Pós-punk

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Pós-punk
Origens estilísticas Protopunk
Punk rock
Punk de garagem
Punk funk
Reggae punk
Art punk
Glam punk
Krautrock
Psychobilly
Dub
Música experimental
Música psicodélica
World music
Vanguardas artísticas
Contexto cultural Fim de 1977 na Inglaterra
Instrumentos típicos Vozguitarrabaixobateriacaixa de ritmossintetizador
Popularidade Grande no Reino Unido a partir da segunda geração e menor reconhecimento em outros países, notavelmente Alemanha e Estados Unidos
Formas derivadas Indie rockRock alternativoGothic rockPós-hardcorePop punk
Subgêneros
No waveMinimalismo eletrônicoExperimental
Gêneros de fusão
Dance-punkNeofolkNeo-psicodelia - Ska punk
Formas regionais
Ultra nos Países baixosNeue Deutsche Welle na Alemanha
Outros tópicos
Punk rockMúsica industrialMúsica independente

O termo Pós-Punk ou Post-Punk, em música, refere-se a um estilo musical surgido na Inglaterra após o auge do punk rock em 1977. O estilo mantém suas raízes no punk rock, mas é mais introvertido, complexo e experimental [1] . O Pós-Punk lançou as bases para o rock alternativo, ampliando a estética sonora do punk rock, incorporando elementos de Krautrock (particularmente o uso de sintetizadores e a extensa repetição), música Dub jamaicana (especificamente técnicas de baixo), Funk americano e experimentações de estúdio.

O pós-punk é com freqüência e equivocadamente referido como sinônimo para música gótica ou como sinônimo de indie rock.

Contexto cultural[editar | editar código-fonte]

O punk alcançou seu auge em 1977, quando se tornou um fenômeno cultural de grandes proporções com centenas de entusiastas e dezenas de novas bandas de punk rock. Com o sucesso e divulgação, muitas de suas características originais — a irreverência, desprezo pela sociedade e a valorização da revolução pessoal — se tornaram irrelevantes para a maioria dos novos adeptos. Dois fatores principais para este fenômeno foram o interesse comercial da indústria cultural e a crescente influência da postura 'festeira' do punk norte-americano (em contraposição ao niilismo e inclinação destrutiva do punk inglês). De um lado, este desprezo pelos valores contra-culturais do punk permitiu que a música comercial se misturasse livremente com as novas características trazidas pelo punk, dando origem a bandas de punk rock que não eram necessariamente formadas por punks, do outro lado, os mais interessados em manter o punk como algo alternativo estabeleciam dogmas de conduta e estilo que limitavam severamente a criatividade. Neste período centenas de novas bandas surgiram representando em diferentes graduações estes dois extremos.

Apesar deste momento de agitação cultural ter sido inicialmente chamado de new wave ("nova onda"), é mais adequado atribuir este nome para as bandas da época com inclinações comerciais e influenciadas pela cultura pop e o nome Pós-punk para o lado mais alternativo e experimental. Em pouco tempo ambos se transformaram em característicos estilos musicais, por isso é comum atualmente referir a estes nomes como estilo ao invés de manifestação cultural. Pode-se considerar de forma geral o New Wave como a evolução acessível (mainstream) do Punk e o Pós-punk como o caráter alternativo das novas bandas (não uma mera negação do punk, como pode ser erroneamente sugerido).

Paralelo a estes dois fenômenos existiu também uma tentativa de isolamento e reconstrução do espírito originalmente contra-cultural punk. A partir dela a segunda geração punk se consolidou no começo dos anos 80 — nos Estados Unidos com a cena Hardcore, e na Inglaterra inicialmente com o street-punk, que se fundiria pouco tempo depois com os costumes skinheads e seria transformado no popular Oi!.

