seguida da Coreia, do Japão, dos Estados Unidos e da União Europeia. A União Europeia é autossuficiente em ostras e os fluxos comerciais com países terceiros são insignificantes. O comércio entre países da União é também pouco importante, estando praticamente limitado aos fluxos de França para Itália. O mercado francês é o maior mercado de ostras da União.[3]

Portugal produziu, em 2011, cerca de 864 toneladas de ostra (gigas e angulata)[4] . Com o desenvolvimento da produção Offshore é expectável que a produção venha a aumentar nos próximos anos, apesar de não existir, actualmente, qualquer maternidade em Portugal. As principais zonas de produção são as Rias de Aveiro, Alvor e Formosa e o estuário do Sado.

Usos humanos[editar | editar código-fonte]

Assim como alguns moluscos (polvo, lula, mexilhão etc.), as ostras são usadas como alimento.

As pérolas das ostras também são bastante usadas em joias e enfeites.

Referências

  1. A Pesca e a Aquicultura na Europa, nº 60 - Março 2013
  2. A Pesca e a Aquicultura na Europa, nº 60 - Março 2013
  3. A Pesca e a Aquicultura na Europa, nº 60 - Março 2013
  4. INE I.P. - Estatisticas da Pesca 2012 - Lisboa Portugal,2013