Otto von Bismarck
| Otto von Bismarck | |
|---|---|
| Otto von Bismarck | |
| Chanceler da |
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| Mandato | 1871 até 1890 |
| Antecessor(a) | - |
| Sucessor(a) | Leo von Caprivi |
| Vida | |
| Nascimento | 1 de Abril de 1815 Schönhausen |
| Falecimento | 30 de junho de 1898 (83 anos) Friedrichsruh |
| Assinatura | |
Otto Leopold Eduard von Bismarck-Schönhausen (desde 1865 conde von Bismarck-Schönhausen, desde 1871 príncipe von Bismarck-Schönhausen, e desde 1890 duque von Lauenburg ad personam) GCNSC (Schönhausen, 1 de Abril de 1815 — Friedrichsruh, Aumühle, 30 de Julho de 1898), foi um nobre, diplomata e político prussiano e uma personalidade internacional de destaque do século XIX. Bismarck ficou conhecido como o Napoleão da Alemanha.
Otto von Bismarck, o chanceler de ferro, foi o estadista mais importante da Alemanha do século XIX. Coube a ele lançar as bases do Segundo Império, ou 2º Reich (1871-1918), que levou os países germânicos a conhecer pela primeira vez na sua história a existência de um Estado nacional único. Para formar a unidade alemã, Bismarck desprezou os recursos do liberalismo político, preferindo a política da força1 .
Índice |
Política[editar]
Quando primeiro-ministro do reino da Prússia (1862-1890), unificou a Alemanha, depois de uma série de guerras, tornando-se o primeiro chanceler (1871-1890) do Império Alemão.
De início extremamente conservador, aristocrata e monarquista, Bismarck lutou contra o crescente movimento social democrata na década de 1880 ao tornar ilegais várias organizações e ao instituir, de forma pragmática, a lei de acidentes de trabalho, o reconhecimento dos sindicatos, o seguro de doença, acidente ou invalidez entre outras, convencido de que só com a ação do estado na resolução destes problemas se poderia fazer frente às novas ideias políticas. Tornou-se conhecido como o "Chanceler de Ferro" (Eiserner Kanzler).
A política de Bismarck pautou-se pelo nacionalismo e pelo militarismo. As guerras contra a Dinamarca, Império Austro-Húngaro e depois contra a França asseguraram a unificação da Alemanha em torno de um regime militarista. Alguns historiadores observam que devido ao regime autoritário de Bismarck a democracia alemã posteriormente na república de Weimar falharia, iniciando-se o regime ditatorial do Terceiro Reich.
Infância[editar]
Bismarck nasceu em 1 de abril de 1815 na propriedade de sua família abastada, situada na Prússia. Quarto filho de seu pai, Karl Wilhelm Ferdinand von Bismarck um proprietário imobiliário junker e um ex-oficial prussiano2 e sua mãe, Wilhelmine Luise Mencken, foi uma filha bem-educada de um alto funcionário do governo em Berlim. O nome e a família de Bismarck estavam entre os mais antigos da região.3 A.J.P. Taylor mais tarde comentou sobre a importância desta dupla herança: apesar de Bismarck parecer fisicamente com seu pai e aparentasse ser um junker prussiano para o mundo exterior — uma imagem que muitas vezes ele incentivou vestindo uniforme militar, mesmo que não fosse um oficial regular — ele também foi mais cosmopolita e altamente educado do que era normal para os homens de tal formação. Falava e escrevia fluentemente inglês4 , francês4 e russo5 . Quando jovem, costumava citar Shakespeare ou Byron em cartas a sua esposa.
A juventude[editar]
Bismarck foi educado nas escolas secundárias Friedrich-Wilhelm e Graues Kloster. De 1832 a 1833, estudou Direito na Universidade de Göttingen,6 onde foi um membro da Corps Hannovera Göttingen, uma corporação de estudantes, antes de se matricular na Universidade Humboldt de Berlim (1833-35).
Embora em Göttingen, Bismarck tornou-se amigo ao longo da vida de um estudante norte-americano, John Lothrop Motley, que descreveu Bismarck como Otto v. Rabenmark em sua novela a Esperança de Morton, ou as Memórias de um Provincial (1839). Motley se tornou um eminente historiador e diplomata.