O pós-punk[editar | editar código-fonte]

O início do pós-punk inglês ocorre com a formação das bandas Magazine e Public Image Ltd entre o final de 1977 e o começo de 1978. A primeira liderada pelo ex-vocalista e compositor do Buzzcocks, Howard Devoto, e a segunda pelo ex-vocalista e compositor do Sex Pistols, Johnny Rotten (que a partir de então assumiu seu nome real John Lydon). Ambas foram fundadoras e favoritas do punk inglês e com seus novos projetos assumiam deliberadamente uma postura de ruptura e aversão aos rumos comerciais e dogmáticos. Antes, a também veterana banda punk Wire já evidenciava estruturas mais complexas e melódicas em algumas faixas do seu disco de 1977, Pink Flag. No disco de estréia do Public Image Ltd, First Issue, de 1978, John Lydon introduz algumas das principais características do pós-punk: o destaque em primeiro plano para o baixo, a guitarra como uma espécie de segunda voz (em vez do uso de riffs como base para o cantor) e as letras cheias de cinismo e existencialismo. O Magazine, com seu disco de estréia, também de 1978, Real Life, inaugura outras essenciais características do estilo ao usar sintetizadores para criar uma ambientação gélida e espaço vazio, cantar com uma voz ácida e construir melodias mais emotivas.

Nos Estados Unidos, uma tendência para uma música mais introspectiva, e ao mesmo tempo influenciada pelo faça-você-mesmo e a antitécnica, já era desenvolvida paralela ao punk. Dois grupos da primeira geração punk norte-americana, Television e Patti Smith, eram obviamente distintos dos seus companheiros Ramones e Blondie, e demonstravam os elementos, pelo menos conceituais, do pós-punk inglês. É também dos Estados Unidos o grupo Rocket From The Tombs, que daria origem à banda punk Dead Boys e ao extremamente influente sobre o pós-punk, Pere Ubu. O primeiro mini-disco do Pere Ubu, Datapanik In the Year Zero, de 1978, inaugura o interesse pelo Surrealismo, a experiência com vocais bizarros e melodias ao mesmo tempo kitsch e extremamente enigmáticas. O disco de estréia, The Modern Dance, do mesmo ano, é um marco porque introduz o interesse pela experimentação de ruídos, colagens e efeitos sonoros nunca explorados pelo punk, além de substituir a poética objetiva pela abstração ambígua. O pós-punk americano, apesar de ser análogo ao inglês, não teve o mesmo significado. O punk americano, no que diz respeito a relação com a sociedade, era superficial comparado à atitude niilista e negativa dos punks ingleses, desta forma não havia, para a maioria, grandes problemas com a explosão de bandas "simpáticas" e comerciais (os veteranos americanos do Blondie eram desde o começo representantes desta postura) e conseqüentemente não haveria uma morte do punk de onde o pós-punk surgiria. O pós-punk norte-americano se desenvolveu paralelamente ao punk, tendo suas bases numa longa tradição de músicos experimentais como Velvet Underground, Captain Beefheart, Frank Zappa e Yoko Ono, e não os destroços do punk.

Houve outros elementos que podem ser considerados indícios e bases para o pós-punk. Em 1977 os fundadores do glam rock Marc Bolan, David Bowie, Brian Eno (ex-Roxy Music) e Iggy Pop, extremamente influentes sobre a primeira geração punk, lançam alguns dos mais importantes discos de suas carreiras. David Bowie com participação de Brian Eno começa a chamada "fase Berlim" com os discos Heroes e Low, nos quais o primeiro lado são músicas mais acessíveis e o segundo experimentação instrumental com sintetizadores. Iggy Pop, ex-vocalista dos Stooges, banda norte-americana precursora do comportamento explosivo do punk, com a colaboração de David Bowie lança Lust For Life e The Idiot, esse último sendo o irmão sombrio do primeiro. As músicas são especialmente introspectivas e sombrias, e já é usado o baixo em destaque, neste caso com uma melodia circular, psicodélica e depressiva, características previamente exploradas pelos Stooges na faixa We Will Fall, de 1970. Também o norte-americano Velvet Underground, que durante os três primeiros discos, lançados no fim da década de 60, introduziu várias características fundamentais do pós-punk, especialmente no segundo álbum, White Light / White Heat, exaustivamente citado pelo pós-punk.

