Otelo Saraiva de Carvalho

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
NoFonti.svg
Este artigo ou secção cita fontes fiáveis e independentes, mas elas não cobrem todo o texto (desde agosto de 2011).
Por favor, melhore este artigo providenciando mais fontes fiáveis e independentes, inserindo-as em notas de rodapé ou no corpo do texto, nos locais indicados.
Encontre fontes: Googlenotícias, livros, acadêmicoScirus. Veja como referenciar e citar as fontes.
Otelo Saraiva de Carvalho.

Otelo Nuno Romão Saraiva de Carvalho GC L (Lourenço Marques, 31 de Agosto de 1936) é um ex-militar português, estratega do 25 de Abril.

Índice

[editar] Biografia

Foi capitão em Angola de 1961 a 1963 e também na Guiné entre 1970 e 1973, sendo um dos principais dinamizadores do movimento de contestação ao Decreto Lei nº 353/73, que deu origem ao Movimento dos Capitães e ao MFA. Entre 1964 a cerca de 1968, foi professor na "Escola Central de Sargentos" em Águeda.

Era o responsável pelo sector operacional da Comissão Coordenadora do MFA e foi ele quem dirigiu as operações do 25 de Abril, a partir do posto de comando clandestino instalado no Quartel da Pontinha.

Graduado em brigadeiro, foi nomeado Comandante-adjunto do COPCON e Comandante da região militar de Lisboa a 13 de Julho de 1974, tendo passado a ser Comandante do COPCON a 23 de Junho de 1975 (cargo que na prática já exercia desde Setembro de 1974). Foi afastado destes cargos após os acontecimentos de 25 de Novembro de 1975, por realizar de ânimo leve uma série de ordens de prisão e de maus tratos de elementos moderados.

Fez parte do Conselho da Revolução desde que este foi criado, a 14 de Março de 1975, até Dezembro de 1975. A partir de 30 de Julho do mesmo ano integra, com Costa Gomes e Vasco Gonçalves, o Directório, estrutura política de cúpula durante o V Governos Provisório na qual os restantes membros do Conselho da Revolução delegaram temporariamente os seus poderes (mas sem abandonarem o exercício das suas funções).

MES Otelo - Libertação, pintura mural de 1975[1]

Conotado com a ala mais radical do MFA, viria a ser preso em consequência dos acontecimentos do 25 de Novembro. Solto três meses mais tarde, foi candidato às eleições presidenciais de 1976.

Em 1980 cria o partido Força de Unidade Popular (FUP) e volta a concorrer às eleições presidenciais de 1980.

Na década de 1980 foi acusado de liderar a organização terrorista FP-25[2], responsável pelo assassinato de 17 pessoas nos anos 80.[2]. Foi detido em 1984.

Em 1985 foi julgado e condenado em tribunal pelo seu papel na liderança das FP-25 de Abril. Após ter apresentado recurso da sentença condenatória, ficou em prisão preventiva cinco anos, passando a aguardar julgamento em liberdade provisória.[3] Mais tarde acusou o PCP de ter estado por trás da sua detenção e de ter feito com que ficasse em prisão preventiva tanto tempo. Acusou ainda alguns nomes então na Polícia Judiciária, como a actual directora do Departamento Central de Investigação e Acção Penal, Cândida Almeida, então na PJ, de, devido à militância no PCP, ter estado por trás da sua detenção[4].

Em 1996 a Assembleia da República aprovou o indulto, seguido de uma amnistia para os presos do Caso FP-25.

Em 2011, admitiu que se soubesse como o país ia ficar, não teria realizado o 25 de Abril.[5]. Otelo lamenta as “enormes diferenças de carácter salarial” que existem na sociedade portuguesa: “Não posso aceitar essas diferenças. A mim, chocam-me. Então e os outros? Os que se levantam às 05:00 para ir trabalhar na fábrica e na lavoura e chegam ao fim do mês com uma miséria de ordenado?”. Para este capitão de Abril, o que mais o desilude é “questões que considerava muito importantes no programa político do Movimento das Forças Armadas (MFA) não terem sido cumpridas”. Uma delas, que considera “crucial”, era "a criação de um sistema que elevasse rapidamente o nível social, económico e cultural de todo um povo que viveu 48 anos debaixo de uma ditadura. Este povo, que viveu 48 anos sob uma ditadura militar e fascista merecia mais do que dois milhões de portugueses a viverem em estado de pobreza". Esses milhões, sublinhou, significa que “não foram alcançados os objectivos” do 25 de Abril.

[editar] Resultados eleitorais

Otelo à Presidência, GDUP, pintura mural de 1976[1]
FUP Otelo - Unidade popular, pintura mural de 1980[1]

[editar] Eleições presidenciais de 27 de Junho de 1976

Candidato votos  %
Ramalho Eanes 2.967.137
61,59%
Otelo Saraiva de Carvalho 792.760
16,46%
Pinheiro de Azevedo 692.147
14,37%
Octávio Pato 365.586
7,59%

[editar] Eleições presidenciais de 7 de Dezembro de 1980

Candidato votos  %
Ramalho Eanes 3.262.520
56,44%
Soares Carneiro 2.325.481
40,23%
Otelo Saraiva de Carvalho 85 896
1,49%
Galvão de Melo 48.468
0,84%
Pires Veloso 45.132
0,78%
Aires Rodrigues 12.745
0,22%
Carlos Brito desistiu --

Referências

[editar] Ver também

Ferramentas pessoais
Espaços nominais
Variantes
Ações
Navegação
Colaboração
Imprimir/exportar
Ferramentas
Noutras línguas