Bismarck desejava se tornar um diplomata, mas começou a sua formação prática como um advogado em Aachen e Potsdam e logo renunciou, após ter colocado sua carreira em risco por cortejar sem prévio consentimento duas moças inglesas, primeiro Laura Russell, sobrinha do Duque de Cleveland, e em seguida Isabella Loraine-Smith, filha de um rico clérigo. Bismarck não conseguiu se casar com qualquer uma delas. Também serviu no exército durante um ano e tornou-se um oficial da Landwehr (reserva), antes de retornar para administrar as propriedades da família em Schönhausen após a morte de sua mãe, quando ele estava com vinte e poucos anos.
Primeiro Ministro[editar]
Depois de estudar Direito nas universidades de Göttingen e de Berlim, trabalhou por pouco tempo como administrador judicial em Aachen. Em 1847 conquistou uma cadeira no Landtag da Prússia onde gravitou no grupo ultraconservador liderado pelos irmãos Gerlach.7 Três anos mais tarde, participou como representante da Prússia na Dieta de Frankfurt, onde se destacou por suas ideias conservadoras e antiaustríacas. Depois foi sucessivamente embaixador em São Petersburgo e Paris,8 onde conheceu o imperador Napoleão III. Retornou a Berlim em 1862 e foi nomeado por Guilherme I primeiro-ministro da Prússia, posto no qual se dedicou por inteiro à tarefa de forjar a unificação alemã. Guilherme I se preparava para abdicar em 1862 e se voltou a Bismarck como sua última esperança de manter a supremacia junker.9
Quando foi primeiro-ministro do reino da Prússia, unificou a Alemanha, depois de uma série de guerras. Em 1864, Bismarck levou a Prússia a uma guerra vitoriosa contra a Dinamarca pela posse do Schleswig-Holstein (então dinamarquês, hoje pertencente à Alemanha). Duas etapas para atingir a unificação definitiva. Conseguiu, depois da guerra de 1866 contra a Áustria, que Viena cedesse a Berlim a preponderância no mundo germânico (1ª etapa). Na segunda etapa, precipitou com o despacho de Ems o seu país na guerra franco-prussiana de 1870,10 que terminou com a vitória da Prússia e trouxe a unificação definitiva dos estados alemães.11
Chanceler[editar]
Em 21 de março de 1871, Bismarck, considerado um herói, foi nomeado príncipe e chanceler imperial do Reich.12
Em seu célebre discurso de 14 de Maio de 1872 perante o Reichstag, para demonstrar bem a pujança e independência da Nação Alemã, afirmou perante os parlamentares: "Nach Canossa gehen wir nicht immer — weder körperlich noch geistig!" ("Nunca mais iremos a Canossa, nem de corpo nem de alma!"; recordando a humilhação sofrida pelo imperador germânico Henrique IV, em 1077, quando teve que ir, descalço e apenas com um cilício, em pleno inverno, pedir perdão ao Papa Gregório VII por não se haver submetido a autoridade papal, no castelo de Canossa, na Itália).
Iniciou várias reformas administrativas internas, criou uma moeda comum para todo o estado, instituiu um banco central e promulgou um código civil e um código comercial comuns a toda a Alemanha.
Em política externa, presidiu o Congresso de Berlim de 1878, no qual atuou como mediador entre as grandes potências. Nesse mesmo ano, uma aliança com a Áustria-Hungria marcou uma nova etapa de conservadorismo na política de Bismarck, que se refletiu internamente através de sua política anti-socialista. Contudo, na intenção de contestar as críticas social-democratas, instituiu um sistema de previdência social — o primeiro da história contemporânea — que lhe atraiu o apoio de amplos setores operários.13 Na política externa, sua atividade centrou-se na criação de um complexo sistema de alianças, destinado a conseguir o isolamento internacional da França e a realçar o papel da Alemanha.
Declínio e últimos anos[editar]
Em 1890, seu poder começou a declinar em virtude de crescentes divergências com o novo Kaiser, Guilherme II, que levaram o chanceler a demitir-se em 18 de março.