A primeira geração inglesa[editar | editar código-fonte]

Partindo do princípio de que não é preciso conhecimento técnico de música para produzir algo interessante, muitos dos integrantes da primeira geração pós-punk inglesa — a maioria universitários e aficionados por arte — formaram suas bandas após o auge do punk, entre 1977 e 1978. Não se interessavam em propagar a limitação poéticas, comportamentais e formais (os dogmáticos 3 acordes) que o punk havia adquirido e nem na evidente superficialidade e comercialismo das outras bandas que também surgiam naquele momento. As referências de arte de vanguarda que apareciam diluídas nos primeiros anos do punk inglês iam ao encontro dos interesses destes novos músicos que, ao contrário, supervalorizavam esses aspectos mais cerebrais.

A primeira geração, apesar de revelar o caráter sombrio já mencionado, era de modo geral otimista, muitas vezes com ritmos dançantes — influência da grande difusão do reggae, dub e ska entre punks nesta época — mas ultrapassava nitidamente todas as barreiras estilísticas do punk. Um caráter principal desta geração é o interesse pela experimentação de texturas sonoras e de novas tecnologias, que se explica pela crescente influência das bandas do experimentalismo alemão Krautrock e da importação de estilos estrangeiros. Há também numerosas referências nas letras a outros campos das artes, como literatura, artes plásticas e teatro e à filosofia. Bandas de destaque desta primeira geração são The Mekons, This Heat, Public Image Ltd, Magazine, The Fall, Raincoats, Siouxsie & the Banshees e Wire.

A segunda geração inglesa[editar | editar código-fonte]

Um fenômeno importante para a consolidação do pós-punk é a transformação de pequenas lojas de discos em gravadoras independentes e a sólida alternativa que elas representavam às grandes empresas que dominavam o mercado fonográfico. Rough Trade, Factory, Small Wonder, entre outras, por volta de 1978 criaram informalmente uma rede de gravadoras independentes e foram responsáveis pela promoção da maior parte dos artistas pós-punk, que nunca conseguiriam contrato com as grandes gravadoras. Em 1979 as primeiras bandas pós-punk começam a serem reconhecidas e são lançados alguns dos mais importantes discos da cena: Entertainment!, do Gang of Four e Dirk Wears White Sox, do Adam and the Ants.

É em 1979 também que vários conjuntos recém formados e com uma forte identidade estilística lançam suas primeiras gravações. Algumas características dessa identidade são a atmosfera sonora etérea, algumas vezes criando uma ambientação desértica e angustiante, e a interpretação introspectiva do sombrio, o existencialismo e o delírio a partir da ótica metropolitana, ou em alguns casos de pontos de vista surreais/metafísicos. Nesta época a new wave estreava um romantismo ingênuo, o New Romantic; comparados, a nova geração pós-punk era a versão negra, um ultra-romantismo de poética pessimista e inclinação suicida. O Joy Division abandona a fase punk Warsaw e lança em 1979 o disco marco Unknown Pleasures. O recém formado Bauhaus, com sua ironia macabra, lança o single Bela Lugosi's Dead neste mesmo ano. Também novato, Killing Joke estréia com o atmosférico mini-álbum Almost Red. The Cure debuta com a melancolia dançante do disco Three Imaginary Boys.

Sob influência dessas bandas, dezenas de outros discos são lançados nos anos seguintes e o pós-punk ganha grande exposição. Entre os que tiveram maior repercussão na mídia estão os U2, New Order, Joy Division, The Cure, Siouxsie & the Banshees, Bauhaus, The Smiths, Killing Joke, New Model Army, Psychedelic Furs e Echo & the Bunnymen. Ao mesmo tempo algumas bandas que não desfrutavam da fama sobreviviam com as gravadoras independentes e com a emergente cena anarcopunk/peace-punk que era um reduto para festivais e selos extremamente underground e independentes — mas praticamente sem lucro, totalmente voltado para divulgar o trabalho dos que não tinham condições de assinar com outras gravadoras. Outras bandas importantes, mas sem o enorme sucesso que o pós-punk experimentava na época, são Southern Death Cult, Theatre of Hate, Blood and Roses, The Mob, Lack of Knowledge e The Cravats.

