Overbooking

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa

Overbooking ou Overselling (Português: sobrevenda) é um termo utilizado por empresas que se refere a prática de vender um serviço em quantidade maior do que a capacidade que a empresa pode fornecer. Tal prática pode ser ocasionada propositadamente pela empresa, que vende ativamente o serviço para compensar consumidores faltantes ou pode acontecer de forma acidental dado um grande número de variáveis nas operações. O termo é mais comum no setor de transporte de passageiros e na Hotelaria.

Transporte Aéreo[editar | editar código-fonte]

Histórico[editar | editar código-fonte]

Até o começo da década de 90, o aproveitamento médio dos voos regulares era de aproximadamente 60%. A baixa ocupação permitia às empresas conviverem sem maiores danos com os passageiros que não compareciam no embarque (No-show) sem aplicar penalidade e revalidando os respectivos bilhetes para outro voo ou reembolsando o valor pago. [1]

A partir da década de 90 com a diminuição da interferência do governo, a globalização, e principalmente a maior liberdade de concorrência, a procura ficou maior do que a oferta no segmento de transporte aéreo, fazendo o no-show virar efetivo prejuízo, já que estes assentos deixaram de ser vendidos e a companhia ainda terá a obrigação de remarcar o voo ou reembolsar o bilhete do passageiro faltante. Como solução para evitar o prejuízo as empresas do segmento adotam a prática de vender uma quantidade de assentos maior do que a quantidade disponível, usando como referência a porcentagem de no-show observada por um período de tempo. Entretanto por se basear apenas em uma estimativa, com frequência se apresentam para o embarque um número de passageiros superior ao número de assentos disponíveis, fazendo com que alguns passageiros fiquem impedidos de embarcar.[1]


Ao realizar um voo de forma regular observa-se uma taxa de ocupação média que raramente representa todos os lugares da aeronave porque existe uma porcentagem de passageiros que não se apresenta no embarque. Considerando uma aeronave de 100 lugares onde foram vendidos 100 bilhetes, mas só 90 passageiros se apresentaram para o embarque, existe uma taxa de 90% de ocupação e 10% de no-show. Se essa taxa se estabilizar por um período considerável a companhia passa a vender 110 lugares, ou seja, 100% da aeronave + 10% da estimativa de no-show. Assim se a estimativa for real, a aeronave ainda estará otimizada.

O overbooking também pode acontecer de forma acidental na operação de malhas aéreas com muitas variáveis. Companhias que utilizam aeronaves de vários tipos com números de assentos disponíveis diferentes podem sofrer imprevistos de operação ou manutenção que provocam trocas para aeronaves de menor porte, como o número de passagens já vendidas é imutável este por vezes fica maior do que o número de assentos disponíveis na nova aeronave.


Responsabilidade (Brasil)[editar | editar código-fonte]

No Brasil, a prática do overbooking não é vedada e nem bem definida por lei[2] porém isso não exclui a companhia aérea de prestar todo serviço de assistência material prevista na Resolução nº 141 da ANAC nos casos de atraso, cancelamento ou preterição de embarque.[3] O passageiro que não embarca pode entrar em acordo compensatório com a própria companhia aérea em até 30 dias ou exigir seus direitos pelo Código de Defesa do Consumidor.[4] Também pode se interpretar dentro do código brasileiro de aeronáutica como descumprimento de contrato de transporte aplicando-se assim, as penalidades vigentes.[2]


Hotelaria[editar | editar código-fonte]

Em hotelaria se usa o termo quando um estabelecimento hoteleiro tem atingido seus limites de ocupação e tem excesso de clientela que não pode albergar-se. Este estado pode estar causado por má gestão de um turoperador, ou bem pelo departamento de gestão de reservas do hotel, que pode possuir um número desatualizado do inventário quando os apartamentos estão em reformas ou inativos por qualquer motivo. Para solucionar uma sobrevenda os hotéis contam com gestões realizadas de antecedência com hotéis vizinhos, sendo nestes casos uma ação de ajuda mútua ante este tipo de emergência. Quando não há prévio acordo com outro hotel, se aloja os clientes em qualquer hotel à conta do estabelecimento que sofre a sobrevenda ou à conta do turoperador, dependendo de quem tem cometido o erro. Os turoperadores que efetuam uma sobrevenda a alojar os clientes em outro hotel da mesma categoria e endereço em que possuem garantia de habitações.


Referências

  1. a b Alex Castaldi Romera. Exposição de motivos da proposta de resolução que estabelece as regras de compensação aos passageiros vítimas da situação de “overbooking” (PDF) (em português) pp. 1-6. ANAC. Página visitada em 12/11/12.
  2. a b Código Brasileiro de Aeronáutica (1986). LEI Nº 7.565, DE 19 DE DEZEMBRO DE 1986 (PDF) (em português). Página visitada em 10 de agosto de 2014.
  3. Diretoria da Agência Nacional de Aviação Civil - ANAC (09/03/2010). RESOLUÇÃO Nº 141 (PDF) (em português) pp. 1-6. ANAC. Página visitada em 12/11/12.
  4. Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária – Infraero (Fevereiro 2014). Guia do Passageiro (PDF) (em português) pp. 30-34. ANAC. Página visitada em 10 de agosto de 2014.
Ícone de esboço Este artigo sobre aviação, integrado ao Projeto Aviação, é um esboço. Você pode ajudar a Wikipédia expandindo-o.