Públio Cornélio Lêntulo Sura

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Públio Cornélio Lêntulo (em latim: Publius Cornelius Lentulus), apodado Sura (? — 5 de dezembro de 63 a.C.), político romano da época republicana, uma das principais figuras da conjura de Catilina.

Recebeu o seu cognome quando foi acusado por Sula (de quem recebera o cargo de questor em 81 a.C.) de derrochar dinheiro público, do qual recusou render contas enquanto insolentemente se agarrava da pantorrilha (sura). Foi posteriormente nomeado pretor (75 a.C.), governador da Sicília (74 a.C.) e cônsul (71 a.C.).

Em 70 a.C., após ser expulso do Senado por imoralidade, entre outros cargos, uniu-se a Catilina. Confiado num vaticínio das sibilas que afirmava que três Cornélios seriam governantes de Roma, Lêntulo creu então ser o sucessor de Lúcio Cornélio Sula e Lúcio Cornélio Cina.[1] Quando Catilina abandonou Roma após o primeiro discurso de Cícero na sua contra (In Catilinam), Lêntulo ocupou o seu lugar como líder dos conspiradores na cidade. Junto a C. Cornélio Cétego, planejou o assassinato de Cícero e o incêndio de Roma, se bem que este plano fracassou devido à sua timidez e indiscrição.

Lêntulo, seguindo as instruções de Catilina, reuniu os que estavam dispostos para a revolução, e não apenas os cidadãos.[2]

Uns embaixadores dos Gauleses alobrogenes, que permaneciam nesse momento em Roma como portadores de uma queixa formal contra os governantes da sua província por opressão,[3] receberam insinuações de Lêntulo para obter deles ajuda armada. Lêntulo enviou Públio Umbreno para lidar com os gauleses, pois estes eram por natureza dados à guerra,[4] e Umbreno já tinha lidado com eles antes.[5]

Os conspiradores levaram os gauleses para a casa de Décimo Júnio Bruto (cônsul de 77 a.C.), um local adequado pois ficava próxima do Fórum, pela presença de Semprônia, e pela ausência de Bruto, que estava fora de Roma.[6] Os conspiradores chamaram Gabínio, e revelaram seus planos aos gauleses.[7]

Os embaixadores ficaram na dúvida sobre o que fazer;[8] por um lado, havia suas dívidas, seu amor à guerra e a esperança de uma grande pilhagem em caso de vitória, por outro, havia os grandes recursos do Senado, um caminho sem risco e a certeza de ganho em lugar de probabilidades.[9] Os embaixadores contaram o plano, como eles haviam ouvido, para Quinto Fábio Sanga, que era quem tratava dos seus assuntos em Roma.[10] Quando Cícero, através de Sanga, soube dos planos, instruiu os gauleses a fingir interesse na conspiração e tentar provar a culpa dos conspiradores.[11]

Enquanto partidários de Catilina [12] causavam distúrbios na Gália e na Itália,[13] Lêntulo e outros conspiradores reuniram uma força em Roma, para que, quando Catilina chegasse com seu exército, Lúcio Bestia, tribuno da plebe, convocasse uma assembleia, denunciasse Cícero e iniciasse a guerra.[14] O sinal para o início da revolução, na próxima noite,[14] seriam doze focos de incêndio, que seriam acesos por Estatílio, Gabino e outros ao mesmo tempo.[15] Cétego deveria atacar Cícero, e a outros conspiradores foram distribuídas outras vítimas; os filhos mais velhos das famílias devendo matar os próprios pais; e, com a cidade em estado de choque, todos correriam para Catilina.[15]

Fingindo aceitar as suas propostas, os embaixadores se encontraram com os outros conspiradores por Gabínio, e exigiram de Lêntulo, Cétego, Estatílio e Cássio um juramento, que seria selado e levado ao seu país.[16] Lêntulo enviou, junto com os gauleses, Tito Voltúrcio, de Crotona, com instruções para Catilina.[17]

Cícero, que sabia dos planos, enviou os pretores Lúcio Valério Flaco e Caio Pomptino para prender os gauleses,[18] que imediatamente se renderam.[19]

Os conspiradores foram assim arrestados, e obrigados a reconhecer a sua culpabilidade.[20] Lêntulo foi obrigado a renunciar ao seu cargo de pretor [1] e, temendo que pudesse existir uma tentativa para o resgatar, foi executado por estrangulamento no Tuliano [21] a 5 de dezembro de 63 a.C. Os demais conspiradores, Cétego, Estatílio, Gabínio e Cepário foram executados da mesma forma. [22]

Ele era o padrasto de Marco Antônio, pois se casou com a viúva de Marco Antônio Crético, Júlia Antônia.[23] Marco Antônio tinha ódio de Cícero, culpando-o pela morte do padrasto,[23] e alegando, falsamente, que o corpo de Lêntulo não fora entregue à família, até que Júlia implorou para a esposa de Cícero.[24]

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b Salústio, A Conspiração de Catilina, 47.2
  2. Salústio, A Conspiração de Catilina, 39.6
  3. Salústio, A Conspiração de Catilina, 40.3
  4. Salústio, A Conspiração de Catilina, 40.1
  5. Salústio, A Conspiração de Catilina, 40.3
  6. Salústio, A Conspiração de Catilina, 40.5
  7. Salústio, A Conspiração de Catilina, 40.6
  8. Salústio, A Conspiração de Catilina, 41.1
  9. Salústio, A Conspiração de Catilina, 41.2
  10. Salústio, A Conspiração de Catilina, 41.4
  11. Salústio, A Conspiração de Catilina, 41.5
  12. Salústio, A Conspiração de Catilina, 42.2
  13. Salústio, A Conspiração de Catilina, 42.1
  14. a b Salústio, A Conspiração de Catilina, 43.1
  15. a b Salústio, A Conspiração de Catilina, 43.2
  16. Salústio, A Conspiração de Catilina, 44.1
  17. Salústio, A Conspiração de Catilina, 44.3-6
  18. Salústio, A Conspiração de Catilina, 45.1
  19. Salústio, A Conspiração de Catilina, 45.3
  20. Salústio, A Conspiração de Catilina, 46.1-4
  21. Salústio, A Conspiração de Catilina, 55.5
  22. Salústio, A Conspiração de Catilina, 55.6
  23. a b Plutarco, Vidas Paralelas, Vida de Marco Antônio, 2.1
  24. Plutarco, Vidas Paralelas, Vida de Marco Antônio, 2.2
Precedido por:
Lúcio Gélio Publícola e Cneu Cornélio Lêntulo Clodiano
Cônsul da República Romana
com Cneu Aufídio Orestes

71 a.C.
Sucedido por:
Cneu Pompeu Magno e Marco Licínio Crasso Dives