O pós-punk norte-americano[editar | editar código-fonte]

Nos Estados Unidos o pós-punk não apresentou diferentes gerações, mas durante toda sua existência coexistiram duas linhas claramente distintas e identificáveis. Algumas bandas tinham um caráter evidentemente melódico, dando ênfase à guitarra e à notas mais emotivas. O uso característico do baixo, dos ingleses, não aparece com intensidade nessa variação melodiosa, que privilegiava uma instrumentação "seca" e mais aguda. A outra linha, em destaque os músicos da cena No Wave, estava alinhada com o não-rock áspero e indigesto da cena Industrial que começava a se formar naquele momento. O baixo era muitas vezes deixado em segundo plano para ser substituído por texturas sonoras (metais, caixas e outros objetos) também graves, resultando numa música formalmente equivalente ao estilo inglês, mas com uma poética bem mais agressiva e perturbadora. O uso massivo de microfonias e outros ruídos elétricos como partes fundamentais da estrutura ajudavam a desconstruir a forma tradicional de música (incluindo o próprio punk rock e sua estrutura de acordes). Os temas eram sombrios, escatológicos e misantrópicos, numa ótica nitidamente niilista. Fora da No Wave outros artistas seguiriam essa linha como Big Black, Savage Republic, Swans e Sonic Youth (quanto aos três últimos, referindo-se apenas ao começo da carreira).

A maioria destas bandas não é reconhecida como pós-punk por causa do clássico estilo inglês, mas considerando no sentido amplo, como fenômeno cultural, pode-se afirmar que Television, Savage Republic, Pere Ubu, Suicide, 100 Flowers, Lydia Lunch, The Contortions, Big Black, Redex, Hüsker Dü, entre outros, representaram a versão norte-americana do pós-punk.

Esta distinção América e Inglaterra não era estrita e nem mesmo óbvia, considerando que ambas versões se influenciavam profunda e mutuamente — por exemplo, Pere Ubu e Suicide foram favoritos e extremamente influentes entre os ingleses assim como Public Image Ltd, na sua fase experimental, e o Gang Of Four eram admirados pelos norte-americanos.

Diluição do Pós-Punk em novos estilos[editar | editar código-fonte]

Uma série de mudanças culturais e fatos marcantes acabaram determinando a diluição do pós-punk em novos estilos.

Em 1980, Ian Curtis, vocalista do Joy Division, se suicida. Os outros integrantes formaram em seguida o New Order, banda que começou fazendo pós-punk puro mas logo passou a fundir o estilo com a Dance Music eletrônica, assim acabaram criando um novo estilo musical, o dance rock, e seguiram fazendo músicas do estilo. O Oi! se tornava o centro das atenções da cena rock alternativa inglesa, visto como o renascimento do punk, mas seu lema cerveja, futebol e brigas era obviamente incompatível com a sensibilidade e introspecção do pós-punk. O anarcopunk, um dos únicos redutos alternativos para estes músicos, por volta de 1982 começou a ter suas primeiras divergências com a aparição de fanáticos e foi severamente abalado pelo surgimento de subdivisões em novas cenas, como o infame positive-punk. O clube Batcave abre nesta mesma época e alguns descontentes anarco-"positive-punks", a maioria ligada estilisticamente ao pós-punk, abandonam o já enfraquecido anarcopunk e se unem a emergente cultura gótica. O New Wave apresentava coisas cada vez mais diferentes com o auxílio da recente MTV. O Bauhaus anuncia o fim da banda em 1983. Os já famosos Siouxsie and the Banshees e The Cure também começam a se afastar do estilo para explorar um novo caminho no rock gótico.

