Oxum

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Oxum
Escultura de Carybé em madeira no Museu Afro-Brasileiro, em Salvador, representando Oxum
Oloxum
deusa das águas doces
Irmã Iansã[1]
Cônjuges Xangô, Oxóssi, Ogum
Filho Logunedé
instrumentos adê (coroa), abebé (leque) de ouro, obé (espada), ofá (arco e flecha), seixos do rio e pulseiras[1]
Caracterizações de Oxum: no primeiro plano, Oparà; no segundo, Ypondá, no Ile Ase Ijino Ilu Orossi

Oxum ou Oloxum,[2] na religião ioruba, é um orixá que reina sobre a água doce dos rios, o amor, a intimidade, a beleza, a riqueza e a diplomacia. Também é um orixá do candomblé. Oxum é dona do ouro e da nação ijexá. Tem o título de Ìyálòdè[3] entre os orixás.

Etimologia[editar | editar código-fonte]

"Oxum" e "oloxum" são termos com origem na língua iorubá.[2]

África[editar | editar código-fonte]

Osun, Oshun, Ochun ou Oxum, na mitologia iorubá, é um orixá feminino. O seu nome deriva do Rio Osun, que corre na Iorubalândia, região nigeriana de ijexá e Ijebu. Identificada no jogo do merindilogun pelos odu ejioko e Ôxê, é representada pelo candomblé, material e imaterialmente, por meio do assentamento sagrado denominado igba oxum.

É tida como um único orixá que tomaria o nome de acordo com a cidade por onde corre o rio, ou que seriam dezesseis e o nome se relacionaria a uma profundidade desse rio. As mais velhas ou mais antigas são encontradas nos locais mais profundos (Ibu), enquanto as mais jovens e guerreiras respondem pelos locais mais rasos. Exemplo: Osun Osogbo, Osun Opara ou Apara, Yeye Iponda, Yeye Kare, Yeye Ipetu etc.

Em sua obra "Notas Sobre o Culto aos Orixás e Voduns", Pierre Fatumbi Verger escreve que os tesouros de Oxum são guardados no palácio do rei Ataojá. O templo situa-se em frente e contém uma série de estátuas esculpidas em madeira, representando diversos Orixás: "Osun Osogbo, que tem as orelhas grandes para melhor ouvir os pedidos, e grandes olhos, para tudo ver. Ela carrega uma espada para defender seu povo."

Rio Osun em Osogbo (foto de Alex Mazzeto)

O Festival de Osun é realizado anualmente na cidade de Osogbo, na Nigéria. O Bosque Sagrado de Osun-Osogbo, onde se encontra o Templo de Osun, é patrimônio mundial da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura desde 2005.

Grande desavença[editar | editar código-fonte]

Oxum, Iansã e Obá eram esposas de Xangô.[4] Muitos dizem que Oxum enganou Obá e a induziu a cortar a orelha e colocá-la no amalá de Xangô, criando, com isso, uma grande desavença entre ambas. Mas, pensa-se que Obá apenas cortou sua orelha para provar seu amor a Xangô. Muitos difundiram este mito porque Oxum é a orixá da beleza e da juventude, ao passo que Obá tem mais idade e protege as mulheres dignas, idosas e necessitadas, além de trabalhar com Nanã. Quem afirmar que há uma desavença entre Oxum e Obá e que esta é a menos amada por Xangô está totalmente enganado, porque Obá é aquela mulher que fica ao lado do marido e que mais recebe o amor dele.

Quanto ao fato de algumas qualidades lutarem entre si, não é por causa da "desavença", que nem é verdadeira, e sim porque as qualidades fazem uma representação de conflitos e guerras do tempo em que tais qualidades estavam na Terra. Do mesmo jeito que, se houver uma qualidade de Iansã que, quando viveu na Terra, teve uma guerra com Ogum, quando ambos incorporarem, representarão uma luta entre si, para mostrar que possuíam certa desavença, e um pouco da história do mundo. Vale lembrar que estamos falando dos orixás Obá e Oxum, e não de suas qualidades (caminhos). Os orixás tiveram uma história aqui na Terra, e as qualidades, outra. Então, se Iansã tiver um conflito com Ogum, não podemos dizer que a Iansã (orixá) tem conflito com Ogum (orixá), porque quem tem a desavença são suas qualidades, e não os orixás entre si.

Brasil[editar | editar código-fonte]

Estátua representando Oxum em Ipanema, em Porto Alegre, no Brasil

Oxum é um orixá feminino da nação Ijexá, adotada e cultuada em todas as religiões afro-brasileiras. É o orixá das águas doces dos rios e cachoeiras, da riqueza, do amor, da prosperidade e da beleza. Em Oxum, os fiéis buscam auxílio para a solução de problemas no amor, uma vez que ela é a responsável pelas uniões, e também na vida financeira, a que se deve sua denominação de "Senhora do Ouro", que outrora era do Cobre, por ser o metal mais valioso da época.

