Páris

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O Julgamento de Páris, porcelana, Museus Capitolinos, Roma

Na mitologia grega, Páris (também conhecido como Alexandre) era um dos filhos do rei Príamo de Troia com a rainha Hécuba. É o responsável por raptar Helena, esposa de Menelau, que governava a cidade grega de Esparta, dando início à Guerra de Troia, que duraria dez anos, e quem derrota Aquiles, porém, acaba sendo gravemente ferido por Filoctetes e vem a falecer.

Nascimento[editar | editar código-fonte]

Páris era um dos mais novos filhos do rei troiano Príamo com sua esposa Hécuba; esta teve mais de dezenove filhos. Antes de nascer, sua irmã mais velha, Cassandra, previu que ele provocaria uma guerra que incendiaria Troia e a destruiria. Porém, devido a uma maldição do deus Apolo de que ninguém jamais acreditaria nas previsões da princesa, foi considerada insana e desacreditada. Porém, Hécuba, antes de dar à luz, teve uma visão com um menino correndo por Troia, enquanto a cidade pegava fogo. Páris, então, foi entregue, ainda bebê, a um casal de pastores, a fim de se evitar o destino de destruição.

Vida Como Pastor[editar | editar código-fonte]

Páris cresceu como pastor, cuidando dos rebanhos de seu pai e cuidando do gado. Durante uma de suas viagens ao Monte Ida, conheceu Enone, uma ninfa filha do deus-rio Cebren que tinha o dom da adivinhação. Ambos se apaixonaram e passaram a morar juntos (segundo alguns autores, chegaram a se casar). Páris jurou jamais abandoná-la e algum tempo depois, Enone engravidou de Páris.

Nesta época, os deuses celebraram o casamento da ninfa Tétis com o rei Peleu, que seriam os pais de Aquiles. Foi durante a cerimônia que Éris, deusa da Discórdia e única deusa que não havia sido convidada para o casamento, compareceu à festa com uma maçã de ouro com a inscrição " à mais bela", oferecendo-a àquela que fosse escolhida a mais bela das deusas. Hera, Atena e Afrodite disputaram a posse do pomo. Zeus, para não entrar em conflito com elas, recusou-se a ser o juiz, e por conselho dos deuses, escolheu Páris, por ser honesto. Assim, esperando ser escolhida, cada uma das deusas fez promessas. Hera, rainha dos deuses, prometeu a Páris que se fosse escolhida, ele seria o rei mais poderoso do mundo. Atena, deusa da sabedoria e da batalha, prometeu que se ganhasse, ele teria muita sabedoria e sempre obteria vitória nas batalhas. Já Afrodite, deusa da beleza e da sensualidade, prometeu que ele teria o amor e se casaria com a mulher, que naquela época, era a mais bela do mundo: Helena de Esparta, filha de Zeus com a rainha Leda. Páris acabou escolhendo Afrodite.

Retorno a Troia[editar | editar código-fonte]

Tempos depois, Páris decidiu participar dos jogos de Troia, a fim de conseguir prêmios para sua família. Enone, porém, disse que se ele fosse, nunca mais voltaria para ela, pois se apaixonaria por outra mulher e geraria um conflito entre seus parentes, e caso fosse ferido, apenas ela poderia curá-lo. Páris não acreditou e se dirigiu para Troia. Lá, ele se destacou por sua beleza e força e ganhou muitas competições, até de Heitor, filho mais velho do rei, e portanto, herdeiro do trono. Príamo acabou reconhecendo o filho e o chamou para morar com sua verdadeira família. Páris, então, voltou para Troia e levou com ele Enone, que deu à luz um filho, Corythus.

Um tempo depois, Heitor enviou Páris em uma expedição à Grécia. Enone novamente disse que se ele fosse, apaixonar-se-ia por uma estrangeira e abandonaria a ela e ao filho, gerando mais tarde, uma guerra onde ele ficaria gravemente ferido e apenas ela poderia curá-lo, mas foi ignorada. Heleno, irmão gêmeo de Cassandra que também era vidente, também previu que a viagem resultaria numa catástrofe.

Páris acabou indo, e foi durante sua estadia em Esparta que ele conheceu Helena, que era a mulher mais bela do mundo. Eles acabaram se apaixonando. Helena já era casada com Menelau, rei da cidade, mas isto não a impediu de seguir com ele para Troia. Neste ponto, há divergências; alguns autores dizem que Páris seduziu Helena e a convenceu a fugir com ele; outros dizem que o príncipe a sequestrou (alguns, inclusive, dizem que ele a violentou).

Páris e Helena acabaram fugindo para Troia, tendo Afrodite os auxiliado na fuga. Páris abandonou Enone e o filho, que retornaram à suas origens humildes, e casou-se com Helena, que foi muito bem recebida em Troia e deu quatro filhos a Páris.