Nos Estados Unidos o pós-punk se transforma no rock alternativo, com o R.E.M. e Hüsker Dü. Sonic Youth, com influência do lado mais experimental e ruidoso, expande a poética da nova música alternativa, paralelamente aos ingleses do The Jesus and Mary Chain. Os veteranos produzem discos que não despertam mais o interesse do público, como o Pere Ubu, ou se tornam caricaturas da New Wave, como o Devo.

O processo de diluição em novos estilos de música alternativa progride durante todo o resto dos anos 80. E outros estilos com influência nítida do pós-punk são o neofolk, a neo-psicodelia, a música etérea e as manifestações tardias de música industrial.

Críticas[editar | editar código-fonte]

O pós-punk foi criticado por uma grande parcela da segunda geração punk, que enxergava a nova cena como uma manifestação de academicismo e intelectualismo. Factualmente o problema era fruto da crescente valorização do que então era chamado de credibilidade de rua — o orgulho da classe operária defendida pela maioria de fãs do Oi! que desclassificava, acusando de "falsos", qualquer punk que não fosse suburbano-proletariado — e seu nítido contraste com a imagem do universitário, em geral estudante de artes, associada ao pós-punk. Ironicamente o estilo street-punk, precursor do Oi!, teve suas raízes na banda The Clash, formada pelo filho de diplomata e membro da classe média, Joe Strummer, e, no começo da carreira, pelo ex-Public Image Keith Levene. Exemplos de citações ditas intelectuais na produção pós-punk: o nome da banda The Fall e da música "Killing an Arab", do The Cure, fazem referência ao filósofo existencialista Albert Camus; o nome Bauhaus 1919 é usado como símbolo da antítese entre o funcionalismo da escola de arte alemã Bauhaus e o início do irracionalismo do cinema expressionista alemão, fundado em 1919; Pere Ubu como referência ao personagem da peça Ubu Roi do pre-surrealista francês Alfred Jarry, etc.

Outra crítica, menor, mas que se estende até os dias de hoje, é ao uso recorrente de imagens nazi-fascistas por algumas bandas. Quando o pós-punk inglês se consolidou, o uso de suásticas e símbolos nazistas como manifestação de niilismo já havia se tornado extremamente impopular entre punks, em primeiro lugar pela influência ativista-esquerdista do The Clash e do festival Rock Against Racism ("Rock Contra o Racismo"), e em segundo lugar pela crescente preocupação de skinheads e punks Oi! em se dissociarem da imagem de neonazistas. Seguindo o caminho inverso, a cena Industrial progressivamente incorporava imagens fascistas para construir sua poética misantrópica de repulsa, desconforto e terror e acabou influenciado uma parte, especialmente a segunda geração, da cena pós-punk. Ao contrário da brutalidade visceral dos industriais e da maioria pós-punk que demonstrava em algum nível simpatia pelos movimentos revolucionários esquerdistas —como maior exemplo o socialismo do Gang Of Four, The Three Johns e Mekons—, alguns músicos pós-punk utilizavam estas imagens sutilmente e de forma ambígua, em geral como humor negro —reminiscência do niilismo punk— ou como intensificador da sensação de descrença. Apesar de não fazerem apologia à sistemas e teorias nazi-fascistas, muitas bandas ainda são extremamente criticadas por indivíduos que abominam o uso destas imagens. Exemplos de referências fascistas na poética pós-punk: Joy Division, literalmente divisão da alegria, é uma referência literária ao setor em que judias eram forçadas a servirem sexualmente os soldados nazistas; New Order, remete a nova ordem do império nazista alemão (a banda mais tarde afirmou publicamente que esta não é a origem do nome e o livro "24 Hour Party People: What the Sleeve Notes Never Tell You", de Tony Wilson, esclarece que a denominação foi sugerida pelo empresário da banda após ele ter assistido um documentário sobre o Khmer Vermelho, exército revolucionário comunista cambojano que passou a se chamar "New Order of Kampuchean Liberation"); a música Final Solution do Pere Ubu, apesar de ser baseada num jogo infantil, sugere imediatamente o princípio de extermínio judeu de mesmo nome; Savage Republic tem como símbolo o logótipo das milícias nazistas do Sul da África com a suástica substituída por uma estrela, etc.