Na natureza, o culto a Oxum costuma ser realizado nos rios e nas cachoeiras e, mais raramente, próximo às fontes de águas minerais. Oxum é símbolo da sensibilidade e muitas vezes derrama lágrimas ao incorporar em alguém, característica que se transfere a seus filhos, identificados por chorões.

Arquétipo[editar | editar código-fonte]

Seus filhos e filhas são doces, sentimentais, agem mais com o coração do que com a razão e são muito chorões. Também são extremamente vaidosos e conquistadores, adoram o luxo, a vida social, além de sempre estarem namorando.

Qualidades de Oxum[editar | editar código-fonte]

  • Kare - veste azul e dourado, cor do ouro. Usa um abebé e um ofá dourados.
  • Iyepòndàá ou Ipondá - é a mãe de Logunedé, orixá menino que compartilha dos seus axés. Ambos dançam ao som do ritmo ijexá, toque que recebe o nome de sua região de origem. Usa um abebé (espelho de metal) nas mãos, uma alfange (adaga)[5] , por ser guerreira, e um ofá (arco e flecha) dourado, por sua ligação com Oxóssi. É uma das mais jovens.
  • Yeyeòkè
  • Iya Ominíbú
  • Iya Omérìn
  • Ajagura
  • Ijímú
  • Ipetú - Yeye Ipetu é uma Oxum de culto muito antigo, no interior da floresta, na nascente dos rios, ligada a Ossaiyn e, principalmente, a Oyá, dada a sua ligação com Egun.
  • Èwuji
  • Abòtò
  • Ibola
  • Gama (Vodun feminino da mesma energia de Sakpatá, incorporado ao culto iorubá através de sua concernente Oxum)
  • Oxum Opará ou Apará - qualidade de Oxum, em que usa um abebé e um alfange (adaga) ou espada. Caminha com Oya Onira, com quem muitas vezes é confundida. Diferente das outras Oxuns por ter enredo com muitos orixás, vem acompanhada de Oyá e Ogum.

Sete folhas mais usadas para Oxum

Sincretismo[editar | editar código-fonte]

Oxum
Oxum

Nas religiões afro-brasileiras, é sincretizada com diversas Nossas Senhoras. Na Bahia, ela é tida como Nossa Senhora das Candeias ou Nossa Senhora dos Prazeres. No Sul do Brasil, é muitas vezes sincretizada com Nossa Senhora da Conceição, enquanto no Centro-Oeste e Sudeste é associada ora à denominação de Nossa Senhora, ora com Nossa Senhora da Conceição Aparecida.

Cuba[editar | editar código-fonte]

Na santería cubana, é chamada Ochún. O sincretismo deste orixá se dá na santería' com Nossa Senhora da Caridade do Cobre, padroeira de Cuba. Ver Oshun

Caminhos de Oshun no Lukumí

Na tradição cubana Lukumí, Oxum tem muitos caminhos ou manifestações. Algumas delas incluem:
Oshun Ibu Ikole—Oxum, o abutre, falcão, águia, predadores. Esta Oxum está associada com bruxas (Ajé), e os seus símbolos são o abutre, o almofariz e o pilão (símbolos de feitiçaria). Em Cuba, seus mitos dizem que esta Oxum salvou o mundo, por voar as orações do mundo a morrer até o Sol (Orun), onde Olodumare vive, no entanto, na África Ocidental este mito é atribuído a Yemoja.
Oshun Ibu Anya—Oxum dos tambores (Drums). Esta Oxum é a padroeira da dança e dos tambores Anya. Ela diz para dançar incessantemente para esquecer seus problemas.
Oshun Ibu Yumu—Esta Oxum é a mais velha Oxum. Ela se senta no fundo do rio, tricotando.
Oshun Ibu D'Oko—Oxum, a esposa de Orixá Oko. Esta Oxum é retratada como um sulco para ser arado e uma vulva gigante, enquanto seu marido Orixá Oko é um fazendeiro e retratado como um falo gigante. Esta é uma das manifestações mais obviamente procriativa de Oxum.
Oshun Ololodi—Oxum, a adivinha. Esta Oxum é a esposa de Orunmila, o orixá da adivinhação Ifa.
Oshun Ibu Akuaro—Oxum, a codorna. As crianças desta manifestação de Oxum são consideradas pessoas muito nervosas.

Haiti[editar | editar código-fonte]

No Haiti, Oxum é a orixá do amor, do dinheiro e da felicidade. Também conhecida como Erzile ou Erzulie, Erzulie Freda no Dahomey.[6]

Commons
O Commons possui imagens e outros ficheiros sobre Oxum

Notas

  1. a b CARYBÉ. Mural dos orixás. Salvador. Banco da Bahia Investimentos. 1979. p. 48.
  2. a b FERREIRA, A. B. H. Novo dicionário da língua portuguesa. 2ª edição. Rio de Janeiro. Nova Fronteira. 1986. p. 1 242.
  3. A confraria feminina reivindica o poder
  4. Cléo Martins - Obá: "a amazona belicosa"
  5. Alfange (adaga)
  6. Fruits, flowers, honey for Oshun

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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