Otavio Frias Filho

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Otavio Frias Filho
Nascimento 7 de junho de 1957 (57 anos)
São Paulo, SP
Parentesco Octávio Frias de Oliveira
Ocupação Jornalista

Octavio Frias de Oliveira Filho (São Paulo, 7 de junho de 1957) é um jornalista brasileiro. É diretor de redação do jornal Folha de S. Paulo e diretor editorial do Grupo Folha.

Formou-se em Direito e completou cursos de pós-graduação em Ciências Sociais na Universidade de São Paulo.

Filho mais velho de Octavio Frias de Oliveira, empresário que comprou em 1962 a empresa que edita a Folha, Frias Filho começou a atuar no jornal em 1975, escrevendo editoriais e assessorando o jornalista Cláudio Abramo, que dirigia a Redação[1] . Nessa época, participou da reforma editorial conduzida por Octavio Frias e Abramo, na qual as páginas da Folha foram abertas a políticos e intelectuais de todas as tendências, aproveitando o início de abertura política[2] . A linha pluralista trouxe prestígio à Folha e a aproximou da sociedade civil.

Projeto Folha[editar | editar código-fonte]

Como diretor de Redação, sistematizou e desenvolveu as experiências do jornal no período da abertura política e da campanha Diretas-Já [3] . Documentos divulgados periodicamente traduziram as linhas editoriais do jornal, no que ficou conhecido como Projeto Folha[4] . Define-se pela prática de um jornalismo crítico, apartidário e pluralista.

Esses princípios nortearam também o Manual da Redação[5] , lançado em 1984 e atualizado desde então. Mais que um manual de estilo, é um conjunto de normas e compromissos assumidos pelo jornal. Foi o primeiro livro do gênero colocado à disposição do público.

O pressuposto é que o jornalismo deve ser descritivo e preciso, mas que todo tema sujeito a controvérsia admite mais de um ângulo e exige tratamento pluralista. O jornal tornou-se conhecido também pela diversidade de seu elenco de colunistas. Ao mesmo tempo, criaram-se mecanismos de controle interno, como freios e contrapesos: o próprio Manual, a seção diária “Erramos” (1991), a obrigação de publicar contestações enviadas ao jornal e, sobretudo, o posto de ombudsman (1989)[6] , profissional dotado de estabilidade temporária e encarregado de criticar a própria Folha e acolher pleitos de leitores e personagens do noticiário.

Desde meados do regime militar, a Folha manteve posição crítica diante de sucessivos governos (Ernesto Geisel, João Figueiredo, José Sarney, Fernando Collor de Mello, Itamar Franco). Otavio Frias Filho foi processado juntamente com outros três jornalistas da Folha pelo então presidente Fernando Collor[7] . A cobertura dos governos Fernando Henrique Cardoso (PSDB) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) valeu ao jornal acusações de ser pró-oposição durante ambos os períodos presidenciais.

Da revelação da fraude na concorrência para a Ferrovia Norte-Sul (1986)[8] até a do escândalo do mensalão (2005)[9] , a Folha tem estado na vanguarda da fiscalização das autoridades e da revelação de desmandos e abusos.

Em 1991, Frias Filho recebeu, em nome da Folha, o prêmio Maria Moors Cabot, da Universidade Columbia (EUA)[10] .

Obras[editar | editar código-fonte]

É autor de seis peças de teatro, três publicadas em livro, juntamente com ensaios sobre cultura (“Tutankaton”[11] , Editora Iluminuras, 1991), quatro encenadas em São Paulo: “Típico Romântico” (1992), “Rancor” (1993), “Don Juan” (1995) e “Sonho de Núpcias” (2002).

Publicou também “Queda Livre”[12] (Companhia das Letras, 2003), no qual reuniu o que chamou de “investigações participativas”: sete reportagens ensaísticas sobre experiências de risco psicológico.

Durante dez anos, de 1994 a 2004, escreveu uma coluna semanal publicada na página 2 da Folha. No ano 2000, 99 delas foram editadas no livro “De Ponta Cabeça”[13] (Editora 34).

Em 2009, publicou pela Publifolha "Seleção Natural - Ensaios de Cultura e Política" [14] , reunião de 25 textos sobre teatro, cinema e jornalismo escritos em 25 anos.

Em literatura infanto-juvenil, é autor de “O Livro da 1ª Vez” (Cosac Naify [15] , 2004). Participou ainda de duas coletâneas de contos para crianças, “O Livro dos Medos” (1998) e “Vice-versa ao Contrário” (1993), ambos publicados pela Companhia das Letrinhas.

Referências

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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