Na última etapa da vida, afastado de toda atividade política, Bismarck dedicou-se à redação de suas Memórias.14 Morreu em Friedrichsruh, perto de Hamburgo, em 30 de julho de 1898. Bismarck não viu a publicação dos dois primeiros volumes de "Pensamentos e reminiscências" (Gedanken und Erinnerungen) em 1898, uma vez que insistiu que deveriam ser divulgados somente postumamente.15
Encontra-se sepultado no Bismarck Mausoleum zu Friedrichsruh, Friedrichsruhe na Alemanha.16
Ver também[editar]
- Gerson Bleichröder - o banqueiro de Bismarck
Referências
- ↑ Otto von Bismarck - Biografia (em português). UOL - Educação. Página visitada em 1 de março de 2012.
- ↑ Steinberg, Jonathan. Bismarck: A Life (em inglês). Oxford: Oxford University Press, 2011. 592 p. p. 13. ISBN 0-19978252-0
- ↑ Headlam, James Wycliffe. Bismarck and the Foundation of the German Empire. Boston, Massachusetts: IndyPublish, 2004. 302 p. p. 1. ISBN 1-41423271-3
- ↑ a b Crankshaw, Edward. Bismarck (em inglês). [S.l.]: Penguin, 1995. 451 p. p. 1-30. ISBN 0-14006344-7
- ↑ Taylor, A.J.P.. Bismarck, The Man and the Statesman (em inglês). [S.l.]: Vintage, 1967. 288 p. p. 44. ISBN 0-39470387-1
- ↑ Eyck, Erich. Bismarck and the German Empire. New York: W. W. Norton, 1964. 328 p. p. 13. ISBN 0-393-00235-7
- ↑ Williamson, D. G.. Bismarck and Germany 1862-1890 (em inglês). 2ª ed. London/New York: Longman, 1998. 142 p. p. 5. ISBN 978-0-582-29321-2
- ↑ Bismarck, Otto von. Bismarck: The Man & the Stateman (em inglês). New York: Cosimo Classics, 2005. p. 5. 2 vol. vol. 1. ISBN 1-59605-184-1
- ↑ Editores da Newsweek e cartógrafos da C.S.Hammond. The Five Worlds of Our Lives. [S.l.]: Hammond/Newsweek, 1961. 319 p. p. 23. Library of Congress Card Number 60-13943
- ↑ Wetzel, David. A Duel of Giants: Bismarck, Napoleon III, and the Origins of the Franco-Prussian War. [S.l.]: University of Wisconsin Press, 2003. 264 p. ISBN 0-29917494-8
- ↑ Badsey, Stephen. The Franco-Prussian War 1870-1871. Oxford: Osprey Publishing, 2003. 96 p. p. 87. ISBN 1-84176421-3
- ↑ Abrams, Lynn. Bismarck and the German Empire: 1871-1918. 2ª ed. [S.l.]: Routledge, 2006. 112 p. p. 26-27. ISBN 0-415-36309-8
- ↑ Buckler, McKay Hill. A History of Western Society: Volume C: From the Revolutionary Era to the Present. 5ª ed. Boston: Houghton Mifflin Company, 1995. 1075 p. p. 851. 3 vol. vol. 3. ISBN 0-395-70846-X
- ↑ Bismarck, Otto von. Gedanken und Erinnerungen (em alemão). [S.l.]: J, 1921. 398 p. ISBN 5-41149422-2
- ↑ Gerwarth, Robert. The Bismarck Mith: Weimar Germany and the Legacy of the Iron Chancellor (em inglês). Oxford: Oxford University Press, 2005. 216 p. p. 18. ISBN 978-0-19-928184-8
- ↑ Otto von Bismarck no Find a Grave.
Bibliografia[editar]
- Fritz Stern: Ouro e Ferro. Bismarck e seu banqueiro Bleichröder (Gold und Eisen. Bismarck und sein Bankier Bleichröder), Frankfurt am Main/Berlin (Ullstein Verlag) 1978
- Crankshaw, Edward. Bismarck. The Viking Press. (1981).
- Taylor, A. J. P. Bismarck: the Man and the Statesman. Alfred A Knopf, New York, (1969).
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