Manifestações fora da música[editar | editar código-fonte]

É possível identificar o estilo pós-punk em outras produções culturais dos anos 80.

No cinema[editar | editar código-fonte]

Alinhados a estética pós-punk[carece de fontes?]:

  • The Right Side Of My Brain, do norte-americano Richard Kern, 1985
  • Asas do Desejo (Der Himmel Über Berlin), do alemão Wim Wenders, 1987

Famosos por incorporar personagens e referências à cultura pós-punk:

Nos quadrinhos (banda desenhada)[editar | editar código-fonte]

  • Sandman, de Neil Gaiman
  • Vários trabalhos de Alan Moore (que produziu o disco-quadrinhos Old gangsters never die com membros da banda Bauhaus)

Pós-punk no mundo[editar | editar código-fonte]

Apesar de muitas bandas fora da Inglaterra e Estados Unidos serem meras cópias do estilo destes países, algumas cenas mundiais desenvolveram naturalmente sua própria estética pós-punk e produziram importantes contribuições ao gênero.

Alemanha[editar | editar código-fonte]

Muitas vezes aceito como a ala underground da Neue Deutsche Welle ("Nova Onda Alemã"), o pós-punk alemão foi marcado pela influência neo-dadaista e pelo uso de instrumentos eletrônicos, além do notável interesse pelo radicalismo experimental da música Industrial. As principais bandas são Abwärts, D.A.F, Die Tödliche Doris, Einstürzende Neubauten, Malaria! e Mittagspause.

Austrália[editar | editar código-fonte]

O pós-punk australiano, como o alemão, é em grande parte ligado a estética da música industrial. Algumas bandas importantes: Boys Next Door (que faria sucesso na Inglaterra como Birthday Party e depois Nick Cave and the Bad Seeds), Crime And The City Solution, The Limp, Prod, The Same, SPK, Severed Heads e Wild West.

Brasil[editar | editar código-fonte]

Entusiastas e membros da geração pós-punk brasileira da década de 80 são conhecidos como darks (mais tarde o termo passou a ser utilizado também com o sentido de gótico). A banda Cabine C é considerada pioneira da cena Dark paulista. Outras bandas de destaque são Akira S e As Garotas Que Erraram, Akt 2, Black Future, Chance, Fellini, Ira!, Legião Urbana, Plebe Rude, Escola de Escândalo, Finis Africae, Arte no Escuro,O Cálice, 5 Generais, Quarto Mundo, As Mercenárias, Divergência Socialista, Patife Band, Smack, Harry, Violeta de Outono (embora esta também tenha flertado com o psicodelismo dos anos 60 e com o rock progressivo dos anos 70), Varsóvia e Vzyadoq Moe, e as duas coletâneas principais da cena paulista, Não São Paulo Volume 1 e Enquanto Isso….

Países Baixos[editar | editar código-fonte]

A talvez mais importante gravadora pós-punk, Factory Records, lançou uma subsidiária na Bélgica chamada Factory Benelux. O pós-punk dessa região é chamado Ultra e engloba também experimentações não ligadas ao rock. Houve muitos artistas importantes nesta região da Europa, com destaque para as bandas The Ex, Flue, Mecano, Minny Pops e The Names.

Portugal[editar | editar código-fonte]

Apesar de esta variante ter tido pouca repercussão em Portugal, destaca-se sobretudo o primeiro álbum dos Sétima Legião, "A um Deus desconhecido" onde são notadas várias influências do movimento de Manchester, em particular dos Joy Division.

Referências

Ver também[editar | editar código-fonte]