Guerra de Troia[editar | editar código-fonte]

Quando Melenau soube que fora traído, ficou furioso. Como Helena fora pretendida por muitos príncipes e heróis e todos juraram proteger a ela e ao marido que ela escolhesse, Menelau conseguiu reunir muitos exércitos e navios gregos, que se dirigiram para Troia, visando recuperar Helena. Importante ressaltar que, embora este fosse o motivo alegado, Menelau tinha outros interesses que o levou a guerrear contra a cidade, como a riqueza da cidade. Entre os líderes gregos estavam Aquiles, que era o maior de todos os guerreiros, Agamenon, rei de Micenas e irmão de Agamenon, e Odisseu, excelente estrategista nas batalhas. Do lado dos troianos, estavam exércitos asiáticos e as amazonas, comandadas por Pentesileia. Os deuses, com exceção de Zeus e Hades, também participaram da guerra. Entre os que estavam do lado dos gregos, estavam Hera e Atena, que haviam ficado furiosas por não terem sido escolhidas por Páris.

A guerra durou dez anos e muitos heróis perderam suas vidas lutando, entre eles, muitos dos filhos de Príamo. Durante anos, Páris lutou, porém, com menos desempenho que Heitor, que comandava os exércitos troianos, pois Príamo já estava velho para isto. Durante uma batalha, Heitor matou Pátroclo, companheiro de Aquiles, o que despertou a fúria e o ódio deste, que jurou vingança. Na batalha seguinte, Heitor e Aquiles lutaram. Com a ajuda de Atena, Aquiles conseguiu matar Heitor. Ainda irado pela morte de seu amigo, Aquiles amarrou o corpo de Heitor à sua carroça e passou dias arrastando-o pelas muralhas de Troia e se negando a entregá-lo, até que Príamo foi pessoalmente até Aquiles e implorou para que devolvesse o corpo de seu filho. Comovido, Aquiles atendeu o pedido.

Páris assumiu o comando dos exércitos e passou a lutar melhor. Durante uma batalha, ele recebeu flechas envenenadas de Apolo e conseguiu matar Aquiles, atingindo-o no calcanhar, única parte do corpo do guerreiro que era vulnerável. Porém, Heleno foi capturado pelos gregos, que o torturam a fim de que ele revelasse como poderiam vencer a guerra. Diferentemente de sua irmã Cassandra, Heleno tinha suas previsões acreditadas. Entre os trabalhos a serem realizados pelos gregos, estava roubar o palácio troiano, algo que mais tarde conseguiriam com o esquema do Cavalo de Troia, e obter as flechas de Hércules, que estavam em posse de Filoctetes. Este acabou entrando na guerra ao lado dos gregos, e durante uma luta contra Páris, deixou-o gravemente ferido.

Páris foi levado para o palácio já à beira da morte. Então, ele lembrou-se de Enone e que apenas ela poderia curá-lo. Um mensageiro foi enviado para dar a mensagem à ninfa, que agora era sacerdotisa de Cebren. A princípio, ela se negou a ajudá-lo, arrependendo-se posteriormente. Quando ela chegou a Troia, Páris já havia morrido. Alguns autores dizem que ela ficou desesperada quando viu o cadáver de seu antigo amado, que acabou se suicidando.

O comando dos exércitos passou para Deífobo, que exigiu a mão de Helena para continuar na guerra. Porém, no décimo ano da guerra, os gregos desertaram, deixando na entrada da cidade, um enorme cavalo de madeira. Pensando que haviam vencido a guerra e que o cavalo era um presente dos gregos, os troianos o levaram para dentro da cidade. Cassandra alertou várias vezes para que não o trouxessem para dentro, sabendo que se tratava de uma armadilha dos gregos. Porém, ninguém lhe deu ouvidos, e a esta altura, já era considerada louca até entre seus parentes. Consequentemente, durante a noite, inúmeros soldados gregos saíram de dentro do cavalo e realizaram um ataque surpresa. Eles saquearam a cidade e o palácio, roubando todas as suas riquezas, mataram civis e todos os membros homens da família real, inclusive os filhos de Helena com Páris, e incendiaram a cidade.

Troia acabou destruída e vencida pelos gregos. Os bens da cidade e as mulheres reais foram divididos entre os líderes gregos. Hécuba e as princesas troianas,como Cassandra e Andrômaca, esposa de Heitor, foram entregues como concubinas aos reis gregos. Helena acabou voltando para Menelau e continuou sendo rainha de Esparta, tendo uma filha com ele, Hermíone. Alguns autores, entretanto, dizem que foi expulsa do reino e morreu no exílio.

Referências[editar | editar código-fonte]

1.[1] 2.[2]

3.[3]

  1. Homero, Íliada
  2. Pseudo-Apolodoro
  3. Marion Zimmer Bradley, O Incêndio de Troia